Roraima
Roraima é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Norte do país, sendo o estado mais setentrional da federação. Tem por limites a Venezuela, ao norte e noroeste; Guiana, ao leste; Pará, ao sudeste; e Amazonas, ao sul e oeste. Ocupa uma área aproximada de 224 300,506 km², pouco maior que a Bielorrússia, sendo o décimo quarto maior estado brasileiro. Em Boa Vista, única capital brasileira totalmente no Hemisfério Norte, encontra-se a sede do governo estadual, atualmente presidido interinamente por Soldado Sampaio.
A palavra "Roraima" vem de línguas indígenas. Sua etimologia lhe emprega três significados: “Monte Verde”, “Mãe dos Ventos” e “Serra do Caju”.[carece de fonte melhor] Seria a junção de roro (papagaio) e imã (pai, formador). No idioma macuxi, roro - ou também rora - significa verde, e imã significa serra, monte, formando portanto, a palavra "serra verde", que reflete a paisagem natural da região específica. Há ainda, a hipótese da palavra "Roraima" ter outros dois significados: "Mãe dos Ventos" e "Serra do Caju". O primeiro significado, dá-se pela possibilidade do clima da região, onde os índios acreditavam que os ventos que atingiam o sul da Venezuela seriam provenientes do lugar. O segundo, "Serra do Caju", pelo grande número de serras e colinas existentes nesta área. Gramaticalmente, a pronúncia correta de Roraima pode ser tanto "Rorãima" ou "Roráima" (linguisticamente as duas formas são aceitas), embora os roraimenses prefiram a pronúncia "Roráima" (como se houvesse acento agudo na segunda silaba) em razão da origem indígena do nome desta unidade federativa.
Colonização europeia
Os primeiros colonizadores portugueses chegaram à região através do Rio Branco. Antes da chegada dos portugueses, os ingleses e neerlandeses já eram atraídos para a região, com a finalidade de explorar o Vale do Rio Branco através das Guianas. A soberania de Portugal sobre a região só foi estabelecida após os espanhóis invadirem a parte norte do Rio Branco, juntamente com o rio Uraricoera. A partir de 1725, missionários Carmelitas iniciaram a tarefa de conversão dos povos indígenas da região. A ocupação portuguesa se intensificou a partir da década de 1730, quando avança pelo rio Branco em busca de consolidação das fronteiras e mão de obra indígena. Para isso, organizam tropas de resgate (compra de indígenas transformados em escravos durante guerras de etnias opostas), tropas de guerra (punição e escravização de indígenas que atacassem núcleos portugueses ou impediam a evangelização) e a busca de produtos nativos do Brasil para comercialização, as chamadas drogas do sertão. Além disso, promoviam os descimentos (aldeamentos de missionários e indígenas voluntários ou compulsórios).
Período imperial
Durante um ano, entre 1810 e 1811, militares ingleses penetraram no Vale, mas foram expulsos pelo comandante do Forte de São Joaquim. A fronteira entre Brasil e Guiana, cujo processo de demarcação de fronteira já havia sido encerrado, precisou ser remarcada, devido às grandes invasões inglesas ocorridas neste período. Assim sendo, a colonização de Rio Branco dividiu-se em quatro períodos: De 1750 ao início do século XIX, com a descoberta do rio Branco; de meados do século XIX até a criação do município de Boa Vista, em 1890; de 1890 até a criação do Território Federal do Rio Branco; e da criação do Território Federal do Rio Branco a elevação deste à categoria de unidade federativa brasileira, renomeado de Roraima.
