Twisted Tower é um jogo de tiro em primeira pessoa focado em ação e exploração de plataformas, com forte inspiração na série Bioshock. O jogo nos coloca no controle de Vincent, um rapaz que vê sua namorada Charlotte ser sequestrada por um maníaco e que precisa superar os mais macabros desafios para ver sua amada novamente. Mesmo com algumas limitações, o título se destaca por suas mecânicas de combate e por sua ambientação marcada por um suspense constante, com cenários baseados em parques infantis e violência explícita.
A trama de Twisted Tower se passa em Red Wash, na Inglaterra de 1944. O jogo começa nos apresentando ao casal Vincent e Charlotte, que assistem a um filme em um cinema drive-in no momento exato em que iniciam o seu relacionamento. A rotina do casal muda radicalmente quando Vincent recebe uma ligação misteriosa, revelando que Charlotte foi sequestrada e levada para o parque de diversões que dá nome ao jogo. Motivado a resgatar sua amada, o protagonista logo pega um barco para ir até a ilha onde a estrutura está localizada.
Para cumprir seu objetivo e salvar Charlotte, Vincent precisa explorar os múltiplos andares do parque, enfrentar criaturas bizarras e desvendar a motivação de Mr. Twister. A campanha nos coloca para enfrentar constantemente hordas de inimigos em salas e corredores fechados dentro do parque, além de quebra-cabeças simples, como mover objetos e rotacionar salas para encontrar a saída.
Conforme avançamos pelos andares, a história se aprofunda por meio de documentos e bilhetes espalhados pelos cenários. Esses arquivos revelam segredos do passado de Vincent e explicam como seus traumas pessoais estão diretamente conectados ao sequestro, além de apresentarem a motivação de Mr. Twister, que frequentemente entra em contato conosco por meio de uma televisão de tubo.
Nesse sentido, é importante destacar que a dublagem faz muita diferença na qualidade do jogo. Além dos diálogos dublados, todos os documentos são lidos e explicados pelo protagonista, o que ajuda a aumentar a imersão graças à atuação dos atores de voz. Um ponto negativo que merece atenção é a ausência de localização para o português brasileiro. Embora o foco seja a ação e a tradução não seja essencial para avançar, a localização para o português seria extremamente bem-vinda para introduzir o título a mais pessoas.
Na jogabilidade, Twisted Tower se consolida como um FPS linear com elementos de plataforma. Em cada andar da torre, o objetivo principal é encontrar um bilhete especial que funciona como chave de acesso à próxima etapa. Para isso, exploramos corredores estreitos, salas de combate e arenas abertas, que eventualmente ficam cheias de inimigos para derrotarmos. Além de adquirir novas armas ao longo da progressão, o jogo introduz mecânicas de movimentação, como o uso de ganchos e asas de borboleta para dar impulsos no ar, o que adiciona camadas de complexidade aos momentos de plataforma.
O ponto alto da experiência é a ambientação, que divide o parque por setores temáticos únicos, como um parque aquático, um cassino e até mesmo as áreas externas. Esse contraste entre o terror dos corredores escuros e os elementos visuais infantis cria uma atmosfera muito imersiva. Isso também é visto nas roupas coloridas e máscaras infantis dos inimigos, bem como na violência do jogo, que não economiza no gore, exibindo sangue espalhado pelas paredes e membros decepados em meio ao cenário.
A direção de arte ganha ainda mais charme com o arsenal, cujas armas parecem brinquedos decorados com estrelas e cores saturadas, incluindo algumas munições que são compostas por bolinhas de gude e gomas de mascar. Para quem prefere um clima ainda mais clássico, é possível ativar um filtro em preto e branco que muda totalmente o tom visual, deixando o jogo com a cara de um produto dos anos 1940.
Complementando a imersão, a trilha sonora aposta em faixas de jazz e blues tocadas ao fundo em momentos de calmaria e músicas agitadas e assustadoras em momentos de ação, o que ajuda a criar esse contraste constante de ambiente medonho e música relaxante. Embora não seja um jogo de terror puro, Twisted Tower constrói um suspense eterno, utilizando aparições surpresas de inimigos para provocar sustos genuínos.
