Abandone o lança-teias e todo o conceito “family friendly” do amigão da vizinhança de Homem-Aranha pelas garras de adamantium em Marvel’s Wolverine. Também desenvolvido pela Insomniac Games, o título eleva toda a ação e combate dos jogos prévios do teioso e é um balde cheio para fãs dos Mutantes.
Em uma sessão de testes, o IGN Brasil jogou cerca de 2 horas do jogo, especificamente uma parte do primeiro ato, uma luta intensa com um protótipo de um Sentinela, uma Nightmare Door e uma luta contra o Tentáculo.
Parecido com Marvel’s Spider-Man, mas mais sangrento
Marvel’s Wolverine não muda muito a dinâmica apresentada em outras obras da Insomniac inspiradas em heróis da Marvel. A única diferença aqui é a brutalidade e letalidade de Logan. Integrante da Equipe X, a Arma X é achada por Sebastian Shaw, que o leva para compor uma equipe de mutantes em uma versão “beta” da Escola do Professor Xavier. Enquanto o careca e os X-Men ainda não existem neste momento da história, Logan faz parte de uma equipe tática composta por Mística e Dentes-de-Sabre.
O primeiro ato, na verdade, dá um salto temporal, quando Logan retorna para a Equipe X para salvar Shaw de Bolivar Trask, que aparentemente criou o inibidor de mutantes (alô, Peter Parker do MCU). É aqui que o jogador se acostuma com a jogabilidade de Wolverine. O mutante consegue realizar combos e até encher uma barra de “fúria” que o permite virar uma “fera” incontrolável. A cada morte, pontos são recebidos para que o jogador possa trocar por novos movimentos de combate e habilidades.
Também aprendemos mais dos “sentidos” de um carcaju (wolverine). Logan consegue rastrear diferentes cheiros de suas “presas” e, desse modo, auxiliar o jogador para saber onde exatamente ele precisa ir. Para deixar o jogo ainda mais “fácil”, um simples aperto no R3 do controle dá uma dica, caso necessário, mas não vejo muito uso para além dessas mecânicas, a não ser opiniões do personagem a respeito do rastro, como o cheiro de sangue, de alguém ou de algo.
Já a regeneração de Logan, para a alegria dos jogadores, não é um elemento que facilita demais a jogatina. A barra de vida do personagem aumenta lentamente, mas, caso você realmente “morra”, é possível dar um buff de regeneração forçada que basicamente serve como uma “vida extra”. Claro, Logan ainda pode morrer.
É nesse momento, também, que vemos como Logan se relaciona com os integrantes de sua equipe, especialmente Dentes-de-Sabre, que, assim como o IGN US pontuou em uma preview detalhada, pode “roubar” as mortes de Wolverine. Ele realmente é um canalha, mas essa é a graça do Victor Creed. Mais à frente na jogatina, Mística entra para o combate e serve mais como uma narradora sobre os acontecimentos que estamos vendo na tela, mas ela passa a auxiliar o jogador em diversas lutas.
Um ponto a lembrar aqui é que, a todo momento, é possível mudar o nível de dificuldade do jogo: cerca de 5 opções no total. Enquanto a opção “Mutante” é a padrão, com certeza as opções mais difíceis devem deixar o game ainda mais divertido (e com muito mais mortes).
Após resgatar Shaw, que quase morreu pelas mãos de Trask, fomos parar em um combate do Segundo Ato, especificamente uma batalha intensa contra um protótipo de Sentinela que, para quem não conhece tanto o mundo dos X-Men, é basicamente um aniquilador de mutantes. Aqui, a batalha tem a mesma mecânica da luta contra Bongo Bongo de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, adicionada de lasers e mísseis. Ainda assim, eu, que não sou mutante, fiquei muito apreensiva nesse momento.
Acredito que seja a partir da finalização do Primeiro Ato que são desbloqueadas as guias de customização do personagem, incluindo roupas e uniformes que o mutante já utilizou (inclusive a clássica regata e jeans) e os materiais das garras. Infelizmente, no entanto, a mudança de adamantium para qualquer outro material, seja ossos, ouro ou diamante, não aumenta ou diminui o poder das garras, o que é um desperdício para o combate.
Ao final da batalha contra o Sentinela, o outro capítulo disponível no teste foi um de desenvolvimento de relacionamentos. Aqui, conhecemos mais de Logan com membros do Time X, como Victor e Raven Darkholme (Mística, para os íntimos) — que inclusive comanda um bar (cheio de easter eggs) com a esposa, Jéssan Hoan (Tyger) —, e Jean Grey.
Foi nesse momento, também, que aparentemente temos uma primeira Nightmare Door, uma cabana com desafios que, ao completá-los, revela partes do passado de Logan antes de se exilar em uma floresta e ser achado por Shaw. O desafio que fiz foi uma corrida contra o tempo, estilo parkour. Certamente é divertida, ainda mais que, se completar em um determinado tempo, o jogador ganhará alguma recompensa específica. Segundo uma entrevista do IGN US com os desenvolvedores do jogo, é esse recurso adicional que aumenta a vida útil do jogo e, enquanto certamente é legal saber o passado de Logan após completar os desafios, não vejo muita graça como um “game+”. Além disso, fui a “premiada” por crashar o jogo (ainda em desenvolvimento) e deixar a tela totalmente escura, o que levou a fechar o game e reiniciá-lo. Felizmente, não perdi o progresso.
A cereja do bolo, no entanto, foi a luta contra o Tentáculo. Aparentemente, Logan já trabalhou para eles ou os confrontou no passado. Aqui, os ninjas dão trabalho para o mutante, que, se tomar uma katana em alguma parte do corpo, a regeneração de seu corpo fica estagnada. É certamente um dos inimigos mais formidáveis de todo o teste, justamente por dar essa camada de dificuldade que outros combates não têm. Mais do que isso, o Tentáculo é uma das minhas organizações favoritas da Marvel.
Marvel’s Wolverine entrega um combate mais visceral, maduro e sem rédeas para quem busca a violência que faltava em Homem-Aranha. Mesmo com pequenas falhas no teste, a combinação de narrativa instigante, fan service e a jogabilidade bruta de Logan mostra que o título tem tudo para ser uma experiência indispensável para os fãs Mutantes. Apenas o tempo dirá, no entanto, se o game realmente vai continuar entregando tudo isso.


