Zimbabwe
O Zimbábue, Zimbabué ou Zimbabwe, oficialmente República do Zimbábue, é um país encravado no sul da África, entre os rios Zambeze e Limpopo. É limitado a norte pela Zâmbia, a norte e a leste por Moçambique, a sul pela África do Sul e a sul e oeste pelo Botsuana. A capital do país é a cidade de Harare. Com uma população de cerca de 15 milhões de habitantes, o Zimbábue tem 16 idiomas oficiais, sendo o inglês, o xona e o andebele setentrional os mais usados.
O nome "Zimbábue" deriva de um termo da língua xona primeiramente empregado para denominar o Grande Zimbábue, um complexo de amuralhados de pedra situados na região leste do país. Duas teorias diferentes abordam a origem da palavra. A mais comumente aceita sustenta que "Zimbábue" deriva de dzimba-dza-mabwe, traduzido do dialeto caranga do xona como "casas de pedras" (dzimba = plural de imba, "casa"; mabwe = plural de ibwe, "pedra"). Os xonas de dialeto caranga vivem ao redor do sítio arqueológico do Grande Zimbábue, na atual província de Masvingo. Já o arqueólogo Peter Garlake afirma que "Zimbábue" representa uma forma adaptada de dzimba-hwe, que significa "casas veneradas" no dialeto zezuru do xona, fazendo referência às casas ou túmulos dos chefes tribais. O Zimbábue era anteriormente conhecido como Rodésia do Sul (1898), Rodésia (1965) e Zimbábue-Rodésia (1979). O primeiro uso moderno registrado de "Zimbábue", como termo de referência nacional, data de 1960, como uma proposta do nacionalista negro Michael Mawema, cujo Partido Nacional do Zimbábue se tornou o primeiro a usar oficialmente o nome em 1961. O termo "Rodésia" — derivado do sobrenome de Cecil Rhodes, o principal instigador da colonização britânica do território — foi considerado pelos nacionalistas africanos como inadequado devido à sua origem e conotações coloniais.
Os registos arqueológicos datam de 500.000 anos os fragmentos da Idade da Pedra encontrados no atual Zimbábue. Os primeiros habitantes conhecidos do Zimbábue foram provavelmente o povo coissã, que deixou um legado de pontas de flechas e pinturas rupestres. Aproximadamente 2.000 anos atrás os primeiros agricultores de língua banta chegaram durante a expansão banta.
Período pré-colonial
As sociedades proto-xona surgiram pela primeira vez no meio do vale do Limpopo no século IX antes de se mudar para o planalto do Zimbábue. O planalto zimbabuense acabou se tornando o centro dos estados xonas subsequentes, começando no século X. Nas cercanias do início do século X, o comércio se desenvolveu com comerciantes árabes na costa do Oceano Índico, ajudando a desenvolver o Reino de Mapungubue no século XI. Este foi o precursor das civilizações xonas mais impressionantes que dominariam a região durante os séculos XIII a XV. O Mapungubue foi substituído pelo Reino do Zimbábue, que existiu de aproximadamente 1200 até 1450. Este reino ainda mais refinado e expandido, desenvolveu uma impressionante arquitetura de pedra evidenciada pelas ruínas no Grande Zimbábue, sua capital, localizada perto de Masvingo, além de inúmeras outras localidades menores. Essas ruínas fazem parte de um dos principais sítios arqueológicos da parte sul da África e possui uma arquitetura de pedra seca única.
Século XIX: migrações e início da colonização
Por volta de 1821, o general Mzilikazi do clã cumalo dos zulus se rebelou com sucesso contra o rei Shaka Zulu, do Reino Zulu, e criou sua própria tribo, que depois se tornaria o povo andebele setentrional. Os andebeles setentrionais lutaram com todos os povos que encontraram em sua migração para o norte, em direção ao Transvaal, deixando uma trilha de destruição pelo caminho e começando uma era de devastação generalizada conhecida como Mfecane. Quando os trekboers neerlandeses convergiram para o Transvaal em 1836, forçaram a migração dos andebeles setentrionais ainda mais para o norte. Em 1838, o Império Rozui, juntamente com os outros estados xona menores, foram conquistados pelo povo andebele setentrional.
