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Cristianismo na Idade Média

Cristianismo na Idade Média é o período da história do cristianismo a partir da queda do Império Romano do Ocidente. Há várias datas para o fim desse período —, como a conquista de Constantinopla pelo Império Otomano em 1453, a viagem de Cristóvão Colombo para a América em 1492 ou a Reforma Protestante em 1517.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Início da Idade Média (476–799)

A Alta Idade Média começou quando o último imperador romano ocidental foi deposto em 476 pelo rei bárbaro Odoacro, e terminou quando Carlos Magno foi coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III em Roma, no dia de Natal de 800. O ano de 476, entretanto, é um marco artificial. No Oriente, o governo imperial romano continuou no período que os historiadores chamam de Império Bizantino. Mesmo no Ocidente, onde o controle político imperial gradualmente declinou, ainda restaram elementos da cultura romana; por isso, historiadores atualmente preferem usar "transformação do mundo romano" do que "queda do Império Romano". O advento da Alta Idade Média foi um processo gradual e localizado pelo qual, no Ocidente, áreas rurais tornaram-se centros de poder enquanto áreas urbanas perderam influência. Com as invasões muçulmanas no século VII, as áreas Ocidental (latina) e Oriental (grega) do cristianismo começaram a se diferenciar. Enquanto no Oriente a Igreja manteve seu poder, no Ocidente, os bispos de Roma (i.e., os papas) eram forçados a se adaptar mais rapidamente e flexivelmente as drásticas mudanças circunstanciais. Em particular, enquanto os bispos orientais mantinham clara fidelidade com o imperador romano oriental, o bispo de Roma, além de manter fidelidade ao imperador oriental, era forçado a negociar numa linha tênue com os "governantes bárbaros" das antigas províncias ocidentais. Ainda que um número considerável de cristãos tenha permanecido no Oriente, os desenvolvimentos no Ocidente levariam a maiores desenvolvimentos no mundo cristão durante os próximos séculos.

Papado no início da Idade Média

Depois da queda da Península Itálica para os bárbaros e o subsequente tumulto causado por eles na região, o Imperador Justiniano I tentou restaurar o domínio imperial na Itália a partir do Oriente, contra a aristocracia gótica. As campanhas militares seguintes foram mais ou menos bem-sucedidas, e um Exarcado Imperial foi estabelecido na Itália, mas a influência imperial era limitada. Logo, os lombardos invadiram a península enfraquecida, e Roma precisava defender-se por si mesma. O fracasso oriental de enviar ajuda levou os próprios papas a alimentar a cidade com grãos das propriedades papais, negociar tratados, pagar proteção aos senhores de guerra lombardos e, quando isso não funcionou, contratar soldados para defender a cidade. Eventualmente, os papas buscaram outros para apoiá-los, especialmente os francos.

Pregação além do Império Romano

Quando as fronteiras políticas do Império Romano diminuíram e então colapsaram no Ocidente, o cristianismo se espalhou para além das antigas fronteiras do Império e para terras que nunca estiveram sob domínio romano. No começo do século V, uma cultura única desenvolveu-se ao redor do Mar da Irlanda, criando o que hoje chamamos de País de Gales e Irlanda. Nesse ambiente, o cristianismo se espalhou da Britânia Romana para a Irlanda, processo ajudado especialmente pela atividade missionária de São Patrício com sua primeira-ordem dos "clérigos patrícios", geralmente bretões ou irlandeses ordenados por ele e seus sucessores. Patrício foi capturado e transformado em escravizado e, após escapar e ser consagrado como bispo, voltou a ilha na qual foi escravizado para poder evangelizá-la. Logo, missionários irlandeses como Columba e Columbano espalharam esse cristianismo, com características irlandesas únicas, para a Escócia e a Europa Continental. Uma das características era o sistema de penitência privada, que substituiu a antiga pratíca de penitência como um rito público.