Território federal e autonomia política
Apesar de ter sido criado em 13 de setembro de 1943, juntamente com os outros territórios federais, o Território Federal do Rio Branco só recebeu seu primeiro governador em junho de 1944, quando este chegou à Boa Vista. Getúlio Vargas, responsável pela criação dos Territórios Federais, enfrentava uma notável crise política à época, o que influenciou no atraso da nomeação dos governadores dos territórios. Vargas foi deposto de seu cargo em 29 de outubro de 1945. De 1943 a 1964, Roraima teve 15 governadores titulares, entre militares, que eram a maioria, e civis. Vitorino Freire, senador do Maranhão, indicou indiretamente 10 desses governadores. Cada governador permaneceu pouco tempo (em média, dezesseis meses). Assim sendo, durante o referido período, o Território Federal de Roraima não alcançou o desenvolvimento esperado pelo governo federal. Durante o Regime militar no Brasil, em um período de vinte e um anos, Roraima teve 8 governadores que administraram a unidade com poderes militares. No período posterior ao Regime Militar, com a redemocratização do Brasil e a eleição indireta de Tancredo Neves para a Presidência da República, o Território Federal de Roraima possuiu novamente governadores indicados por outros políticos e influentes.
O território de Roraima possui 224 300,506 km² de área. Desta, aproximadamente 104 018 km² são áreas indígenas, representando quase metade do território da unidade (46,37%). A área de preservação ambiental no estado, de responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), também é extensa, sendo 18 879 km², um total de 8,42%. Localiza-se a oeste do Meridiano de Greenwich e é cortado pela Linha do Equador, sendo que sua capital, Boa Vista, é a única capital brasileira ao norte da Linha do Equador. Seu fuso horário é de menos quatro horas em relação à hora mundial GMT e menos uma hora em relação à hora oficial do Brasil. O Monte Roraima, localizado na Serra Pacaraíma, é o ponto mais alto do estado e um dos mais elevados do país, com 2 772 metros. A hidrografia do estado de Roraima faz parte da bacia do rio Amazonas e baseia-se basicamente na sub-bacia do rio Branco (45 530 km²) o maior e mais importante do estado. Este rio é um dos afluentes do rio Negro.
Relevo
O relevo é bastante variado; junto às fronteiras da Venezuela e da Guiana situam-se as serras de Parima e de Pacaraima, onde se encontra o monte Roraima, com 2.875 metros de altitude. Como está no extremo norte do Brasil, seus pontos no extremo norte são o rio Uailã e o Monte Caburaí. Por ser bastante diferenciado, o relevo é dividido em cinco degraus: O primeiro degrau abriga áreas do estado de acumulação inundáveis, que não apresentem propriamente uma forma de relevo, mas que estejam cobertas por uma fina camada de água; o segundo degrau seria o pediplano Rio Branco, uma unidade de relevo de enorme expressão na unidade federativa, pois ocupa grande parte de suas terras. Nesse pediplano, as altitudes variam de 70 a 160 metros e possuem fraca declividade rumo à calha dos rios. O terceiro degrau é formado por elevações que podem chegar a 400 metros de altitude. São serras como a serra da Lua, serra Grande, serra da Batata e outras. O quarto degrau caracteriza-se por elevações que podem variar de 600 a 2 000 metros de altitude, formado principalmente pela cordilheira do Pacaraima, serra do Parima e serra do Urucuzeiro. Estas serras estão unidas em forma de cadeias e nela nascem os rios que formam o rio Uraricoera. Por fim, o quinto degrau, agrupa as regiões mais altas, formado por elevações que chegam a quase 3 000 metros de altitude.
Clima
De modo geral, o clima varia de acordo com a região. Segundo a classificação climática de Köppen-Geiger, o sul e o oeste do estado apresentam um clima equatorial quente e úmido (Af). No norte e no leste, o clima apresentado é o tropical de monção (Am). Apesar da latitude, no extremo noroeste e nordeste, nas áreas mais elevadas do estado, é possível encontrar padrões climáticos compatíveis com os de climas subtropicais úmidos (Cfa e Cwa), como na região em torno do Monte Roraima, que apresenta temperatura média anual entre 20 e 22 °C, e uma estação seca entre os meses de dezembro e março.
