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Satélite artificial

Satélite artificial é qualquer corpo feito pelo ser humano e colocado em órbita ao redor da Terra ou de qualquer outro corpo celeste. Até hoje já foram efetuados milhares de lançamentos desses corpos ao espaço, mas a maioria já está desativada. Quando ocorrem falhas no lançamento ou no próprio satélite, partes dos mesmos podem ficar orbitando o planeta por tempo indefinido, formando o lixo espacial. Tecnicamente, esses objetos também são satélites, embora o termo por si só seja usado para se referir ao aparelho que foi colocado em órbita para exercer uma função específica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Ciclo de uso dos satélites

Quando um satélite deixa de executar suas funções, ele deve ser retirado de órbita ou colocado em uma órbita que não ofereça riscos a outros satélites. Para satélites na órbita terrestre baixa, o satélite deve ser colocado em uma órbita que com o arrasto causado pela atmosfera, faça com que o satélite caia na Terra antes de 25 anos. Geralmente durante a reentrada atmosférica o satélite explode, e o risco de uma peça atingir um ser humano é menor do que um em 10 000. Outra opção é colocar o satélite numa órbita destinada a satélites que já não operam mais. Foram estabelecidas quatro órbitas para essa função que ficam em altitudes menos utilizadas por outros satélites.

Montagem

Todo satélite carrega instrumentos especiais para executar sua função no espaço. Um satélite de observação do universo, por exemplo, carrega um telescópio. Além desses instrumentos específicos, todos os satélites têm subsistemas básicos, ou seja, grupos de aparelhos que fazem os instrumentos trabalharem juntos e manter o satélite em funcionamento. Um exemplo importante é o subsistema de energia, responsável por distribuir a energia captada nos painéis solares e transformada em energia elétrica para todos os outros sistemas. Entretanto, cada sistema é criado, montado e testado individualmente. Depois de concluídos os testes, cada um é instalado no satélite de uma vez até que se complete a montagem e todos os sistemas estejam integrados. Posteriormente, o satélite é submetido a testes em condições que reproduzem àquelas a que se encontrarão no espaço. Somente depois de passar por todos os testes rigorosos estabelecidos é que o satélite pode ser lançado.

Lançamento

Os satélites são colocados em órbita por meio de foguetes e naves espaciais (que são chamados de veículos de lançamento), lançados de diversos centros de lançamentos localizados em diversos países. Os veículos de lançamento podem utilizar combustíveis sólidos ou líquidos. Os foguetes podem carregar até três ou quatro satélites de uma só vez. Geralmente os foguetes multiestágios possuem três estágios que vão se separando até que se chegue ao espaço. O primeiro estágio contém o combustível necessário para que o foguete e o satélite, que pesam centenas de toneladas, cheguem ao espaço. Quando essa primeira etapa é concluída, essa parte do foguete é desprendida e geralmente cai no oceano ou em um deserto, dependendo da área em que foi lançada. Imediatamente o segundo estágio, que é um foguete menor, começa a queimar seu combustível para que se chegue à órbita desejada em torno da Terra. Quando o combustível acaba, esta parte também é liberada e cai na Terra. Por fim o terceiro estágio contém uma espécie de cápsula onde está o satélite. Uma vez atingida a órbita necessária, essa cápsula libera o satélite que abre seus painéis solares e suas antenas e começa a executar a função para qual foi criado.

Em órbita

Para explicar o movimento dos satélites é preciso fazer o experimento mental que Isaac Newton fez no século XVIII. Newton imaginou um canhão no topo de uma montanha apontado na direção paralela à superfície da Terra. Ignorando-se o efeito da atmosfera, o projétil iria até uma certa distância e depois cairia na Terra. Lançando-se o mesmo projétil com velocidade maior, ele cairia a uma distância maior. Aumentando-se cada vez mais a velocidade do projétil, chegaria um ponto em que o projétil já não mais atingiria a superfície do planeta, e descreveria uma órbita circular. Mas isso não significa que a gravidade não está agindo, pois é ela que faz a trajetória ser curva (diz-se que o projétil está em contínua queda livre). Em outras palavras, a gravidade da Terra faz com que a trajetória seja curva e, se a velocidade for suficiente, esta curva nunca atinge a superfície do planeta. Se a velocidade do projétil for ainda maior, ele passará a descrever uma órbita elíptica e, se a velocidade for ainda maior, o projétil escapa da influência da gravidade do planeta.

