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SuperVia

SuperVia Trens Urbanos, ou simplesmente SuperVia, é uma empresa operadora de transporte ferroviário pertencente à Guarana Urban Mobility Incorporated (Gumi), sociedade formada pelos grupos japoneses Mitsui e West Japan Railway Company. Até 29 de maio de 2026, foi responsável pela operação e manutenção das sete linhas do sistema de Trens Urbanos do Rio de Janeiro, que totalizam 104 estações ativas e 270 km de malha ferroviária, agora operados pela TrensRJ. Entre 2011 e 2016, foi responsável por operar o Teleférico do Alemão, que atualmente encontra-se desativado devido à falta de repasses do governo para a sua manutenção.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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História

Imagem: World Bank Photo Collection · BY-NC-ND · Openverse

Antecedentes

Na década de 1990, a malha ferroviária do Rio de Janeiro havia entrado em profunda decadência como resultado do desinvestimento estatal, a partir daquele período. Em 22 de dezembro de 1994, a CBTU, que administrava os trens suburbanos do Rio de Janeiro desde 1984 por meio da Superintendência de Trens Urbanos do Rio de Janeiro (STU/RJ), transferiu a operação para a Companhia Fluminense de Trens Urbanos (Flumitrens), criada pelo governo estadual para assumir o controle das linhas que haviam sido elaboradas desde o final do século XIX pelas extintas estradas de ferro Central do Brasil (linhas Deodoro, Santa Cruz e Japeri/Paracambi), Rio d'Ouro (Linha Belford Roxo) e Leopoldina (linhas Gramacho, Vila Inhomirim, Guapimirim e Niterói).

Concessão e investimentos

Em 1998, após privatizar a operação da sua rede metroviária e uma série de outras empresas públicas, o governo estadual fez a concessão de 7 das 9 linhas da sua rede ferroviária (ficando de fora as linhas de Niterói e Guapimirim, que continuaram sob controle da Flumitrens, e a partir de 2001, da Central) para a iniciativa privada por um prazo de 25 anos, renováveis por mais 25 anos, mantendo apenas os investimentos e subsídios necessários para o seu funcionamento. Quatro grupos deram as garantias financeiras necessárias a Câmara de Liquidação de Custódia (CLC) e participaram do leilão realizado em 15 de julho na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, sendo eles:

Venda para a Odebrecht, expansão e instabilidade

Em 12 de novembro de 2010, a Odebrecht (atual Novonor) adquiriu 61% do controle acionário da SuperVia por meio da sua subsidiária Odebrecht TransPort, deixando os outros quatro fundos de investimento que controlavam a empresa por meio da Rio Trens Participações com 39% das ações. Após a compra, em 30 de novembro, o governo estadual renovou antecipadamente a concessão do sistema, prevista para 2023, com as garantias de que a SuperVia deveria investir 1,2 bilhão de reais em melhorias para atender a demanda de passageiros esperada com a Copa do Mundo FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Os novos acionistas assumiram o controle da SuperVia em 22 de dezembro, quando o engenheiro da Odebrecht, Carlos José da Cunha, tomou posse como presidente da empresa. Os aportes financeiros da empresa e do governo estadual, que juntos somaram 2,1 bilhões de reais deram novo fôlego ao sistema de trens, com a reforma e ampliação de estações, e a compra de 120 novos trens para reforçar a operação das linhas. Na mesma época, em 29 de maio de 2011, a SuperVia também assumiu a operação da Linha Guapimirim, única que ainda estava sob controle do governo estadual, e também ampliou a sua oferta de serviços, com a operação do Teleférico do Alemão, inaugurado em 7 de julho, e integrado com o sistema de trens a partir da Estação Bonsucesso, que foi completamente reformada. A operação foi instituída em contrato provisório com o governo estadual, até a elaboração de uma licitação para um operador definitivo. A SuperVia deixou a operação do Teleférico do Alemão em 7 de março de 2016, sendo substituída pelo Consórcio Rio Teleféricos.

Venda para a Mitsui, recuperação judicial e CPI dos Trens

Em março de 2018, afetada por escândalos de corrupção que vieram à tona com as investigações da Operação Lava Jato, a Odebrecht começou a se desfazer dos seus ativos, entre eles a sua participação acionária na SuperVia. Após um ano de negociações com diversos grupos interessados, o grupo japonês Mitsui adquiriu 88,67% das ações, através da sua subsidiária, Guarana Urban Mobility Incorporated (Gumi), por um valor estimado em 800 milhões de reais, enquanto a antiga Odebrecht TransPort manteve 11,33% das ações, de um total de 72,8% que possuía antes da venda. A compra foi fechada em 28 de fevereiro de 2019, e o CADE aprovou a transação em 6 de março. Os serviços passaram ao comando da empresa em maio do mesmo ano.

