A Próxima Vítima (telenovela)
A Próxima Vítima é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 13 de março a 3 de novembro de 1995, em 203 capítulos. Substituiu Pátria Minha e foi substituída por Explode Coração, sendo a 50.ª "novela das oito" exibida pela emissora.
Marcelo (José Wilker) é um homem aproveitador e mau-caráter, casado por interesse com uma mulher bem mais velha, a rica Francesca Ferreto (Tereza Rachel). No entanto, ele é amante de Ana (Susana Vieira) há vinte anos, com quem tem três filhos. Ela é uma mulher forte, batalhadora e dona de uma cantina italiana. Marcelo também vive um tórrido romance com a jovem, inescrupulosa e fogosa Isabela Ferreto (Claudia Ohana), sobrinha de Francesca e noiva do rico e apaixonado Diego (Marcos Frota), que desconhece seu verdadeiro caráter. Na mansão dos Ferreto também moram o casal Eliseo (Gianfrancesco Guarnieri) e Filomena (Aracy Balabanian), irmã de Francesca, que controla os negócios da família com mão de ferro. Dominadora, manipula a vida de muitos personagens, principalmente a do marido, um homem humilhado e submisso. Carmela (Yoná Magalhães), a irmã mais nova de Francesca e Filomena, também vive na mansão. Ambiciosa e ressentida por ter sido abandonada pelo marido Adalberto (Cecil Thiré), ela vê na filha Isabela sua grande esperança para conseguir um lugar de destaque no mundo. Há também uma quarta irmã, Romana (Rosamaria Murtinho), que sustenta o gigolô Bruno (Alexandre Borges), a quem adotou como filho. Elegante e rica, adora dinheiro e sabe desfrutar muito bem dos prazeres que ele proporciona. Vive há muitos anos na cidade de Florença e tem um temperamento tão forte quanto o de Filomena, a quem não suporta, sendo a única mulher da trama com personalidade e força para enfrentá-la.
Mortes
Paralelo aos assassinatos misteriosos em série, outros dois assassinatos ocorreram na trama.
Conhecido por usar comédia escrachada em suas novelas, Silvio de Abreu teve que mudar de lado ao escrever uma trama totalmente oposta às que ele escreveu anteriormente. — O autor Silvio de Abreu à Folha de S.Paulo de 20 de novembro de 1994 Idealizada como uma produção neorrealista, o drama policial foi colocado como fio condutor da história. O objetivo era mostrar tudo de maneira natural, sem uso de efeitos especiais ou relacionados, juntando a isso o clima de suspense com romance policial. — O diretor Jorge Fernando ao Folha de S.Paulo de 15 de janeiro de 1995 A cidade de São Paulo voltava a ser locação em uma "novela das oito", depois de quase cinco anos. A última havia sido Meu Bem, Meu Mal em 1990. Os bairros da Mooca e do Bixiga foram os mais salientados, devido à grande concentração de descendentes de italianos. Além de servirem de cenário para muitas gravações, também foram inspiração para as cidades cenográficas da novela.
Embalada pela canção "Vítima" de Rita Lee e Roberto de Carvalho, A Próxima Vítima trazia imagens da cidade de São Paulo, e que marcaram a teledramaturgia. Em uma simulação de mira telescópica, a câmera vasculhava São Paulo em busca de suas próximas vítimas. Os rostos dos atores eram inseridos em um grafismo quadriculado e, após o ruído de um tiro, desvaneciam para ilustrar o perigo que rondava o elenco. A vinheta encerrava-se com óculos de sol, cujas lentes refletiam a cidade, descendo sobre um olho verde e estilhaçando-se com um disparo. O olhar que encerrava a icônica abertura era, na verdade, de um dos assistentes de Hans Donner, o responsável pela criação. Aqui estão os pontos de São Paulo exibidos na icônica abertura de A Próxima Vítima (1995), organizados por localização e os respectivos atores que apareciam em cada cena: Os nomes de Tony Ramos e José Wilker alternavam diariamente a ordem de aparição na abertura da novela.
Foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo de 10 de julho a 8 de dezembro de 2000, em 110 capítulos, substituindo Tropicaliente e antecedendo Roque Santeiro. Foi reexibida na íntegra pelo Viva de 9 de setembro de 2013 a 18 de junho de 2014, substituindo Renascer e sendo substituída por A Viagem, às 16h15. A partir de 17 de fevereiro de 2014, a TV Globo inverteu os horários do Vale a Pena Ver de Novo e Sessão da Tarde, fazendo com que o Viva apresentasse A Próxima Vítima mais cedo, às 14h30, para que o público acompanhe as novelas nas duas emissoras do Grupo Globo.
Outras mídias
Em 26 de setembro de 2022, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay, como parte do Projeto Resgate. Com o capítulo final alternativo da reprise de 2000 também sendo disponibilizado.
A trama abordou a história de uma família de negros de classe média alta, com um detalhe muito chamativo: uma demonstração rara de consciência racial perante os costumes da sociedade brasileira daquela época. Sidney e o pai não gostavam do namoro de sua irmã e filha mais nova Patrícia com um jovem branco e louro, em contraponto ao mito fundador da cultura comportamental brasileira que prega que a mistura racial anula o racismo. Uma pesquisa comprovou que os telespectadores apontavam como real as situações vividas por essa família. Eles também consideravam como positiva a maneira como a classe negra estava sendo abordada na novela. O ator André Gonçalves, que interpretava o homossexual Sandrinho afirmou que, por conta do seu personagem, sofria constantes ameaças e xingamentos, chegando até a ser agredido nas ruas. Uma das cenas mais marcantes da novela aconteceu no capítulo 50, exibido em 9 de maio de 1995, quando Isabela é empurrada da escada da mansão por Diego no dia do seu casamento, logo depois de descobrir que Isabela o traía com Marcelo. Outra sequência de cenas chocantes foi no capítulo 171, exibido em 27 de setembro de 1995: depois de descobrir que Isabela o traia, Marcelo começa a cortá-la com uma faca, deixando-a toda machucada e desfigurada. Esta última cena foi considerada altamente misógina, e foi o estopim para que um grupo de feministas se manifestasse contra a novela acerca do excesso de agressões que a personagem Isabela sofria. O argumento principal foi de que a novela banalizava a violência contra a mulher. Respondendo às críticas, o autor Sílvio de Abreu afirmou que a personagem estava sofrendo os castigos por ser uma vilã, e que segundo ele, "o mal não tem sexo".
O primeiro capítulo da trama obteve 53 pontos de média. A menor audiência da trama é de 33 pontos, alcançada no dia 21 de junho de 1995. Nos dias 25 de outubro e 31 de outubro de 1995, a trama bateu recorde. Foram registrados 58 e 60 pontos em ambos os dias. Seu último capítulo teve média de 62 pontos, ainda que uma alta audiência, frustrou a Globo, que esperava 70 pontos. Mesmo assim, terminou com a maior audiência de um último capítulo de novela das oito em 3 anos, desde De Corpo e Alma A trama teve média de 47 pontos, tornando-se um sucesso.