Características e movimentos

A Iconoclastia foi um movimento que começou na Igreja Cristã Oriental Bizantina no início do século VIII, após uma série de fracassos militares contra os muçulmanos. Consistia num movimento cristão que ocorreu nos séculos VIII e IX contra o culto de ícones, causado pela preocupação que pudessem se enquadrar em idolatria. Em algum momento entre 726 e 730, o imperador bizantino Leão III, o Isauro, ordenou a remoção de uma imagem de Jesus posicionada destacadamente no Portão Calce, a entrada cerimonial do Grande Palácio de Constantinopla, e a substituiu por uma cruz. Após isso, ordenou outras proibições, tais como a proibição de representações pictóricas da família de Cristo, de santos cristãos e de cenas bíblicas. No Ocidente, o Papa Gregório III realizou dois sínodos em Roma e condenou as ações de Leão. O concílio realizado em Hieria, durante o reinado de Leão, em 754, foi quem determinou que os ícones não eram de origem cristã e, portanto, heréticos. O movimento levou à destruição de muita da história artística do começo da Igreja cristã e à uma grande perda da arte e da história religiosa. O movimento iconoclasta foi condenado como herético pelo Sétimo Concílio Ecumênico, mas ainda teve um breve período de ressurgimento entre 815 e 842.

Pensamento apocalíptico

Segundo o historiador James T. Palmer, no começo da Idade Média, os cristãos davam uma forte ênfase ao retorno imanente de Cristo, juízo e o fim do mundo, estimulando o desejo de "acertar as contas" antes do julgamento: .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}

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Alta Idade Média (800–1300)

As Cruzadas foram uma série de conflitos militares conduzidos por cavaleiros cristãos para a defesas dos cristãos e expansão dos domínios cristãos. Geralmente, as Cruzadas se referem às campanhas na Terra Santa patrocinadas pelo papado contra as forças muçulmanas invasoras. Outras Cruzadas contra as forças islâmicas aconteceram no sul da Espanha, sul da Itália, Sicília, assim como campanhas dos cavaleiros teutônicos contra as fortalezas pagãs na Europa Oriental (veja Cruzadas do Norte). Algumas Cruzadas, como a Quarta Cruzada, foram travadas pela cristandade contra grupos considerados heréticos e cismáticos (veja Batalha do Lago Peipus e Cruzada Albigense). A Terra Santa foi parte do Império Romano e, consecutivamente, do Império Bizantino, até as conquistas islâmicas dos séculos VII e VIII. Depois disso, cristãos geralmente tinham permissão de visitar os lugares sagrados na Terra Santa até 1071, quando os turcos seljúcidas proibiram peregrinações cristãs e atacaram os bizantinos, derrotando-os na Batalha de Manzicerta. O imperador Aleixo I pediu ao Papa Urbano II(1088-1099) ajuda contra a agressão islâmica. Urbano II invocou os cavaleiros da cristandade num discuro feito no Concílio de Clermont em 27 de novembro de 1095, combinando a ideia de peregrinação à Terra Santa com a empreitada de uma guerra santa contra as forças invasoras.

Renascimento Carolíngio

O Renascimento Carolíngio foi um período de reavivamento intelectual e cultural que ocorreu durante o final do século VIII e o século IX, principalmente durante o reinado de Carlos Magno e Luís, o Piedoso. Houve um crescente interesse no estudo da literatura, das artes, da arquitetura, da jurisprudência, da liturgia e das escrituras sagradas. O período também contribuiu para o desenvolvimento da letra minúscula carolíngia, precursora da moderna escrita em minúscula, e da padronização do latim, que até então era variado e irregular (veja: latim medieval). O espírito reformador era o credo do cristianismo de Carlos Magno. Havia uma ênfase nas diferenças do cristianismo para os leigos e o cristianismo para a nobreza. Nesse período, religião e política eram intimamente ligadas uma com a outra. Carlos Magno acreditava que corrigir o sistema educacional da nobreza era um exemplo dessa relação entre Igreja e Estado. O analfabetismo era um outro problema comum entre os nobres. Para resolver isso, Carlos Magno fundou escolas e atraiu os homens mais letrados de toda a Europa para sua corte, tais como Teodulfo, Paulo, o Diácono, Angilberto e Paulino de Aquileia. É importante ressaltar que, naquele tempo, criar um manuscrito era comparável ao gasto atual de comprar um laptop. Logo, apenas indivíduos ricos e influentes como Carlos Magno eram capazes de impulsionar esse processo de educação clerical.

