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Tom Jobim

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida "Tom" Jobim foi um compositor, pianista, violonista, arranjador e cantor brasileiro. Considerado um dos grandes expoentes da música brasileira, Jobim internacionalizou a bossa nova e, com a ajuda de importantes artistas estadunidenses, fundiu-a com o jazz nos anos 1960 para criar uma nova sonoridade, de sucesso popular. Por isso, às vezes é conhecido como o "pai da bossa nova".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Juventude

Antônio Carlos Jobim nasceu na Rua Conde de Bonfim, 634, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Seu pai, Jorge de Oliveira Jobim (São Gabriel, Rio Grande do Sul; 1889–1935), foi escritor, diplomata, professor e jornalista. Ele veio de uma família proeminente, sendo sobrinho-neto de José Martins da Cruz Jobim, senador, conselheiro particular e médico do imperador Dom Pedro II. Sua mãe, Nilza Brasileiro de Almeida (c. 1910–1989), era parcialmente descendente de indígenas do Nordeste do Brasil. Brasileira de Almeida tinha apenas 16 anos quando deu à luz Antônio Carlos Jobim em sua casa na Tijuca, na Rua Conde de Bonfim. Enquanto estudava medicina na Europa, José Martins acrescentou Jobim ao sobrenome, em homenagem à vila de onde veio sua família em Portugal, a freguesia de Santa Cruz de Jovim do município de Gondomar, na Área Metropolitana do Porto. Quando Antônio ainda era bebê, seus pais se separaram e sua mãe mudou-se com os filhos (Antônio Carlos e sua irmã Helena Isaura, nascidos em 23 de fevereiro de 1931) para Ipanema, bairro litorâneo que o compositor mais tarde celebraria em suas canções. Em 1935, com a morte do pai Jobim, Nilza casou-se com Celso da Frota Pessoa (falecido em 2 de fevereiro de 1979), que incentivaria a carreira do enteado. Foi ele quem deu a Jobim seu primeiro piano e quem o incentivou a seguir a música. Em entrevista a Roberto d'Ávila em 1981, ele disse: "Eu odiava piano, achava coisa de menina, gostava de jogar futebol... Tive um ótimo padrasto que me ajudou muito a me envolver com a música e me convenceu de que piano não era coisa de menina".

Influências musicais

As raízes musicais de Jobim foram firmemente inspiradas na obra de Pixinguinha, o lendário músico e compositor que iniciou a música moderna brasileira na década de 1930. Entre seus professores estavam Lúcia Branco e, a partir de 1941, Hans-Joachim Koellreutter, compositor alemão que viveu no Brasil e introduziu no país a composição atonal e dodecafônica. A mãe de Jobim fundou uma escola onde ele começaria a ter aulas de piano; foi quando conheceu Koellreutter. Jobim também foi influenciado pelos compositores franceses Claude Debussy e Maurice Ravel, e pelos compositores brasileiros Ary Barroso e Heitor Villa-Lobos, que foi descrito como a "influência musical mais importante" de Jobim.

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Carreira

Na década de 1940, Jobim passou a tocar piano em bares e casas noturnas do Rio de Janeiro e, nos primeiros anos da década de 1950, trabalhou como arranjador no Estúdio Continental, onde gravou sua primeira composição, em abril de 1953, quando o cantor brasileiro Mauricy Moura gravou Incerteza, composição de Jobim, com letra de Newton Mendonça. Jobim ganhou destaque no Brasil quando se associou ao poeta e diplomata Vinicius de Moraes para compor a música da peça Orfeu da Conceição (1956). A música mais popular do espetáculo foi "Se Todos Fossem Iguais A Você". Mais tarde, quando a peça foi adaptada para o cinema, o produtor Sacha Gordine não quis usar nenhuma das músicas existentes na peça. Gordine pediu a de Moraes e Jobim uma nova trilha sonora para o filme Orfeu Negro (1959). Moraes estava na época em Montevidéu, Uruguai, trabalhando para o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil) e por isso ele e Jobim só conseguiram escrever três músicas, principalmente por telefone ("A felicidade", "Frevo" e "O nosso amor"). Essa colaboração foi bem-sucedida e Moraes escreveu as letras de algumas das canções mais populares de Jobim.

