Branca de Neve e os Sete Anões (filme)
Branca de Neve e os Sete Anões é um marco na história do cinema, sendo o primeiro longa-metragem de animação da Disney, lançado em 1937. Este musical de aventura, baseado no conto dos Irmãos Grimm, foi pioneiro em diversas áreas: é o primeiro longa totalmente animado produzido nos Estados Unidos, o primeiro em cores do mundo e o primeiro clássico da Disney. A obra foi adaptada por uma equipe de roteiristas e dirigida por David Hand como supervisor geral, com sequências individuais a cargo de William Cottrell, Wilfred Jackson, Larry Morey, Perce Pearce e Ben Sharpsteen.
Pontos-chave
- Primeiro longa-metragem de animação da Disney e dos EUA.
- Baseado no conto de fadas "Branca de Neve" dos Irmãos Grimm.
- Pioneiro em animação totalmente a cores no cinema mundial.
- Custou US$ 1.488.422,74, um valor altíssimo para a época.
- Um sucesso estrondoso de crítica e público, definindo um novo padrão para animações.
A trama acompanha Branca de Neve, uma princesa órfã que vive sob o domínio de sua madrasta, a vaidosa Rainha Grimhilde. Invejosa da beleza da princesa, a Rainha a força a trabalhar como serva e consulta diariamente seu Espelho Mágico sobre quem é a mais bela. Quando o Espelho revela que Branca de Neve a superou, a Rainha ordena que um Caçador a leve para a floresta e a mate, trazendo seu coração como prova. Contudo, o Caçador, comovido, poupa Branca de Neve e a aconselha a fugir. Perdida e assustada, a princesa é acolhida por animais da floresta, que a guiam até uma cabana habitada por sete crianças órfãs.
O desenvolvimento de Branca de Neve e os Sete Anões iniciou-se em 1934, marcando a ambição de Walt Disney de expandir seu estúdio, até então focado em curtas. O projeto, orçado em US$ 250 mil, enfrentou ceticismo e foi apelidado de "Loucura de Disney". Disney teve que hipotecar sua casa para financiar a produção, que ao final custou impressionantes US$ 1.488.422,74. O filme não só se tornou o primeiro longa de animação dos EUA, mas também o primeiro em cores do mundo, consolidando a Disney como um gigante do entretenimento.
Desenvolvimento da História
Desde o início, Walt Disney quis que os Sete Anões tivessem personalidades distintas, algo não presente no conto original. Em 1934, notas como "Sugestões para Branca de Neve" detalharam sequências e situações cômicas. A escolha dos nomes dos anões foi um processo de eliminação entre cerca de cinquenta opções, resultando em nomes como Mestre (Doc), Zangado (Grumpy), Dengoso (Bashful), Soneca (Sleepy) e Feliz (Happy), entre outros que foram descartados ou substituídos.
Animação e Estilo Visual
Albert Hurter, artista conceitual, foi a principal autoridade na animação, aprovando todos os desenhos de personagens e cenários. Outros artistas como Ferdinand Horvath e Gustaf Tenggren também contribuíram significativamente. Tenggren definiu o estilo de cores e a atmosfera de muitas cenas, além de ilustrar o livro e os cartazes do filme. Joe Grant foi responsável pelo design da Rainha/Bruxa.
Trilha Sonora Inovadora
As canções, como "Heigh-Ho", "Someday My Prince Will Come" e "Whistle While You Work", foram compostas por Frank Churchill e Larry Morey, com trilha incidental de Paul Smith e Leigh Harline. Branca de Neve foi o primeiro filme americano a ter um álbum de trilha sonora lançado junto com o longa, uma prática inédita que conferiu grande valor ao material.
Influências Cinematográficas
Durante a produção, Walt Disney incentivou sua equipe a assistir a filmes variados, incluindo clássicos como "Romeu e Julieta" (1936). O filme também foi influenciado pelo expressionismo alemão, com obras como "Nosferatu" (1922) e "O Gabinete do Doutor Caligari" (1919) sendo recomendadas por Disney.
A estreia de Branca de Neve e os Sete Anões ocorreu em 21 de dezembro de 1937, no Carthay Circle Theatre, sendo recebida com aclamação e uma ovação de pé. Após exibições exclusivas, o filme foi lançado para o público geral em 4 de fevereiro de 1938, tornando-se um sucesso estrondoso de bilheteria. Arrecadou US$ 3,5 milhões nos EUA e Canadá em seu lançamento original e US$ 6,5 milhões mundialmente até maio de 1939, tornando-se o filme com som mais bem-sucedido da época.
