Wilson recorreu à London Review of Books para publicar uma análise detalhada do épico de grande sucesso de Nolan e explicar por que, pelo menos para ela, o filme não funcionou (via The Guardian). Sua crítica começa de forma simples, elogiando Odisseia como uma história fácil de acompanhar e que seus "filhos adolescentes curtiram", mas o tom positivo praticamente se encerra logo após o primeiro parágrafo.
"É um espetáculo audiovisual para toda a família", disse Wilson, "como uma queima de fogos elaborada de 4 de Julho — e com praticamente o mesmo nível de profundidade narrativa e emocional."
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Ai. As opiniões de Wilson sobre o filme mais recente de Nolan só esquentam a partir daí.
"Mas a visão do filme é confusa demais, e seus personagens, pouco desenvolvidos demais, para entregar o que ele meio que promete em termos de grandes ideias — embora seja muito bom em apresentar grandes explosões e grandes gigantes", acrescentou ela.
Não está claro se Nolan — um cineasta notório por não usar celular — teve tempo de assimilar as opiniões de Wilson sobre sua obra, mas ele poderia ficar ofendido caso o tenha feito. O diretor mencionou a tradução que Wilson fez da história grega como base para o filme ao conversar com a revista Empire no final do ano passado.
A crítica completa de Wilson não marca sua primeira incursão no tema da obra deste ano, A Odisseia. Na semana passada, ela criticou o filme pelas alterações feitas em relação à obra original, afirmando estar preocupada com o fato de Nolan "tentar incluir tudo, deixando de lado temas que eram essenciais ao poema". Sua crítica permitiu que ela detalhasse alguns dos elementos que considerou particularmente incômodos.
"Mas eu teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste roteiro", disse Wilson, referindo-se ao fato de Nolan ter citado o trabalho dela. "Infelizmente, o Odisseu de Damon não é complicado, nem astuto, nem cheio de artimanhas."
Ela prosseguiu, mais adiante no texto: "A Odisseia de Nolan carece de muitos dos elementos que tornam o poema grandioso. Não tem nada de convincente a dizer sobre tempo, memória, história, guerra ou sobre a relação entre o retorno glorioso de um guerreiro e as vidas de sua família, adversários, companheiros de armas, amigos e vizinhos. Falta-lhe profundidade psicológica, emocional, política e ética. Sua estrutura narrativa é artificial. A escrita é péssima. Nenhum dos personagens tem uma motivação convincente para suas ações ou palavras. Não há cenas de sexo, e toda a comida parece horrível."
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Wilson encerrou com uma nota positiva: A Odisseia está convencendo o público a voltar aos cinemas. Ela já havia celebrado o fato de um filme de grande orçamento ter conseguido despertar o interesse de um novo público pela obra de Homero, e é algo que ela ainda se alegra em ver hoje.
"Talvez o filme convença alguns administradores universitários a não cortar seus departamentos de literatura, línguas e história", explicou ela. "Nolan, que cursou Letras na University College London — onde os alunos ainda estudam A Odisseia como um 'texto fundamental' no primeiro ano —, está se empenhando ao máximo para fazer o público em geral voltar a ler, e sou grata por isso."


