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Salomão

Salomão, também chamado de Jedidias, foi um rei do Reino Unido de Israel, filho de David com Bate-Seba, que se teria tornado o terceiro rei do Reino Unido de Israel, governando durante cerca de quarenta anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Etimologia

O nome Salomão ou Shlomô (em hebraico: שלמה), deriva da palavra Shalom, que significa "paz" e tem o significado de "Pacífico" (em árabe: سليمان; romaniz.: Sulayman). O nome é também chamado de Jedidias (em hebraico: יְדִידְיָהּ; romaniz.: Yedidyah; lit. "amado pelo Senhor") pelo profeta Natã.

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Antecedência

Enquanto o pai de Salomão, o rei Davi, esteve adoecido na cama, houve uma certa revolta pelo trono de Israel. A oposição do rei usurpador Absalão pôde ser comparada a Adonias, um dos filhos sobreviventes de Davi. Adonias, apoiado por Joabe, ex-comandante de Davi, e por Abiatar, o sumo sacerdote, tentou roubar-lhe o trono nos últimos dias de vida do rei, fazendo até uma festa da coroação. Quando se descobriu o caso, aliados de Salomão fizeram com que Davi se lembrasse da promessa que se fizera ao filho, e esse deu ordens acerca da ascensão de Salomão ao trono de Israel, e esse foi coroado como rei oficial, sendo ungido pelo sacerdote Zadoque. Naquela época, Salomão era jovem, sendo que a idade era abaixo dos 18 anos. Depois da morte de seu pai, Salomão seguiu as instruções que Davi lhe havia prometido e agiu de conformidade a solidificar sua posição como rei e desmanchar sua oposição. Assim, após eliminar Adonias e Joabe e banir Abiatar, o rei passou a reinar sem oposição interna. Vale ressaltar que Salomão herdou de Davi um extenso território, com aproximadamente 128 mil km².

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Reinado de Salomão

Diferentemente de seu pai, Salomão não se tornou um líder guerreiro, pois isso não foi necessário. Mostrou, de acordo com a tradição judaica, ser um grande governante e um juiz justo e imparcial. Soube habilmente desenvolver o comércio externo e da indústria, as relações diplomáticas com países vizinhos, o que levou a um progresso considerável das cidades israelitas. Segundo o relato bíblico, Salomão havia cometido um grave pecado ao afrontar a religião monoteísta de Israel devido as adorações aos deuses pagãos por causa das mulheres estrangeiras a quem as tomou, e isso não ficou impune. O comportamento cometido pelo rei foi reprovado por Deus que, por amor feito a Davi, não o julgou totalmente durante o período de vida de Salomão, mas que depois de sua morte, a partir do reinado de seu filho, o reino ser-lhe-ia tirado. Nessa ocasião, o reino de Israel dividiu-se em dois reinos conforme uma única fonte, o relato bíblico.

Sabedoria de Deus

Salomão foi o rei bíblico mais famoso por sua sabedoria. Em I Reis, sacrificou a Deus, e a deidade mais tarde lhe apareceu num sonho, perguntando-lhe o queria dele. Salomão pediu sabedoria. Satisfeito, Deus respondeu pessoalmente à oração de Salomão, prometendo-lhe grande sabedoria porque não pediu recompensas para servir a si, como vida longa ou a morte de seus inimigos.

Esposas, concubinas e idolatria

De acordo com o relato bíblico, Salomão tinha 700 esposas e 300 concubinas. Foram descritas como princesas estrangeiras, incluindo a filha do Faraó e mulheres moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas. Seu casamento com a filha do Faraó parece ter cimentado uma aliança política com o Egito, enquanto se apegava às outras esposas e concubinas "no amor". A única esposa mencionada por nome é Naamá, a amonita, mãe de Roboão, sucessor de Salomão. A narrativa bíblica menciona, com desaprovação, que Salomão permitia às suas mulheres estrangeiras importar suas divindades nacionais, construindo templos para Astarote e Milcom. No ramo da análise literária que examina a Bíblia, chamado de alta crítica, a história de Salomão caindo na idolatria pela influência da filha do Faraó e suas outras esposas estrangeiras é "normalmente vista como obra de historiadores deuteronomistas", que se acredita terem escrito, compilado ou editado textos para legitimar as reformas do bisneto de Ezequias, o rei Josias, que reinou por volta de 641 a 609 a.C. (mais de 280 anos após a morte de Salomão, segundo os estudiosos da Bíblia). O consenso acadêmico neste campo sustenta que "as esposas de Salomão foram apresentadas na edição 'josiânica' (normalmente Dtr) de Reis como uma construção teológica para culpar o cisma [entre Judá e o Reino do Norte de Israel] por seus crimes".

