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Ruanda

Ruanda, oficialmente República de Ruanda (português brasileiro) ou do Ruanda (português europeu), é um país sem costa marítima localizado na região dos Grandes Lagos da África centro-oriental, fazendo fronteira com Uganda, Burundi, República Democrática do Congo e Tanzânia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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História

Contrariamente aos seus vizinhos, Ruanda, era um reino centralizado, seu território foi oficialmente decidido na Conferência de Berlim (de 1885) e só foi entregue ao Império Alemão (juntamente com o vizinho Burundi) em 1890, numa conferência em Bruxelas, em troca de Uganda e da ilha de Heligolândia. No entanto, as fronteiras desta colônia — que, na altura incluíam também alguns pequenos reinos das margens do Lago Vitória — só foram definidas em 1900. Depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, a propriedade foi entregue à Bélgica, por mandato da Liga das Nações. O domínio belga foi direto e duro como o dos alemães e, utilizando a Igreja Católica, manipulou a classe alta dos tútsi para integrar o resto da população — na sua maioria hútus e demais tútsis — incluindo a cobrança de impostos e o trabalho forçado, que já eram quesitos adotados pela Alemanha e contribuindo para um grande fosso social que já existia.

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Geografia

Com área de 26 338 km2, Ruanda é o 149.º país, em extensão territorial. É comparável em tamanho ao Haiti ou ao estado de Marilândia, nos Estados Unidos. Todo o território está em altitude elevada, e o ponto mais baixo é o rio Rusizi, a 950 metros acima do nível do mar. A nação está localizada na parte Oriental/Central do continente africano, e faz fronteira com a República Democrática do Congo a oeste, ao norte com Uganda, Tanzânia a leste, e Burundi ao sul. Situa-se a alguns poucos graus ao sul da linha do Equador e não tem litoral. A capital e maior cidade, Quigali, está localizada próximo ao centro do território do país. A linha divisória de águas entre as bacias hidrográficas do rio Congo e do Nilo atravessa Ruanda de norte a sul, com cerca de 80% da área do país drenando para o Nilo e 20% para o Congo através do rio Rusizi. O maior rio do país é o Niabarongo, que nasce no sul-oeste, e flui para o norte, leste e sudeste antes de se fundir com o Ruvubu para formar o Cagera; este, por sua vez, segue para o norte ao longo da fronteira leste com a Tanzânia. O Niabarongo-Kagera eventualmente desagua no Lago Vitória, e sua nascente na Floresta Nyungwe é uma das "candidatas" à nascente do Nilo. Ruanda tem muitos lagos, sendo o maior o lago Quivu. Ele ocupa o piso do Rifte Albertino ao longo da maior do comprimento da borda ocidental de Ruanda, e com uma profundidade máxima de 480 metros, é um dos vinte lagos mais profundos do mundo. Lagos importantes incluem Burera, Ruhondo, Muhazi, Rweru e Ihema, sendo o último o maior de uma série de lagos na planície oriental do Parque Nacional Akagera.

Biodiversidade

Em tempos pré-históricos, a floresta montanhosa ocupava um terço do atual território de Ruanda. Atualmente, a vegetação original está praticamente restrita aos três parques nacionais, já que o terraceamento para a agricultura domina todo o restante do país. A floresta Nyungwe, a maior extensão de mata remanescente, contém 200 espécies de árvores, entre orquídeas e begônias. A vegetação no Parque Nacional dos Vulcões é predominantemente composta de bambus e charnecas, com pequenas áreas de floresta. Por outro lado, o Parque Akagera tem um ecossistema de savana no qual a acácia domina a flora. Lá existe várias espécies de plantas raras ou ameaçadas de extinção, incluindo Markhamia lutea e Eulophia guineensis.

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Demografia

Em 2015, o Instituto Nacional de Estatística de Ruanda estimou que a população de Ruanda seja de 11 262 564. O censo de 2012 registrou uma população de 10 515 973. A população é jovem: no censo de 2012, 43,3% da população tinha 15 anos ou menos e 53,4% entre 16 e 64. Segundo o CIA The World Factbook, a taxa anual de nascimentos é estimada em 40,2 nascimentos por mil habitantes em 2015, e a taxa de mortalidade em 14,9. A expectativa de vida é de 59,67 anos (61,27 anos para mulheres e 58,11 anos para homens), que é o 26º mais baixo de 224 países e territórios. A proporção sexual do país é relativamente uniforme. Com 408 habitantes por quilômetro quadrado, a densidade populacional de Ruanda está entre os maiores da África. Historiadores como Gérard Prunier acreditam que o genocídio de 1994 pode ser atribuído, em parte, a esta elevada densidade. A população é predominantemente rural, com algumas cidades grandes; as habitações estão uniformemente espalhadas por todo o país. As únicas áreas pouco povoadas do país são uma região de savana na antiga província de Umutara e o Parque Nacional Akagera, no leste do país. Quigali é a maior cidade, com uma população de cerca de um milhão de habitantes. Seu crescimento populacional desafia o desenvolvimento em infraestrutura. Outras cidades notáveis são Gitarama, Butare e Gissenhi, todas com população abaixo de 100 mil moradores. A taxa de urbanização aumentou de 6% em 1990, para 16,6% em 2006; em 2011, no entanto, a proporção caiu ligeiramente para 14,8%.