Elementos orbitais

Para se determinar a órbita de um satélite, pelo menos sete elementos orbitais são necessários. Esses números são chamados elementos orbitais do satélite, ou elementos Keplerianos. Por meio desses dados define-se uma elipse, sua orientação em relação à Terra e define a posição do satélite num dado instante de tempo. No modelo Kepleriano, as órbitas são elipses de forma e orientação constante, estando a Terra em um de seus focos. Mas no mundo real as coisas são diferentes, e os satélites estão sujeitos a fatores que alteram sua órbita, como a variação do campo gravitacional (pois a Terra não é uma esfera perfeita) e o arrasto causado pela atmosfera.

Perturbações e manutenção em órbita

Existem diversas forças e fatores que alteram a órbita de um satélite e para que o mesmo continue exercendo suas funções normais, é necessária a correção da trajetória. Alguns motivos de perturbação são causados por forças gravitacionais. A Terra não é uma esfera perfeita (na verdade o planeta tem um formato geoide) e por isso a aceleração gravitacional pode ser ligeiramente maior em algumas regiões e um pouco menor em outras, o que altera a trajetória do corpo que está orbitando o planeta. Outros corpos, como o sol e a lua também exercem influência gravitacional sobre os satélites, fazendo com que se desviem de suas órbitas originais, dando origem ao efeito do terceiro corpo.

Rota no solo

A projeção da órbita de um satélite na superfície da Terra é chamada rota no solo. Num dado instante de tempo imagina-se uma linha que liga o centro do planeta ao satélite. Quando essa linha intercepta a superfície esférica da Terra, encontra-se um ponto dessa rota, que pode ser definido a partir de uma latitude e de uma longitude. Enquanto o satélite se move, o traço formado pelo conjunto desses pontos forma uma rota no solo. Os satélites da órbita terrestre baixa (como a Estação Espacial Internacional), por exemplo, atingem uma latitude máxima e mínima enquanto orbitam o planeta, e por isso a curva formada por um desses satélites lembra uma curva senoidal quando feita sobre um mapa com a projeção de Mercator.

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Tipos de órbitas

Existem diferentes órbitas possíveis em torno da Terra que são mais favoráveis para determinados tipos de satélites. Existem órbitas que criam a ilusão que o satélite está pairando sobre um mesmo ponto sobre a Terra, enquanto outros circulam o planeta passando sobre diversos lugares todo dia. É importante lembrar que quanto mais distante a órbita estiver da Terra, mais devagar é o movimento do satélite e, portanto, maior é o seu período orbital. Existem diferentes formas de classificação, de acordo com diversos fatores como a excentricidade, altitude e inclinação, entre outros, mas as órbitas podem ser divididas em três tipos básicos, as órbitas terrestres alta, média e baixa.

Órbita terrestre alta

Quando um satélite atinge exatamente 42 164 quilômetros em relação ao centro da Terra (cerca de 36 mil quilômetros de altitude em relação à superfície), o seu período orbital é o mesmo período de rotação da Terra e por isso essa órbita é chamada de geossíncrona. Essa órbita geralmente tem inclinação e excentricidade diferentes de zero. Mas quando essa órbita está diretamente sobre o Equador terrestre, com inclinação e excentricidade igual a zero, é chamada de órbita geoestacionária, porque um satélite colocado nessa posição parece pairar, não tendo um movimento aparente quando visto da Terra. Os satélites meteorológicos estão geralmente localizados nessas órbitas, de onde se tem uma visão constante da mesma área, que também é bastante utilizada nas comunicações.

Órbita terrestre média

Como estão mais próximos da Terra, levam menos de 24 horas para completar seus períodos orbitais. Existem dois tipos de órbitas notáveis nessa altitude. A primeira é a órbita semissíncrona, uma órbita praticamente circular a uma altitude de 20 200 quilômetros da superfície na qual o satélite leva doze horas para completar uma revolução. Por isso, a cada 24 horas o satélite passa sobre o mesmo ponto no Equador duas vezes. As órbitas dos satélites dos sistemas de navegação por satélite do Sistema de Posicionamento Global (GPS, EUA), GLONASS (Rússia), BeiDou (China) e Galileo (União Europeia), são desse tipo. O segundo tipo de órbita importante é a órbita Molniya, que foi criada pelos russos e é utilizada para observação das altas latitudes. As órbitas geoestacionárias estão localizadas sobre o Equador e por isso as latitudes altas tanto do hemisfério norte quanto do hemisfério sul ficam em desvantagem. Por isso a órbita Molniya é melhor para transpor esse obstáculo. Esse tipo de órbita é altamente excêntrico e quando passa muito perto da Terra sua velocidade é relativamente alta. Quando ele vai se afastando, a velocidade diminui até que ele atinge o ponto mais distante da Terra. Nessa órbita os satélites levam doze horas para dar uma volta completa ao redor da Terra, mas mais de dois terços desse tempo ele passa sobre um mesmo hemisfério, sendo, por isso utilizada nas comunicações entre localidades muito ao norte e muito ao sul.

