Susana Vieira
Sônia Maria Vieira Gonçalves, mais conhecida como Susana Vieira, é uma atriz brasileira. Estreou na televisão em 1962, se tornando na década de 1960 uma das principais atrizes da Rede Tupi e da TV Excelsior até chegar na RecordTV, onde foi alçada ao posto de protagonista e ganhou status de maior estrela da emissora. Em 1970, migrou para a TV Globo, onde permanece até hoje.
O pai de Susana, Marius Gonçalves, era militar da reserva, da Arma de Cavalaria, e foi representante na embaixada do Brasil em Buenos Aires; a mãe, Maria da Conceição Vieira Gonçalves, trabalhava no consulado, e já foram para a Argentina casados, e com os dois filhos mais velhos nascidos. Susana, batizada como Sônia Maria Vieira Gonçalves, nasceu na Maternidade São Paulo, na capital paulista. O nome artístico de Susana é na verdade de sua irmã, a atriz brasileira, nascida na Argentina, Susana Gonçalves. Além de Susana Gonçalves, Susana Vieira tem mais três irmãos: Sérgio, Sérvulo e Sandra. Como acontece com famílias de diplomatas, Susana viveu em vários países, tendo aprendido vários idiomas. Sua primeira infância foi entre Montevidéu, Buenos Aires e Londres. No Uruguai, Susana estudou na tradicional Escuela Baron de Rio Branco, no ano de 1954. Foi em Buenos Aires que ela estudou balé, apresentando-se várias vezes no Teatro Colón. E foi ainda através da dança que, já no Brasil, apareceu num programa da TV Tupi de São Paulo, em 1960. Ganhando cachê e sendo contratada, começou a participar de vários programas como "TV de Vanguarda" e "TV de Comédia".
1962–70: Início na Tupi, Excelsior e Record
Susana começou a atuar em 1962, logo depois de ter se formado em arte pelo Teatro Municipal de São Paulo, passou a fazer parte do corpo de baile da TV Tupi, dançando nos programas durante a apresentação de cantores. Foi lá que o diretor Cassiano Gabus Mendes a viu e, achando-a bonita, começou a colocá-la no elenco de teleteatros e telenovelas. Por pressão do marido interrompeu a carreira artística para ser dona-de-casa, mas, depois que nasceu seu único filho em 1964,e ela voltou ao trabalho. Em 1966, atuou em três novelas na TV Excelsior: Almas de Pedra, As Minas de Prata (ambas do diretor Walter Avancini) e Ninguém Crê em Mim. Em 1967, já na TV Tupi atuou em Estrelas no Chão. De 1968 a 1969, atuou em várias novelas da Rede Tupi, RecordTV e TV Excelsior, onde viveu sua primeira protagonista em A Pequena Karen. Karen era uma pequena garota que morria no terceiro capítulo da novela e acabava voltando para a novela como um espírito. Em 1970, Susana foi contratada pela Rede Globo.
1970–85: Notoriedade e carreira internacional
A primeira novela de Susana Vieira na Rede Globo foi Pigmalião 70, onde interpretou a coprotagonista Candinha, uma feirante ambiciosa. Em 1974, Susana precisava trabalhar para sustentar o seu filho e pediu para uma amiga se passar por ela para pedir um personagem da novela de Dias Gomes, O Espigão. No ano de 1975, ganhou o seu primeiro troféu APCA como melhor atriz pela atuação na telenovela O Espigão. O segundo troféu veio no ano seguinte pela atuação em Escalada. Foi somente em 1976 que Susana Vieira fez seu primeiro papel como protagonista de telenovela na Globo, em Anjo Mau. Nesta novela, Susana fez sucesso no papel de Nice, uma moça ambiciosa que não media esforços para conseguir o que queria, por conta das maldades de sua personagem chegou até a ser agredida na rua. Nice era um personagem considerado imoral na época da ditadura militar, sendo assim, Cassiano Gabus Mendes, decretou sua morte no último capítulo. A novela tinha no elenco José Wilker, Renée de Vielmond, Sérgio Britto, Osmar Prado, Pepita Rodrigues, entre outros.