Independência, segregação racial e guerra civil
Em outubro de 1964, o governo da Frente Rodesiana, liderada por Ian Smith, abandonou a designação "Sul" (depois que a Rodésia do Norte mudou seu nome para Zâmbia, a palavra Sul no nome da colónia tornou-se desnecessária e o país ficou conhecido simplesmente como "Rodésia"). Com a intenção de confrontar a política britânica de reconhecimento somente de governo majoritário, Smith emitiu a Declaração Unilateral de Independência da Rodésia em 11 de novembro de 1965, e promulgou uma nova constituição através da qual o país adotava oficialmente o nome de Rodésia, com uma monarquia parlamentarista como forma de governo. Isto marcou o primeiro ato desse tipo tomado por uma colônia britânica rebelde desde então. O Reino Unido considerou a declaração rodesiana um ato de rebelião, mas não restabeleceu o controle pela força. O governo britânico solicitou à Organização das Nações Unidas (ONU) sanções contra a Rodésia, enquanto se aguardavam negociações com a administração de Smith entre 1966 e 1968, que se mostrariam malsucedidas. Em dezembro de 1966, a ONU atendeu as solicitações, impondo o primeiro embargo comercial obrigatório a um Estado autônomo. Essas sanções foram ampliadas em 1968.
Década de 1980 - presente: crises
O novo governo do Zimbábue, soberano e multiétnico, e eleito diretamente, iniciou-se em 18 de abril de 1980 com Canaan Sodindo Banana na Presidência e Robert Mugabe como Primeiro-Ministro. O novo governo de Mugabe agiu fortemente para corrigir as desigualdades de raça e classe, com redistribuição de terras detidas pela minoria branca e promoção do desenvolvimento econômico. Porém, durante a década de 1980, a seca e a emigração branca prejudicaram gravemente a economia, que já estava sob pressão pela necessidade de enormes gastos governamentais nas áreas há muito negligenciadas da educação, saúde e serviços sociais para a maioria negra. Em 1992, um estudo do Banco Mundial indicou que mais de 500 centros de saúde tinham sido construídos desde 1980. A percentagem de crianças vacinadas aumentou de 25% em 1980 para 67% em 1988 e a esperança de vida aumentou de 55 para 59 anos. As matrículas aumentaram em 232% um ano após o ensino primário ter sido gratuito e as matrículas no ensino secundário terem aumentado em 33% em dois anos.
O território é constituído por uma região planáltica coberta de savanas, sendo a altitude máxima de 2592 m no Monte Nyangani, a leste do país, próximo à fronteira com Moçambique. O solo é muito fértil, propício à agropecuária. A criação de gado bovino e a cultura do tabaco constituem a principal riqueza económica. O subsolo guarda ouro, amianto, carvão e cromo. Ficam em seu território a grande barragem de Cariba, as montanhas Vumba e as cavernas de Chinhoyi (ambas contêm importantes vestígios de ocupação humana pré-histórica), além das famosas Cataratas de Vitória (Victoria Falls).
