Publicidade no topo da notícia
Atualizacoes

Homem-Aranha: Um Novo Dia é o filme mais humano e vulnerável do amigão da vizinhança

Peter Parker enfrenta a solidão de ser o Homem-Aranha em novo filme

Homem-Aranha: Um Novo Dia é o filme mais humano e vulnerável do amigão da vizinhança
Publicidade no meio da matéria

Solitário sim, mas engraçado como sempre. Quem diria que Peter Parker teria que acompanhar a vida de seu melhor amigo e de sua antiga namorada através da tela do celular, assim como a geração Z está acostumada?

Esquecido por todos em prol de preservar a identidade do herói mais querido de Nova York e de proteger aqueles que ama, Homem-Aranha: Um Novo Dia apresenta um Peter Parker confuso e perdido no meio de tantas mudanças. Mesmo assim, ele precisa salvar o dia novamente. A maior dúvida que permanece no ar é se ele conseguirá salvar a si mesmo. Como já dizia Rita Lee: “mutante, no fundo sempre sozinho”.

O filme da Sony Pictures em parceria com a Marvel Studios, que estreia nesta quarta-feira (29), traz uma nova face do Homem-Aranha e prova ao herói que nem tudo é o que parece ser.

No novo longa, fica escancarado que Peter Parker nunca esteve tão sozinho. Quatro anos após os acontecimentos de Sem Volta Para Casa (2021), o personagem está imerso em um estado de introspecção profunda, capaz de fazê-lo esquecer a sua própria identidade. Em uma tentativa de tentar desviar da solidão, ele foca em ser o amigão da vizinhança ao lidar com os crimes rotineiros da metrópole. No entanto, ao final do dia, o luto pela Tia May e a falta que MJ e Ned fazem no dia-a-dia ainda falam mais alto.

Parker mantém contato com pouquíssimas pessoas, que não sabem da sua verdadeira identidade além do herói. É nesse contexto que surge uma das relações mais interessantes e divertidas do filme, entre o Homem-Aranha e o Justiceiro. Enquanto o Homem-Aranha é o herói da galera, descontraído e divertido, o Justiceiro é completamente o oposto, ranzinza e o primeiro a partir para a agressão física. É uma espécie de tapas e beijos enquanto tentam conter os delitos que acontecem pela cidade.

Essa dupla, no entanto, se encontra em um lugar comum: a solidão. Assim como Peter Parker transformou a dor da perda em sua principal motivação para continuar ajudando a vizinhança, Frank Castle se tornou o vigilante brutal em memória da esposa e dos filhos, assassinados em um tiroteio que quase tirou a vida dele. Em diferentes passagens durante o filme, eles se identificam um no outro.

Um novo vínculo também criado nesse filme é com Yelena Belova, interpretada de forma excepcional por Florence Pugh, que também se conecta ao Peter na solidão. A interação entre os dois é muito engraçada, principalmente pelas circunstâncias desses encontros e também porque Yelena faz questão de deixar explícito que, enquanto ela precisa lidar com grandes ameaças, o Homem-Aranha só enfrenta os "peixes pequenos". As cenas dos dois deixam aquele gostinho de quero mais e precisa ganhar tempo de tela nos próximos filmes de Vingadores. De pouquinho em pouquinho, Peter Parker volta a se conectar com outras pessoas, mesmo que seja por baixo da máscara.

Não só de problemas interpessoais são os dilemas do Peter Parker neste filme. Como consequência da carga emocional que o personagem vem suprimindo desde o feitiço do Doutor Estranho, o DNA aranha está desbalanceado e inconsistente, provocando mudanças fisiológicas como a produção de teias orgânicas (alô, Peter 2!).

O lado aranha nunca se sobressaiu tanto, e Parker precisa parar para entender como controlar a mutação aranha. É nesse instante que acontece o reencontro com o Dr. Banner, o Incrível Hulk, que desenvolveu uma tecnologia para controlar os genes mutantes.

São exatamente nessas interações de Peter Parker com antigos amigos, que hoje já não o conhecem mais, que residem os momentos mais emocionantes e intrigantes do filme. É avassalador para Peter ver os seus amigos vivendo as próprias vidas, como na cena em que ele entra de penetra na festa de casa nova de MJ e Ned, enquanto as lembranças e memórias vividas em conjunto só são reais para ele. Nessa altura do filme, é impossível não sentir o aperto no coração que ele está sentindo, ainda mais ao som de Loser, do Tame Impala. A trilha sonora do filme conversa o tempo todo com os sentimentos do personagem, parece que você está ouvindo uma playlist feita pelo próprio Peter Parker.

No fundo, o garoto ainda nutre uma pequena esperança de que alguém seja capaz de reconhecê-lo, o que acaba gerando ainda mais frustração e dor. Nesse contexto, o Homem-Aranha ganha uma face mais humana, densa e profunda. Nos momentos de vulnerabilidade, a atuação de Tom Holland se destaca ainda mais, ao assumir um tom mais maduro e distante daquele adolescente entusiasmado apresentado em De Volta Ao Lar (2017). Desde que Holland começou a interpretar o personagem, essa é a ocasião em que ele realmente se brilha totalmente no papel e consegue atingir a sua melhor performance até agora.