1985–02: Amadurecimento
Em Um Sonho a Mais, viveu a maldosa Renata, essa co-antagonista tinha como objetivo herdar a fortuna de Volpone, interpretação de Ney Latorraca. Seu terceiro papel como protagonista foi em 1987, no papel de Marta em Bambolê, onde interpretava uma mulher desquitada que enfrentava uma sociedade que se apaixonava por um sujeito que não se importava com a sociedade. Em 1990, viveu a coprotagonista Laís em Lua Cheia de Amor e em 1993, viveu também duas coprotagonistas: a divertida Rubra Rosa de Fera Ferida e a elegante Clarita em Mulheres de Areia. Foi protagonista em 1995 na novela A Próxima Vítima no papel de Ana Carvalho, a novela fez grande sucesso pelo suspense ao revelar o nome do assassino de vários personagens no último capítulo. Ana era uma mulher inteligente, mas sem muita cultura que tinha características de uma típica italiana e que vive um triângulo amoroso com Juca e seu amante Marcelo.
2003–14: Consolidação e outros projetos
Em 2003 voltou à novela das oito e, novamente, pelas mãos de Manoel Carlos. Em Mulheres Apaixonadas, Lorena vivia uma relação com um homem mais jovem. Em Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva volta para interpretar mais uma protagonista. Ela foi capa de inúmeras revistas e foi homenageada pelo conjunto da obra no Prêmio Contigo de Novelas de 2005, além de ter sido indicada a melhor atriz, perdendo para Sorrah. No entanto venceu Sorrah no Melhores do Ano do Faustão e um Prêmio do Jornal Extra, do Rio, pela interpretação da nordestina Maria do Carmo. Em 2007 viveu a segunda Branca de sua vida, em Duas Caras, consolidando-se como a atriz favorita do autor Aguinaldo Silva. Foi indicada novamente como Melhor Atriz no Prêmio Contigo. Em 2009 protagonizou a minissérie Cinquentinha, também de Aguinaldo Silva, no papel de uma estrela da TV, Lara Romero. Os figurinos da personagem, segundo a própria Susana, foram inspirados na atriz Tônia Carrero. Em 2010 participou de uma novela supervisionada por Aguinaldo em Portugal, Laços de Sangue, também interpretando Lara Romero.
2015–presente: Trabalhos recentes
No início de 2015 foi escalada para viver uma das protagonistas da novela das nove de João Emanuel Carneiro, A Regra do Jogo. No folhetim em questão, a atriz interpretou Adisabeba, uma ex-prostituta que enriqueceu e virou uma das mulheres mais ricas do Morro do Macaco, cenário importante para a trama. Em maio de 2015 fez uma participação em Babilônia, e outra em Chapa Quente, ambas como ela mesma. Na participação da novela, Susana encontra sua fã Consuelo Pimenta (Arlete Salles). E em agosto volta as novelas, em A Regra do Jogo, na pele de Adisabeba, mulher extravagante e muito influente no Morro da Macaca, onde possui uma boate, na trama ela é mãe de Mc Merlô, personagem de Juliano Cazarré, esta é a primeira vez que a atriz trabalha em uma novela de João Emanuel Carneiro. Em novembro de 2015, Susana foi cotada para repetir parceria com o Euclydes Marinho na novela O Outro Lado da Lua que deveria estrear em 2017, no horário das 23. A atriz iria contracenar com Renata Sorrah pela sétima vez (ambas atuaram em A Próxima Atração, Guerra dos Sexos, Andando nas Nuvens, Senhora do Destino, Duas Caras e A Regra do Jogo).
Em 1961, Susana casou-se com seu noivo, e também seu primeiro namorado, o diretor Régis Cardoso. Três anos depois, teve seu único filho, Rodrigo Otávio Vieira Cardoso, nascido em 19 de setembro de 1964, em São Paulo. Régis era contra sua carreira, uma vez que naquela época as atrizes eram mal vistas perante a sociedade, o que gerou diversos conflitos entre eles e culminou no fim do casamento em 1972, quando Susana saiu de casa, levando o filho. Em 1978 casou-se com Rubens de Falco, com quem contracenou na telenovela A Sucessora, união que durou pouco mais de um ano. Em 1986 casou-se com o empresário Carson Gardeazabal. O casal se divorciou em 2003, após dezessete anos de união, porém continuaram amigos. Durante este período nasceram seus dois netos, Rafael Vieira Cardoso, em 1996, e Bruno Vieira Cardoso, em 1998. Em 2006 conheceu o policial militar Marcelo Silva durante o Carnaval, com quem começou a namorar, e, poucos meses depois, em 30 de setembro do mesmo ano, foram viver juntos no cidade do Rio de Janeiro. Em 10 de novembro de 2008 foi anunciado o término da união, após Susana descobrir que Marcelo possuía uma amante há alguns anos, Fernanda Cunha, e que ele estava envolvido com drogas, além de ter sido expulso da polícia por ter espancado e estuprado uma prostituta em um motel. Um mês após, em 11 de dezembro de 2008, seu ex-marido foi encontrado morto por overdose de cocaína.
