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Visual kei

Visual kei ; abreviado como V-kei é um movimento musical japonês que destaca a estética e expressão artística. Caracteriza-se por vestimentas elaboradas, extravagantes e frequentemente uma aparência andrógina. A definição de visual kei pode variar, ora sendo descrito como gênero musical, ora como cena ou estilo. No entanto, os artistas tocam variados gêneros musicais, geralmente relacionados ao rock e metal, fazendo suas apresentações e obras com a imagem típica do visual kei. Seu nome é derivado do slogan da banda X Japan, "Psychedelic Violence Crime of Visual Shock".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Etimologia

O "visual kei", que literalmente significa estilo visual ou linhagem visual, foi nomeado como tal alguns anos depois do surgimento da cena, e foi baseado em um dos slogans da banda pioneira X Japan, "Psychedelic Violence Crime of Visual Shock" (em português: Crime de Violência Psicodélica do Choque Visual), estampado na capa de seu segundo álbum Blue Blood (1989). Seiichi Hoshiko, o editor fundador da revista Shoxx, criada em 1990 como a primeira dedicada ao visual kei, é creditado como o inventor do termo, que apareceu pela primeira vez em uma edição de 1991 da revista. Seiichi explicou em uma entrevista de 2018 para a JRock News que 'visual kei' foi tecnicamente cunhado, ou pelo menos inspirado pelo guitarrista do X Japan, Hide. Hoshiko também disse que na época eles eram chamados de "Okeshou Kei" (em japonês: お化粧系; romaniz.: Okeshō Kei; lit. "Grupo de Maquiagem"), porém, "parecia... muito banal... mesmo que o X Japan fosse uma banda enorme e as pessoas usassem o termo 'Okeshou kei' para descrevê-los, ele ainda carecia de substância, não gostei dele de jeito nenhum! Por isso, tentei avisar todos os escritores a não usarem esse termo, pois 'eles não são okeshou kei, eles são visual-shock kei'. A partir daí, foi de 'Visual-shock kei' para 'Visual-kei' e 'V-kei', afirma Seiichi. "Depois de espalharmos a palavra, os fãs naturalmente abreviaram para 'V-kei'. Os japoneses adoram abreviar tudo, na verdade."

Ban gya

"Ban gyaru" (バンギャル) ou "ban gya" (バンギ) é o nome dado a garotas jovens que são entusiastas de visual kei. Também pode ser usado para apelidar todos os admiradores de visual kei em geral, caso contrário, mulheres mais velhas são chamadas de "obangya" (オバンギャ) e garotos são chamados de "bangyaruo" (バンギャル男) ou "gyaruo" (ギャ男). Tetsushi Ichikawa ressalta que atualmente é um termo usado somente para admiradores de visual kei, porém, nos anos 90, servia para qualquer fã japonês(esa) de bandas de rock.

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História

1980–1990: Origens e ascensão

O visual kei, embora ainda não nomeado como tal, surgiu na cena underground japonesa da década de 1980, precursionado por bandas como X Japan, Dead End, Buck-Tick, D'erlanger, Color e Aion. Semelhanças entre a aparência e o comportamento dos fundadores do visual kei e membros da subcultura delinquente japonesa yankī são frequentemente observadas. O movimento criou uma nova forma para o rock japonês influenciada pelo hard rock, rock gótico, punk rock, glam rock/metal e seus artistas ocidentais como David Bowie, Kiss, Twisted Sister, Mötley Crüe, bem como atos nacionais como Boøwy, The Stalin The Willard e Gastunk. Boøwy é creditada pelo band boom (formação em massa de grupos musicais) dos anos no 90 Japão e seu guitarrista Hotei sugeriu que eles poderiam ter sido a primeira banda visual kei da história. Da mesma forma, foi notado como a estética de Gastunk foi coincidia com o visual kei.

