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Ana Bolena

Ana Bolena foi a segunda esposa do rei Henrique VIII de Inglaterra e rainha consorte do Reino da Inglaterra de 1533 até a anulação de seu casamento, ocorrida dois dias antes de sua execução, em 1536. Seu matrimônio com Henrique VIII foi amplamente controverso sob os pontos de vista político e religioso, culminando na ruptura com a autoridade papal e na consolidação da Igreja da Inglaterra como instituição independente da Santa Sé. A ascensão e a queda de Ana Bolena — frequentemente considerada a mais controversa rainha consorte da história da Inglaterra — inspiraram numerosas biografias, estudos históricos e obras de ficção.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Primeiros anos

Ana Bolena era filha de sir Tomás Bolena, Conde de Wiltshire II (2) e de Isabel Howard, filha do Duque de Norfolk. Tomás Bolena era um linguista respeitado e um dos diplomatas favoritos do rei Henrique VII, tendo sido enviado em várias missões diplomáticas no exterior. É impossível determinar a data de nascimento de Ana, pois não consta em registros paroquiais e os dados contemporâneos são contraditórios. Acredita-se que tenha nascido entre 1500 e 1509. Um historiador italiano argumentou, em 1600, que ela nasceu em 1499, enquanto William Roper, filho de Thomas More, disse que ela nasceu em 1512. Também não está claro quando seus dois irmãos nasceram, mas parece que sua irmã, Maria Bolena, era mais velha. Os filhos de Maria Bolena asseguraram que sua mãe havia sido a irmã mais velha. Seu irmão Jorge nasceu em aproximadamente 1504. Quando criança, era chamada Anne de Nan por membros de sua família.

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Os mil dias

Finalmente, em 1532, em Calais, Henrique VIII e Ana Bolena tornaram-se amantes. A 25 de janeiro de 1533, antes do anúncio oficial da dissolução unilateral do casamento com Catarina de Aragão, Henrique casou-se secretamente com Ana, no Palácio de Whitehall. Esta pressa pode estar relacionada com uma gravidez de Ana e a necessidade de Henrique VIII em não deixar sombra de dúvidas quanto à legitimidade de um herdeiro. Em 23 de maio de 1533, Cranmer, presente num tribunal especial convocado pelo Priorado de Dunstable para se pronunciar sobre a validade do casamento do rei com Catarina de Aragão, declarou esse casamento como nulo e sem efeito. Cinco dias depois, em 28 de maio de 1533, o bispo Cranmer declarou o casamento de Henrique e Ana como válido. Catarina perdeu o seu título e, consequentemente, em 1 de junho, Ana foi coroada Rainha de Inglaterra, numa cerimônia magnífica na Abadia de Westminster, precedida de um suntuoso banquete. Em resposta, o povo londrino mostrou o seu desagrado, comparecendo poucas pessoas. Henrique VIII foi excomungado pelo papa Clemente VII por esta afronta ao Direito Canónico, declarando que à luz do mesmo, o seu casamento com Catarina de Aragão continuava válido. Em 7 de setembro de 1533, Ana deu à luz uma menina, a futura rainha Isabel I de Inglaterra.

Acusações de traição, adultério e incesto

O historiador e biógrafo Eric Ives acredita que o político Thomas Cromwell pode ter planejado a queda e execução de Ana Bolena. As conversas entre ele e Chapuys o indicam como instigador da trama para remover a rainha. Prova disso é vista através de cartas escritas por Chapuys sobre como Ana diferiu com Cromwell sobre a redistribuição das receitas da Igreja e sobre a política externa. Ela defendeu que as receitas deveriam ser distribuídas para instituições beneficentes e educacionais, e era a favor de uma aliança com a França. Cromwell insistia em encher os cofres exauridos do rei, e preferiu uma aliança imperial. Por estas razões, sugere Eric Ives, "Ana Bolena tornou-se uma grande ameaça para Thomas Cromwell". Por outro lado, John Schofield, também biógrafo, alega que não houve luta pelo poder existente entre Ana e Cromwell, e que "nenhum traço pode ser encontrado de uma conspiração por parte de Cromwell contra Ana. Cromwell envolveu-se no drama real conjugal somente quando Henrique VIII o mandou para o caso". Cromwell não fabricou as acusações de adultério, embora ele e outros da corte tenham usado tais comentários para sustentar a crise conjugal de Henrique VIII e Ana Bolena. O historiador Retha Warnicke questiona se Cromwell poderia ter manipulado o rei em tal assunto. Henrique se emitiu as instruções cruciais: seus oficiais, incluindo Cromwell, foram deixados de fora. O resultado, os historiadores concordam, era uma farsa jurídica.

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Execução

Alguns,[quem?] inclusive, dizem ter sido um último recurso da rainha para retardar a consumação da execução, ainda esperançosa de um perdão real por parte de Henrique VIII, perdão este que estaria sendo defendido pela sua irmã, Maria. Quando informada da sua iminente execução, Ana Bolena fez chegar a Henrique VIII uma exigência — não aceitaria ser morta por um carrasco inglês, que utilizava o machado para a decapitação. Exigia a "importação" de um carrasco francês, pois estes usavam a espada. Para justificar a sua exigência, teria dito "uma Rainha da Inglaterra não curva a cabeça para ninguém e em nenhuma situação", pois as execuções com a espada eram feitas com a vítima ajoelhada, mas com a cabeça erguida. Diz-se que o poema O Death Rock me Asleep foi escrito por Ana, enquanto aprisionada na Torre. Porém, também pode ter sido escrito por seu irmão, Jorge. A escrita do poema evidencia que ela pode ter tido esperanças de que a morte acabaria com o seu sofrimento.

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Na cultura popular

Ana Bolena tem inspirado ou sido mencionada em numerosas obras artísticas e culturais, desde meios de comunicação, obras de arte, representações na cultura popular, cinema e ficção. Uma de suas representações mais populares é a da série The Tudors. Mais recentemente o serviço de streaming Netflix lançou uma minissérie em três episódios, misturando ficção e documentário, retratando sua vida desde sua ascensão ao trono até sua trágica morte. Há também inúmeras lendas e teorias em torno da sua vida, notadamente a sugestão de que Ana teria seis dedos numa das mãos, embora essas sugestões tenham sido dadas por Nicholas Sander, que foi totalmente contra a Inglaterra Anglicana e de Isabel (filha de Ana Bolena). Além disso, há uma lenda popular de que seu espírito ronda pela Torre de Londres.

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Descendência

De seu casamento com Henrique VIII, tiveram:

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Ancestrais

Entre os muitos ancestrais de Ana Bolena, se destaca o Rei Eduardo I de Inglaterra, que ela descende duas vezes dele, por parte paterna e materna, todas por meio de sua filha Isabel de Rhuddlan, sendo prima duas vezes do Rei Henrique VIII da Inglaterra.

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