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História do exército romano

A história do exército romano descreve as principais transformações cronológicas da organização e constituição das forças armadas da Roma Antiga, as quais foram qualificadas como "a instituição militar mais efetiva e duradoura conhecida da história". Das suas origens, por volta de 800 a.C. até a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C., a estrutura militar de Roma atravessou uma série de mudanças estruturais de grande envergadura. A grandes traços, as armas romanas dividiam-se em exército e marinha, se bem que estes dois ramos eram menos diferenciados que nos exércitos nacionais atuais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Forças tribais (c. 800−578 a.C.)

O primeiro exército romano mencionado nos escritos descreve-se por fontes muito mais tardias. Concretamente, Tito Lívio e Dionísio de Halicarnasso falam do exército romano remontando ao século VIII a.C. Frequentemente, faz-se referência a esse exército como o exército curiado de Roma, nome que procede das subdivisões do exército baseadas nas três tribos fundadoras da cidade (cúrias). O exército era relativamente pequeno, e as suas atividades limitavam-se "principalmente a saques e roubos de gado com escaramuças ocasionais". Carecia do profissionalismo e da organização dos posteriores exércitos romanos, sendo as unidades e regimentos provavelmente compostos por divisões por tribo ou por gente. O exército era composto de infantaria desde os seus começos em algum momento do primeiro milênio a.C., enquanto a cavalaria (conhecida como os céleres ou, literalmente, 'os rápidos') não se formaria, segundo a tradição (muito discutida, por outro lado), até tempos de Rómulo.

02

Hoplitas de modelo etrusco (578–510 a.C.)

Embora algumas fontes romanas, incluindo Tito Lívio e a Políbio, falam nos seus relatos do exército romano da época da monarquia romana (período que seguiu à captura de Roma pelos etruscos), nenhuma delas são fontes contemporâneas aos fatos. Políbio, por exemplo, escrevia cerca de 300 anos depois dos acontecimentos que relata, e Tito Lívio cerca de 500 anos depois dos fatos. Adicionalmente, os registros e documentos que puderam ser redigidos pelos romanos ao longo dessa época foram destruídos quando a cidade foi saqueada pelos gauleses, pelo qual as fontes não podem ser tão fiáveis neste período quanto o são na história militar posterior à Primeira Guerra Púnica. Contudo, de acordo aos escritos que ficam, os três reis de Roma à época da ocupação etrusca foram Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo. Até aqui não havia um exército romano “nacional”, e sim uma serie de grupos armados que só se uniam perante uma iminente ameaça externa. O exército passa então por uma reforma adotando o modelo centurial, baseado na classe sócio-econômica. Esta reforma é atribuída tradicionalmente a Sérvio Túlio, segundo dos reis etruscos, que teria levado a cabo primeiro o primeiro censo de todos os cidadãos romanos. Lívio afirma que Túlio reformou o exército transplantando nele a nova estrutura concebida originariamente para a vida civil como resultado do censo. Entre outros motivos, o serviço militar era considerado naquela altura uma responsabilidade cívica e uma forma de melhorar o status social dentro da sociedade romana.

03

Legião manipular (509−217 a.C.)

O exército dos começos da República Romana continuou a evoluir, e embora existisse certa tendência entre os romanos de atribuir as mudanças a grandes reformistas, o mais provável é que as mudanças fossem produto de uma lenta evolução, e não de uma política singular e deliberada de reforma. Durante este período, a formação militar composta por cerca de 5 000 homens era denominada legião. Contudo, em contraste com posteriores formações legionárias, que seriam compostas exclusivamente por infantaria pesada, as legiões no início e em meados da república estavam compostas por uma mistura de infantaria ligeira e pesada. Para referir-se a este tipo de legião é empregue o termo exército manipular, a fim de marcar o contraste existente entre esta legião baseada em unidades de 120 homens chamadas manípulos, e os posteriores exércitos legionários do império, baseados no sistema de coortes. O exército manipular estava baseado parcialmente no sistema de classes sociais e parcialmente na idade e experiência militar dos soldados. Representa, portanto, uma passagem intermédia entre os anteriores exércitos baseados na classe social e os exércitos posteriores, nos quais o estrato social será irrelevante. Na prática, até mesmo os escravos chegaram a ser chamados para fazer parte do exército da república quando isso chegou a ser necessário.