Órbita terrestre baixa

Uma órbita terrestre baixa é aquela cuja altura é inferior a mil quilômetros de altitude, onde se encontram diversos tipos de satélite. Quando a inclinação da órbita do satélite é alta, eles passam sobre as regiões polares, por isso essas órbitas são chamadas órbitas polares. Geralmente localizadas até 2 000 km de altitude, esse tipo de órbita permite que o satélite tenha uma área de cobertura praticamente total sobre a superfície do planeta, já que executa várias translações por dia. Existe um tipo de órbita chamada órbita heliossíncrona, na qual um satélite sempre cruza a linha do Equador no mesmo horário, ou seja, a posição do sol em relação ao satélite é a mesma. Por exemplo, o satélite Terra da NASA, que está numa órbita heliossíncrona, cruza o Equador sobre o Brasil às 10h30 da manhã. Quando o satélite completar seu período de 99 minutos, atravessará a linha do Equador novamente sobre a Colômbia ou Equador, onde será também 10h30 no horário local, e assim sucessivamente. Esse tipo de satélite é importante para a ciência porque o ângulo do sol na superfície é sempre o mesmo, apenas varia com as mudanças das estações. Isso permite que cientistas possam comparar imagens de uma mesma área de uma mesma estação por vários anos sem a variação de luminosidade do Sol, que poderia criar ilusões de mudança.

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História

Primeiras concepções

As primeiras ideias em colocar corpos em órbita foram do inglês Isaac Newton, que, em 1729, publicou um livro contendo ideias de como lançar um satélite em órbita, por meio do experimento mental de um canhão no alto de uma montanha. Acredita-se o escritor americano Edward Everett Hale tenha sido o primeiro a propor o conceito de satélite artificial em 1899 no livro A lua de tijolos (The Brick Moon). O escritor francês Júlio Verne publicou o livro De la Terre à la Lune (1865) e sua sequência Autour de la Lune (1869), que descrevem uma missão tripulada no satélite natural da Terra, cujo transporte seria feito pelo canhão Columbíade. Essa obra, mesmo sendo de ficção científica, possui muitos detalhes técnicos que, inclusive, revelam semelhanças com a missão Apollo 11 em 1969. O autor inglês H. G. Wells publicou o livro em 1901, Os primeiros homens na Lua (The First Men in the Moon), que introduziu o conceito de utilização de satélites em órbita polar para comunicação. Em 1903 o físico russo Konstantin Tsiolkovsky publicou teorias possíveis de ser aplicadas para colocar foguetes em órbita, além de realizar cálculos das velocidades necessárias para colocar satélites em órbita. Alguns anos depois, em 1914, o inventor americano Robert Goddard patenteou o primeiro projeto de um foguete de combustão (ver: História dos foguetes).

Os primeiros satélites

A história do primeiro satélite começou em 1952 quando o Conselho Internacional de Uniões Científicas estabeleceu que entre julho de 1957 e dezembro de 1958 seria o Ano Internacional da Geofísica no qual os cientistas queriam lançar satélites para mapear a superfície terrestre. Em 1955, o governo americano tinha planos para lançar um satélite e solicitou a institutos de pesquisa para colaborar no desenvolvimento do projeto. Em 4 de outubro de 1957, entretanto, foi colocado em órbita, pela União Soviética, o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, que tinha 58 centímetros de diâmetro e pesava 83,6 quilos e que levou 98 minutos para ser colocado em uma órbita elíptica ao redor da Terra. Esse fato marcou o início da corrida espacial entre a União Soviética e os Estados Unidos (ver: Crise do Sputnik). Como um impressionante feito científico, o fato chamou a atenção do mundo todo, principalmente dos Estados Unidos, onde temia-se a capacidade dos soviéticos de lançarem também mísseis balísticos. No dia 3 de novembro os soviéticos surpreenderam mais uma vez, com o lançamento do Sputnik 2, desta vez com o primeiro ser vivo a orbitar a Terra, a cadela Laika (ver: Cães do programa espacial soviético e Animais no espaço).