Ecossistemas e unidades de conservação
Roraima apresenta três tipos de coberturas vegetais, sendo todas bem distintas. Ao sul do estado, encontramos uma floresta tropical densa e abundante entrecortada por rios caudalosos, com uma rica fauna e flora. Na região central roraimense, o domínio dos campos gerais, lavrados ou savanas, existindo ainda lagos e riachos. A vegetação vai mudando e se tornando menos densa em direção ao norte. A fronteira é uma região de serras, acima dos mil metros de altitude, com um clima que varia de 10 °C a 27 °C. Em Roraima o IBAMA administra oito unidades de conservação. O principal é o Parque Nacional do Monte Roraima, criado em 28 de junho de 1989 e localizado no extremo norte do estado. Com 2 785 metros de altitude, o Monte Roraima é o marco divisor da tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. Há ainda outras sete unidades de conservação, são elas: Parque Nacional do Viruá (criado em 1998), em Caracaraí; Parque Nacional Serra da Mocidade, criado em 1998 também em Caracaraí; Estação Ecológica de Maracá (1981), em Amajari; Estação Ecológica de Cacararaí (1982); Estação Ecológica do Niquiá (1985), com uma área de 286,6 mil hectares; Floresta Nacional de Roraima (1989), nos municípios de Mucajaí e Alto Alegre, e, por último, a Floresta Nacional do Anauá (2005), no município de Rorainópolis.
Biodiversidade
A flora do estado de Roraima é dividida em três blocos: Floresta tropical amazônica, Campos gerais do rio Branco e região Serrana. A Floresta tropical amazônica compõe-se de floresta densa e úmida típica do baixo Rio Branco, estendendo-se pela região sudoeste do estado e penetrando em parte do território do Amazonas. Os Campos gerais do rio Branco se estendem por aproximadamente 44 mil km², sendo também conhecidos como região do lavrado. O lavrado é conhecido também como savana e é formado por gramíneas, entretanto, ao longo dos cursos d'água, situam-se palmeiras de grande porte conhecidas como buritizeiros. No lavrado também encontra-se, em grande quantidade, caimbés, paricaranas e muricizeiros. A Região Serrana possui vegetação típica de montanhas, de árvores mais rarefeitas e de vales ricos em humos com gramíneas de boa qualidade para os animais de criação. Encontra-se mais ao norte do estado, na fronteira deste com a Venezuela. Em qualquer dos blocos, existem três tipos diferentes de cobertura vegetal levando-se em consideração as margens dos rios. Estas são: Matas de terra firme, Matas de várzea e Matas ciliares. Matas de terra firme compreendem as florestas localizadas em terras que não são atingidas pelas enchentes dos rios. Matas de várzeas são as florestas que cobrem as terras atingidas pelas cheias dos rios. Matas ciliares são preservadas por lei. Estas sofrem inundações todos os anos por conta das cheias dos rios amazônicos.
A população de Roraima é de 652 713 habitantes, segundo a estimativa populacional de 2021, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o que faz do estado a unidade federativa menos populosa do Brasil. A capital, Boa Vista, concentra 65,3% da população do estado. A população de Roraima quase dobrou em vinte anos. Em 1991, o estado contava com 217 583 habitantes, um aumento significativo de 95,51 % de crescimento populacional. Os municípios que apresentaram maior crescimento populacional foram Boa Vista, a capital, e Rorainópolis. Quanto ao número de crescimento populacional anual de Roraima, o estado coloca-se entre os de maior crescimento no Brasil, com uma taxa de 4,6%, muito superior à média nacional de 1,6% de crescimento. Nesse quesito, perde apenas para o Amapá, que registra mais de 5% de crescimento anual. Entretanto, esse alto número de crescimento de população vem caindo nos últimos anos. Um exemplo disto é a taxa apresentada em 2000, quando Roraima apresentou 49,09% de crescimento de população em relação a 1991. No último censo, em 2010, esse número caiu para 31,13%.
