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Veja

Veja é uma revista de distribuição semanal brasileira publicada pela Editora Abril às quartas-feiras. Criada em 1968 pelo jornalista Roberto Civita, a revista trata de temas variados de abrangência nacional e global. Entre os temas tratados com frequência estão questões políticas, econômicas, e culturais. Apesar de não ser o foco da revista, assuntos como tecnologia, ciência, ecologia e religião são abordados em alguns exemplares. São publicadas, eventualmente, edições que tratam de assuntos regionais, como a Veja São Paulo, Veja Rio, Veja Brasília e Veja BH. Com uma tiragem superior a um milhão de cópias, sendo a maioria de assinaturas, a revista Veja é a revista de maior circulação do Brasil, segundo dados de 2017.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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História

Em fevereiro de 2016, a direção de redação da revista foi alterada com a chegada de André Petry. Ele substituiu Eurípedes Alcântra. De acordo com o economista, ex-colunista e ideólogo de extrema-direita, Rodrigo Constantino, com essa mudança a revista tende a guinar novamente para esquerda, e se baseia na saída de Joice Hasselmann em 2015, que trabalhava no TVEJA. Em 2017, foi divulgado que a revista Veja era a de maior circulação no Brasil. Em agosto de 2019, conta com uma circulação líquida de 472 591 exemplares, sendo destes 176 470 exemplares impressos. Em dezembro de 2018, o Grupo Abril é vendido para o empresário Fábio Carvalho.

Primeiros anos

Quando Roberto Civita, até então residindo em Tóquio como subchefe da sucursal local da Time, foi convidado pelo pai Victor a voltar para o Brasil e trabalhar em sua editora, a Abril, pôs como uma de suas condições criar uma revista semanal informativa nos moldes da Time. A primeira tentativa de fazer tal publicação, em 1965, eventualmente levou a uma mensal iniciada no ano seguinte, Realidade. O sucesso da Realidade, que chegou a 400 mil exemplares por mês, fez os Civita acreditarem na possibilidade da revista semanal. Roberto convidou Mino Carta, então no Jornal da Tarde após trabalhar na Abril como editor da Quatro Rodas, para ser o editor da revista, e ambos visitaram as cinco maiores revistas semanais dos Estados Unidos e Europa estudando a organização de tais publicações. Para recrutar uma equipe, lançaram um anúncio em outras publicações da Abril buscando "homens e mulheres inteligentes e insatisfeitos, que leiam muito, perguntem sempre 'por que' e queiram participar da construção do Brasil de amanhã", recebendo milhares de currículos e eventualmente peneirando os candidatos a uma equipe de cinquenta repórteres.

Década de 1980-90

Em abril de 1983, a revista publicou, em sua seção de ciência, uma reportagem afirmando que pesquisadores alemães, da cidade de Hamburgo, haviam criado um processo inédito que permitia a fusão de células animais e vegetais, culminando com um produto híbrido de carne bovina e tomate, capaz de crescer em árvores e apelidado de "boimate". A reportagem se baseou em informações de teor humorístico do periódico britânico New Science, sem perceber que se tratava de uma brincadeira de 1º de abril. O jornal O Estado de S. Paulo desmentiu as afirmações da publicação em 26 de junho daquele ano. A revista publicaria uma nota no mês seguinte, desmentindo a matéria original, corrigindo o equívoco e pedindo desculpas aos leitores.

2005-2008

Apesar de fundada nos anos 60 como uma revista de tendências centristas e centro-esquerdistas (na medida em que o regime de censura imposto pela ditadura militar permitisse), a partir dos anos 90 VEJA passou a se tornar gradativamente alinhada a ideias tradicionalmente associadas ao liberalismo econômico e às políticas de direita. Em 14 de maio de 2005, reportagem da revista teve papel relevante na eclosão de outra crise política de grandes proporções, quando divulgou a transcrição de um vídeo em que se flagrava, com uma câmera escondida, o então funcionário dos Correios Maurício Marinho explicando a dois empresários como funcionaria um esquema de pagamentos de propina para fraudar licitações. Tal esquema envolveria o deputado Roberto Jefferson, e sua denúncia serviu de ignitor para que este deputado deflagrasse o chamado escândalo do mensalão.

