Gwen Stacy (Aranhaverso)
Gwen Stacy, também conhecida pelo codinome de Mulher-Aranha, é uma personagem fictícia da franquia de filmes Aranhaverso. Ela tem suas origens enraizadas na versão original da Gwen Stacy, a personagem idealizada nas histórias em quadrinhos criadas por Stan Lee e Steve Ditko. Posteriormente, Jason Latour e Robbi Rodriguez criaram uma variante da Gwen Stacy, advinda de um universo alternativo (Terra-65), que assume o título da super-heroína Mulher-Aranha e que também é coloquialmente conhecida como Gwen-Aranha.
Into the Spider-Verse (2018)
Gwen é introduzida como uma adolescente em Spider-Man: Into the Spider-Verse, explicando que ela é a Mulher-Aranha há dois anos. Ela também menciona que falhou em salvar o Peter Parker de seu universo, que era seu melhor amigo, culpando-se por sua morte. Ela explica que durante a batalha com o Doutor Octopus, ela foi puxada para outra dimensão. Seu "sentido aranha" a levou até a Brooklyn Visions Academy, onde ela conheceria Miles, que desconhece sua identidade como Mulher-Aranha. Ela se apresenta sob o pseudônimo de "Wanda" (confundida por Miles como "Gwanda"). Ao falar com ela pela primeira vez, Miles é descrito como evidentemente ansioso. O encontro deles é estranho e Miles, ainda sem controlar seus poderes, fica com a mão presa no cabelo de Gwen, resultando em seu distinto corte inferior mais tarde no filme. Em determinado ponto da trama, Gwen prende Miles e Peter B. Parker em uma teia para levar a maleta que eles roubaram da Alchemax.
Across the Spider-Verse (2023)
Um ano após os eventos de Into the Spider-Verse, a sequência oferece a Gwen mais tempo na tela e se aprofunda em sua história. A abertura do filme é centrada em Gwen, com sua narrativa cruzada com visuais dela tocando bateria intensamente para sua banda, as Mary Janes. O elemento narrativo da abertura se concentra em sua história de fundo e relacionamento difícil com seu pai, o capitão da polícia George Stacy. É revelado que depois de realizar experimentos científicos em si mesmo, Peter Parker da Terra-65 se transforma no super-vilão conhecido como Lagarto. Como o Lagarto, Peter ataca um baile da escola para se vingar dos valentões que praticavam bullying com ele. Gwen, como Mulher-Aranha, luta com ele, mas não sabe que está lutando contra seu amigo. Como resultado da batalha, Peter sofre ferimentos letais e, antes de morrer, se transforma novamente em sua forma humana. Ao perceber que inadvertidamente matou seu melhor amigo, Gwen fica arrasada. Seu pai chega ao local dos eventos e se dedica a liderar a caçada para capturá-la.
Beyond the Spider-Verse
Lord e Miller confirmaram que Gwen encontrará variantes de si mesma em Beyond the Spider-Verse, chamando o evento de "enredo integral" para o filme.
Spider-Woman
Em novembro de 2018, um spin-off do Spider-Verse com um elenco liderado por mulheres foi anunciado junto com a sequência de Into the Spider-Verse. Gwen, assim como Jess Drew e Cindy Moon, foram posteriormente confirmadas como as personagens focadas no spin-off. Em maio de 2023, o produtor Avi Arad confirmou que o filme seria intitulado Spider-Woman e que apresentaria a Gwen Stacy/Mulher-Aranha como protagonista.
Origem como personagem de quadrinhos
Gwen foi baseada na personagem de mesmo nome que estreou em 2014, na segunda edição da revista em quadrinhos Edge of Spider-Verse. Cada edição da revista tinha uma equipe criativa diferente, e a edição da Gwen foi liderada por Jason Latour e Robbi Rodriguez. A revista, que apresentou a maior parte dos eventos do arco "Spider-Verse", também retratou uma versão do universo alternativo de Gwen Stacy, que foi morta na continuidade principal do universo da Marvel Comics conhecida como Terra-616. O universo alternativo no qual Gwen se torna Mulher-Aranha é designado como Terra-65. Os leitores dos quadrinhos da personagem comumente se referem a ela como Gwen-Aranha muito embora a personagem seja oficialmente conhecida como Aranha-Fantasma.
Adaptação cinematográfica
Pouco tempo antes do lançamento de Spider-Gwen, o ataque hacker em novembro de 2014 realizado na Sony Pictures – o estúdio que detém os direitos cinematográficos dos personagens referentes ao Homem-Aranha – revelou e-mails entre executivos da Sony discutindo um filme animado de comédia do Homem-Aranha que seria escrito por Phil Lord e Christopher Miller. Na CinemaCon em abril de 2015, o presidente da Sony Pictures, Tom Rothman, anunciou que a data de lançamento da animação para 20 de julho de 2018. Antes da aparição de Gwen nos filmes do Aranhaverso, a personagem foi adaptada na série de televisão animada Ultimate Spider-Man, fazendo sua estreia nas telas em 2016.
