Uanhenga Xitu
Agostinho André Mendes de Carvalho, mais conhecido pelo pseudónimo literário Uanhenga Xitu, foi um enfermeiro, politólogo, político e escritor angolano.
Nasceu na aldeia de Calomboloca, no município de Ícolo e Bengo, província de Luanda. Seu pai era André Gaspar Mendes de Carvalho, e sua mãe era Luísa Miguel Fernandes. Agostinho fez os seus estudos primários nas escolas das missões da Igreja Metodista que operavam em Ícolo e Bengo, rumando para a cidade de Luanda, em meados da década de 1930, para concluir os estudos secundários. A partir de 1942 começa a trabalhar como agente de sanitário na zona de Catete-Luanda, nos Serviços de Assistência Médica ao Indígena e nas Campanhas de Combate a Doença do Sono. Matricula-se em uma escola técnica de enfermagem em Luanda e, em 1947, forma-se como auxiliar de enfermagem. Passa a exercer, nos postos sanitários de Dinge, Cuíto, Calumbo, Mungo, Cabiri e Bom Jesus do Cuanza, nos hospitais de Benguela e Lubango, e depois nos serviços de saúde em Luanda, a função de enfermeiro auxiliar de segunda classe concursado dos Serviços de Saúde e Higiene de Angola. Em Dinge, em 1947, chegou a se tornar sindicalista e organizar uma greve laboral pelas melhorias das condições de trabalho. Foi transferido de Dinge para o Cuíto como punição pelo ocorrido.
Origem do pseudónimo literário
Em entrevista com Ana Lopes de Sá, Agostinho Mendes de Carvalho explicou que o nome Uanhenga Xitu é de origem quimbunda, sendo que xitu significa literalmente «carne» e uanhenga significa «andar com alguma coisa ao pendurão», sendo que a expressão «uanhenga xitu» veicula uma noção idiomática de «os poderosos contam sempre com inimigos à espreita» ou de que «o poder desperta o ódio nos outros». Eminente contador de histórias populares, a narrativa de Uanhenga Xitu, está despida do rigor literário, pois a preocupação primária do autor é estabelecer uma ligação semiótica com o seu povo, que o estimula a escrever.
Desenvolvimento de sua escrita
Uanhenga Xitu, enquanto escritor, nasce na prisão, impelido pelo desejo de preservação memorialística do passado para conhecimento das gerações futuras, bem como pelo encorajamento dos companheiros de cela, para que escrevesse. Os textos escritos no cárcere, assestam um tempo e um espaço primordiais para o autor: a infância ou a juventude, na sua terra natal, assim como as histórias presenciadas por si, em primeira mão, e as estórias escutadas, na tradição oral local.. Foram estas vivências na senzala transformou-o num homem solidário e interessado com as necessidades humanas. Numa entrevista, Uanhenga Xitu afirmou que "o que me preocupa é a situação social do povo".
Em 13 de fevereiro de 2014, aos 89 anos, Uanhenga Xitu morre por motivo de doença.
Em 1949 Uanhenga Xitu casou-se com Maria António Jorge de Carvalho, tendo com ela, destacadamente, os filhos Luiza Maria Fernandes de Carvalho, Miguel Gaspar, André de Carvalho Miau e Margarida Jorge de Carvalho. Teve outros sete filhos, alguns de relacionamentos extraconjugais.


