A decisão controversa da Sony de descontinuar os discos de PlayStation não está gerando impacto algum em seus negócios no momento, e a empresa também não prevê impactos negativos para o futuro.
Durante uma sessão de perguntas e respostas com investidores, realizada após a divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre, a CFO da Sony, Lin Tao, respondeu a diversas questões sobre a decisão da companhia de encerrar a produção de discos — medida que provocou uma reação negativa na internet.
Tao foi questionado se a Sony via algum impacto, agora ou no futuro, decorrente do encerramento da produção de discos de PlayStation, previsto para 2028.
“Não estamos observando nenhum impacto em nossos negócios no momento”, disse Tao. “Quanto ao futuro, no que diz respeito às vendas de conteúdo, grande parte já está digitalizada. Portanto, não prevemos qualquer impacto negativo em nossos negócios decorrente da descontinuação dos discos.
“No entanto, como já mencionei, os usuários e jogadores têm um vínculo emocional com a mídia física, e precisamos pensar em como responder a esse feedback.”
Mais cedo, durante a sessão de perguntas e respostas, Tao afirmou que a Sony não mudaria de ideia, embora tenha reconhecido as “opiniões contundentes” da comunidade de videogames.
A reação negativa online tem levado jogadores a continuarem pressionando a Sony para que reverta sua decisão; eles assinam petições online e inundam as postagens da PlayStation nas redes sociais para expressar preocupação com a preservação e a propriedade dos jogos — chegando a ofuscar o lançamento de novos títulos que não têm relação alguma com a situação da Sony. Paralelamente, defensores da mídia física convocaram os jogadores a boicotar a PlayStation por uma semana em agosto, para deixar claro à Sony que a decisão de eliminar os discos a partir de 2028 é inaceitável.
Também surgiram críticas de outros grupos. A Digital Entertainment and Retail Association (ERA) do Reino Unido, por exemplo, classificou a decisão da Sony como “um triunfo da conveniência corporativa sobre a escolha do consumidor”.
Ao anunciar sua decisão, a Sony afirmou que estava simplesmente acompanhando as tendências de consumo. "Em resposta às mudanças nas preferências dos consumidores, novos jogos serão lançados na PlayStation Store e no varejo exclusivamente em formato digital", disse Sid Shuman, Diretor Sênior de Comunicação de Conteúdo da Sony Interactive Entertainment, em uma publicação no PlayStation Blog.
Os dados financeiros mais recentes da Sony mostram que 82% das vendas de jogos completos para PS4 e PS5 ocorrem via download digital. Reforçando essa tendência, Mat Piscatella, Diretor Sênior e consultor da indústria de videogames na Circana, afirmou recentemente que apenas sete jogos de PlayStation venderam mais de 100.000 unidades físicas nos EUA até agora neste ano. Apenas dois jogos de PlayStation venderam mais de 10.000 unidades físicas nos EUA durante a semana encerrada em 11 de julho.
É claro que existem casos de empresas que revertem decisões polêmicas diante de reações negativas, mas, como analistas disseram ao IGN, é pouco provável que a Sony volte atrás nessa decisão. Para a Sony, adotar o modelo totalmente digital para novos lançamentos significa lucrar mais com cada venda, em um momento em que se espera uma queda acentuada nas vendas de consoles devido ao aumento de seus preços. No caso de um jogo próprio (first-party) da PlayStation, como The Last of Us, a Sony retém cerca de 65% do valor de uma cópia física, enquanto cerca de 30% ficam com o varejista e aproximadamente 5% cobrem os custos de fabricação. Por outro lado, em uma cópia física de um jogo de terceiros (third-party), como Call of Duty (publicado pela Activision), a Sony recebe uma taxa de licenciamento, provavelmente em torno de 15%.
Já no caso de downloads, as margens são muito mais elevadas. Para um jogo próprio vendido na PlayStation Store da própria Sony, a empresa naturalmente retém 100% da receita. Para jogos de terceiros, como Call of Duty, a Sony fica com uma fatia de 30% (ou seja, cerca de US$ 21 em um jogo de US$ 70).
*Texto traduzido e adaptado por Vitor Conceição


