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Lewis Carroll

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll, foi um romancista, contista, fabulista, poeta, desenhista, fotógrafo, matemático e reverendo anglicano britânico. Lecionou matemática no Christ College, em Oxford. É autor do clássico livro Alice no País das Maravilhas, além de outros poemas escritos em estilo nonsense ao longo de sua carreira literária, que são considerados políticos, em função das fusões e da disposição espacial das palavras, como precursores da poesia de vanguarda.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/07/2026
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Primeiros anos e família

A família de Charles Dodgson tinha origens predominantemente no Norte de Inglaterra. A maioria dos seus antepassados foram oficiais do exército ou clérigos, incluindo o seu pai, também chamado Charles Dodgson. Apesar de este ter demonstrado talento para a Matemática e de ter concluído uma licenciatura na Christ Church da Universidade de Oxford, acabou por se tornar pároco depois de se casar com a prima direita, Jane Lutwidge em 1830. Charles Dodgson nasceu em 27 de janeiro de 1832 na All Saints' Vicarage em Daresbury, Cheshire e foi o terceiro de 11 filhos. Quando Charles tinha 11 anos, o seu pai passou a ser pároco em Croft-on-Tees, Yorkshire e a família mudou-se para a casa paroquial espaçosa. Esta foi a casa da família nos 25 anos seguintes. O pai de Charles era um pároco bastante conservador e ativo da igreja anglicana e acabou por se tornar arquidiácono de Richmond. Desde criança, Charles recebeu uma educação religiosa em casa, pois o pai tencionava vê-lo seguir essa carreira. As suas "listas de leitura" foram conservadas nos arquivos da família e são um testemunho do seu intelecto precoce: aos sete anos de idade, ele já lia livros como The Pilgrim's Progress. Charles era gago, à semelhança da maioria dos seus irmãos, e isso afetou as suas aptidões sociais ao longo da sua vida. Aos 12 anos, Charles foi enviado para a escola Richmond Grammar School.

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Personalidade e aparência

Problemas de saúde

O jovem Charles Dodgson media cerca de 1,83 m. Era alto e magro, tinha cabelo castanho e encaracolado e olhos azuis ou cinzentos. Nos seus últimos anos, descreviam-no como um pouco assimétrico e que tinha uma postura rígida e desajeitada, apesar de tal poder derivar de uma lesão no joelho que sofreu na meia idade. Quando era criança, Charles teve uma febre que o deixou surdo de um ouvido. Aos 17 anos, teve um ataque grave de tosse convulsa que pode ter sido responsável pelos problemas pulmonares que teve nos seus últimos anos de vida. Charles também sofreu de gaguez durante toda a vida. A gaguez sempre foi uma parte significativa da imagem de Charles. Apesar de haver uma história apócrifa que diz que ele só gaguejava quando falava com adultos e que o seu discurso era fluente quando falava com crianças, não há provas de que isto fosse verdade. Muitas crianças que o conheceram lembravam-se da gaguez e muitos adultos não reparavam nela. O próprio Charles parecia estar mais ciente da sua gaguez do que a maioria das pessoas que o conheciam e diz-se que ele fez uma caricatura de si próprio com a personagem de Dodó em Alice no País das Maravilhas, sendo o seu nome uma referência à sua dificuldade em pronunciar o seu próprio apelido. No entanto, esta é mais uma história que tem sido repetida sem provas. É verdade que ele se referia a ele próprio como dodó, mas é uma especulação que isso se devesse à sua gaguez.

Relações sociais

No espaço entre as suas primeiras publicações e o sucesso de Alice no País das Maravilhas, Charles começou a travar conhecimentos no círculo social dos Pré-Rafaelitas. Ele conheceu John Ruskin em 1857 e os dois tornaram-se amigos. Por volta de 1863, Charles tornou-se amigo chegado de Dante Gabriel Rossetti e da sua família. Charles tirava fotografias da família no jardim da casa de Rossetti em Chelsea. Charles também, conhecia William Holman Hunt, John Everett Millais, e Arthur Hughes, entre outros artistas. Conhecia ainda o escritor de contos de fadas, George MacDonald e foi a reação entusiasta deste a Alice no País das Maravilhas que o encorajou a tentar publicar o livro.