O Zimbábue tinha, em 2022, uma população de 15,1 milhão de habitantes, correspondente a uma densidade populacional de 26 habitantes por km². Povos de línguas bantas compreendem 98% da população. O maior grupo étnico são os xonas, compreendendo 70% da população em geral. Os andebeles setentrionais, descendentes dos povos zulus, são o segundo maior grupo (20% dos habitantes). Entre os diversos grupos minoritários no Zimbábue está uma minoria branca, que compõe menos de 1% da população. A maioria dos brancos zimbabuanos são de origem britânica, mas também há africânderes, gregos, portugueses, franco-mauricianos e neerlandeses. A população branca do país vem declinando nas últimas décadas, indo de 278 000 (4,3% dos habitantes) em 1975 para apenas 120 000 em 1999 e em 2002 era de apenas 50 000 ou menos. Segundo o censo de 2012, o total de brancos era de 28 782 pessoas (aproximadamente 0,22% da população), um-décimo do que era em 1975 (período que imperava o apartheid racial na Rodésia). O principal motivo dessa redução populacional é a emigração, com milhares de brancos retornando aos países de origem dos seus ancestrais, principalmente o Reino Unido (cerca de 200 000 a 500 000 britânicos brancos são descendentes de rodesianos ou zimbabuanos), África do Sul, Botsuana, Zâmbia, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Coloureds (zimbabuanos miscigenados, descendentes de africanos negros e brancos europeus) são 0,5% da população e minorias asiáticas, como indianos e chineses, também são aproximadamente 0,5% dos habitantes.
Idiomas
O Zimbábue tem dezesseis línguas oficiais. Listadas na Constituição da República do Zimbábue, nesta ordem, as 16 línguas oficiais do Zimbábue são: 1) o niaja (cheua); 2) o sena; 3) o inglês, 4) o calanga; 5) o coissã; 6) o nambya; 7) o xindau; 8) o andebele setentrional; 9) o tsonga; 10) o xona); 11) a língua de sinais do Zimbábue; 12) o sesoto (soto do sul); 13) o tonga; 14) o tsuana; 15) o venda; 16) o xossa.
Religião
Aproximadamente 85% dos zimbabuanos se consideram cristãos; 62% afirmam atender algum serviço religioso com frequência. A maioria dos cristãos são anglicanos, católicos, adventistas e metodistas. Assim como em outras nações africanas, o cristianismo no Zimbábue se intercala e engloba dogmas de religiões tradicionais africanas. Adoração aos ancestrais é a crença mais praticada entre não cristãos, envolvendo intercessão espiritual; cerca de 1% da população é muçulmana.
O Zimbábue é uma república com um sistema de governo presidencialista. Anteriormente as funções eram repartidas entre um Presidente, que era chefe de Estado de forma mais cerimonial, e o Primeiro-Ministro, que era o chefe de governo. Esta configuração manteve-se de 1980 a 1987, quando as funções de chefe de Estado e chefe de governo foram concentradas no Presidente. A linha de sucessão passou a incluir um Primeiro Vice-Presidente e um Segundo Vice-Presidente. O sistema semipresidencialista havia sido instituído em 2008, com a investidura de um Primeiro-Ministro em 2009. Este modelo foi abolido em 2013, mesmo com a sua adoção legal em uma nova constituição após um referendo no mesmo ano. Retornou, portanto, ao presidencialismo clássico. Sob as mudanças constitucionais de 2005, o parlamento foi separado em uma câmara alta, o Senado, e uma câmara baixa, a Assembleia Nacional. Durante seus sucessivos mandatos, Robert Mugabe tentou implementar políticas que resolveram problemas do colonialismo e da segregação racial que, por por outro lado, causaram problemas no médio e longo prazo ao país. Mugabe promoveu uma política radical de reforma agrária, sem os devidos investimentos em infraestrutura produtiva, tecnologia e assistência técnica, fatores que causaram queda na produtividade, fuga de capitais e hiperinflação. Os investimentos em saúde, por sua vez, aumentaram drasticamente a oferta de serviços públicos, melhorando as estruturas de internação, a cobertura de vacinação e a espectativa de vida. No campo da educação, o ensino nos anos iniciais e médios foi universalizado. Porém, a partir da década de 1990, com o abandono da ideologia socialista, cresceu a percepção geral de desgoverno e corrupção deslumbrante no círculo de poder de Mugabe, com uma incapacidade do Estado zimbabuano de financiar as suas próprias instituições. Além disso, as crises econômicas esgotaram a capacidade de financiamento do Estado, redundado em ciclos de estagflação.