Religião
Tal qual a variedade cultural verificável em Roraima, são diversas as manifestações religiosas presentes. A Diocese de Roraima é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no estado de Roraima, pertencente à Província Eclesiástica de Manaus e ao Conselho Episcopal Regional Norte I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, sendo sufragânea da Arquidiocese de Manaus. A sé episcopal está na Catedral Cristo Redentor, na cidade de Boa Vista, sendo a única diocese católica do estado de Roraima. Entre as principais manifestações religiosas de Roraima estão a Festa de Pentecostes, a Festa de Nossa Senhora Aparecida em Boa Vista, as Festa de Nossa Senhora do Carmo e de Nossa Senhora da Conceição e a Festa de São Sebastião de Uiramutã.
Composição étnica
Os traços culturais, políticos e econômicos herdados dos portugueses, espanhóis e neerlandeses são influentes em Roraima. Voltando um pouco atrás na história, não se pode esquecer a importância dos ameríndios no quesito contribuição étnica. Foram os ameríndios que iniciaram a ocupação humana na Amazônia, e seus descendentes, os caboclos, desenvolveram-se em contato íntimo com o meio ambiente, adaptando-se às peculiaridades regionais e oportunidades oferecidas pela floresta. Na sua formação histórica, a demografia roraimense é o resultado da miscigenação das três etnias básicas que compõem a população brasileira: o índio, o europeu e o negro, formando, assim, os mestiços da região (caboclos). Mais tarde, com a chegada dos migrantes, especialmente nordestinos, formou-se um caldo de cultura singular, que caracteriza grande parte da população, seus valores e modo de vida.
Criminalidade
Segundo o mapa da violência no Brasil de 2011, os municípios de Alto Alegre e Caracaraí são os que apresentam maior taxa de criminalidade no estado, como 73,3% e 49,7% e ocupando as 42ª e 146ª posições a nível nacional, respectivamente. Os outros três municípios de maior criminalidade são Mucajaí (41% - 251ª posição nacional), Cantá (37,2% - 312ª posição nacional) e Bonfim (31,4% - 441ª posição nacional). A capital, Boa Vista, apresenta 24,9% de criminalidade e ocupa a 664ª posição entre os municípios brasileiros. De acordo com o Censo brasileiro de 2010, 77,7% dos habitantes de Roraima sentem-se seguros em seus domicílios; 72,3% sentem-se seguros no bairro ou comunidade em que residam; e 64,8% da população sente-se segura na cidade onde reside. Entretanto, 18,7% das residências no estado possuíam algum tipo de proteção ou segurança particular, que não fosse de domínio público. 11,1% das pessoas declararam já terem sido vítimas de roubo ou furto, sendo que destas 20,4% não procuraram atendimento em delegacias de polícia.
Urbanização
Roraima está dividido politicamente em 15 municípios. O mais populoso deles é Boa Vista, com 284 mil habitantes.
Roraima é um estado da federação, sendo governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Estado de Roraima, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Roraima e outros tribunais e juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos. A atual constituição do estado de Roraima foi promulgada em 31 de dezembro de 1991, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais. O Poder Executivo roraimense está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto, pela população para mandatos de até quatro anos de duração, e podem ser reeleitos para mais um mandato. Sua sede é o Palácio Senador Hélio Campos, que desde 1991 é a sede do governo roraimense. O Poder Legislativo de Roraima é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa do Estado de Roraima. Ela é constituída por 24 deputados, que são eleitos a cada 4 anos. No Congresso Nacional, a representação roraimense é de 3 senadores e 8 deputados federais. A maior corte do Poder Judiciário roraimense é o Tribunal de Justiça do Estado de Roraima. Compõem o poder judiciário os desembargadores e os juízes de direito.
Regiões Intermediárias e Imediatas
O estado de Roraima é composto por 15 municípios, que estão distribuídos em quatro regiões geográficas imediatas, que por sua vez estão agrupadas em duas regiões geográficas intermediárias, segundo a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017.