Lançamento Original
A estreia em 21 de dezembro de 1937 foi um triunfo, com a presença de celebridades e a admiração do público, incluindo aqueles que antes duvidavam do projeto. Walt Disney e os Sete Anões estamparam a capa da revista Time. O lançamento geral em 4 de fevereiro de 1938 consolidou o sucesso, com a arrecadação mundial de US$ 7.846.000 em sua exibição inicial, gerando um lucro de US$ 380.000 para a RKO.
Relançamentos Tradicionais
Iniciando uma tradição da Disney, o filme foi relançado pela primeira vez em 1944 e subsequentemente em 1952, 1958, 1967, 1975, 1983, 1987 e 1993. Em 1987, para o 50º aniversário, foi lançada uma versão romanceada por Suzanne Weyn. Em 1993, o filme foi o primeiro a ser totalmente digitalizado para restauração em 4K.
Exibição em Países Lusófonos
No Brasil, o filme estreou em setembro de 1938, com a primeira dublagem em português, adaptada por Braguinha e gravada no Rio de Janeiro. Em 1965, uma nova dublagem foi realizada no estúdio Riosom, adaptada por Aloysio de Oliveira e Telmo de Avelar, tornando-se a versão definitiva. A única exibição em TV aberta no Brasil foi na "Sessão de Sábado" da Rede Globo em 25 de dezembro de 2010.
Recepção Crítica e Premiações
Branca de Neve foi aclamado como uma obra de arte, elogiado por sua animação realista. Walt Disney recebeu um Oscar Honorário pela "inovação significativa na tela" e uma estatueta especial acompanhada de sete miniaturas, entregues por Shirley Temple. O filme também foi indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora. A canção "Someday My Prince Will Come" tornou-se um standard de jazz, regravada por diversos artistas.
Lançamento em Home Media
Em 1994, o filme foi lançado como o primeiro vídeo da Walt Disney Masterpiece Collection. A estreia em DVD ocorreu em 2001, como parte da Coleção Platinum, com extras como documentário e comentários. O lançamento em Blu-ray em 2009, como Edição Diamante, apresentou uma restauração em alta definição e novos recursos, retornando ao cofre da Disney em 2011.
O sucesso de Branca de Neve e os Sete Anões gerou diversas adaptações e aparições em outras mídias, incluindo atrações em parques temáticos, um musical da Broadway, e inspiração para filmes posteriores.
Atrações em Parques Temáticos
A atração "Snow White's Scary Adventures" é um clássico da Disneyland desde 1955 e está presente em parques como Tokyo Disneyland e Disneyland Resort Paris. No Magic Kingdom, foi substituída pela Princess Fairytale Hall, e a expansão de 2013 incluiu a montanha-russa "Seven Dwarfs Mine Train".
Musical da Broadway
Em 1979 e 1980, o Radio City Music Hall apresentou o musical "Snow White and the Seven Dwarfs" (também conhecido como "Snow White Live!"), com 106 performances. O musical contou com quatro canções exclusivas, como "Welcome to the Kingdom of Once Upon a Time".
Prequela Cancelada
No início dos anos 2000, a DisneyToon Studios planejou uma prequela em computação gráfica intitulada "Os Sete Anões", que exploraria como os anões se conheceram e a ascensão da Rainha. O projeto foi cancelado após a aquisição da Pixar pela Disney em 2006.
Filme em Live-Action
Uma nova versão em live-action, "Branca de Neve", foi lançada em 2025, dirigida por Marc Webb. Em 2016, anunciou-se um spin-off em live-action, "Rose Red", focado na irmã de Branca de Neve, com roteiro de Justin Merz.
Outras Aparições
Os Sete Anões apareceram em curtas como "The Standard Parade" (1939) e "The Seven Wise Dwarfs" (1941). Os personagens também marcaram presença na série "House of Mouse" e em filmes como "Mickey's Magical Christmas: Snowed in at the House of Mouse" (2001). A Rainha foi protagonista em "Era Uma Vez no Halloween" (2005). A série "Once Upon a Time" apresentou Branca de Neve, o Príncipe Encantado e a Rainha Má com atuações de Ginnifer Goodwin, Josh Dallas e Lana Parrilla.