Crescimento das tensões entre Oriente e Ocidente

As rachaduras e fissuras na unidade cristã que levariam ao Cisma do Oriente começaram a ficar evidentes a partir do começo do século IV. Diferenças culturais, políticas e linguísticas frequentemente se misturavam com as teológicas, levando ao cisma. A transferência da capital romana para Constantinopla inevitavelmente levou a desconfiança, rivalidade e até ciúmes entre as duas grandes sés, Roma e Constantinopla. Era fácil para Roma ter ciúmes de Constantinopla num tempo onde estava rapidamente perdendo sua proeminência política. O estranhamento também foi incentivado pelas invasões germânicas no Ocidente, que efetivamente enfraqueceram os contatos. O surgimento do Islã com sua conquista da maior parte da costa do Mediterrâneo (sem mencionar a chegada de eslavos pagãos aos Bálcãs no mesmo período) intensificaram a separação ao levantar uma barreira física entre os dois mundos. O outrora unificado mundo mediterrâneo foi rapidamente destruído. As comunicações entre o Oriente grego e o Ocidente latino nos anos de 600 tornaram-se perigosas e praticamente inexistentes.

Cisma de Fócio

No século IX, surgiu uma controvérsia entre o cristianismo oriental (bizantino, mais tarde ortodoxo) e o cristianismo ocidental (latino) que se deu por causa da oposição do Papa João VIII a nomeação de Fócio para a posição de patriarca de Constantinopla pelo imperador Miguel III. Fócio recusou-se a se desculpar com o papa pelos antigos pontos de disputa entre Oriente e Ocidente, recusou-se a aceitar a supremacia da sé romana e a cláusula Filioque. A delegação latina no concílio de sua consagração o pressionou a aceitar a cláusula em troca de apoio. A controvérsia também envolveu os direitos de jurisdição entre Oriente e Ocidente sobre a Igreja Búlgara, assim como a disputa doutrinária sobre a cláusula Filioque ("e do Filho). Ela foi adicionada ao Credo Niceno pela Igreja Latina, e mais tarde foi o ponto teológico da quebra da comunhão entre Oriente e Ocidente, resultando no Cisma do Oriente no século XI.

Cisma do Oriente

O Cisma do Oriente, ou Grande Cisma, separou a Igreja entre as partes Ocidental (Latina) e Oriental (Grega), i.e., catolicismo ocidental e ortodoxia. Foi a primeira grande divisão desde que certos grupos no Oriente rejeitaram os decretos do Concílio de Calcedônia (veja: ortodoxia oriental), sendo muito mais significante. Datado normalmente de 1054, o Cisma do Oriente foi resultado de um longo período de estranhamento entre as cristandades latina e grega por causa da natureza do primado papal e de certos assuntos doutrinários como o Filioque — intensificado pelas diferenças culturais e linguísticas. O cisma "oficial" se deu com a excomunhão do patriarca constantinopolitano Miguel Cerulário, seguida pela excomunhão dos legados papais feita por ele: tentativas de reconciliação foram feitas em 1274 (no Segundo Concílio de Lyon) e em 1439 (no Concílio de Florença), mas em todos os casos os hierarcas orientais que consentiram com a união foram repudiados pelo restante dos ortodoxos, ainda que reconciliações tenham existido entre o Ocidente e as agora chamadas "Igrejas Católicas de Rito Oriental". Nos últimos tempos, em 1965, as excomunhões mútuas foram rescindidas pelo Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, embora o cisma ainda persista.

