A Cidade e as Serras
Publicado em 1901, 'A Cidade e as Serras' marca a fase final de Eça de Queiroz, onde o autor se afasta do realismo e da crítica social incisiva. A obra explora o contraste entre a vida agitada de Paris e a tranquilidade da vida serrana em Tormes, através da jornada do protagonista Jacinto, que busca a felicidade longe da civilização urbana.
Pontos-chave
- O romance 'A Cidade e as Serras' foi publicado em 1901 e pertence à última fase de Eça de Queiroz.
- A obra compara a vida civilizada de Paris com a vida pacata da cidade serrana de Tormes.
- O protagonista Jacinto, entediado com a vida urbana, muda-se para Tormes, onde se renova em contato com a natureza e aplica seus conhecimentos ao campo.
- O romance é uma expansão do conto 'Civilização' e é narrado por Zé Fernandes, amigo de Jacinto.
- Eça de Queiroz expressa uma visão mais otimista e reconciliadora com o homem lusitano, valorizando a vida no interior de Portugal.
Jacinto, cansado da vida em Paris, decide mudar-se para Tormes, em Portugal, sob o pretexto de transladar os restos mortais de seus avós. Contudo, um engano na remessa de suas bagagens o força a chegar a Tormes apenas com a roupa do corpo. Esse contato direto e inesperado com a natureza promove uma profunda transformação em Jacinto, que redescobre a vida e aplica seus conhecimentos técnicos e científicos para modernizar a região serrana, sem, contudo, abandonar completamente os valores da civilização.
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Publicado em 1901, 'A Cidade e as Serras' é uma expansão do conto 'Civilização', ambos de Eça de Queiroz. A história é contada por José ('Zé') Fernandes, que narra a vida do protagonista Jacinto de Tormes. O narrador, desde o início, expressa uma visão crítica em relação à civilização urbana, destacando a origem abastada de Jacinto e a grandiosidade de suas posses rurais em Tormes, no Baixo Douro, que cobriam uma serra.
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Este romance insere-se na terceira fase de Eça de Queiroz, caracterizada por uma visão mais otimista e de reconciliação com o caráter português. Essa esperança é encontrada no interior de Portugal, onde os valores autênticos e a proximidade com a natureza ainda não foram corrompidos pela urbanização. A obra, que se desenvolve a partir do conto 'Civilização', é dividida em duas partes: a primeira em Paris, mostrando a vida civilizada de Jacinto, e a segunda em Tormes, revelando sua redescoberta da alegria nas coisas simples do campo. O foco principal é a oposição entre cidade e campo, e não tanto o desenvolvimento das personagens. Eça mantém suas marcas registradas, como a ironia, o pessimismo social, a espontaneidade e o uso de estrangeirismos, buscando retratar a realidade sem moralismos.
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O romance é dividido em duas partes distintas, que contrastam os ambientes e a evolução do protagonista. O foco narrativo é em primeira pessoa, com Zé Fernandes atuando como personagem-narrador da história de seu amigo Jacinto. Os dois espaços vitais para a compreensão do enredo são Paris e Tormes (Portugal). A narrativa se desenrola em um tempo cronológico, abrangendo o período entre 1834 e 1893. As personagens principais são Jacinto e Zé Fernandes, complementadas pelos frequentadores do 202 em Paris (como Madame de Oriol e o Grão-duque) e pelas figuras da serra (Joaninha e tia Vicência).