2009-2012

Em 2009, a revista Veja liberou o acesso a informação de todas as suas edições, agora digitalizadas, em um projeto realizado com a parceria do Bradesco. Em setembro de 2010 a revista publicou uma reportagem que denunciava a ministra-chefe da casa Civil, Erenice Guerra, por agir em conjunto com sua família num esquema torpe de tráfico de influência, sendo que Erenice era o braço direito de Dilma Rousseff quando esta era ministra da Casa Civil. Em abril de 2012, a revista Carta Capital publicou matéria, baseada em informações da Polícia Federal, afirmando que Policarpo Júnior, diretor da sucursal de Veja em Brasília, manteve mais de 200 ligações telefônicas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, então preso sob a acusação de envolvimento com o crime organizado. Em um dos grampos captados pela Polícia Federal, Carlinhos Cachoeira, em conversa com o araponga Jairo Martins, responsável por filmar um pagamento de propina que culminou no escândalo do mensalão, afirma ter repassado à revista Veja todos "os grandes furos do Policarpo". Segundo Carta Capital, "a relação, se exposta em toda sua extensão, poderá trazer à tona não somente os métodos pouco jornalísticos usados pela semanal da Abril para fazer reportagens a partir de um esquema clandestino de arapongagem, mas a participação da revista na construção do escândalo do mensalão". Conforme o portal Rede Brasil Atual, o deputado federal pernambucano Fernando Ferro, do Partido dos Trabalhadores, acusou a revista de tentar abafar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a conexão entre Carlinhos Cachoeira, políticos, empresários e jornalistas. Ferro também acusou Veja de associação com o crime organizado e afirmou que deseja convocar Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, para prestar esclarecimentos sobre as conexões entre a revista e Carlinhos Cachoeira.

2012-2013

Em maio de 2012, Veja acusou o ex-presidente Lula de ter proposto um acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes visando obter o adiamento do julgamento do mensalão para 2013, em troca da blindagem do ministro na CPI que investiga a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira. A proposta teria ocorrido no escritório do ex-ministro Nelson Jobim, na presença deste. Lula também teria dito, segundo Veja, que pretendia acionar o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado à ministra do STF Cármen Lúcia, para que ala apoiasse a estratégia de adiar o julgamento para 2013. Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo a respeito do episódio, Jobim desmentiu as declarações de Mendes, negando que o ministro e o ex-presidente tenham ficado sozinhos em algum momento e que tenham conversado sobre o mensalão. Sepúlveda Pertence também negou ter sido procurado por Lula para interceder junto a Cármen Lúcia. Posteriormente, Gilmar Mendes declarou: "O presidente tocou várias vezes na questão da CPMI. Desenvolvimento da CPMI, o domínio que o governo tinha sobre a CPMI e tudo mais. [...] Não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão. Manifestou um desejo.[...] Ele não pediu a mim diretamente. Disse: ‘O ideal era que isso não fosse julgado’." Lula afirmou que o teor da conversa apontado por Veja é inverídico e afirmou estar indignado com as acusações. A revista CartaCapital classificou as acusações de Veja como "mais um exemplar de contragolpe ensaiado para sair do foco das investigações da CPI, desmentido no mesmo dia por um dos personagens citados na apuração."

2014-2015

Em outubro de 2014, a VEJA trouxe a capa uma reportagem do doleiro Alberto Youssef, onde ele afirma que Dilma e Lula sabiam do esquema da Petrobras. A capa traz a foto dos dois com a frase: "Eles sabiam de tudo". O lançamento da edição foi antecipado para quinta-feira anterior ao domingo da eleição, quando normalmente é feito nos sábado. A antecipação da edição e teor da reportagem de capa foram tachados pela coligação da candidata Dilma como tentativa de manipulação do processo eleitoral. Em 25 de outubro o ministro do TSE Admar Gonzaga concedeu direito de resposta e reiterou que “o direito de resposta não possui contornos de sanção, mas o exercício constitucional da liberdade de expressão, por meio do mesmo veículo, conquanto se aviste ofensa grave e/ou afirmação sabidamente inverídica”. Em março de 2016, o ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral em delação premiada disse que Lula e Dilma sabiam de tudo, fato trazido pela capa de VEJA de outubro de 2014, no depoimento do doleiro Alberto Youssef.

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Críticas e controvérsias

Até 2017, a revista se posicionava muitas vezes, ao coordenar sua linha editorial com alguns dos setores conservadores da direita brasileira, o que a faz alvo de críticas por alguns setores da sociedade e personalidades, muitos pertencentes a setores da esquerda, como os jornalistas Luis Nassif em seção especial de seu blog e o próprio Mino Carta, em diversas edições de sua revista, a CartaCapital. Ambos travam disputas judiciais com a revista e seus colunistas (em especial, Diogo Mainardi) em relação às acusações feitas por ambas as partes. Em agosto de 2010, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu ao Partido dos Trabalhadores (PT) direito de resposta a ser veiculado pela Veja. A decisão do TSE se deve à publicação da reportagem "Índio acertou no Alvo", sobre as declarações do deputado Índio da Costa acerca das supostas ligações entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e o narcotráfico. Sobre a concessão do direito de resposta, o ministro Hamilton Carvalhido afirmou que "há uma linha tênue que separa o legítimo direito de exercer a liberdade de imprensa e seus abusos". A medida foi criticada por juristas como Miguel Reale Júnior, Ives Gandra Martins, Paulo Brossard, Oscar Vilhena Vieira e Carlos Velloso. Para Reale Júnior, "dizer a verdade não constitui crime se a intenção não é ofender mas narrar um fato - mesmo que esse fato venha em desfavor do prestígio social de uma entidade, como um partido político", enquanto para Ives Gandra a revista teria expressado sua opinião, "um direito seu", e teria feito "a análise de um fato, o que é legítimo dentro dos princípios da liberdade de imprensa." Para Brossard "os fatos publicados são de notoriedade incontroversa", "fatos públicos e graves" que teriam sido "noticiado fartamente"; já Vilhena Vieira afirmou que o caso "confirma uma tendência de restrição ao direito à informação e à liberdade de expressão no Brasil", e que Veja "tinha o direito de publicar a reportagem".