Reforma Monástica

A partir do século VI, a maior parte dos mosteiros do Ocidente eram da Ordem dos Beneditinos. Devido à rigorosa aderência à reformada regra beneditina, a Abadia de Cluny se tornou a líder reconhecida do monaquismo ocidental a partir do final do século X. Cluny criou uma grande ordem federada onde os administradores das casas subsidiárias serviam como deputados do abade de Cluny e respondiam a ele. O espírito de Cluny foi uma grande influência reformadora para a Igreja Normanda, atingindo seu auge a partir da segunda metade do século X até o começo do século XII. A próxima onda da reforma monástica veio com o Movimento Cisterciense. A primeira abadia cisterciense foi fundada em 1098, a Abadia de Cîteaux. O modo de vida cisterciense era um retorno à observância literal da regra beneditina, rejeitando os desenvolvimentos dos beneditinos. A característica mais marcante da reforma foi o retorno ao trabalho manual, e especialmente ao trabalho no campo. Inspirados por Bernardo de Claraval, o responsável pelo desenvolvimento dos cistercienses, eles se tornaram a principal potência da difusão tecnológica na Europa medieval. No final do século XII, já existiam 500 casas cistercienses, e no seu auge — no século XV — a ordem reivindicava possuir quase 750 casas. Muitas dessas casas eram construídas em áreas selvagens, e desempenharam um importante papel em trazer desenvolvimento econômico para áreas isoladas da Europa.

Controvérsia das Investiduras

A Controvérsia das Investidura foi o conflito entre os poderes secular e religioso da Europa medieval mais significante. A disputa teve início no século XI entre o imperador romano-germânico Henrique IV e o Papa Gregório VII sobre quem tinha o direito de nomear (investir) os bispos. O fim da investiduraeiga ameaçou o poder do Império e as ambições da nobreza em benefício à reforma na Igreja. Os bispos coletavam receitas de suas propriedades ligadas à suas dioceses. Ls nobres que eram donos de terras (feudos) passavam essas terras hereditariamente entre suas famílias. Entretanto, por não terem filhos legítimos, quando um bispo morria, o rei nomeava sei sucessor. Logo, quando um rei tinha pouco poder para impedir os nobres de adquirir poder por meio de herança e casamentos dinásticos, ele poderia controlar cuidadosamente as terras por meio de bispos nomeados. O rei poderia dar bispados a membros de famílias nobres cuja amizade ele gostaria de manter. Além disso, se um rei deixasse um bispado vacante, ele coletaria as receitas da propriedade até que um novo bispo fosse eleito, quando ele tinha que pagar o novo bispo. A infrequência desse pagamento era uma fonte óbvia de disputas. A Igreja queria acabar com a investidura leiga por causa de sua potencial corrupção, não apenas das sés vacantes mas de outras práticas, como simonia. Além disso, a Controvérsia das Investiduras foi parte de uma tentativa da Igreja de reformar o episcopado para garantir melhor cuidado pastoral.

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Baixa Idade Média (1300–1499)

Controvérsia hesicasta

POr volta de 1337, o hesicasmo atraiu a atenção do douto membro da Igreja Ortodoxa, Barlaão da Calábria, que àquela altura era abade do Mosteiro de São Salvador, em Constantinopla, e que tinha visitado o Monte Atos. O Monte Atos estava em seu auge em fama e influência durante o reinado de Andrônico III Paleólogo. No Monte Atos, Barlaão encontrou hesicastas e ouviu descrições de suas práticas, também lendo os escritos do professor hesicasta Gregório Palamas, ele mesmo um monge do Atos. Treinado na teologia escolástica ocidental, Barlaão ficou escandalizado com o hesicasmo e começou a combatê-lo oralmente e por escrito. Como um professor privado de teologia no modo escolástico ocidental, Barlaão propôs uma abordagem mais intelectual e proposicional de Deus em relação aos hesicastas. Hesicasmo é uma forma de oração constante e proposital, ou oração experimental, explicitamente referida como contemplação. Descrições das práticas hesicastas podem ser encontradas na Philokalia, Relatos de um Peregrino Russo, e A Escada da Ascenção Divina, de João Clímaco.