Roraima detém o menor Produto interno bruto (PIB) entre os estados brasileiros, apesar das altas taxas de crescimento. Seu PIB, em 2013, era de 9 027 000 bilhões de reais, representando 0,15% do PIB brasileiro e colocando o estado na 27ª posição nacional. O estado apresentou crescimento anual da ordem de 7,65%, congratulando-se como o estado de maior crescimento econômico no Norte brasileiro. O PIB per capita roraimense é o segundo maior de sua macrorregião, com R$ 18 495,80, atrás somente do PIB per capita amazonense. Em âmbito nacional, o estado ocupa a 13ª posição, estando 25,9% abaixo da média nacional e 15,9% acima da média regional. Comparado a 2007, o fator per capita estadual teve uma variação de 15,3%, sendo 15,9% a variação referente à renda per capita média da Região Norte. Roraima possui duas Áreas de Livre Comércio (ALC): Em Bonfim e em Boa Vista. Estas são áreas de importação e exportação que operam em regime fiscal especial. As duas ALC’s – únicas no país com incentivos fiscais na implantação de indústrias que utilizem matéria-prima da Amazônia Ocidental, funcionam desde 2005, e são responsáveis por ampliar a tendência para a realização do turismo de negócios.
Setor primário
O setor primário em Roraima encontra-se atualmente em desenvolvimento. Obteve um crescimento econômico de 4,8%, sendo responsável por 6,4% do PIB do estado. Em 2010, a agricultura teve queda de 5,2% com relação a 2006, onde os principais produtos da agricultura (arroz em casca e soja), tiveram queda de produção em 2007. Houve redução de 14,4% na área de cultivo do arroz, sendo que este teve uma produção 4,37% menor que o ano anterior. A produção de soja também teve uma redução na área plantada em 36,4% e a sua produção havia diminuído 34,1% em 2007. Os três principais produtos exportados por Roraima, em 2010, foram o couro, com uma participação de 63,32%, a madeira (28,13%) e água mineral com 1%. No acumulado, a madeira representa 42,17% do volume exportado seguido de consumo de bordo com 36,26%. Com relação as importações realizadas por Roraima, os três principais produtos importados no segundo semestre de 2010 foram os Cimentos Portland, representando 35,43%, vidros com 11,20% e farinha de trigo com 9,32%.
Setores secundário e terciário
O extrativismo é o destaque no setor secundário. Esse segmento sofreu retração de 2006 para 2008 da ordem de 11,2%, enquanto as atividades de produção e distribuição de eletricidade e gás, água e esgoto e limpeza urbana não apresentaram variação de desempenho. O setor secundário apresentou crescimento de 8,1% em 2008. Somente a construção civil cresceu 11,7%, aumentando sua participação em 7,7% da economia de Roraima, enquanto a indústria de transformação diminuiu 2,5% em relação ao ano anterior. Roraima possui um parque industrial de porte médio, situado em Boa Vista, destinado principalmente à produção de refrigerantes, derivados do leite e derivados cereais. São Paulo é o principal destino destes produtos, como maior comércio importador, com destaque também para o Amazonas e a Venezuela. Outras indústrias dedicam-se à produção de cimento, ferro, combustíveis, produtos para alimentação, entre outros. O setor extrativista, que integra o setor secundário, é um dado que tem se destacado negativamente. Esse segmento sofreu retração de 2006 para 2008 da ordem de 11,2%, enquanto as atividades de produção e distribuição de eletricidade e gás, água e esgoto e limpeza urbana não apresentaram variação de desempenho.
Turismo
Roraima possui um grande potencial turístico, em especial no ecoturismo. Por se localizar no extremo norte do país, na parte setentrional deste e por fazer limites com três países sul-americanos, Roraima mantém estreitas relações comerciais baseadas no turismo com esses países, em especial a Venezuela. Os atrativos naturais são os principais pontos turísticos do estado, em especial o Monte Roraima. Arqueólogos têm forte interesse na Pedra Pintada, que é o mais importante sítio de tal ciência do estado. Nela, há inscrições de civilizações milenares, tais como pinturas rupestres, pedaços de cerâmicas, machadinhas, contas de colar, entre outros artefatos que indiciam a história da evolução humana, datados de quatro mil anos. A rocha é um monólito de granito com sessenta metros de diâmetro e cerca de 40 metros de altura. Na face externa existem pinturas rupestres vermelhas que são até hoje consideradas um enigma para cientistas. Há também cavernas funerárias com até 12 metros de extensão. A Pedra Pintada localiza-se em Pacaraima.