04

Proletarização da infantaria (217–107 a.C.)

As extraordinárias exigências militares das Guerras Púnicas, com a falta de mão-de-obra, puseram em evidência as debilidades táticas da legião manipular, pelo menos no curto prazo. Em 217 a.C. Roma ficou obrigada a ignorar os seus princípios de que os seus soldados deviam ser cidadãos romanos e proprietários, e teve de enrolar os escravos no serviço naval. Adicionalmente, por volta de 213 a.C., os requisitos de propriedade reduziram-se de 11 000 a 4 000 asses. Levando em conta a preferência de usar cidadãos livres nos seus exércitos, chegados a este ponto, os proletários, os cidadãos mais pobres, também deviam ter sido chamados ao serviço militar, apesar da sua incapacidade legal. Por volta de 123 a.C., os requisitos financeiros para o serviço militar foram novamente reduzidos dos 4 000 asses até 1 500. Nessa altura, portanto, muitos dos anteriores proletários sem propriedades teriam sido admitidos nominalmente no grupo dos adsíduos.

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A legião mariana (107–49 a.C.)

O cônsul Caio Mário levou a cabo um importante programa de reformas no exército da república. Este processo é conhecido como as reformas de Mário ou reformas marianas. Em 107 a.C., todos os cidadãos foram habilitados formalmente para entrar no exército romano. Este último movimento formalizou e concluiu um processo gradual que fora forjado através de vários séculos, mediante a redução dos requisitos econômicos para o serviço militar. A distinção entre hastados, príncipes e triários, que por outro lado já se tornara muito fraca, foi oficialmente eliminada, e a legião romana foi criada, no conceito no que é recordada habitualmente. A infantaria legionária passou a ser uma força homogênea de infantaria pesada composta por cidadãos romanos. Naquele tempo, a cidadania romana e a latina foram se expandindo geograficamente por grande parte da Itália e da Gália Cisalpina, pelo qual o conceito de cidadãos romanos abrange diferentes populações já romanizadas e não apenas a cidade de Roma.

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Recrutamento de não cidadãos (49−27 a.C.)

Durante a época de Júlio César, em 54 a.C., as unidades regulares de legionários foram apoiadas por novas unidades especiais. Em concreto, foram recrutados exploradores (exploratores) e especuladores (speculatores), espias cuja missão era infiltrar-se nos acampamentos inimigos. Por outro lado, e devido às exigências da guerra civil, tomou-se a medida extraordinária de recrutar legiões de não cidadãos. Júlio César fê-lo na Gália Transalpina, Pompeu em Farsalos e Marco Júnio Bruto na Macedônia. Este recrutamento teve caráter irregular e extraordinário sem ser o recrutamento típico deste período. A lei romana continuou exigindo oficialmente que as legiões fossem compostas exclusivamente por cidadãos romanos.

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As legiões imperiais e a reforma das tropas auxiliares (27 75 a.C.– d.C.)

No final da Terceira Guerra Civil a principal preocupação em matéria militar do imperador Augusto, foi evitar que os generais romanos continuassem usurpando o poder a partir do seu cargo militar. A experiência de Júlio César e, anteriormente, de Caio Mário e Lúcio Cornélio Sula, demonstrara como as legiões que foram recrutadas por causas de "emergência" eram compostas por soldados cuja lealdade era exclusiva para o seu general, que os provia dos salários e da pilhagem, e cuja capacidade política procurar-lhes-ia as terras para a sua aposentadoria. Por este motivo, as tropas dependiam quase exclusivamente do seu general, e não da República de Roma nem do senado o qual implicava de fato que o apoiavam ainda se este se virava contra o poder estabelecido (assim ocorrera com Sula, quando se dirigiu contra Roma, e quando Júlio César cruzou o Rubicão). Augusto eliminou a necessidade de recrutar exércitos de emergência mediante o acréscimo do tamanho dos exércitos regulares para que sempre houvesse o suficiente para defender adequadamente o território do império.