Religião

A maioria dos ruandeses são católicos, mas houve mudanças significativas na demografia religiosa do país desde o genocídio, com muitas conversões para religiões cristãs evangélicas e para o islamismo. Em 2006, os católicos representavam 56,5% da população, os protestantes 37,1% (dos quais 11,1% eram Adventistas do Sétimo Dia) e 4,6% muçulmanos. 1,7% disseram não possuir crenças religiosas. A religião tradicional africana, apesar de oficialmente representar apenas 0,1% da população, mantém uma influência. Muitos ruandeses veem o Deus cristão como sinônimo de Imana, o tradicional Deus ruandês.

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Política

O presidente de Ruanda é o chefe de estado e tem amplos poderes, incluindo a criação de políticas públicas em conjunto com o gabinete ministerial, a prerrogativa de misericórdia, o comando das forças armadas, a negociação e ratificação de tratados, após a sua conclusão assinatura de ordens presidenciais, e ainda pode declarar guerra ou estado de emergência. O presidente é eleito por voto popular a cada sete anos, e nomeia o primeiro-ministro e todos os outros membros do gabinete. O atual presidente é Paul Kagame, que assumiu o cargo após a renúncia de seu antecessor, Pasteur Bizimungu, em 2000. Kagame, posteriormente, ganhou as eleições em 2003 e 2010, embora organizações de direitos humanos têm criticado estas eleições como sendo "marcadas pela crescente repressão política e restrição à liberdade de expressão". A atual constituição foi adotada na sequência de um referendo nacional em 2003, substituindo a constituição de transição que já estava em vigor desde 1994. A constituição determina um sistema multipartidário de governo, com políticas baseada na democracia e escolha dos representantes através de eleições. No entanto, a constituição coloca condições sobre a forma como os partidos políticos podem operar. O artigo 54 afirma que "organizações políticas estão proibidas quando baseadas na raça, etnia, tribo, clã, região, sexo, religião ou qualquer outra divisão que pode dar origem a qualquer discriminação". O governo também aprovou leis criminalizando a ideologia genocida, que inclui manifestações de intimidação, discursos difamatórios, negação do genocídio e ridicularização das vítimas. Segundo a Human Rights Watch, essas leis efetivamente fazem Ruanda um estado de partido único, "sob o pretexto de prevenir um outro genocídio, o governo exibe uma intolerância acentuada das formas mais básicas de dissidência". A Anistia Internacional também é crítica, dizendo que as leis de ideologia de genocídio têm sido usados para impor o silêncio, calando críticas às decisões do partido RPF e pedidos de justiça para crimes de guerra cometidos por tal grupo.

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Subdivisões

Ruanda tem sido governado por uma hierarquia rígida, desde os tempos pré-coloniais. Antes da colonização, o Rei (Mwami) exercia o controle através de um sistema de províncias, distritos, morros e bairros. A Constituição atual se divide o país em províncias (intara), distritos (uturere), cidades, municípios, povoados, setores (imirenge), células (utugari) e aldeias (imidugudu); as divisões maiores, e suas fronteiras, são estabelecidas pelo Parlamento. As cinco províncias agem como intermediários entre o governo nacional e seus distritos constituintes para assegurar que as políticas nacionais sejam implementadas a nível distrital. O "Quadro Estratégico da Descentralização de Ruanda", desenvolvido pelo Ministério do Governo Local atribui às províncias a responsabilidade por "questões de governança de coordenação na Província, bem como de monitoramento e avaliação." Cada província é dirigida por um governador, nomeado pelo presidente e aprovado pelo Senado.

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Economia

A economia de Ruanda sofreu muito durante o genocídio de 1994, com uma enorme perda de vidas e da força de trabalho, incapacidade de manter a infra-estrutura, saques, e negligência de culturas agrícolas de importância econômica. Isso causou uma grande queda no Produto Interno Bruto (PIB) e destruiu a capacidade do país de atrair investimentos privados externos. Mas desde então, a economia tem se fortalecido, com o PIB per capita estimado em 1 284 dólares em 2011, comparado com 416 dólares em 1994. O principais mercados de exportação incluem China, Alemanha e Estados Unidos. A economia é gerida pelo Banco Central Nacional de Ruanda e a moeda é o franco ruandês. Em julho de 2012, a taxa de câmbio era de 301,77 francos para um real brasileiro. Ruanda aderiu à Comunidade do Leste Africano em 2007. Ruanda é um país de poucos recursos naturais, e a economia é baseada principalmente na agricultura de subsistência por parte dos trabalhadores rurais locais, usando ferramentas simples. Estimativa de 90% da população ativa trabalhe no campo, e a agricultura compreendeu 42,1% do PIB em 2010. Desde meados dos anos 1980, o tamanho da propriedade agrícola e a produção de alimentos têm vindo a diminuir, em parte devido ao reassentamento das populações deslocadas. Apesar do ecossistema fértil de Ruanda, a produção de alimentos, muitas vezes não acompanha o ritmo do crescimento populacional, e importações de alimentos são necessários.