Devolução da concessão

Em 11 de abril de 2023, representantes da SuperVia se reuniram com o governador Cláudio Castro e o secretário de transportes, Washington Reis, para discutir um novo acordo para os problemas do sistema de trens urbanos, e foram dadas como opções para a empresa injetar "vultuosos recursos financeiros" no sistema ou transferir a operação para outra companhia. Dias depois, em 26 de abril, Masato Kaneko, presidente da Gumi, controladora da SuperVia, enviou ofício à Secretaria Estadual de Transportes comunicando que a empresa iria devolver a concessão do sistema, alegando "que não há possibilidade de assumir obrigações adicionais de suporte financeiro" como solicitado pelo governo, dando como motivos a crise financeira, perda de receita com a pandemia, prejuízo com o furto de metais e cabos e o congelamento da tarifa contratual.

Transição para nova operadora

TrensRJ é a atual operadora do sistema de Trens Urbanos do Rio de Janeiro, sucedendo a SuperVia. Assumiu integralmente as operações em 30 de maio de 2026, após um período de transição em operação conjunta com a operadora anterior.

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Controvérsias

Imagem: Wanderson S. Dantas · BY-SA · Openverse

Agressão a passageiros

Entre os dias 13 e 16 de abril de 2009, uma greve de maquinistas da SuperVia causou a superlotação do sistema, devido ao número reduzido de composições em operação, em favor de melhores condições de segurança para os funcionários e passageiros. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Central do Brasil, 85% da categoria aderiu ao movimento, mas segundo a SuperVia, a adesão foi de 30% dos cerca de 320 maquinistas. Durante o movimento, em 15 de abril, três agentes de segurança da SuperVia foram flagrados agredindo passageiros de um trem superlotado na Estação Madureira com socos e chicotadas para que entrassem na composição e não impedissem o fechamento das portas. De acordo com reportagem da Rede Globo, houve denúncias de que os funcionários usavam de força e truculência com frequência, inclusive utilizando barras de ferro como arma. A SuperVia informou que os agentes são treinados para garantir que as portas se fechem sem o uso da força física, afirmando que os passageiros que impedem o fechamento das portas estão cometendo o crime de colocar a vida dos outros em risco e também de dano ao patrimônio.

Repasses na operação do Teleférico do Alemão

Em 2016, com o fim do contrato firmado entre a SuperVia e o governo estadual para a operação do Teleférico do Alemão, uma investigação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro afirmou que a empresa nunca havia feito os repasses de dinheiro arrecado nas bilheterias ao estado, que eram orçados em cerca de 6,8 milhões de reais entre os anos de 2011 e 2014, período analisado pela auditoria do TCE-RJ. O repasse era previsto em uma cláusula contratual entre as partes, que também previa subsídios de 3,3 milhões por mês pelo governo do estado, num total de mais de 180 milhões que foram feitos durante os 60 meses de contrato. O contrato também previa a cobrança pela SuperVia, de uma taxa de 10% sobre os valores dos custos, despesas e investimentos autorizados pelo governo, o que foi considerado um duplo pagamento pelo serviço, chegando a 11 milhões de reais no período analisado. O Ministério Público, que investigou o acordo, considerou a cobrança ilegal com base na Lei Federal 8.987/95, que determina que a concessionária só pode ser remunerada pela exploração do serviço prestado.

Corrupção

Em 22 de março de 2016, com a deflagração da Operação Xepa, correspondente à 26.ª fase da Operação Lava Jato, o então presidente da SuperVia, Carlos José da Cunha, foi alvo de mandados de busca e apreensão e condução coercitiva pela Polícia Federal, após seu nome ser encontrado em documentos do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como o "departamento da propina". Cunha teria solicitado pagamentos de 100 mil reais em novembro de 2014 e de 300 mil em dezembro do mesmo ano, a um beneficiário de codinome "Plataforma". Em 2017, os executivos Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Paulo Henyan Yue Cesena e Carlos José da Cunha revelaram em um acordo de delação premiada que a SuperVia pagou propina a Light S/A para reduzir parte de uma dívida de 169 milhões de reais que a empresa tinha com a companhia elétrica. O acordo teria sido selado em 2011, entre Cunha, o empresário Ramiro Ribeiro, representante comercial de empresas portuguesas no Brasil, e Ziza Valadares, diretor da Light entre 2012 e 2015, e havia recebido o codinome "Luminosidade" nas planilhas da Odebrecht.

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