1991–2000: Auge e declínio

Por volta do início dos anos 1990, uma cena visual kei que dava mais ênfase a música e era semelhante ao rock gótico surgiu na região de Nagoya, e como tal foi mais tarde apelidada de Nagoya kei. Silver~Rose e Kuroyume foram considerados os pioneiros e com Laputa são creditados como os criadores do estilo Nagoya kei inicial. Durante a década de 1990, diversos outros subgêneros conceituais começaram a surgir. Pfeifle descreveu que segunda era de transição começou em 1993 com bandas como L'Arc-en-Ciel, Glay (embora formado em 1988, seu primeiro álbum foi lançado em 1994) e Malice Mizer. Eles ganharam a consciência do mainstream, cujo grande sucesso posterior de Glay e L'Arc~en~Ciel foi acompanhado por uma mudança drástica em sua aparência, assim, muitas vezes eles não são mais associados ao visual kei. Um filme conceitual estrelando Hide e Tusk do Zi:Kill foi lançado em 1993, intitulado Seth et Holth. A partir de 1995, as bandas do movimento experimentaram um sucesso estrondoso no público japonês em geral, como por exemplo quando Luna Sea e Kuroyume alcançaram o topo da Oricon pela primeira vez com Style e Feminism respectivamente. Este sucesso estrondoso do visual kei durou mais quatro anos.

2001–2007: Expansão internacional e segunda geração

Uma segunda geração surgiu em pequenas casas de shows específicas para artistas visual kei, gerenciadas por gravadoras como PS Company (da Free-Will) e Maverick (da Danger Crue). Apesar de algumas bandas populares como The Gazette e SID terem tocado no estádio Tokyo Dome a maioria dos atos toca em locais dedicados muito menores como Shibuya O-East. Da mesma forma, certas bandas conseguem contrato com grandes gravadoras, porém a maioria é independente ou está em uma gravadora indie. Grupos formados após meados de 2004 tem sido descritos por alguns meios de comunicação como "Neo-Visual Kei" (ネオ・ヴィジュアル系). A diferença entre a primeira e a segunda geração é que a segunda tem um estilo musical mais variante, indo do metal ao hip hop e ao pop, mas ainda focado em gêneros de rock pesado; o visual e a ambiguidade de gênero são de importância central. Embora não muito significativa economicamente no mercado musical japonês, tornou-se um dos primeiros gêneros musicais japoneses a escalar seu sucesso para fora do país e da Ásia.

2007–presente: Reuniões e terceira geração

Em 2007, o visual kei original começou a ser revivido quando Luna Sea realizou uma performance única e X Japan e D'erlanger se reuniram oficialmente. Dead End se reuniu em 2009 e no ano seguinte, Kiyoharu anunciou as reformas de Kuroyume e Sads e Luna Sea recomeçou oficialmente. Algumas bandas optaram somente por reuniões ocasionais: La'cryma Christi fez uma turnê de aniversário em 2010 e Pierrot se reuniu para dois shows em 2014 antes de se apresentar com o Dir en grey em 2017. Como epílogo de seu 25º aniversário, Luna Sea organizou o festival Lunatic Fest em 27 e 28 de junho de 2015, com uma estimativa de 60.000 fãs presentes. Realizado no Makuhari Messe, contou com três palcos e 12 artistas, a maioria artistas visual kei, incluindo X Japan, Dead End, Dir en grey, Siam Shade e Tokyo Yankees na primeira noite e Aion, Buck-Tick, D'erlanger, Glay e Mucc na segunda. Em 2016, um festival de três dias intitulado Visual Japan Summit foi realizado no Makuhari Messe entre 14 e 16 de outubro de 2016. Alguns dos artistas participantes foram Golden Bomber, Matenrou Opera e cali≠gari. A revista Cure também sediou um festival visual kei neste ano, com bandas como Mejibray, Diaura, Royz, Codomo Dragon e até mesmo grupos de fora do Japão. Luna Sea sediou outro Lunatic Fest em 2018 no Makuhari Messe, nos dias 23 e 24 de junho.

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Estilo musical e temático

Comparável a um dos estilos que mais influenciaram o visual kei, o glam rock, existe um debate no que concerne à classificação do visual kei enquanto gênero musical próprio ou não. Fontes têm se referido ao visual kei de diversas maneiras; como um movimento, cena, subcultura, e gênero musical. Os que não o consideram gênero musical, como os próprios artistas Yoshiki, Miya, Kirito e Miyavi, por exemplo, afirmam que não se trata apenas da música e que a imagem e estilo, liberdade de expressão, diferenciação de seus pares e participação na subcultura é o que descreve o uso do termo. Koji Dejima, da revista Bounce, escreveu que o visual kei pode ser definido como "bandas de rock que criam uma visão de mundo única e uma beleza estilística através de expressões visuais como maquiagem e figurinos." "Nós não nos encaixávamos em lugar nenhum, então criamos nosso próprio "gênero" e isso eventualmente se tornou o visual kei. Mas, visual kei é mais como um espírito, não um estilo musical ou... você sabe. Eu acho que é a liberdade de me descrever a mim mesmo, a liberdade de me expressar a mim mesmo."