A consolidação como meio de comunicação

Após o lançamento do Sputnik, começou a considerar-se os benefícios e lucros possíveis com o uso de satélites para comunicação. Em 1958, o satélite americano SCORE (que significa Equipamento de Retransmissão do Sinal de Comunicação) foi o primeiro a transmitir uma mensagem de volta para a Terra, que foi um discurso de "Paz na Terra, benevolência para o homem" por causa das comemorações de Natal daquele ano. Neste mesmo ano, inclusive, foi criada a NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço). A NASA criava projetos de satélites que somente "refletiriam" os sinais de comunicação, enquanto o Departamento de Defesa do país era responsável por criar satélites "ativos", que amplificariam o sinal recebido, o que daria muito mais qualidade nas comunicações. Em 1960, a empresa americana AT&T (abreviação em inglês para American Telephone and Telegraph) pediu permissão para lançar um satélite experimental e em contrapartida, outra empresa, a Radio Corporation of America (RCA) também tinha projetos para colocar satélites em órbita. A primeira empresa saiu-se na frente e lançou, com o apoio da NASA, o Telstar 1 em 1962, que permitiu a transmissão de ligações telefônicas e de dados entre a Europa e a América do Norte. O satélite permitiu, ainda, a transmissão pela primeira vez do sinal de televisão para os dois continentes. Posteriormente foram lançados outros satélites Telstar mas apesar de ter tido uma vida útil de somente quatro meses, o primeiro Telstar continua orbitando a Terra até hoje.

Outros países entram na corrida

Em 1970 a China lançou seu primeiro satélite (Dong Fang Hong 1) em seu próprio foguete, assim como fez o Japão no mesmo ano, lançando o satélite científico Ōsumi. No ano seguinte o Reino Unido lançou um satélite por um foguete próprio, fazendo do país o sexto a ter um veículo de lançamento próprio (depois da União Soviética, EUA, França, Japão e China). Desde então, vários países entram na corrida espacial, lançando por meio de foguetes de outros países seus primeiros satélites, tal como fizeram a Países Baixos e a Espanha em 1974, a Índia no ano seguinte e a Indonésia em 1976. De 1978 a 1995 foi lançada uma "constelação de satélites" (24 ao todo) o que possibilitou a implementação do GPS (Sistema de posicionamento global). Para controlar o impressionante crescimento da indústria de comunicações por meio de satélite foi necessária a locação das frequências para a transmissão direta via satélite.

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Anatomia

Um satélite, apesar das mais diferentes funções e formas que pode ter, geralmente apresenta um conjunto de elementos essenciais em comum para o funcionamento, comunicação e manutenção em órbita. Todo satélite precisa ter um controle de posição, um corpo metálico que proteja os componentes, antenas para que ocorra a transmissão e recepção de dados, um sistema operacional que controle as funções do satélite e uma fonte de energia, que geralmente é obtida a partir do Sol. O "controle da posição" é essencial para a manutenção das funções corretas de um satélite. Quando estão em órbita, eles não podem girar descontroladamente, por isso precisam ser estabilizados. Os satélites que tiram fotografias na superfície do planeta, por exemplo, não podem ter uma orientação qualquer, eles precisam apontar exatamente para onde se quer fotografar. Os instrumentos que fazem o reconhecimento da posição do satélite utilizam movimentos giroscópicos para manter o satélite estabilizado.