Saúde
Em 2005, existiam, no Estado, 455 estabelecimentos hospitalares, com 725 leitos e 56 médicos, 10 enfermeiros diplomados e 60 auxiliares de enfermagem. Em 2010, dos 455 hospitais existentes, 378 eram de adultos e crianças, 22 eram exclusivamente de crianças, sendo 49 gerais e 3 especializados. Em 2005, 85,2% da população roraimense tinham acesso à rede de água, enquanto 75% se beneficiam da rede de esgoto sanitário. De acordo com o Censo brasileiro de 2010, 81,4% da população de Roraima avalia a sua saúde como boa ou ótima; 72,5% da população realiza consulta médica periodicamente; 44,9% dos habitantes consultam o dentista regularmente e 7,4% da população esteve internado em leito hospitalar nos últimos doze meses. Aproximadamente 22% dos habitantes declararam ter alguma doença crônica e apenas 9,8% possuem plano de saúde. Outro dado significante é o fato de 44,7% dos habitantes declararem necessitar sempre do Programa Unidade de Saúde da Família - PUSF.
Educação
O estado dispunha em 2009 de uma rede de 585 escolas de ensino fundamental, das quais 322 estaduais, 252 municipais, 10 particulares e 1 pública federal. O corpo docente era constituído de 4 842 professores, sendo que 2 952 trabalhavam nas escolas públicas estaduais, 1 627 nas escolas públicas municipais e 217 nas escolas particulares. Estudavam nestas escolas 86 547 alunos, dos quais 82 208 nas escolas públicas e 4 339 nas escolas particulares. O ensino médio foi ministrado em 100 estabelecimentos, com a matrícula de 17 512 alunos. Dos 17 512 discentes, 16 175 estavam nas escolas públicas e 1 337 nas particulares. Quanto ao ensino superior, destaca-se a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Universidade Estadual de Roraima (UERR) e o Instituto Federal de Roraima (IFRR). Há ainda estabelecimentos de Ensino Superior privados: Faculdade Roraimense de Ensino Superior (FARES), Faculdade Estácio Atual, Faculdade Cathedral e Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil (FACETEN). Foram registrados ainda, 14 575 estudantes de ensino pré-escolar, divididos em 270 unidades de ensino. Destas, 258 eram municipais, não existindo nenhuma a nível estadual. No estado havia 857 professores de ensino pré-escolar.
Transportes
No estado existe apenas um aeroporto administrado pela Infraero, o Aeroporto Internacional de Boa Vista - Atlas Brasil Cantanhede, localizado na capital estadual. Em 2009, o aeroporto da capital estadual movimentou 190 469 passageiros e 931 248 cargas aéreas. O estado possui ainda outros 7 aeroportos de categoria estadual e menor porte: Aeroporto Auaris, em Amajari; Aeroporto de Mucajaí, em Mucajaí; Aeroporto de Pacaraima, em Pacaraima; Aeroporto Surucucu, Uaicas e Surucucus, em Alto Alegre, sendo este último localizado no interior da Terra Indígena Yanomami; e o Aeroporto de Caracaraí. Estes aeroportos são de administração municipal e estadual.
Energia
Até meados da década de 1990, o estado convivia com sérios problemas de energia elétrica. Em 2001, foi inaugurada na fronteira entre Brasil e Venezuela, a primeira etapa do Complexo Hidrelétrico de Guri/Macaguá, possibilitando o fornecimento de energia elétrica para Roraima e regiões da Venezuela. Roraima era o único estado que não fazia parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), e diante da instabilidade do fornecimento da energia pela Venezuela, usinas termelétricas complementavam a energia da Hidrelétrica de Guri, em especial as usinas de Jaguatirica II (141 MW), Monte Cristo (97 MW), Floresta (85 MW), Distrito Industrial (21 MW) e Novo Paraíso (13 MW). Em setembro de 2025, foi concluído o projeto de interligação de Roraima ao SIN, com a construção do Linhão de Tucuruí, promovendo maior segurança energética ao estado e possibilitando a construção de novas fontes de energia.