Riquezas de Salomão

É certo que dentro os reis da Antiguidade Mansa Muça do Império do Mali foi o homem mais rico, porém, na tradição judaico-cristã se conta que Salomão teria alcançado maior riqueza do que todos os reis de Israel, o que não é testemunhado pela arqueologia e evidências materiais, mas é afirmado com base em trechos do texto bíblico: "O peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro" de tributos, além das outras fontes que não eram o próprio povo. "Todas as taças de que se servia o rei Salomão eram de ouro, [...] não havia nelas prata, porque nos dias de Salomão não se lhe dava estimação alguma", ou seja, a riqueza em ouro do rei era tamanha que não precisava demonstrar sua riqueza em prata. Uma hipérbole bíblica: "Fez o rei que, em Jerusalém, houvesse prata como pedras e cedros (madeira nobre) em abundância como os sicômoros (espécie de árvore comum na região) que estão nas planícies."

Julgamento

É-lhe atribuída a famosa história de que duas mulheres foram ao seu palácio. Duas mulheres tiveram filhos juntas, um dos filhos morreu e a mãe do que morreu pegou o da outra mãe. De manhã, essa percebeu que aquele que havia morto não era seu filho e começaram a discutir. Foram até ao palácio do rei Salomão e contaram-lhe a história. Ele mandou chamar um dos guardas e ordenou-lhe: "Corta o bebê ao meio e dá um pedaço a cada uma". Falado isso, uma das mães começou a chorar e disse: "Não, prefiro ver meu filho nos braços de outra do que morto nos meus", enquanto a outra disse: "É-me justo". Salomão, reconhecendo a mãe na primeira mulher, mandou que lhe entregassem.

Templo de Salomão

Salomão ordenou a construção do primeiro Templo de Jerusalém, que começou a ser construído no quarto ano de seu governo, no segundo mês do ano 480 depois da saída de Israel do Egito. Foram necessários 30 000 trabalhadores para serrar a madeira no Líbano, 70 000 para o transporte das cargas e 80 000 que talhavam as pedras nas montanhas, além de 3 300 chefes-oficiais. O templo media sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura. Era todo revestido em seu interior por cedro, madeiras nobres, e nenhuma pedra se via; o chão era de tábuas de cipreste, também madeira nobre; posteriormente cobriu-se todo o interior do templo de ouro puro. O Santo dos Santos, câmara mais especial, que guardava a Arca da Aliança, era revestido totalmente de ouro, e era um cubo cuja aresta media vinte côvados. O altar também foi coberto de ouro. O templo também apresentava enormes átrios (pátios) exteriores.

Salomão e a Rainha de Sabá

Em uma passagem breve, não elaborada e enigmática, a Bíblia Hebraica descreve como a fama da sabedoria e riqueza de Salomão se espalhou por toda parte, tanto que a rainha de Sabá decidiu que o deveria conhecer. A rainha é descrita como visitante com uma série de presentes, incluindo ouro, especiarias e pedras preciosas. Quando Salomão lhe deu "tudo o que ela desejou, tudo o que pediu", saiu satisfeita. Se a passagem é simplesmente para fornecer um breve símbolo, uma testemunha estrangeira da riqueza e sabedoria de Salomão, ou dever-se-ia haver algo mais significativo para a visita da rainha, não se sabe; no entanto, a visita da Rainha de Sabá tornou-se o assunto de inúmeras histórias.

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Registros históricos e arqueológicos

O principal documento que diz a respeito do rei Salomão são os testemunhos de suas lendas mostradas na Bíblia, que afirmam que Salomão construiu um reino amplo e próspero, conforme descrito no Livro dos Reis, ao ponto de que a Rainha de Sabá teria viajado a Jerusalém por sua fama e encantou-se com sua sabedoria. Entretanto, as menções acerca da riqueza de Salomão e do reino de Israel presentes na Bíblia não são apenas superficiais, mas relatam expressivas fortunas, como a adquirida na expedição a Ofir, onde o lucro foi de cerca de dezesseis toneladas de ouro (precisamente 420 talentos de ouro), e a necessária para a construção do Templo de Salomão. Números considerados inflados e anacrônicos, uma vez que o Livro dos Reis teria sido escrito por volta de 586 a.C., muitos séculos após sua vida, e não há provas materiais de tamanha riqueza, se tratando de parte de sua narrativa lendária. Em 2010, descobriram-se antigas fortalezas escavadas em Jerusalém que sustentam, nesse aspecto e em partes, a narrativa bíblica da época do Rei Salomão. Já em 2013, uma equipe de arqueólogos encontrou uma mina de cobre em Israel, evidenciando, através de fezes de animais, que o local fora usado para produção do metal em larga escala, no século X a.C., época de Salomão. A partir do fato, os pesquisadores consideraram verossímil que os adornos narrados na Bíblia tenham, de fato, sido usados na construção do templo.

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