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Indústria de satélites

Este segmento industrial encontra-se na interseção entre dois importantes ramos industriais, a indústria de telecomunicações e a indústria espacial. Em 2011 este segmento apresentou um crescimento de cinco por cento, atingiu um rendimento de 177,3 bilhões de dólares, o que representa quatro por cento dos lucros da indústria de telecomunicações em geral e 61 por cento dos lucros da indústria espacial em geral. A indústria dos satélites pode ser dividida em quatro segmentos. O principal deles é dos serviços prestados pelos satélites, que envolvem a transmissão de sinais de rádio, televisão e voz, além da transmissão de dados. O crescimento dos lucros desse setor em 2011 foi impulsionado principalmente pelo aumento do número de assinaturas de canais de TV, sendo que nesse ano, o número de clientes aumentou em mais de 7,3 milhões (sendo que 60% desses novos clientes encontram-se em países emergentes), atingindo 154,1 milhões em todo o mundo. Esse crescimento é favorecido também pelo aumento da oferta de canais de televisão digital principalmente nas Américas, Europa e Ásia oriental. Serviços de rádio e internet via satélite também têm apresentado crescimento, mas ainda continuam sendo serviços predominantes somente nos Estados Unidos. O outro segmento é a fabricação de novos satélites, que engloba a manufatura de todos os componentes que irão fazer parte do satélite. Este segmento cresceu 9 por cento em 2011, apresentando um rendimento de 11,9 bilhões de dólares. Apesar dos Estados Unidos produzirem somente 22% dos satélites lançados em 2011, os lucros do país representam mais da metade dos lucros globais, devido à produção voltada principalmente para satélites mais sofisticados, que são mais caros. Europa e Ásia representam 32% e 15% dos lucros mundiais, respectivamente.

Mercado mundial

O principal segmento de serviços prestados pelas empresas que possuem satélites em órbita consiste na transmissão de sinal de rádio e televisão (broadcasting) que são transmitidos diretamente para a residência dos consumidores (Direct to Home broadcasting). Somente no ano de 2007, os lucros deste segmento chegaram a mais de 57 bilhões de dólares. As principais empresas desse ramo são a Dish Network e DirecTV, ambas com sede nos Estados Unidos. Embora a transmissão de sinal de TV predomine, o mercado de transmissão de sinal de rádio tem crescido substancialmente nos últimos anos, passando de cerca de 13 800 para mais de 17 mil assinantes entre 2006 e 2007.

Usos militares e militarização do espaço

Como os satélites fornecem comunicação global, são uma ferramenta essencial para qualquer força armada moderna. A utilização desses satélites já não é mais exclusividade somente das principais potências espaciais, e grande parte dos países já possui esse tipo de satélite em órbita. Entretanto, estatísticas sobre essas atividades são difíceis de serem feitas por causa das limitações de acesso às informações. Entretanto, de acordo com o Instituto Internacional de Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares chegaram a 1,3 trilhão de dólares em 2007, sendo que 45% desses gastos foram somente dos Estados Unidos. Outros países também investem significativamente na indústria de satélites militares, como o Canadá e Brasil na América; China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Rússia na Ásia; Irã e Israel e Turquia no Oriente Médio e Bélgica, França, Alemanha, Itália, Espanha, Suécia e Reino Unido na Europa. A maior parte dos satélites de utilização militar em órbita são utilizados para navegação e reconhecimento.

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Observação

É possível observar satélites a olho nu cruzando o céu durante a noite. Isso acontece porque durante algumas horas depois do pôr do sol e algumas horas antes do nascer do sol, a luz solar não mais atinge o observador na Terra, mas o satélite que está numa altitude elevada continua recebendo-a, e sua superfície que geralmente é metálica reflete a luz, que um observador verá como uma estrela que se move no céu. Geralmente o brilho desses corpos é fraco, com uma magnitude entre 4 e 5, mas satélites maiores, como a Estação Espacial Internacional podem ser bem mais brilhantes que isso. Eventualmente algumas superfícies espelhadas nos satélites refletem diretamente a luz solar para um observador, que verá um aumento de brilho súbito no satélite que dura alguns segundos. Esse fenômeno é conhecido como flare de satélite. Existem diversos programas de computador e sítios eletrônicos disponíveis gratuitamente que fazem a previsão da passagem de satélites bem como da ocorrência de flares. Um dos mais conhecidos é o sítio eletrônico Heavens-Above, onde se pode prever a passagem de satélites para qualquer local do mundo.

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Satélites em outros corpos celestes

Lua

A Lua foi o primeiro corpo celeste a possuir um satélite artificial. Depois de diversas tentativas de se mandar satélites para pousar e orbitar a Lua, a União Soviética saiu na frente fazendo o primeiro pouso controlado em 1966 com a Luna 9 e o primeiro satélite colocado em órbita lunar, a Luna 10, que transmitiu dados durante dois meses, totalizado 460 voltas em torno da Lua. No mesmo ano, os Estados Unidos lançaram o Lunar Orbiter 1, o primeiro satélite americano a orbitar o satélite natural da Terra. Em 1968 a missão Apollo 8 levou três astronautas a serem os primeiros seres humanos a orbitar a Lua, servindo como teste para a Apollo 11. Desde então Japão, China, Índia e a Agência Espacial Europeia lançaram missões para estudar a Lua, colocando satélites em órbita. Atualmente quatro satélites orbitam a Lua: o chinês Chang'e 2 lançado em 2010, o Lunar Reconnaissance Orbiter lançado em 2009 e o Gravity Recovery and Interior Laboratory, composto de duas sondas (Ebb e Flow), lançadas no fim de 2011. Esses três últimos são operados pela NASA.