Saúde
Em 2015, Suzana foi diagnosticada com leucemia linfoide crônica. Depois do tratamento com medicamentos e sessões semanais de quimioterapia, revelou que sua doença, apesar de incurável, estava controlada. Em agosto de 2019, escalada para interpretar Emília no remake da telenovela Éramos Seis, declarou que a doença não impediria a continuidade do seu trabalho, mesmo depois de cinquenta anos de carreira.
Teatro
No teatro, seu maior sucesso foi a peça A Partilha, de Miguel Falabella. A montagem, que ainda contava com Arlete Salles e Natália do Vale, ficou seis anos em cartaz com grande sucesso e foi apresentada em doze países. Atuou também em Romeu e Julieta, de William Shakespeare; As tias, de Doc Comparato; A dama do cerrado, de Mauro Rasi; A Vida Passa, de Miguel Falabella; e em Água Viva, 2003, dirigido por Maria Pia Scognamiglio, baseado no livro de Clarice Lispector, um monólogo elogiado pela crítica especializada e que rodou o país lotando teatros. Em 2006 estreou a peça A Namoradinha do Brasil, em Petrópolis, ao lado da atriz Bárbara Borges, uma semana após se casar com Marcelo Silva e lotou o teatro todos os dias, saindo em turnê depois. Em 2010 Susana Vieira interpretou Maria na Paixão de Cristo no maior teatro ao ar livre em Nova Jerusalém, Pernambuco. Em 2012, Susana Vieira voltou aos palcos com a comemoração dos 20 anos de A Partilha, com o elenco original e direção de Miguel Falabella. No Rio de Janeiro a peça esteve em cartaz no teatro Oi Casa Grande. Em 2015, ela esteve em cartaz com a peça Barbaridade com os atores Osmar Prado, Edwin Luisi e Marcos Oliveira. Atualmente, Susana repete parceria com Miguel Falabella com a peça Shirley Valentine com turnê nacional, estreando em cidades como Vitória, Belo Horizonte e Campinas.
Música
A partir do projeto do produtor "Samuel Petroti" de transformar atrizes em cantoras, Susana recebeu o convite e aceitou, mesmo a atriz tendo feito uma cirurgia nas cordas vocais para retirada de um pólipo da garganta. O CD recebeu o nome de Brasil enCena com Susana Vieira, com regravações de grandes músicas da MPB e trilhas sonoras de telenovelas que Susana participou. O disco foi gravado entre julho e novembro de 2010. Susana também fez uma participação no DVD da banda de forró pernambucana Desejo de Menina, onde dividiu o palco com o vocalista Daniel Almeida na canção "Feitos um Pro Outro".
Imagem: TerryGeorge. · BY-NC-SA · Openverse
Em 2006, participou do quadro Dança no Gelo, do Domingão do Faustão, sendo a segunda a deixar o programa, em 27 de agosto de 2006, após uma polêmica com os jurados do programa. A atriz não concordou com uma nota baixa recebida e ficou furiosa. Ela justificou que nunca havia patinado antes e que participar daquele quadro não se tratava de um desafio pessoal, mas de uma obrigação com seu amigo Faustão. Uma das maiores controvérsias envolvendo a atriz se deu em 2008, após o término de seu casamento com o policial Marcelo Silva, que morreu em dezembro do mesmo do ano, vítima de overdose. O relacionamento havia chegado ao fim um mês antes à morte de Marcelo, quando Susana o expulsou de casa ao descobrir que o marido tinha uma amante. Na época, ela confessou que foi roubada e chantageada pelo policial, afirmando ter sido vítima de um psicopata e acusou a imprensa brasileira de ter jogado a culpa da relação toda sobre suas costas. Dois meses depois da morte de Marcelo, Susana revelou que o ex-marido havia roubado dela muito dinheiro, além de joias valiosas, eletrodomésticos, que ele arrombou seu cofre pessoal, ameaçou de morte seus empregados, fez desvios em sua conta bancária e até chegou a filmá-la tomando banho para chantageá-la, pedindo R$ 500 mil pela gravação.