Em relação aos inimigos, eles variam em comportamento e dinâmica de combate. Enquanto alguns caminham lentamente para aplicar golpes corpo-a-corpo, outros correm desordenadamente munidos de armas de fogo e escudos. Saber se adaptar rapidamente a essas diferenças é essencial, principalmente em momentos em que somos cercados por hordas, nos quais as portas das salas se trancam e só voltam a abrir quando todos os oponentes forem eliminados.
Um dos pontos que costumam ser explorados em jogos de terror é a escassez de munição para que o jogador planeje com mais cuidado suas ações. Aqui, isso acontece de certa forma, principalmente no começo da aventura, quando há pouca variedade de armas de fogo e precisamos usar mais o martelo de madeira.
No início, eu achava que isso deixava tudo ainda mais imersivo, pois precisava trabalhar melhor a movimentação do Vincent pelo cenário e saber me posicionar. No final do jogo, o que era pra ser mais terror vira ação. São tantas armas e munições espalhadas, além de ser possível comprar melhorias para elas, que o jogo perde um pouco da essência que tinha nas primeiras horas.
Apesar de suas boas ideias funcionarem bem nas primeiras horas, o título acaba esbarrando em limitações estruturais e tende a ficar repetitivo com o tempo. Embora exista variação nos temas visuais de cada andar, a dinâmica de exploração permanece quase idêntica do início ao fim, fazendo com que o jogo dependa exclusivamente do level design para trazer algo de novo para a campanha. Além disso, a variedade de inimigos é relativamente pequena e até mesmo os momentos de susto se tornam previsíveis após algumas horas.
Outro ponto em que o jogo peca é na forma como constrói seus picos de dificuldade. O ápice do desafio em quase todas as fases consiste em prender o jogador em uma sala fechada para enfrentar hordas massivas de inimigos. O que deveria ser o momento mais impactante de cada nível acaba se tornando algo banal e previsível pela repetição constante do recurso. Além disso, a grande quantidade de armas tira um pouco o terror de ser cercado e ter que planejar os ataques.
Após finalizar a campanha principal, o jogo oferece um fator replay ao desbloquear novos corredores e salas no mapa para uma segunda jogatina. Isso ajuda a dar uma sobrevida ao título, embora não mude o fato de que a experiência geral continua soando muito parecida com a anterior. Por ser um jogo relativamente curto, essas falhas incomodam menos do que incomodariam em um jogo mais longo, mas ainda assim acabam impactando na experiência final.
Twisted Tower combina de maneira eficaz a temática de parque infantil com terror, trazendo momentos memoráveis graças à ambientação bem trabalhada, à trilha sonora, à dublagem e à ação em salas fechadas cheias de inimigos. Mesmo com boas ideias, o jogo acaba se tornando repetitivo e inconstante em sua proposta, virando quase um jogo de ação por causa da grande variedade de elementos de combate e exploração. De qualquer forma, ele é um jogo extremamente divertido e imersivo que certamente irá atender aos jogadores que sentem falta de algo no estilo de Bioshock.
A ambientação é muito bem trabalhada, criando um contraste entre o clima infantil de parque e o terror violento;
O arsenal é variado e criativo, com armas temáticas em estilo brinquedo e diferentes jogabilidades;
A dublagem de alta qualidade e a atuação de voz dos atores agregam muito à narrativa;
A trilha sonora é dinâmica, alternando entre jazz relaxante e faixas agitadas para ditar o ritmo do suspense e da ação;
O ritmo dinâmico de movimentação no combate é expandido por mecânicas de plataforma, como o uso de ganchos e asas de borboleta.
As fases possuem uma estrutura repetitiva;
O excesso de munição e armas no terço final diminui o suspense;
Há pouca variedade de inimigos e os momentos de susto se tornam previsíveis;
A ausência de localização e legendas em português brasileiro.
Análise feita com cópia digital cedida pela 3D Realms
Ultimately, Twisted Tower effectively blends a theme park setting with horror, delivering memorable moments thanks to its well-crafted atmosphere, soundtrack, voice acting, and tight arena combat filled with enemies. Despite its great ideas, the game eventually becomes repetitive and inconsistent in its direction, leaning heavily into a full-on action title due to its wide array of combat and exploration elements. Regardless, it remains an extremely fun and immersive experience that will certainly appeal to players missing games in the style of Bioshock.