Vênus e Mercúrio

A partir de 1961 foram feitas as primeiras tentativas para atingir o planeta Vênus a sonda Venera 9, do programa soviético se tornou a primeira a orbitar o planeta em 1975, seguida pela Venera 10 no mesmo ano. Ambas carregavam uma sonda que foi enviada à superfície do planeta, de onde transmitiram dados e imagens da superfície do planeta. Três anos depois foi enviado a Vênus o primeiro satélite americano a orbitar o planeta, o Pioneer Venus 1 (que fazia parte do Projeto Pioneer Venus, que permaneceu em órbita até 1992, quando seu combustível acabou e o satélite caiu no planeta. Em 1989 o satélite Magellan, enviado pela NASA, mapeou mais de 98% da superfície venusiana com uma resolução de cerca de cem metros, sendo que permaneceu em órbita até 1994. Atualmente a sonda Venus Express, a primeira enviada pela ESA é o único satélite orbitando o planeta. O Japão lançou em 2010 a sonda Akatsuki que deveria entrar em órbita do planeta no mesmo ano, mas isso não ocorreu. Entretanto, um retorno da sonda a Vênus ocorrerá em 2015, quando será feita uma nova tentativa de colocar o satélite em órbita.

Marte

Em 1971, depois de diversas tentativas feitas tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Soviética, foi colocado o primeiro satélite em torno do planeta vermelho, o Mariner 9, que também foi o primeiro satélite artificial a orbitar outro planeta. No mesmo ano os satélites Marte 2 e Marte 3 foram enviados pela União Soviética. Enquanto a parte da missão que envolvia a colocação das naves em órbita foi completada com sucesso, o envio de sondas à superfície foi comprometido por causa da enorme tempestade de poeira que atingia todo o planeta. Diversas missões foram enviadas ao planeta, mas mais da metade tiveram problemas. Entretanto algumas missões se destacaram, como o lançamento em 1996 do satélite Mars Global Surveyor que enviou dados até 2006. Atualmente os satélites Mars Reconnaissance Orbiter (lançado em 2006 pela NASA), Mars Express (lançado em 2003 pela ESA) e 2001 Mars Odyssey (lançado em 2001 pela NASA) são os únicos operacionais em torno do planeta vermelho.

Além de Marte

A sonda Galileu foi enviada pela NASA para o planeta Júpiter. Lançada em 1989, fez diversas passagens próximo a satélites jovianos antes de entrar em órbita do planeta em 1995 onde permaneceu até 2003, quando foi enviada para destruição na atmosfera do planeta. Em 1990 a sonda Ulysses, cuja função principal era estudar as regiões polares do Sol, foi enviada em direção a Júpiter em 1990. A intenção dos cientistas era usar a gravidade do planeta para colocar a sonda em órbita polar em torno do Sol, o que aconteceu com sucesso em 1992, e a sonda enviou dados até o fim da missão em 2009 sem maiores problemas. Em 1996 a sonda NEAR Shoemaker foi enviada para orbitar o asteroide Eros durante um ano e depois ainda pousou no asteroide mesmo sem ser projetada para isso. A missão terminou em fevereiro de 2001. Em 2003 outra sonda, a Hayabusa, orbitou o satélite Itokawa e retirou amostras que foram trazidas à Terra em 2010. Atualmente a sonda Cassini-Huygens orbita o planeta Saturno, que carregava a sonda Huygens, que aterrissou em Titã, uma das luas de Saturno. A missão está prevista para terminar em 2017. Em 2011 foi lançada a sonda Juno, que está prevista para entrar em órbita polar em torno de Júpiter para estudar em detalhes a atmosfera do planeta. A sonda Dawn lançada em 2007 passou pelo asteroide Vesta em 2011 e está prevista para entrar em órbita em torno do planeta anão Ceres em 2015.

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Fontes consultadas

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