Emergência Radioativa
Emergência Radioativa é uma minissérie brasileira de drama histórico, criada por Gustavo Lipsztein e produzida pela Gullane Entretenimento para a Netflix. Ambientada em Goiânia, seu enredo é inspirado no acidente real com o Césio-137, ocorrido na cidade em 1987. É estrelada por Johnny Massaro, Paulo Gorgulho, Bukassa Kabengele e Ana Costa, com as atuações de Tuca Andrada, Leandra Leal, Antonio Saboia, Clarissa Kiste, Emílio de Mello, Alan Rocha, Marina Merlino, Victor Salomão, William Costa nos demais personagens centrais. Os episódios foram lançados integralmente em 18 de março de 2026 na plataforma.
Em Goiânia, em 1987, buscando sucata para vender, dois catadores invadem um hospital abandonado e encontram uma cápsula de chumbo de um aparelho de radioterapia. O objeto acaba no ferro-velho de Evenildo (Bukassa Kabengele), que, ao desmontá-lo, descobre um pó misterioso que brilha no escuro. Encantado com a luminosidade, ele leva o material para casa, sem imaginar o perigo, expondo a esposa Antônia (Ana Costa), os irmãos João (Alan Rocha) e Darlei (William Costa), e a cunhada Catarina (Marina Merlino) ao altamente radioativo Césio-137. Quando os primeiros sintomas começam a surgir, Antônia desconfia de que algo está errado e leva o material à vigilância sanitária com Raimundo (Victor Salomão), um dos personagens mais marcantes da série, mas o alerta não recebe a devida atenção. Com o agravamento do seu estado de saúde, ela precisa buscar atendimento médico, enquanto a contaminação silenciosa já se espalha pela cidade.
Desenvolvimento
A Netflix anunciou que iria produzir uma série inspirada no acidente radiológico de Goiânia em 26 de maio de 2025. Foi anunciado também que a criação da trama era de Gustavo Lipsztein e a direção seria assinada por Fernando Coimbra. A Gullane Entretenimento entrou no projeto como responsável pela produção.
Seleção de elenco
Em junho de 2025, Johnny Massaro foi confirmado como protagonista, interpretando o personagem fictício Márcio. Também foram confirmados no anúncio os atores Paulo Gorgulho, Bukassa Kabengele, Alan Rocha, Antonio Saboia, Luiz Bertazzo e Tuca Andrada.
Filmagens
As gravações tiveram início junho de 2025 e ocorreram em São Paulo, em cidades como Osasco, Santo André, Cabreúva e Sorocaba que representaram Goiânia, já que as localidades reais passaram por intensas modificações nos últimos anos, além de locações na capital São Paulo.
Em seu final de semana de estreia, a minissérie alcançou o primeiro lugar no Top 10 entre os conteúdos mais assistidos na Netflix no Brasil e em Portugal. A produção figurou entre os conteúdos mais assistidos da plataforma no mundo, chegando ao segundo lugar. Emergência Radioativa também esteve no Top 10 de diversos outros países, como Argentina, Espanha, Chile, França, Itália, México, Paraguai e Catar.
Resposta da crítica
A estreia de Emergência Radioativa gerou repercussão mista entre a crítica especializada. Gulherme Jacobs, crítico do website Omelete, publicou uma resenha favorável à série, avaliando-a com 4 de 5 estrelas. Jacobs destacou os critérios técnicos da produção, o desenvolvimento do enredo e as atuações do elenco, escrevendo que, com esses critérios aliados, Emergência Radioativa "vira uma obra impactante, que usa bem técnicas do cinema de gênero para enfatizar as temáticas que permeiam esse triste e importante episódio". Jonas Coelho, do CineSet, escreveu que a obra sobre uma tragédia complexa é superficial. "Emergência Radioativa parte de uma história poderosa, mas escolhe caminhos que simplificam demais o que está em jogo. Ao permanecer na superfície dos conflitos, transforma uma tragédia complexa em um drama mais convencional do que deveria ser".
Controvérsias
A produção recebeu críticas antes mesmo de sua estreia após a Netflix ter divulgado que a minissérie seria gravada em São Paulo. O Conselho Municipal de Cultura de Goiânia declarou insatisfação com o fato e internautas acusaram a plataforma de estar apagando o estado da história. A Associação das Vítimas do Césio-137 fez críticas à produção por não procurar pelas vítimas reais da tragédia. "Não fomos ouvidos para a gravação da série, que é baseada na nossa história. As gravações nem aconteceram em Goiânia, foram feitas em São Paulo. Como é que você faz uma obra contando essa história e não chama quem realmente viveu tudo isso?", questionou Marcelo Santos Neves, presidente da associação.
Diferenças entre a realidade e ficção
Embora a série seja inspirada no acidente radiológico com Césio-137 em Goiânia e incorpore elementos centrais do caso real, alguns nomes e personagens foram adaptados para a narrativa. A história acompanha principalmente figuras inspiradas em pessoas reais, como o dono do ferro-velho Devair Ferreira, representado na série pelo personagem Evenildo, e os catadores Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira, retratados como Lúcio e Paulo. A produção mantém fidelidade a episódios centrais. A personagem Celeste, inspirada na vítima Leide das Neves, reflete com precisão o caso da menina que ingeriu o material radioativo e morreu dois dias depois. A personagem Antônia tem sua história baseada em Maria Gabriela, que faleceu no mesmo dia devido à contaminação. Também é retratado o destino de Roberto dos Santos Alves, que precisou ter o braço amputado por complicações da exposição. A série mostra ainda o desespero dos profissionais de saúde, que recorreram a tratamentos experimentais para tentar conter os efeitos da radiação.


