Teiniaguá
A lenda da 'Teiniaguá', também conhecida como Salamanca do Jarau é uma lenda gaúcha, que conta a história de uma princesa moura que se transforma em uma bruxa e que vem em uma urna de Salamanca, na Espanha para uma caverna no Cerro do Jarau, em Quaraí, no Rio Grande do Sul.
Um ícone da cultura gaúcha, a Teiniaguá, é uma princesa da região moura, transformada em lagartixa pelo Diabo Vermelho dos índios, Anhangá-Pitã. Séculos atrás, quando caiu o último reduto árabe na Espanha, veio fugida e transfigurada em uma velha, para que não fosse reconhecida e aprisionada. Corpo de lagartixa (ou salamandra), encontra-se no lugar de sua cabeça uma pedra preciosa cintilante, cor de rubi, que fascina os homens e os atrai, destinada a viver em uma lagoa no Cerro do Jarau. O nome Salamanca, ao invés de "salamandra", é reconhecido também como referência à cidade espanhola de Salamanca, a qual foi ocupada pelos islâmicos do norte da África entre os séculos VIII e X, e que ficou por muito tempo na zona de combate entre os islâmicos do Sul e os cristãos do Norte. Esta é uma explicação que reitera a referência à princesa ou nobre moura. Mas um dia o sacristão da igreja da aldeia próxima, assolado pelo calor, foi até a lagoa refrescar-se. Ao se aproximar percebeu que a lagoa fervia e na sua frente Teiniaguá surgiu, rapidamente ele a agarrou, a aprisionou em uma guampa, e foi para seus aposentos atrás da igreja. Durante a noite, ao abrir a guampa, ocorre uma mágica, ela volta a ser mulher e lhe pede vinho. Sabendo que o único vinho que podia oferecer era o do padre, não hesitou em buscá-lo. Todas as noites o fato se repetia, e os padres começaram a desconfiar; uma noite entraram no quarto do sacristão, a Teiniaguá, rapidamente se transformou em lagartixa e fugiu para as barrancas do Uruguai,enquanto ele foi preso.
Esta lenda, registrada por João Simões Lopes Neto e publicada pela primeira vez no ano de 1913 em Lendas do Sul, inspirou Érico Veríssimo a escrever A Teiniaguá, parte de seu romance famoso "O Tempo e o Vento". Duas quadrinizações foram feitas, a primeira Salamanca do Jarau: Blau Nunes e As sete provas da Teiniaguá, roteirizada por Renato Motta com desenho de Saulo Morales publicada em 2007 pela WS Editor e a segunda A Salamanca do Jarau, com roteiro e desenhos de Henrique Kipper, publicada em 2015 através do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo. A lenda também inspirou o desenho animado brasileiro Jarau.