Subgêneros

O visual kei também possui subgêneros, que começaram a ser cunhados no auge do movimento nos anos 1990 pela mídia e fãs, quando uma forma de expressão comum, tanto visual quanto musical, emergia. Entre eles há o Oshare kei, que traz uma temática alegre, otimista, pop e fashion e foi notado como um dos mais famosos nos anos 2000, o subgênero regional Nagoya kei que apresenta uma estética mais sombria e teatral, o Kote kei, o extravagante estilo considerado "clássico" e "oldschool", entre outros. Pouco antes do início dos anos 2010 uma nova leva de subgêneros começou a surgir: como por exemplo o Kirakira kei, sucessor do Oshare kei, e o Menhera kei, que trata da subcultura de transtornos mentais conhecida como menhera.

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Controvérsias

Miyavi, Hakuei e Tetsushi Ichikawa ressaltaram que alguns enxergam o termo 'visual kei' de forma preconceituosa, opinando que o movimento se resume a "ostentação" do visual e não preza pela qualidade da música, além de estar copiando a música estrangeira. Por isso, certas bandas tentam se rebelar contra essa opinião ou preferem não serem classificadas assim. L'Arc~en~Ciel cancelou uma apresentação no programa Pop Jam por ser rotulado como visual kei. Dir en grey se distanciou da cena parando totalmente de usar maquiagem na época em que iniciaram sua promoção no ocidente. No entanto, eles voltaram atrás em meados dos anos 2010. Girugamesh comentou em uma entrevista que gostariam de não serem categorizados apenas "neste molde e pequeno gênero" e serem reconhecidos internacionalmente. Tsutomu Ishizuki do Fanatic Crisis contou que não gosta de ser chamado de visual kei e nem mesmo de um dos "quatro reis celestiais do visual kei", por ser um "termo criado pelos adultos" para diminuir a qualidade da bandas à sua aparência. Por outro lado, muitos artistas suavizam sua aparência e se afastam do que é considerado visual kei ao alcançar o sucesso mainstream e internacional – ou na tentativa de alcançá-lo –, levantando dúvidas sobre se ainda podem ser considerados visual kei. Há também bandas que não são da cena, porém em algum momento foram promovidas como tal por marketing, como The Yellow Monkey e Sex Machineguns.

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Cultura e popularidade

O visual kei iniciou sua popularidade nacional entre projetos underground com influências de fenômenos ocidentais, como glam, gótico e cyberpunk, chegando até o sucesso mainstream mais tarde. Revistas publicadas regularmente no Japão cobrindo a subcultura visual kei são, ou foram, Arena 37° C, Vicious, Cure, Fool's Mate, Shoxx, Shock Wave, Rock and Read, club Zy. (Hakuei é o editor chefe) entre outras. A revista Gothic & Lolita Bible deu cobertura à artistas visual kei que utilizam o estilo lolita, especialmente por conta de Mana ser um dos seus idealizadores. A região de Harajuku é conhecida internacionalmente como um centro de moda e cultura jovem japonesa e a ponte Jingūbashi tornou-se um dos marcos populares da localidade. Fãs de visual kei e outras subculturas japonesas como ganguro, lolita, cosplayers (inclusive cosplayers de músicos visual kei) e turistas se reúnem na ponte desde a década de 1960. Porém, ela se tornou um pouco menos popular na segunda década do século XXI.

Popularidade lusófona

Assim como em âmbito internacional, o visual kei também se propagou nos países lusófonos no começo dos anos 2000 por meio da internet e animes. O Brasil, que abriga uma das maiores comunidades internacionais de fãs do estilo, recebeu o primeiro show de uma banda visual kei em 2007. The Gazette, Dir en grey, L'Arc~en~Ciel e Miyavi estão entre os artistas mais famosos no país. Ele permaneceu o único país lusófono a ter um show do gênero até Jiluka participar de um festival em Portugal em 2024. Em uma pesquisa realizada em cidades do Brasil, foi concluído que os fãs tiveram seu primeiro contato com o visual kei entre a faixa etária de 12 a 17 anos.

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Fontes consultadas

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