Papado de Avignon (1309–1378) e Cisma do Ocidente (1378–1417)

O Cisma do Ocidente, ou Cisma Papal, foi um período prolongado de crise na cristandade latina, de 1378 a 1416, quando havia dois ou mais reivindicantes da Sé de Roma e conflitos sobre o verdadeiro reivindicante do papado. O conflito foi de natureza mais política do que doutrinal. Em 1309, o Papa Clemente V, devido à considerações políticas, mudou-se para Avignon, no sul da França, e exerceu seu pontificado lá. Por 69 anos, os papas residiram em Avignon ao invés de Roma. Isso não foi apenas uma fonte óbvia de confusão, mas também de animosidade política, já que o prestígio e influência da cidade de Roma diminuiu sem um pontífice lá residindo. Apesar de Gregório XI, um francês, ter retornado à Roma em 1378, o conflito entre as facções italiana e francesa se intensificaram, especialmente após sua morte. Em 1378, o conclave elegeu um italiano de Nápoles, Urbano VI; sua intransigência no ofício logo alienou os cardeais franceses, que retiraram-se para um conclave particular, afirmando que a eleição anterior foi inválida, já que a eleição foi feita durante a coação de uma violenta multidão. Eles elegeram seu próprio papa, Roberto de Genebra, que tomou o nome de Clemente VII. Em 1379, ele voltou ao palácio dos papas em Avignon, enquanto Urbano VI permaneceu em Roma.

Críticas à corrupção da Igreja - John Wycliff e Jan Hus

John Wycliffe (ou Wyclif) (1330–1384) foi um estudioso inglês conhecido por denunciar a corrupção da Igreja, e sob seu patrocínio a primeira tradução da Bíblia do latim para o inglês. Foi um precursor da Reforma Protestante, enfatizando a supremacia da Bíblia e clamando por uma relação direta entre o homem e Deus, sem a interferência de padres e bispos. Declarado herege após sua morte, seus seguidores, chamados lollardos, enfrentaram perseguição da Igreja da Inglaterra. Atuaram às escondidas durante mais de um século e desempenharam um papel na Reforma Inglesa. Jan Hus (ou Huss) (1369?–1415) um teólogo tcheco em Praga, foi influenciado por Wycliffe e falou contra a corrupção que ele via na Igreja; sua desobediẽncia contínua levou a sua excomunhão e condenação pelo Concílio de Constança, que também condenou John Wycliff. Foi executado em 1415, mas seus seguidores rebelaram-se. Entre 1420 e 1431, os seguidores de Hus, conhecidos como hussitas, derrotaram cinco cruzadas papais consecutivas. Terminou em 1436, com a ratificação de um compromisso entre a Igreja e os hussitas. Hus foi um precursor da Reforma Protestante e sua memória tornou-se um símbolo poderoso da cultura tcheca na Boêmia.

Renascença Italiana

A Renascença (ou Renascimento) foi um período de grande mudança cultural e conquistas, marcado, na Itália, por uma clássica orientação e um aumento de riquezas por meio de negócio mercantil. A cidade de Roma, o papado, e os Estados Papais foram afetados pela Renascença. Por outro lado, foi um período de grande patrocínio artístico e magnificência arquitetônica, onde a Igreja perdoou artistas como Michelangelo, Brunelleschi, Bramante, Rafael, Fra Angelico, Donatello, e Leonardo da Vinci. Famílias ricas frequentemente garantiam cargos episcopais, incluindo o papado, para seus próprios membros, alguns dos quais eram conhecidos por imoralidade, como Alexandre VI e Sisto IV.

Queda de Constantinopla (1453)

Em 1453, Constantinopla caiu para os turcos otomanos. Sob o domínio otomano, a Igreja Ortodoxa Grega adquiriu poder substancial como um millet autônomo. O patriarca ecumênico era o governante religioso e administrativo de toda a "Nação greco-ortodoxa" (unidade administrativa otomana), que englobava todos os súditos ortodoxos do Império. Como resultado da conquista e queda de Constantinopla, toda a comunhão ortodoxa dos Bálcãs e do Oriente Próximo ficaram isoladas do Ocidente. Pelos próximos séculos, seria confinada em um hostil mundo islâmico, com o qual tinha pouco em comum religiosamente ou culturalmente. Isso era devido, em parte, ao confinamento geográfico e intelectual, que fez com que a voz da ortodoxia oriental não fosse ouvida durante a Reforma na Europa do século XVI. Como resultado, esse importante debate teológico frequentemente parecia estranho e distrocido para os ortodoxos. Eles nunca tomaram parte no assunto, e nem a Reforma ou a Contrarreforma são parte de sua estrutura teológica.

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