Design de visual
A Gwen da franquia Aranhaverso possui bastante inspiração derivada dos quadrinhos. Justin K. Thompson, o designer de produção de Into e o diretor de Across disse que foram "inflexíveis de que Gwen deveria refletir o estilo de arte de Robbi Rodriguez dos quadrinhos", afirmando que queria que ela fosse "a mais capaz de todas as Pessoas-Aranha", acrescentando que "há poder, sofisticação e equilíbrio nela". O diretor de arte de Into the Spider-Verse escreveu sobre Gwen ser "como um fantasma quando está fantasiada", afirmando "ela reage à luz, mas muito menos do que outros personagens. Ela mantém uma silhueta quase branca com detalhes em preto." Em Into the Spider-Verse, ela é retratada com um corpo mais esbelto, olhos azuis, um piercing perto da sobrancelha e cabelo curto e loiro, "cortado de um lado após Miles acidentalmente prender a mão nele por não conseguir controlar seus poderes". Seu traje implementa "elementos de feminilidade", já que sua parte preta "foi desenhada para parecer um vestido". O design de visual pega emprestado muitas características de suas aparições nos quadrinhos. O traje utilizado por Gwen é composto pelas cores preta, branca, roxa e azul neon e possui, portanto, uma paleta de cores bastante distinta dos padrões estabelecidos do Homem-Aranha, e foi originado do seu design dos quadrinhos criado por Latour, Rodriguez e o colorista Rico Renzi. A roupa da Gwen também tem um capuz e ela frequentemente o acompanha usando uma máscara branca. Para sua participação no filme, o designer de personagens Shiyoon Kim afirmou que o objetivo da equipe de animação "era fazer Gwen se destacar dos arquétipos visuais associados às personagens femininas em animações". Kim declarou que Gwen "não é apenas uma garota loira bonita com seu típico corpo magro de princesa. Queríamos que ela parecesse uma bailarina — alta, musculosa e poderosa". Kim também afirmou que uma escultura foi feita com base nos esboços de Andrea Blasich, com o artista de desenvolvimento visual Omar Smith sendo o responsável por criar o design final.
Elementos narrativos
Gwen é apresentada como sendo madura para sua idade em Into, é "muito competente no combate corpo a corpo, muito ágil e inteligente", servindo também como uma espécie de mentora de Miles. Embora o filme tenha descartado tornar Gwen exclusivamente um interesse amoroso de Miles, o filme inclui uma tensão romântica entre os dois; essa dinâmica é extraída dos quadrinhos, que apresentam a dupla engajada em um relacionamento interdimensional onde ocasionalmente cruzam dimensões para se encontrarem. Embora os pontos da trama sobre o relacionamento romântico de Gwen e Miles tenham sido cortados do primeiro filme, eles foram incluídos na sequência, Spider-Man: Across the Spider-Verse. Algumas cenas desenvolvendo o relacionamento foram inspiradas no enredo crossover intitulado Sitting in a Tree protagonizado por Miles e Gwen. Os cineastas da continuação também estavam conscientes do arco de Gwen se assemelhando ao de Miles, com ela "servindo como um espelho às vezes" para ele.
O desenvolvimento de Gwen de Into para Across foi analisado por críticos de cinema. Rory Piñata do MovieWeb escreveu que, no final do longa quando ela se reconecta com seu pai, "suas sombras escuras e pastéis se fundem em seus raios dourados", significando pela primeira vez para os espectadores que eles estão seguindo Gwen como a personagem principal do filme. Em sua análise para o Collider, Gregory Mysogland escreveu sobre os elementos contrastantes das aparições de Gwen no início e no final de Across the Spider-Verse. Mysogland escreveu que "música implacável e alta é tocada sobre todas as imagens dispares [da bateria de Gwen], unindo as emoções dolorosas que elas provocam em Gwen e, consequentemente, no espectador", enquanto também comenta que a rápida edição do filme e a câmera vibrante durante essa sequência criam um "efeito desorientador" para o espectador, imergindo-o nos "sentimentos de frustração, ansiedade e angústia" de Gwen. Mysogland contrastou isso com o final do filme, no qual Gwen resolve ajudar Miles, "encorajada por sua reconciliação com seu pai". As cenas dela liderando uma equipe de Aranhas "são acompanhadas por uma trilha sonora heroica clássica, que, embora entusiástica, não é nem de longe tão alta ou agressiva quanto a bateria na abertura". Mysogland acrescentou que a edição e a direção mais calmas da cena em comparação com a abertura ajudam a transmitir que Gwen superou pelo menos parcialmente os desafios emocionais para terminar o filme com um "caminho adiante claro e positivo".