Mesmo diante de situações complicadas, a essência do herói prevalece, contrastando com esse retrato inédito de um Peter bem mais melancólico e reflexivo. Apesar de todos os problemas, Parker ainda é o mesmo e consegue arrancar risadas sinceras do público nos cinemas.

O papel da Sadie Sink foi mantido como o maior segredo desse novo filme e, após assistir ao título, entendi completamente a comoção por trás desse movimento. A personagem misteriosa causa um grande suspense desde o início do longa e, aos poucos, é possível entender como ela se conecta ao Homem-Aranha ao terem uma vivência em comum.

O ponto de virada está no instante em que ela remove o capuz e revela a sua identidade. A partir desse momento, o filme passa a ser não só sobre o Homem-Aranha, como também sobre a personagem de Sink, que assume como coprotagonista. Sadie Sink já entrega um alto nível de atuação em Stranger Things, e aqui ela se consagra como uma das mais importantes promessas para o futuro da Marvel.

De fato, a personagem rouba a cena no terceiro ato do filme, que foca em introduzi-la para um aproveitamento futuro em outros títulos do universo cinematográfico da Marvel. No entanto, ao oferecer tanto espaço de tela, o longa acaba se perdendo no principal foco, que é falar sobre Homem-Aranha.

Essa é uma questão que diferencia os filmes do Tom Holland das demais interpretações do herói. Parece que os filmes do Homem-Aranha não são produzidos apenas para contar a história dele, mas sim para servir de plataforma para introduzir outro enredo do MCU, como por exemplo Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021), que serve como base para Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022). Não é como se não existisse material e tramas o suficiente do Homem-Aranha para serem adaptadas, o próprio enredo de Homem-Aranha: Um Novo Dia funcionaria mesmo se deixasse em suspense a história por trás da personagem de Sadie Sink. Às vezes, ao longo do filme, senti falta do Teioso ser o único protagonista de sua história.

É revigorante assistir a uma nova narrativa centrada no Homem-Aranha disposta a explorar o personagem para além da sua feição de heroi. Nesse sentido, a mudança do tom e da abordagem da direção de Destin Daniel Cretton é uma excelente adição para o universo do herói.

As cenas de luta são coreografadas de forma espetacular, junto com a direção de câmera que provoca um dinamismo impressionante ao abusar de diferentes ângulos, principalmente ao acompanhar o ritmo do combate, como no embate contra O Tentáculo.

Outro momento que a direção de Cretton brilha é enquanto o aranha balança entre os arranha-céus da cidade, em que o diretor brinca com o uso de diferentes pontos de vista, incluindo o do próprio Homem-Aranha, e embala o caminho como se fosse uma dança. Um ponto a se destacar também é a opção pelo uso de efeitos práticos, que tornam essas cenas ainda mais realistas aos olhos do público.

Por falar na vizinhança, a inclusão de Nova York como uma personagem ativa na trama é uma adição muito bem-vinda ao filme. Por meio de uma caracterização minuciosa de seus cenários, a cidade parece ter vida própria. Além disso, a fotografia ganha um destaque inédito em comparação com os longas anteriores, com um uso intenso de cores para transmitir sentimento. Como por exemplo no início do filme, que prevalecem tons escuros e, enquanto o filme se desenvolve e Peter passa a se conectar com outras pessoas, a ambientação ganha uma luz e claridade que ajuda a desempenhar um papel fundamental na construção da identidade do longa.

Se você assistiu a Thunderbolts* (2025), vai sentir uma espécie de déjà vu na reta final de Um Novo Dia. A resolução de conflitos parece quase idêntica, se ancorando em conversas emocionais que, dada a magnitude dos acontecimentos e da sede de vingança da personagem de Sadie Sink, parecem rasas. Acredito que essas questões internas da personagem somadas aos eventos que se encaminham a esse desfecho não são tão facilmente resolvidos. Pode até fazer sentido para a construção do filme, mas incomoda no momento em que parece ser mais do mesmo.

Como dito anteriormente, o enredo de Homem-Aranha: Um Novo Dia tenta lidar com diferentes histórias em um curto período — o que faz um filme de 2 horas e 24 minutos parecer limitado para tanto enredo. A produção cumpre o papel de abrir caminhos para o futuro da Marvel, ao deixar algumas pontas soltas a serem resolvidas, como é o caso do Hulk, mas acaba por pecar em focar demais no MCU, não deixando o filme ter uma existência simplesmente individual. No final, o sentimento de que é apenas uma plataforma para o crescimentos de outros personagens acaba tirando um pouco o foco do Homem-Aranha, que merece ter uma história para chamar de sua — e apenas sua.

Esta notícia é um resumo. Os créditos e o conteúdo completo são da fonte original.

Fonte: IGN Brasil

Ler matéria completa em IGN Brasil →

Publicidade ao final da matéria

Notícias relacionadas