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A Estrutura das Revoluções Científicas

A Estrutura das Revoluções Científicas é um livro sobre a história da ciência publicado no ano de 1962 pelo filósofo Thomas Kuhn. Sua publicação estabelece um marco para as disciplinas da história, filosofia e sociologia do conhecimento, popularizando os termos paradigma e mudança de paradigma. Kuhn desafiou ideia estabelecida do progresso científico como uma acumulação de fatos e teorias. Ele argumentou que períodos de continuidade de uma ciência normal são interrompidos por períodos revolucionários, cujas anomalias geram novos paradigmas que questionam os anteriores, levando a pesquisa científica a novos caminhos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
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Publicação

Imagem: danicuki · BY-ND · Openverse

O livro foi publicado primeiramente como monografia na Enciclopédia Internacional da Ciência Unificada (International Encyclopedia of Unified Science), e logo como livro pela editora da Universidade de Chicago no ano de 1962. Em 1969, Kuhn agregou um apêndice de modo a responder às críticas que havia recebido em relação à multiplicidade de significados que um dos principais conceitos propostos em sua obra, o de paradigma científico, possuía na primeira versão publicada. Kuhn declara que a gênese das idéias do livro ocorreu em 1947, quando lhe foi encomendado ministrar um curso de ciência para estudantes de Humanidades, enfocando-se em casos de estudos históricos. Mais tarde, declararia que até o momento nunca havia lido nenhum documento antigo sobre temas científicos. A física de Aristóteles era notavelmente diferente da obra de Newton no que concerne aos conceitos de matéria e movimento — chegando à conclusão de que os conceitos de Aristóteles não eram "mais limitados" ou "piores" que os de Newton, apenas diferentes.

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Sinopse

Enfoque

Kuhn adota um enfoque de História da Ciência e da Filosofia da Ciência centrado em questões conceituais relacionadas aos tipos de ideias que são concebíveis em determinado momento, aos tipos de estratégias e opções intelectuais disponíveis às pessoas durante certo período, assim como a importância de não atribuir modelos de pensamento modernos a autores históricos. A partir desta posição, argumenta que a evolução da teoria científica não provém da mera acumulação de "feitos", senão que de um grupo de circunstâncias e possibilidades intelectuais sujeitas a mudança. Com essa perspectiva, Kuhn define o conceito de paradigma científico, que seriam os conjuntos de práticas e visões de mundo compartilhadas por uma certa comunidade científica. Para o autor, o desenvolvimento (chamado, também, de amadurecimento pelo autor) de uma ciência ocorre quando uma determinada comunidade cientifica adota um paradigma para a prática científica, em que todos os indivíduos pertencentes a essa comunidade participam e autorregulam o paradigma.

Exemplos históricos

Kuhn ilustra suas idéias utilizando exemplos extraídos da história da ciência. Assim, em um momento particular da história da Química, alguns cientistas começam a explorar o conceito de átomo. Muitas substâncias, ao serem aquecidas, apresentam a tendência de separar-se nos elementos que as compõem. Tempos atrás, uma mistura de água e álcool seria classificada como um composto químico. Na atualidade considera-se como uma mistura, porém não haveria razão para suspeitar que não fora um composto. A água e o álcool não se separam espontaneamente. porém podem ser separados por meio de aquecimento. A água e o álcool podem se combinar em qualquer proporção.

A Revolução de Copérnico

Acaso o exemplo mais famoso de revolução no pensamento científico é De Revolutionibus Orbium Coelestium de Copérnico. Na escola Ptolomaica se utilizavam os ciclos e epiciclos (junto com alguns conceitos adicionais) para construir um modelo explicativo dos movimentos dos planetas em um universo cujo centro era uma Terra imóvel. Dado o conhecimento da época, era o enfoque mais plausível. A medida que as observações astronômicas se fizeram mais precisas, a complexidade dos mecanismos cíclicos e epicíclicos ptolomaicos tiveram de incrementar-se para fazer coincidir seus resultados (predições) com os das posições observadas para cada planeta. Copérnico propôs um sistema que tinha o Sol como centro, ao redor do qual orbitavam os planetas, um dos quais era a Terra. Seus contemporâneos rechaçaram sua cosmologia, e com pleno direito, segundo Kuhn, dado que a cosmologia de Copérnico carecia de credibilidade.

Coerência

Um dos objetivos da ciência é encontrar modelos que deem conta da maior quantidade de observações dentro de um marco coerente. A reformulação da natureza do movimento levada a cabo por Galilei, junto a cosmologia de Kepler, representam um marco coerente capaz de rivalizar com o Aristotélico/Ptolomaico. Uma vez que ocorre a mudança de paradigma, é necessário reescrever os livros-texto. A história da ciência é habitualmente reescrita e apresentada como a sorte de um processo que inevitavelmente conduz ao marco conceitual estabelecido em um momento. Existe a crença implícita de que todo fenômeno de momento carente de explicação, poderá ser explicado no futuro dentro do marco conceitual estabelecido. Kuhn diz que os cientistas passam a maior parte de sua carreira (senão toda ela) resolvendo "quebra-cabeças". E o fazem com grande tenacidade, dado que os êxitos do marco conceitual estabelecido tendem a gerar uma grande confiança no enfoque adotado, garantindo que existe uma solução para o "quebra-cabeça", por mais difícil que seja. Este processo é chamado ciência normal.

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Fontes consultadas

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