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Infraestrutura

Transporte e energia

O governo aumentou os investimentos na infraestrutura de transporte de Ruanda desde o genocídio de 1994, com ajuda dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e outros. O sistema de transporte centrado principalmente na rede viária, com estradas pavimentadas entre Quigali e a maioria das outras grandes cidades e vilas do país. Ruanda está ligada por estrada a outros países do Leste da África, como Uganda, Tanzânia, Burundi e Quênia, bem como a cidades do leste congolês de Goma e Bucavu, a via comercial do país mais importante é a estrada para o porto de Mombaça e Nairóbi via Campala. A principal forma de transporte público no país é o táxi compartilhado. Vias expressas ligam as principais cidades e o serviço local é oferecido para a maioria das aldeias ao longo das estradas principais. Serviços de transporte estão disponíveis para vários destinos em países vizinhos. O país tem um aeroporto internacional em Quigali que serve a diversos destinos domésticos e internacionais. A partir de 2011, o país não tem estradas de ferro, embora o financiamento tem sido assegurado por um estudo de viabilidade para estender a Linha Central da Tanzânia para Ruanda. Não há transporte público aquático entre as cidades portuárias no Lago Quivu, embora um serviço limitado privado existe e o governo iniciou um programa para incentivar o desenvolvimento de um serviço completo. Em maio de 2012, o primeiro-ministro britânico David Cameron leiloou um taco assinado pelo jogador de críquete indiano "God" Sachin Tendulkar para arrecadar fundos para a construção de um estádio de críquete em Ruanda.

Comunicação

As maiores emissoras de rádio e televisão dos país são estatais. A maioria dos ruandeses têm acesso ao rádio e a Radio Rwanda é a principal fonte de notícias em todo o país. O acesso à televisão abrange quase que somente as áreas urbanas. A imprensa é fortemente restrita e os jornais rotineiramente se auto-censuram para evitar represálias do governo. No entanto, publicações em língua quiniaruanda, inglês e francês com críticas aos governantes estão amplamente disponíveis em Quigali. As restrições aumentaram com a campanha para a eleição presidencial de Ruanda em 2010, e dois jornais independentes, Umuseso e Umuvugizi, forma suspensos por seis meses pelo Alto Conselho de Mídia.

Educação e saúde

O governo ruandês proporciona educação gratuita na rede pública escolar durante nove anos: seis séries de ensino básico, seguidos de outras três de um programa comum secundário. O presidente Kagame anunciou durante sua campanha à reeleição em 2010 que planejava estender essa educação gratuita para cobrir os três últimos anos secundários. Muitas crianças mais pobres continuam a não frequentar a escola devido à necessidade de compra de uniformes e livros e à rotina de serviços domésticos. Há muitas escolas particulares em todo o país, algumas dirigidas pela Igreja, que seguem a mesma grade curricular das escolas públicas mas cobram mensalidades. Um número muito pequeno dela oferece qualificações internacionais. De 1994 até 2009, o ensino médio era oferecido em francês ou inglês, mas devido a crescentes laços do país com a Comunidade do Leste Africano e a Commonwealth, apenas os currículos ingleses são agora ofertados. O país tem algumas instituições de ensino superior, com a Universidade de Quigali, a Universidade Independente de Quigali e a Universidade de Ruanda, sendo a última a mais proeminente. Em 2009, a taxa bruta de matrícula para o ensino superior em Ruanda foi de 5%. A taxa de alfabetizados do país, definidos como aqueles com quinze anos ou mais que sabem ler e escrever, foi de 71% em 2009, ante 38% em 1978 e 58% em 1991.

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Cultura

Música e dança são partes integrantes de cerimônias, festivais, eventos sociais e das histórias contadas de Ruanda. A dança tradicional mais famosa tem movimentos coreografados que consistem em três componentes: o umushagiriro, ou "dança da vaca", realizado pelas mulheres; o intore, ou "dança dos heróis", executado por homens, e a batida dos tambores, também tradicionalmente feita pelos homens, em um instrumento de percussão conhecido como ingoma. O grupo de dança mais conhecido é o Balé Nacional, criado pelo presidente Habyarimana em 1974, a companhia faz apresentações a nível nacional e internacional. Tradicionalmente, a música é transmitida oralmente, com estilos que variam entre os diversos grupos sociais. Os tambores são de grande importância, e os bateristas reais gozavam de status elevado dentro da corte do Rei (Mwami). Os bateristas tocam juntos em grupos de tamanhos variados, geralmente em número de sete ou nove. O país tem uma crescente indústria de música popular, influenciada pela música americana, congolesa e do Leste Africano. O gênero mais popular é o hip hop, com uma mistura de rap, ragga, R&B e dance-pop.

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