Enquanto a Konami dedicava-se a produzir a trilogia de TMNT que seguia as três primeiras temporadas do desenho homônimo de 2003, um novo game foi desenvolvido no entre o segundo e terceiro jogos. Lançado sete meses antes de Mutant Nightmare, TMNT: Mutant Melee colocava tartarugas, amigos e vilões frente a frente em um duelo em três dimensões.
Desenvolvido pela subsidiária Konami Hawaii, o título chegou ao GameCube, PC e Xbox em 15 de março de 2005. O que chamou a atenção foi a falta de uma versão para PlayStation 2, que, na época, já dominava o mercado e que teve que se contentar com o game chegando apenas na Europa, em outubro do mesmo ano. Foi justamente por não chegar ao console da Sony em solo estadunidense que o game se tornou uma espécie de lado B da segunda era da Konami.
TMNT: Mutant Melee foi apenas o segundo título desenvolvido pela Konami que botava as tartarugas para brigar e sair na mão no estilo de jogo de luta. O anterior, TMNT: Tournament Fighters, saiu no início da década de 1990 para SNES, NES e Mega Drive, porém cada plataforma ganhou uma versão específica. Dessa vez, no entanto, o game era o mesmo para todas as plataformas e colocava quatro personagens em uma arena de luta 3D.
Os comandos eram simples: nos botões de face, dois tipos de ataque, pulo e ação especial (que geralmente consistia em pegar itens ou arremessar coisas, podendo ser até um adversário). Nos botões de cima, um bloqueio e outro para usar o ataque especial. Os comandos direcionais podiam ser feitos pelo analógico ou pelo direcional. E era isto. Sem maiores invenções.
Durante a partida, caixas e galões apareciam nos mapas. Caixas normais podiam conter power-ups como aumento de força, de defesa, de velocidade ou de recuperação de vida, mas também podiam estar vazias. Caixas do Clã do Pé sempre traziam armas, que variavam entre as de golpe curto (como espadas, porretes, lanças) e as de tiro (como bazucas, metralhadoras, lançadores de mísseis teleguiados etc.).
Havia também um sistema de combo, com quatro ou cinco variações. A execução era bem limpa e fácil de fazer, sempre em sequência de três comandos. Era melhor até mesmo que os combos de TMNT 2: Battle Nexus.
Um dos pontos baixos era que o jogo era lento. Não pelo fps ou por conta da engine usada (a mesma dos outros games), mas porque os golpes pareciam sair de maneira mais devagar, talvez para conseguir fazer com que o público infantil acompanhasse sem problemas a jogatina. Mesmo com uma fluidez legal nos mapas, isso acabava deixando um pouco a desejar.
Outra coisa que poderia ser melhor era o elenco de personagens. Inicialmente, estavam disponíveis: as quatro tartarugas (Leonardo, Michelangelo, Raphael e Donatello), Mestre Splinter, April O’Neil, Casey Jones, Hun, Monster, Foot Ninja, Traximus, Sleeg e Shredder (Destruidor). E outros nove poderiam ser liberados, mas com muitos clones. Eram eles: Young Hun (Hun jovem), Golden Shredder (Destruidor dourado), Summer April, Summer Casey, Winter April, Winter Casey, Foot Tech Ninja, Large Foot Ninja e Oroku Saki.
Essa repetição acabava com a variedade em um elenco já enxuto. Pior ainda é que, diferente, por exemplo, de Goku em FighterZ, que, apesar de ter várias formas, joga e luta de maneiras diferentes em cada uma delas, April, Casey e Destruidor são apenas skins, sem nenhuma alteração na prática.
Um dos meios para liberar esses personagens era jogar o modo história – outro era usar moedas na biblioteca de conteúdo. Mas diferente da maioria dos jogos de luta da época, o story mode não era apenas uma sucessão de batalhas estilo arcade, mas tentava, sim, contar uma história para cada um dos personagens que estavam habilitados para esse modo (sim, não eram todos que podiam ser usados).
Tendo isso em mente, com as tartarugas os desafios eram maiores, com um maior número de fases e o modo tentava seguir alguma coerência baseada na história do desenho original. O que tornava a experiência divertida era a variação dos desafios: ora era preciso eliminar os adversários em um curto tempo, ora sobreviver até o relógio zerar, ora conseguir o maior número de nocautes até o final, ora destruir objetos com combos específicos. Enfim, diversas opções que faziam parecer que os mais de dez desafios eram muito curtos.
TMNT: Mutant Melee é um dos jogos mais divertidos da franquia, especialmente da era moderna das tartarugas. Embora não dê para levar muito a sério, por limitações impostas por escolha no desenvolvimento das mecânicas ou do elenco, é sempre uma boa pedida para se divertir com os amigos e dar umas risadas das várias coisas que podem acontecer quando se juntam quatro lutadores em uma arena 3D com muitos itens e elementos do cenário.