Política externa
O Zimbábue mantém relações com vários países ao redor do mundo e mantém relações diplomáticas estreitas com as nações vizinhas. Em 2003, o país se retirou da Comunidade de Nações, grupo do qual fazia parte tanto desde a independência do Zimbábue quanto como parte do Império Britânico.
Direitos humanos
No início de abril de 2009, um vídeo filmado dentro de uma penitenciária do Zimbábue denunciou a situação precária dos presos, que vivem em condições subumanas e mostram sinais de desnutrição.
O Zimbábue está dividido em oito províncias e duas cidades com estatuto de província:
A economia do país é bastante dependente da mineração. Em 2019, o país era o 3º maior produtor mundial de platina e o 6º maior produtor mundial de lítio, além de ter uma produção considerável de ouro. Na produção de carvão, o país foi o 37º maior do mundo em 2018: 2,7 milhões de toneladas. Outra base econômica do país é a exportação de tabaco, onde o país foi o 6º maior produtor mundial em 2019. O país também exporta açúcar, fiapo de algodão e chá. O país apresentava, em fevereiro de 2007, uma inflação anualizada de aproximadamente 1730%. Dados governamentais de junho de 2007 apontam uma inflação de 4 500%, embora especialistas afirmem que ela já chegou a aproximadamente 100 000%. Em julho de 2008 a inflação oficial chegou a 2 200 000% ao ano, mas estatísticas extraoficiais indicam uma inflação real de 9 000 000% ao ano. Em 2009, a inflação chegou aos exorbitantes níveis de 98% ao dia. A hiperinflação destruiu a economia do país, arrasando o setor produtivo. Nos últimos anos, o Zimbábue tem diminuído sua produção agrícola. O novo governo de coalizão, formado em fevereiro de 2009, conseguiu algumas melhorias na economia, incluindo o fim da hiperinflação eliminando o uso do dólar zimbabueano e o controle de preços. Nisto, a economia registrou seu primeiro crescimento em uma década.
Educação
O sistema educacional do Zimbábue consiste em dois anos de pré-escola, sete anos de ensino fundamental e seis anos de ensino médio, além dos anos que compõem o nível superior. O ano letivo no Zimbábue vai de janeiro a dezembro, com três períodos, separados por um mês de férias, com um total de 40 semanas de aula por ano. Os exames nacionais são realizados durante o terceiro semestre em novembro, com disciplinas de nível "O" e nível "A" também oferecidas em junho. O nível superior detém sete universidades públicas (governamentais), bem como quatro universidades relacionadas à instituições religiosas, que são totalmente credenciadas internacionalmente. A Universidade do Zimbabwe, a primeira e maior universidade do país, foi construída em 1952 e está localizada no subúrbio de Harare. Ex-alunos notáveis desta instituição incluem Welshman Ncube, Peter Moyo, Chenjerai Hove e Arthur Mutambara.
Os artistas são valorizados no Zimbábue e muitos conseguem viver da atividade no próprio país ao contrário do que acontece em outros países africanos, cujos artistas muitas vezes são forçados a ir para a Europa. Nas artes tradicionais são destaques as obras de cerâmica, cestaria, tecidos pintados, joias e esculturas em madeira. A música sempre foi uma parte importante da vida cultural. Algumas lendas da África são cantadas em coro com a participação do público, e eventos sociais são realizados com o acompanhamento de músicas e instrumentos tradicionais como a marimba, o xilofone de madeira, e o mbira, também conhecido como o "piano de polegar" e mujejeje, outro instrumento de percussão. No país encontra-se um dos poucos grandes edifícios antigos, feitos pelos nativos da África negra, a cidadela do Grande Zimbábue, monumento que nomeia o país.
Culinária
A sua culinária é formada basicamente pela herança da cozinha britânica combinada com pratos africanos. A refeição padrão consiste de sadza (uma espécie de mingau de milho) e nyama (pronuncia-se "nhama", e significa "carne"). A bebida alcoólica mais popular é o chibuku.