Comunicações
A ECT - Empresa de Correios e Telégrafos possui agências em apenas cinco municípios de Roraima: Boa Vista, Caracaraí, Alto Alegre, Sào Luiz do Anauá e Pacaraima. Na questão da área telefônica, há aproximadamente 40 mil terminais telefônicos, com destaque para a telefonia celular. O interior do estado também é atendido. Há no estado, apenas 4 estações de rádio e 7 retransmissoras de canais de televisão. Existem alguns jornais, sendo os principais a Folha de Boa Vista e o jornal Diário. Ainda no estado, há três provedores de internet, a TechNet , Mandic Scan e RRNet.
Segurança pública
As principais unidades das Forças Armadas presentes em Roraima são: no Exército Brasileiro, Roraima é integrante do Comando Militar da Amazônia, este sediado em Manaus, capital do Amazonas e abrange todos os estados da Região Norte do Brasil, com exceção do Tocantins. na Marinha do Brasil, o estado faz parte do 9º Distrito Naval (com sede em Manaus); e na Força Aérea Brasileira, Roraima integra o 1.º Esquadrão do 3.º Grupo de Aviação, sediado na própria cidade. A Polícia Militar do Estado de Roraima (PMRR) é uma das forças de polícia militar do Brasil, sendo responsável pelo policiamento ostensivo no Estado de Roraima. Teve origem na Guarda Territorial do Rio Branco, em 21 de novembro de 1944. Além da sua missão atual, tinha também como missão realizar serviços de transportes, controlar incêndios e queimadas, além de várias outras atribuições. Com o desenvolvimento sócio-econômico da região na década de 1970 e a emancipação política de Roraima do Amazonas fez-se necessário criar uma instituição dedicada permanentemente ao policiamento ostensivo em suas diversas modalidades. Desta forma, foi criada a Polícia Militar do Território Federal de Roraima, através da lei nº 6.270 de 26 de novembro de 1975.
A cultura de Roraima apresenta forte influência indígena. Entretanto, é marcada também pela influência dos colonizadores, e também pelos mestiços que habitam e habitaram a região. O artesanato é um dos marcos centrais da cultura. Os Ianomâmi - grupo indígena do estado - produzem diversos produtos artesanais, como cestas, leques, jóias e redes. Muitos destes são comercializados na Feira de Artesanato de Roraima, sediado em Boa Vista, capital do estado. O movimento cultural "Roraimeira" foi idealizado por artistas locais na década de 1980. Criado por uma necessidade de possuir uma identidade cultural que representasse o Território Federal de Roraima. Está presente na música, dança, literatura, fotografia, artes plásticas e outras expressões artísticas. A origem da denominação do evento é a canção "Roraimeira" de Zeca Preto que concorreu ao festival de música de Roraima em 1984. Futuramente a mesma se tornou o hino cultural do estado.
Entidades culturais
Entre as principais entidades culturais do estado encontram-se: Fórum de Cultura Permanente de Roraima, Sebrae, SESC,Teia Roraima, Academia Roraimense de Letras e Federação de Teatro de Roraima. O Museu Integrado de Roraima, em Boa Vista, capital do estado, foi inaugurado em 13 de fevereiro de 1985. É um museu público estadual e mantido pela Fundação de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Estado de Roraima (FEMACT). Está instalado em um edifício de 750 metros quadrados no interior do Parque Anauá. Conserva o mais importante acervo museológico de Roraima. A coleção, bastante diversificada, é composta por peças adquiridas por meios de coletas, aquisições e doações, abrangendo diversos temas, como geologia, botânica, zoologia, arqueologia, etnologia, história e artes visuais. O museu realiza ainda, atividades de pesquisa nas áreas de zoologia e antropologia, além de exposições temporárias temáticas e atividades culturais e educativas. É equipado com biblioteca e auditório com capacidade para 140 pessoas. Conta com a participação da sociedade civil na realização de atividades, por meio da Associação de Amigos do Museu Integrado de Roraima (AMIRR), criada em 1999. Infelizmente o Museu, após uma década de abandono, foi demolido e seu acervo saqueado pela população indignada, que alegou estar protegendo as peças, hoje com paradeiro desconhecido.
