Pesquisa · Mapa mental

A Essência da Realidade

A Essência da Realidade é um livro de autoria do físico David Deutsch, escrito em 1997. Ele expõe sua visão de mecânica quântica e suas implicações para o entendimento da realidade. Essa interpretação, que ele chama de hipótese do multiverso, é uma das quatro bases de uma Teoria de tudo. As quatro bases são:A interpretação de muitos mundos da mecânica quântica de Hugh Everett, "A primeira e mais importante das quatro bases". A epistemologia de Karl Popper, especialmente seu antiindutivismo e seu requerimento de uma interpretação realista (não-instrumental) das teorias científicas, e sua ênfase em levar a sério essas conjecturas ousadas que resistem a falsificação. A teoria da computação de Alan Turing especialmente como descrito em "O princípio de Turing" de Deutsch, com a máquina de Turing universal sendo substituída pelo computador quântico universal de Deutsch. O teoria Darwiniana da evolução refinada por Richard Dawkins e a síntese evolutiva moderna, especialmente as ideias de replicador e meme integradas com o método de resolução de problemas Popperiano.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
01

Temas em A Essência da Realidade

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

Já que "outros tempos são apenas casos especiais de outros universos" (uma ideia que foi sendo muito expandida por Julian Barbour), a granularidade temporal da personalidade através do tempo é um caso especial de estar espalhado através dos mundos. Em adição aguelas cópias idênticas em um momento através do universos paralelos transversalmente, há cópias diferentes através dos mundos paralelos longitudinalmente, ligados pela lei natural de modo a dar experiência individual de um único mundo e um eu contínuo. As implicações para a teoria da identidade pessoal não são claras ainda, mas as ideias reducionistas de Derek Parfit parecem ser favorecidas: O conceito de identidade pessoal deixa de ser aplicável quando a ramificação é levada em conta, mas a ramificação mantém o que é importante sobre identidade pessoal, como continuidade psicológica tendo a ver com a memória, desejo, caráter, etc. Outra possibilidade é que a teoria do contínuo mais próximo de Robert Nozick poderia ser modificada de modo a rastrear o mais próximo transversal e longitudinalmente. As fatias rastreadas de "eu-cópias" seriam a pessoa contínua. Deutsch parece concordar com algumas destas abordagens. Existem "cópias idênticas múltiplas" de mim no multiverso. Qual delas sou eu? Deutsch responde, "Eu sou, é claro, todas elas." (A resposta parfitiana seria, "o conceito de identidade pessoal não se aplica.") Cópias não precisam ser rigorosamente idênticas no sentido de identidades indiscerníveis relativizadas para os universos: Todas as minhas cópias vêem uma moeda girando num sorteio, mas um instante depois metade das minhas cópias vê 'cara' sair, e a outra metade vê 'coroa'. Uma distinção entre cópias, versões, e variantes está em andamento aqui. Variantes de mim não precisam ver a moeda girando. Versões de mim vêem isso embora alguns vejam 'cara' e outros 'coroa'. As cópias idênticas múltiplas de mim vêem todas a moeda girando.

A interpretação de muitos mundos da mecânica quântica

De acordo com a interpretação de muitos mundos da mecânica quântica, o todo da realidade física é na verdade o multiverso, consistindo de um número infinito de universos. Deutsch argumenta a favor disso por quatro motivos principais:

A tese de Church-Turing

Essa postura emergente permite a Deutsch fazer um trabalho sério com a tese de Church-Turing (ou "princípio de Turing", como ele chama) que é fundamental na ciência teórica computacional. Na forma forte que ele favorece, isso implica que um computador quântico universal, capaz de renderizar qualquer ambiente físico possível, realmente existe próximo do fim do espaço-tempo em todo universo e é mantido por seres sencientes com todo o conhecimento necessário para aumentar sua memória, ciclos de computador e fonte de energia. Nisto ele segue Frank Tipler em "A Física da Imortalidade", embora ele enfatiza a componente científica da hipótese do Ponto Ômega, a componente que é justificada pela epistemologia popperiana como uma implicação de nossa melhor ciência. Ele é muito menos receptivo para a componente não-científica, que fornece reconstruções racionais para categorias teológicas tradicional como, por exemplo, "Deus", "onisciência", "onipresença", "benevolência", "criação", etc.