Colaboração com Elis Regina c. 1974-1982

Jobim e Elis Regina se conheceram em 1974 na cidade de Los Angeles, quando Regina tinha apenas 29 anos e ainda era uma cara nova na indústria musical brasileira. Regina era uma força a ser reconhecida, sendo referida como “furacão” por aqueles que trabalharam com ela e ao seu redor. Os dois artistas se uniram para criar o álbum “Elis & Tom” que inesperadamente se tornaria tremendamente popular nos Estados Unidos, assim como em todo o mundo. Regina e Jobim tiveram uma química criativa especial entre eles que foi notada por aqueles que estavam presentes para testemunhar o processo colaborativo em primeira mão durante aquela época em suas carreiras. Oscar Castro-Neves, guitarrista-produtor que trabalhou com Regina e Jobim no álbum “Elis & Tom” em meados da década de 1970, relembrou em artigo para o Los Angeles Times: “Havia uma linha muito tênue entre 'ensaio' e 'sair', 'só conversar'... foi tudo perfeito”. Pela natureza da relação de trabalho, Regina e Jobim se aproximaram e criaram uma simbiose que se reflete no resultado do trabalho conjunto. Águas de Março representa isso com a letra simulando uma brincadeira de terminar a frase um do outro.

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Vida pessoal

Jobim casou-se com Thereza Otero Hermanny em 15 de outubro de 1949 e teve dois filhos: o arquiteto e músico Paulo Jobim (1950–2022) - pai de Daniel Jobim (nascido em 1973) e Dora Jobim (nascida em 1976) - e a pintora Elizabeth "Beth" Jobim (nascida em 1957). Jobim e Thereza se divorciaram em 1978. Em 30 de abril de 1986, casou-se com a fotógrafa Ana Beatriz Lontra, de 29 anos, com quem teve mais dois filhos: João Francisco Jobim (1979–1998) e Maria Luiza Helena Jobim (nascida em 1987). Daniel, filho de Paulo, seguiu o avô para se tornar pianista e compositor e cantou "Garota de Ipanema" durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

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Morte

No início de 1994, após terminar seu álbum Antonio Brasileiro, Jobim queixou-se ao seu médico, Roberto Hugo Costa Lima, de problemas urinários. Ele foi submetido a uma operação no Hospital Mount Sinai, em Nova York, em 2 de dezembro de 1994. Em 8 de dezembro, enquanto se recuperava de uma cirurgia, teve uma parada cardíaca causada por uma embolia pulmonar, e duas horas depois, outra parada cardíaca, da qual veio a falecer. Ele deixou seus filhos e netos. Seu último álbum, Antonio Brasileiro, foi lançado postumamente três dias após sua morte. Seu corpo foi sepultado em 20 de dezembro de 1994 no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

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Legado

Jobim é amplamente considerado como um dos compositores mais importantes do século XX. Muitas de suas canções se tornaram padrões de jazz. Os cantores de jazz estadunidenses Ella Fitzgerald e Frank Sinatra destacaram as canções de Jobim em seus álbuns Ella Abraça Jobim (1981) e Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim (1967), respectivamente. O álbum Wave de 1996: The Antonio Carlos Jobim Songbook incluiu apresentações de músicas de Jobim de Oscar Peterson, Herbie Hancock, Chick Corea e Toots Thielemans. Jobim foi um inovador no uso de estruturas harmônicas sofisticadas na canção popular. Algumas de suas reviravoltas melódicas, como a melodia insistindo na sétima maior do acorde, tornaram-se comuns no jazz depois que ele as usou. Os colaboradores e intérpretes brasileiros da música de Jobim incluem Vinicius de Moraes, João Gilberto (muitas vezes creditado como co-criador ou criador da bossa nova), Chico Buarque, Edu Lobo, Gal Costa, Elis Regina, Sérgio Mendes, Astrud Gilberto e Flora Purim. Arranjos significativos das composições de Jobim foram escritos por Eumir Deodato, Nelson Riddle e, principalmente, pelo maestro e compositor Claus Ogerman.

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