CPMI do Cachoeira

Em 2012, a revista foi acusada pela Rede Record, em uma reportagem de quinze minutos de duração, de agir a mando do contraventor Carlinhos Cachoeira. Após a instalação da CPMI do Cachoeira, o PT divulgou um documento em que cobra a fixação de um marco regulatório para os meios de comunicação. De acordo com a Folha de S.Paulo, o texto divulgado pelo partido diz que após o escândalo envolvendo Cachoeira e Demóstenes, ficou claro a associação de um setor da mídia com organizações criminosas. A transcrição de um áudio da Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira em fevereiro, também revela que um araponga de Cachoeira invadiu o quarto de hotel do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para recolher material e abastecer a revista Veja. Após esta divulgação, Fernando Ferro disse no dia 17 de abril, na tribuna da Câmara em Brasília: “Na semana passada, tinha afirmado aqui que a revista Veja se associava ao crime organizado para fazer jornalismo. Eu me enganei, acho que a revista Veja já é o próprio crime organizado fazendo jornalismo”.

Extrato falso do senador Romário

Apesar da negativa do senador Romário, em 27 de julho de 2015, a revista publicou uma reportagem afirmando que obteve com o Ministério Público Federal o extrato de uma conta no banco suíço BSI em que Romário teria cerca de R$ 7,5 milhões. Romário prontamente respondeu com ironia às acusações e se deslocou até a Suíça para averiguar a situação. O banco BSI foi taxativo ao informar que o extrato publicado pela Veja era falso e apresentou queixa ao Ministério Público da Suíça. Devido à falsidade das informações veiculadas, Romário abriu processo por danos morais e direito de resposta contra a revista, apesar do pedido de desculpas e reconhecimento do erro publicados pela Veja.

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Suplementos regionais

Imagem: sweet mustache · BY-NC-ND · Openverse

A revista Veja, de circulação nacional, criou edições regionais encartadas na publicação principal. Tais edições regionais foram denominadas como Veja São Paulo, Veja Rio, Veja Brasília e Veja BH; posteriormente elas ganharam o apelido de Vejinhas. Os objetivos das chamadas Vejinhas eram destacar conteúdos regionais, que não tinham espaço na edição nacional.

Veja São Paulo

Veja São Paulo (inicialmente Veja em São Paulo e hoje também conhecida como Vejinha) é um suplemento semanal da revista brasileira Veja, distribuído no estado de São Paulo. Sua primeira edição como revista (anteriormente era um encarte grampeado à edição principal de Veja) foi às bancas em 9 de setembro de 1985, com reportagem de capa "A Magia dos Jardins". Na seção "Carta do Editor", que apresentava Veja São Paulo aos leitores paulistanos de Veja, Victor Civita escreveu: "São Paulo é uma grande metrópole cosmopolita, com vasta oferta de trabalho, habitação, lazer, gastronomia e eventos culturais. Ao transformar Veja São Paulo (até então um guia de espetáculos e atrações culturais) numa revista da capital, nosso objetivo é ajudar os paulistanos a conhecer mais São Paulo e a viver melhor na sua cidade."

Veja Rio

Após quase 30 anos de publicação, a revista Veja Rio deixou de circular em agosto de 2018. Todavia, um ano e meio depois, ela voltou a ser editada em 8 de fevereiro de 2020; com frequência mensal, lançada sempre no primeiro sábado do mês. Na época a universidade Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) fez uma parceria com a revista, para que os seus alunos do curso de Comunicação produzissem conteúdos multimídia para a publicação. Os Mais Amados do Rio, o prêmio Comer & Beber e a distinção Cariocas do Ano, que eram tradicionais edições da revista, retornaram nesta nova fase da publicação. Da mesma forma, foi trazido de volta as colunas Beira-Mar, Histórias Cariocas e Carioca Nota 10.

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Colunas

Imagem: Bruna cs · BY · Openverse

Radar On-Line

O Radar On-Line é uma coluna online da Revista Veja que traz notas sobre política, negócios e entretenimento atualmente escrita por Mauricio Lima. A coluna Radar On-Line tinha a frente o jornalista Lauro Jardim que era também redator-chefe da Veja no Rio de Janeiro. Com a saída de Lauro em setembro de 2015, para assumir uma coluna em O Globo, quem assumiu o Radar On-Line foi a jornalista Vera Magalhães, que permaneceu até julho de 2016.

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