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Introdução das vexillationes (76– 117)

No final do século I, as legiões continuavam sendo a espinha dorsal do exército romano, apesar de os auxiliares, de fato, serem a metade dos legionários. Por outro lado, e a respeito da composição interna das legiões, o número de soldados recrutados dentro da península Itálica também caiu gradualmente desde 70 d.C. No final de século, a proporção de cidadãos procedentes da Itália caíra até 22%, sendo o resto de soldados procedentes das províncias conquistadas. Levando em conta que tecnicamente apenas os cidadãos romanos tinham direito a entrar nas legiões, acredita-se que por motivos de necessidade e em alguns casos nos quais os recrutas não a possuíam, esta "simplesmente foi-lhes outorgada no alistamento". Nesta época os limites do império mantiveram-se relativamente fixos até se expandirem novamente sob o governo do imperador Trajano. Devido a isso, o exército foi responsabilizando-se cada vez em maior grau pela proteção das fronteiras existentes em lugar de se expandir para outros territórios, ao contrário do que sucedera nas épocas anteriores. O resultado foi que as legiões começaram a ficar estacionadas em situações muito estáveis. Apesar de legiões inteiras ocasionalmente serem transferidas para lugares em guerra, permaneciam muito tempo estacionárias numa ou mais bases na província, dividindo-se em grupos menores de tropas (vexillationes) segundo se requeria. Esta política foi o começo do qual em épocas posteriores suporia a divisão das forças militares terrestres, no baixo império, nas tropas móveis e estacionárias. Em geral, as melhores tropas eram enviadas como vexillationes, e o resto, de qualidade inferior, permaneciam para a proteção das defesas fronteiriças. Possivelmente entre as que ficavam na zona estavam os soldados feridos e aqueles outros próximos da sua aposentadoria.

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Barbarização do exército (117–253)

Na época do imperador Adriano a proporção de itálicos nas legiões caíra até tão somente 1% e "tornara-se habitual completar os destacamentos [de legionários] mediante as levas locais" Isto é provavelmente o resultado direto de uma mudança nas necessidades com referência ao pessoal militar: à época de Adriano estabeleceu-se em torno da periferia do território imperial um sistema de defesas fronteiriças fixas (em latim, limes), com a finalidade de consolidar as conquistas levadas a cabo por Trajano. Este sistema exigia que as tropas ficassem estabelecidas de modo permanente nas províncias, o qual era uma perspectiva muito mais atraente para os cidadãos nascidos na região que para as tropas itálicas. A maioria das tropas das legiões no início do século III procediam da província relativamente romanizada (embora não itálica) da Ilíria. À medida que o século foi avançando, mais bárbaros (barbari) recebiam licença para se estabelecerem dentro do território romano em troca de ajudar na sua defesa Como resultado, um grande número de bárbaros e semibárbaros foram admitidos no exército.

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Crises sucessivas (238–284)

Na época do Baixo Império Romano, as forças inimigas, tanto no leste como no oeste, eram "bastante móveis e fortes para quebrar o perímetro defensivo [romano] em qualquer eixo selecionado de penetração"; do século III em diante, tanto as tribos germânicas quanto os exércitos persas atravessaram as fronteiras do Império Romano. Em resposta, o exército romano atravessou uma série de mudanças, se bem que a maioria fosse uma evolução ou adaptação natural à mudança e não deliberada, tal como as que ocorreram durante a república e no início do império. Uma grande ênfase foi posta na habilidade de combate de todos os tipos militares, como a artilharia de campo, as bestas, de mão, arqueiros e dardos. As forças romanas foram incrementando a sua mobilidade gradualmente, com um soldado de cavalaria por cada três de infantaria, comparado com a proporção de um a quarenta nos inícios do império. Adicionalmente, o imperador Galiano deu o passo de criar regimentos de cavalaria específicos, separando-os dos regimentos mistos de cavalaria e infantaria, incluindo catafractários (catafratarii) ou Clibanários (clibanarii), escutários (scutarii), e a cavalaria legionária conhecida como promotos (promoti). Coletivamente, todos estes regimentos eram conhecidos como equestres. Por volta de 275 d.C., a proporção de catafractários também se incrementou.

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