Política, religião e filosofia

Em linhas gerais, Charles é considerado conservador a nível político, religioso e pessoal. Martin Gardner considerava que Charles era um Conservador que "admirava lordes e era snobe em relação aos seus inferiores". William Tuckwell no seu Reminiscences of Oxford (1900) considera-o "austero, tímido, preciso, absorto em sonhos matemáticos, atento para com a sua dignidade, rigidamente conservador nas teorias políticas, teológicas e sociais, a sua vida era planeada em quadrados como na paisagem de Alice". Charles foi ordenado diácono da igreja anglicana em 22 de dezembro de 1861. Em The Life and Letters of Lewis Carroll, o editor afirma que: "o seu diário está cheio de descrições tão modestas dele próprio e do seu trabalho, misturadas com orações sinceras (demasiado sagradas e privadas para serem reproduzidas aqui) que Deus podia perdoar o seu passado e ajudá-lo a fazer a Sua vontade no futuro." Quando um amigo lhe perguntou qual era a sua opinião em relação à religião, Charles escreveu em resposta que pertencia à igreja anglicana, mas "duvidava se seria um alto clérigo".

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Hobbies

Quando criança, Carroll brincava com marionetes e prestidigitação (também chamado mágica ou ilusionismo), e durante a sua vida gostou de fazer passes de mágica, especialmente para as crianças. Gostava de modelar um camundongo com um lenço e em seguida fazê-lo pular misteriosamente com a mão. Ensinava as crianças a fazer barquinhos e pistolas de papel, que estalavam ao serem vibradas no ar. Interessou-se pela fotografia quando esta arte mal havia surgido, especializando-se em retratos de crianças e pessoas famosas e compondo suas imagens com notável habilidade e bom gosto. Carroll era apaixonado por vários tipos de jogos, tanto que inventou um grande número de enigmas, jogos matemáticos e de lógica; gostava de teatro e era frequentador de ópera, e manteve uma amizade por toda a vida com a atriz Ellen Terry.

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Atividades artísticas

Literatura

Charles começou a escrever poesia e contos desde tenra idade e criou uma revista para a sua família, Mischmasch. Entre 1854 e 1856, o seu trabalho surgiu nas publicações nacionais The Comic Times and The Train e também em revistas menos conhecidas como a Whitby Gazette e a Oxford Critic. A maioria das suas contribuições eram de natureza humorística e por vezes satírica, mas ele tinha ambições maiores: "Acho que ainda não escrevi nada que seja digno de uma verdadeira publicação, mas penso que vou conseguir um dia", escreveu no seu diário em julho de 1855. Em março de 1856, Charles escreveu o seu primeiro texto com o pseudónimo que o tornaria famoso. Um poema romântico chamado "Solitude" surgiu na revista The Train, sendo atribuído a "Lewis Carroll". Este pseudónimo era um jogo de palavras com o seu nome verdadeiro: Lewis era a forma anglicizada de Ludovicus, e Carroll era um apelido irlandês parecido com o nome latino Carolus, do qual vem o nome Charles. A transição foi feita da seguinte forma: a tradução para latim de "Charles Lutwidge" é "Carolus Ludovicus" e este nome traduzido para inglês é "Carroll Lewis" e depois ele trocou os nomes de ordem e criou o pseudónimo "Lewis Carroll". Este pseudónimo foi escolhido pelo editor Edmund Yates a partir de uma lista enviada por Charles, sendo que os outros eram: Edgar Cuthwellis, Edgar U. C. Westhill, e Louis Carroll.

Fotografia

Em 1856, Charles começou a praticar a nova arte da fotografia, sob influência do seu tio, Skeffington Lutwidge e mais tarde do seu amigo de Oxford, Reginald Southey. Em pouco tempo, Charles começou a destacar-se nesta área e tornou-se num fotógrafo conhecido e até chegou a considerar fazer da fotografia a sua principal fonte de rendimento no início da carreira. Num estudo, Roger Taylor e Edward Wakeling fizeram uma lista exaustiva de todas as fotografias que sobreviveram e Taylor calcula que mais de metade do seu trabalho que chegou aos dias de hoje sejam fotos de meninas. No entanto, mais de 60% do seu trabalho desapareceu. Charles também fotografou homens, mulheres, meninos e paisagens, para além de esqueletos, bonecas, cães, estátuas, pinturas e árvores. As sessões de fotos que Charles fazia com crianças tinham um pai presente e muitas das fotografias foram tiradas no jardim dos Liddell porque era necessária luz solar natural para obter uma boa exposição.

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Morte

Charles Dodgson morreu de gripe, seguida de pneumonia em 14 de janeiro de 1898 na casa da sua irmã, "The Chestnuts" em Guildford. Faltavam duas semanas para completar 66 anos de idade. Encontra-se sepultado no Cemitério de Guildford, Surrey na Inglaterra.

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Edições

Edições brasileiras das obras de Carroll são: Alice no país das maravilhas (1865) e Alice Através do espelho (1872), Algumas Aventuras de Silvia e Bruno, Rimas do país das maravilhas, A caça ao turpente e Obras escolhidas.

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Fontes consultadas

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