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A Jardineira

A Jardineira é uma marchinha de carnaval, lançada originalmente no final de 1938 para o festejo do ano seguinte, tinha letra do compositor baiano Humberto Porto, música de Benedito Lacerda e primeira gravação por Orlando Silva.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Histórico

Já em novembro de 1938 Benedito Lacerda anunciava, numa entrevista à revista Carioca em que falava de seus sucessos, que "dentro em breve, porém, juntarei mais um: «Jardineira». Música baseada em motivos da Bahia. Letra de Humberto Porto. Gravou-a, Orlando Silva..." A mesma revista publicou a seguir a letra da canção com a recomendação: "que os carnavalescos trauteiem, enquanto esperam, a letra momástica que classificamos como sucesso", completando: "é uma música carnavalesca. A primeira música carnavalesca a fazer sucesso evidente, antes do carnaval. «A Jardineira», marcha de rancho (...) é a tal". Assim, após esse lançamento prévio, já em janeiro do ano seguinte a "Carioca" publicou uma nota em que dizia "está sendo disputada a autoria da triunfante marcha «A Jardineira», que se apresenta como candidata provável ao título de «melhor das marchas carnavalescas»." E, de fato, seguiu-se mais adiante com uma extensa matéria em que se apresentavam argumentos levados por leitores sobre a pré-existência da canção.

Acusações de plágio

Em 12 de janeiro Oswaldo Santiago registrou que "a imprensa de norte a sul (também no Paraná há quem se atribua a paternidade da obra...) tem lançado as maiores injúrias a Benedito Lacerda, Humberto Porto e a todos os compositores do Rio que, (...) ainda que algo de mau houvesse, nenhuma culpa teriam no caso..." Na revista Carioca do dia 14 desse mesmo mês vários foram os leitores que acusaram já conhecer a música. O semanário abriu os depoimentos que recebera declarando "«Jardineira» caiu no goto. As edições andam por aí (...) com notável sucesso, a música hoje popularíssima. Os leitores de Carioca, porém, compareceram, de apito à boca, para pôr as coisas no seu verdadeiro lugar. A música é de uma velha canção. A letra foi readaptada. Que merecem, em face disso, Benedicto Lacerda e Humberto Porto? Aplausos ou assobios? Dividem-se as opiniões."

Defesas

Na matéria de janeiro de 1939 Oswaldo Santiago publicou a partitura da marchinha, sublinhando oito compassos novos introduzidos pelos autores e que haviam sido indicados pelo compositor Humberto Salles, morador de Andaraí (interior baiano), presentes na segunda parte da canção. Santiago argumentou em defesa dos autores: "no momento quem está na berlinda é a marcha «Jardineira», velha melodia do cancioneiro popular baiano (...) que, conforme se vê no impresso para piano, acusam a procedência da mesma. Não houve, portanto, da parte desses conhecidos compositores, a menor ideia de apropriação. Eles confessam, num texto que está na capa da música, que «Jardineira» é canção com que as mães embalam os filhos, no interior da «boa terra»", continuando: "como se trata de obra do domínio público, sem autor conhecido, a lei permite a adaptação que fizeram para o ritmo carnavalesco carioca, além de pequenas outras modificações na letra e na música (...) tudo feito de modo claro, leal, sem margem para ataques", concluindo: "acalmem-se os baianos, ciosos das suas joias melódicas e literárias. A divulgação de «A Jardineira» em todo o país, pela voz de Orlando Silva, é um serviço que Humberto Porto prestou à Bahia, em cujo regaço ele colheu a camélia que caiu do galho, como já colheu outras flores do seu cancioneiro, estilizando-as e tornando-as mais conhecidas."

"Terno de Reis da Jardineira"

A narrativa de Porto remete à sua infância na Bahia e descreve o terno de Reis que o impressionara e o inspirara: "Esse quadro maravilhoso, que se fixa na imaginação infantil de todo o baiano, é lembrado, gostosamente, numa saudade cheia de amenas recordações. Quis trazê-la para o Rio. Ao público, apresentei, então, «A Jardineira» vestida numa roupa nova, ajudado pelo Lacerda. Benedito, de posse dessa melodia, deu-lhe o cunho vivo, preciso à alegria imensa do maior Carnaval do mundo. Quanto ao plágio de que fui acusado, quero que seja desfeito o equívoco. Eu não disse que a melodia é «minha». Eu a trouxe para o Rio, com um ritmo diferente. Assim procedendo, tive a intenção de mostrar que não só dormem, no âmago deste Brasil imenso, pedras preciosas de todo o quilate, mas também joias musicais como esta e as outras a que me referi acima. Fiz isso sem maiores pretensões, sentindo, apenas, a grande, a mesma alegria do «garimpeiro» que, encontrando um belíssimo diamante, mostra-o cheio de orgulho e vaidade, à admiração dos outros”...

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Primazia do baiano Hilário Jovino Ferreira, segundo Jota Efegê

Imagem: Mílton Jung · BY · Openverse

Em matéria de janeiro de 1966 o jornalista Jota Efegê publicou suas considerações sobre uma investigação que havia sido realizada ainda em 1939 pelo radialista Almirante que, no seu programa "Curiosidades Musicais", colheu depoimentos - dentre os quais um que não fora aprofundado mas que, segundo Efegê, levaria ao rumo certo; foi o depoimento de João Batista Madureira Silva, que dissera então que "tinha certeza de que era de um tal Hilário que fez a música há uns 40 anos". Este "Hilário" era, informa Efegê, o baiano Hilário Jovino Ferreira que, mudando-se para o Rio e se tornando tenente da Guarda Nacional, levou as tradições da "boa terra" à então capital do país, tais como os ranchos de "ternos" e "pastoris", com "marchas suaves e cadenciadas" que lhes eram características, fundou ali várias agremiações de rancho até que, em 1899, criou um denominado "A Jardineira", desfilando naquele ano e indo até a Tia Bebiana para o ritual obrigatório na Lapinha, cantando os versos oriundos da Bahia: "Ó Jardineira / por que estás tão triste..."

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