Dança e música
A dança em Roraima tem sua origem em grupos folclóricos de boi-bumbá e cirandas. Entretanto, são notáveis também grupos de dança clássica e moderna. A maior entidade cultural voltada ao ensino da dança clássica é a Escola de Balé Cristina Rocha, responsável pela formação de grande parte dos bailarinos e dançarinos que atuam na capital, Boa Vista. Na época das festas populares, há diversos grupos de dança regional em atuação, com destaque para os Cangaceiros do Tianguá, que têm coreografias baseadas em elementos regionais amazônicos. A música roraimense possui uma grande variedade de ritmos e harmonias. Sua origem remonta à variedade de etnias e povos que viveram e vivem no estado. Desta forma, há grupos de cantos indígenas e caboclos. Música regional é chamada Roraimeira, produzida no estado e que possua como tema central Roraima, relacionada à Amazônia, ao Caribe, América do Sul, América e Global. Nas canções deve abordar ou mencionar nem que seja minimamente a regionalidade roraimense como a natureza de Roraima, cultura indígena dos povos que habitam o Estado, costumes, cultura local, história e migração. Além de poder ser gravada em qualquer estilo ou ritmo musical como rock, axé, reggae, pop, forró e etc.
Folclore e literatura
O folclore roraimense é hoje o encontro das tradições trazidas pelos colonizadores nordestinos e de todas as partes do Brasil, com a força das lendas e vivências dos índios, que têm no seu ambiente natural uma perfeita harmonia entre homem e natureza. É festejado tanto os santos da Igreja católica como também as tradições indígenas, que exercem forte influência no estado, na área de curandeirismo e pajelança. No mês de junho, assim como em outros estados do Brasil, acontece as festas juninas nos diversos municípios. A Academia Roraimense de Letras representa a literatura da unidade federativa. É nela que está reunida grande parte dos poetas, historiadores, escritores e contistas do estado. Um dos poetas roraimenses de maior renome é Eliakin Rufino, que também é compositor, tendo suas músicas alcançado outras regiões do país.
Culinária
A culinária típica apresenta influência das culturas indígenas (macuxi e wapixana) e dos estados do Maranhão, Pará e Amazonas. O arroz e a farinha de macaxeira, por exemplo, são a base para os pratos do dia a dia e de pratos típicos. Também são utilizados variados tipos de peixes (tambaqui, pirarucu, pacu e outros) nas preparações. As comidas típicas do estado são a damurida (sopa de origem macuxi), a caldeirada de tambaqui (ensopado), tambaqui assado, a paçoca de carne seca, o cuscuz e a tapioca. Um tipo de sanduíche muito popular e comum é o pepito, de origem venezuelana.
Esportes
No futebol, Roraima abriga oito clubes profissionais, o Atlético Roraima, o Baré, o GAS, o São Raimundo, o River, o Rio Negro, o Náutico e o Progresso. Dentre estes, Baré e Atlético Roraima, os dois maiores campeões estaduais, fazem o clássico mais tradicional do estado, popularmente conhecido como Bareima. Há também clubes amadores: Norte Sport, Caranã, Tancredo Neves, Cambará, Racing, Guarani, América, Grêmio, Barcelona, Jockey, ABC, União, Tiradentes, Anauá, Brasil, Boa Vista, Atlético Iracema e União de Iracema. No entanto, em razão da histórica e baixa representatividade dos clubes locais no cenário futebolístico nacional, a maior torcida do estado é do clube carioca Flamengo.
Feriados
Em Roraima, há apenas um feriado estadual: o dia 5 de outubro. Nessa data, comemora-se a elevação do Território Federal de Roraima à categoria de estado, que aconteceu com a promulgação da Constituição de 1988.


