Interpretação
Interpretação é um termo ambíguo, podendo referir-se tanto ao processo quanto ao seu resultado — isto é, tanto ao conjunto de processos mentais que ocorrem em um leitor quando interpreta um texto, quanto às opiniões que ele poderá formar após a leitura. Pode consistir, portanto, na descoberta do sentido e na conclusão acerca do significado de algo, em geral resultante da ação humana.
Intérprete é a pessoa que realiza a atividade de interpretação, isto é, que estabelece, simultânea ou consecutivamente, algum tipo de comunicação verbal ou não verbal entre duas entidades. O termo pode referir-se a:
Interpretação consecutiva
A interpretação consecutiva é um dos modos de interpretação (ou tradução) em que o discurso do orador é dividido em segmentos de alguns segundos ou minutos, traduzidos consecutivamente pelo intérprete. É considerada uma técnica básica de interpretação: enquanto o orador fala, o intérprete faz anotações e, após determinado intervalo de tempo, comunica a tradução. Por essa razão, esse modo de tradução leva aproximadamente o dobro do tempo da tradução simultânea e não permite a mesma fluência natural durante uma apresentação. Por outro lado, oferece maior precisão, além de dispensar equipamentos especiais para a plateia e poder ser realizada remotamente, por meio de conferência telefônica com o intérprete e os demais participantes.
Interpretação simultânea
A interpretação simultânea é a modalidade em que um discurso, apresentação, palestra, treinamento ou qualquer outra forma de comunicação verbal é traduzido para outro idioma em tempo real. Apresenta um grau de dificuldade técnica substancialmente maior para o intérprete. Geralmente, o intérprete trabalha em uma cabine isolada acusticamente, e sua voz é transmitida aos ouvintes por aparelhos conectados a fones de ouvido. A interpretação simultânea é comumente usada em reuniões e congressos para um grande número de pessoas e permite ao palestrante realizar a sua apresentação sem as constantes interrupções características da interpretação consecutiva.
Equipamentos de interpretação simultânea em infravermelho
Os equipamentos de tradução simultânea baseados em infravermelho apresentam algumas vantagens em relação aos equipamentos em radiofrequência, entre as quais se destacam: imunidade a interferências externas, sobretudo de ondas de rádio e televisão; maior sigilo em reuniões e conferências; e a possibilidade de utilizar os mesmos canais em salas distintas sem causar interferência.[carece de fontes]? O sistema é composto por diversos equipamentos, entre eles um modulador, um emissor e receptores de infravermelho, todos compatíveis entre si. A central de intérprete é outro componente importante, uma vez que a qualidade do áudio nela gerado influencia a qualidade de todo o sistema. A cabine acústica, por sua vez, evita que o áudio externo prejudique os intérpretes ou que ruídos sejam captados pelos microfones. Os estojos carregadores permitem a recarga simultânea dos receptores, dispensando a troca frequente de baterias.
A interpretação musical consiste na execução de uma obra musical, a partir de uma partitura, por exemplo. Pode também referir-se à execução de uma obra musical de outro artista.
A interpretação jurídica é o processo de atribuição de sentido aos enunciados de textos ou normas jurídicas, visando à resolução de um caso concreto. Há diversos métodos de interpretação jurídica: O ordenamento jurídico brasileiro também prevê técnicas de integração da norma, presentes no artigo 4.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, que devem ser aplicadas na seguinte ordem: A grande divergência em teoria geral do direito entre positivistas e moralistas reside no "guia" da interpretação jurídica, ou seja, naquilo que orientaria o intérprete no momento da decisão. Para os positivistas, a ponderação e o equilíbrio determinariam o melhor ajuste da interpretação à situação concreta, não existindo, portanto, uma única solução correta, haja vista o grande número de princípios presentes no ordenamento. Para os moralistas, como Dworkin, existe uma interpretação correta, que deve estar de acordo com aquilo que ele denomina valor da integridade.
Há sempre várias construções e interpretações possíveis para um texto, que se diversificam porque dependem do leitor para que lhes seja atribuído sentido. Contudo, "é sempre possível advogar a favor de ou contra uma interpretação, confrontar interpretações, arbitrar nelas, visar um acordo, ainda que este acordo continue longe de ser atingido". Para analisar a interpretação, Paul Ricœur parte do estudo do texto escrito, acreditando que o estudo de sua interpretação esclarecerá aspectos importantes da linguagem, da ação e da compreensão do sujeito. O autor concebe a interpretação como um processo que não se encerra antes de assinalar a passagem do mundo da vida ao mundo literário e o reingresso do mundo literário no mundo da vida: "a tarefa da hermenêutica é reconstruir o conjunto das operações pelas quais uma obra eleva-se do fundo opaco do viver, do agir e do sofrer, para ser dada, por um autor, a um leitor que a recebe e assim muda o seu agir".