Computadores quânticos e Teoria da Prova

Um computador quântico exporta problemas computacionais para outros universos para poder alcançar tratabilidade em soluções que de outra maneira ficariam travadas por demandas exponencialmente crescentes por mais tempo e outros recursos computacionais. A aparente necessidade de uma concepção realista da ciência para postular tal colaboração inspira um comentário belicoso de Deutsch: "Para aqueles que ainda se apegam a uma visão de mundo de um único universo, eu lanço este desafio: explivar como o algoritmo de Shor funciona." O desafio é para implicar que uma máquina de Turing é incapaz em princípio de fazer o que um computador quântico pode fazer, já que operações deste último em executar o algoritmo de Shor requerem recursos computacionais de outros mundos. E geralmente, as operações de um computador quântico incluem passos computacionais em outros mundos que não estão presentes em nenhuma fita de uma máquina de Turing (neste mundo). Deutsch acha que isso tem implicação na Teoria da Prova, que deve abandonar o modelo cartesiano de uma lista inspecionável de premissas levando para uma conclusão, em favor de um modelo de um processo em que a relação entre as premissas e a conclusão pode ser mediada por computações que não são inspecionáveis (neste mundo).

Inferências contra-factuais e realismo modal

Outro importante tema no livro é que ideias básicas sobre o universo são ou corroboradas ou falseadas pela hipótese do multiverso. Por exemplo, condições contrafatuais se referem universos próximos quando estipulam que uma coisa iria acontecer sobre condições que não se obtém realmente. Em cada universo implicitamente colapsa o que as coisas podem fazer para o que elas realmente fazem (neste mundo). Considere um lançamento de moeda. Os universos idênticos em que eu (cópias de mim) vêem ela girando se torna ramificada; em cinquenta por cento daquelas versões de universo de mim vêem 'cara', e nos outros cinquenta por cento eles vêem 'coroa'. Essa distribuição atual de mundos é o que possibilita a inferência, neste mundo, que se a moeda não tivesse caído 'cara' teria sido 'coroa'. Ao invés de ser um fato básico que minha observada 'cara' colapsa as probabilidades no resultado atual do lançamento de moeda, aquelas probabilidades estão nos universos atuais em que cada resultado é apresentado. Isso é, às vezes, referido como uma diferença entre "teorias de colapso" (como a interpretação de Copenhague) e teorias de não-colapso (como as interpreções de multiverso ou muitos mundos).

O conhecimento e a vida

O conhecimento é uma estrutura de transuniverso, como alguém poderia esperar já que o conhecimento suporta implicações contrafactuais, como revelado no rastreamento de Robert Nozick na explicação do conhecimento. Universos paralelos próximos são unidos por uma história em comum de aquisição de conhecimento, enunciados no geral em termos popperianos. O nicho epistemológico resultante leva a estabilidade e confiabilidade para o conhecimento em cada universo. A vida é uma estrutura de transuniverso similar, moldada pela seleção natural ao invés da crítica racional. O que distingue replicação genuína de DNA de DNA lixo é que o primeiro mas não o último é representativo de um nicho de replicadores que se estender pelos mundos. Realmente, a identidade pessoal é inseparável de tal nicho, que Deutsch escolhe com a palavra "cópias". Uma pessoa é um conjunto de cópias em universos paralelos próximos. Isso vem em sua análise do livre arbítrio: Eu poderia ter escolhido outra coisa. E no desenlance de um capítulo dramático que exercita experimentos de interferência de um ponto de vista de multiverso, ele escreve sobre suas cópias, "Muitos daqueles Davids estão neste momento escrevendo estas mesmas palavras. Alguns estão escrevendo melhor. Outros saíram para tomar uma xícara de chá."

Tempo, causalidade e livre arbítrio

Não há apenas pessoas espalhadas através dos mundos, mas eles, como todo o resto, são quantizados através do tempo em qualquer mundo dado. O tempo é uma série de momentos, e uma pessoa que existe num momento, existe lá para sempre no espaço-tempo quadrimensional, ao invés de ser continuamente transformada no movimento do tempo. Tal mudança e movimento são mitos, argumenta Deutsch. O argumento não necessita estritamente da hipótese do multiverso, porque a física determinista desde Newton tem mostrado que as possibilidades no futuro são ilusórias, e consequentemente o livre arbítrio é uma ilusão. (Essa conclusão poderia ser evitada adotando o compatibilismo. Também, interpretações de colapso da mecânica quântica implica ambos indeterminismo e um futuro aberto).

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando