Journal de Bitita
Journal de Bitita é um livro autobiográfico da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, publicado originalmente na França em 1982 pela Éditions A.M. Métailié após a morte da autora e publicado posteriormente no Brasil em 1986, pela editora Nova Fronteira.
Em 1972, De Jesus entregou para a jornalista brasileira Clélia Pisa na esperança que fossem publicados, dois cadernos com seus manuscritos: um deles composto por diversos poemas e outro, com os manuscritos de "Um Brasil para Brasileiros" composto por diversas narrativas autobiográficas que formaram posteriormente o livro Diário de Bitita.
Foi publicada originalmente em francês, com o título de Journal de Bitita em 1982 pela Éditions A.M. Métailié após a morte da autora. A edição francesa é uma tradução de Réginet Valbert, feita à partir dos seus manuscritos, porém, apresenta acréscimos e correções sugeridas pela editora, direcionamento o texto para o público francês e, principalmente, enfatizado a História do Brasil para o leitor europeu. E segundo a mesma editora francesa, uma editora alemã recusou-se a editar o livro alegando falsa autoria. Os direitos autorais da obra foram concedidos à editora espanhola Alfaguara que publicou o livro em 1984, sob o título de Diario de Bitita. O livro chegou ao Brasil apenas em 1986 pela editora Nova Fronteira, sendo todas as edições brasileiras, cópias do texto estabelecido e traduzido diretamente do francês por Clélia Pisa à partir de sua própria releitura dos manuscritos. Em janeiro de 2014, o livro foi republicado pela editora SESI-SP.
Nascida em uma comunidade pobre na zona rural da cidade de Sacramento em Minas Gerais, a autora narra as dificuldades enfrentadas no começo de sua vida, em meio à pobreza e à exclusão social contra a população negra, em um Brasil duas décadas após a abolição da escravatura. Em uma época onde o acesso à educação era extremamente restrito, especialmente para mulheres negras como De Jesus. O livro narra a busca de "Bitita" pelo estudo, seus primeiros anos frequentando a escola onde aprendeu a ler e escrever — algo raro para a época — e também o seu posterior abandono da escola. O Diário de Bitita narra a vida da autora até o momento em que viaja para São Paulo depois da morte de sua mãe. A vida da autora após essa mudança é narrada em seu livro de maior sucesso Quarto de Despejo.
Internacional
A obra recebeu apenas uma "boa acolhida" da imprensa francesa, diferentemente do sucesso das publicações anteriores de Le Dépotoir (Quarto de Despejo) em 1962, e Ma Vrai Maison (Casa de Alvenaria) em 1964, ambas publicadas pela editora Stock. Este livro vai direto ao ponto; torna a amargura de uma garotinha inquieta em riqueza, ao revelar mais sobre o lado oculto do Brasil que toneladas de livros de antropologia.
Em 1983, a obra recebeu o prêmio regional Prix de Lectrices de Elle da revista feminina francesa Elle, na cidade de Nice. Na ocasião, a jornalista Pisa, a editora Métaillé e a tradutora Valbert, compareceram na premiação como representantes da autora.