Alegoria sobre identidade trans
Muito se escreveu sobre a história de Gwen sendo uma metáfora para a experiência transgênero, especialmente após sua aparição em Across the Spider-Verse. O filme não discute se Gwen é trans, nem seus criadores falaram sobre a identidade de Gwen a esse respeito. No entanto, o público e os escritores da mídia interpretaram o arco de Gwen na sequência como uma alegoria para a identidade trans, com alguns até sugerindo que Gwen pode ser trans ou codificada subtextualmente como tal.[n 1] Um desses subtextos inclui a fala de Gwen de que seus pais "só sabem metade de quem eu sou" que ela compartilha com Miles. Todavia o filme inclui referências explícitas à cultura trans como, por exemplo, uma foto na parede do quarto de Gwen que tem uma bandeira transgênero pendurada com o texto "Protejam as Crianças Trans". Alguns espectadores acreditam que o pai de Gwen também pode ser visto brevemente usando um broche trans. No entanto, as cores podem ser incidentais devido ao filtro de cores usado durante a cena, com o broche podendo ser apenas uma medalha da polícia. De fato, a paleta de cores do filme frequentemente apresenta Gwen "envolta" nas cores da bandeira transgênero: rosa, azul e branco. Porém, a CNN citou um espectador que, ao contrário, argumentou que essas cores já eram usadas para a versão em quadrinhos da personagem e, portanto, não eram necessariamente prova de que a versão do filme é trans. Alex Abad-Santos da Vox escreveu que "essas cores são especialmente pronunciadas quando Gwen está em seu próprio mundo, onde o conceito artístico é que as cores ao seu redor refletem seus sentimentos". Uma cena-chave com Gwen discutindo sua identidade secreta como Mulher-Aranha com seu pai apresenta as cores proeminentemente, com Amelia Hansford do PinkNews escrevendo que "Gwen e o ambiente ao seu redor estão praticamente encharcados" nelas. Hansford acrescentou que a cena foi vista por muitos como uma metáfora para sair do armário; ela escreveu que, em seu mundo, a persona de Mulher-Aranha de Gwen é julgada, mal compreendida e desprezada, fazendo-a esconder sua verdadeira identidade da sociedade.
No livro The Superhero Multiverse: Readapting Comic Book Icons in Twenty-First-Century Film and Popular Media, de James C. Taylor, o autor descreve a inclusão de Gwen em Into the Spider-Verse como "particularmente significativa", "em relação à abertura da franquia Homem-Aranha para personagens femininas". Taylor acrescentou que a caracterização de Gwen no filme "resiste" à marginalização das super-heroínas, escrevendo que "embora seu papel seja em grande parte coadjuvante na narrativa de um personagem masculino, ela se recusa a desempenhar o papel de interesse amoroso, desviando os avanços românticos de Morales". A ampliação do papel de Gwen na sequência foi elogiada pelos críticos de cinema. Germain Lussier do Gizmodo escreveu que "Uma coisa fica muito clara desde a primeira cena. Este não é apenas um filme do Miles Morales. É um filme da Gwen Stacy também", e acrescentou que o longa-metragem levaria os espectadores a se tornarem fãs de Gwen se já não fossem. Caleb Fesmire do Collider declarou que a Gwen era um dos "maiores pontos fortes" da sequência e opinou que, pelo filme conceder um espaço maior para a personagem, ajudou a argumentar a favor da Gwen merecer um filme independente. Fesmire acrescentou que "Gwen já era uma personagem forte em Into the Spider-Verse", chamando-a de "legal e competente sem forçar, servindo como contraponto para um Miles menos confiante", ao mesmo tempo em que elogiava o desempenho de Steinfeld. Por fim, Fesmire elogiou o design visual da Terra-65, escrevendo que "talvez a justificativa mais simples para dar a Gwen um filme solo seja simplesmente pelo quão bom a Terra-65, o mundo da Gwen, parece em Across the Spider-Verse", chamando-o de "maravilhosamente impressionista".
Reações às interpretações da alegoria trans
A recepção do público às interpretações de Gwen como trans ou de sua história como uma alegoria para a identidade trans foi positiva, segundo os escritores e veículos de comunicação que cobriram o filme. Hansford escreveu que "Seja Gwen Stacy trans, uma aliada ou simplesmente uma metáfora para a experiência trans, muitos fãs elogiaram a inclusão de um super-herói codificado como trans superando adversidades em um mundo empenhado em suprimir sua identidade". Asmelash, Colbert e Alex Stedman do IGN citaram um fã que escreveu: "Fãs trans (e até mesmo cis) têm todo o direito de dizer que Gwen Stacy é trans, mesmo que os filmes nunca confirmem isso abertamente. Você não pode negar que isso foi insinuado. O fato é que — se ela pode fazer alguém se sentir representado, quem é você para dizer que está errado?". Avery Kaplan do Popverse escreveu que mesmo se Gwen for cis, ela ainda pode ser identificável para espectadores trans, referindo-se a uma cena "em que [Gwen e Miles] expressam o quanto eles se identificam profundamente, apesar da natureza aparentemente diferente de suas respectivas circunstâncias. A empatia incondicional entre os dois personagens principais, apesar de suas origens disparatadas – eles são literalmente de dimensões diferentes – incorpora um dos temas centrais do conceito do Aranhaverso".


