Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria
A Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria, conhecida coloquialmente como Curdistão Sírio, Curdistão Ocidental, foi uma região autônoma de facto situada na porção norte-nordeste da Síria, organizada em três cantões autogovernados: Afrîn, Jazira e Kobanî, além de partes da Região de Shahba.
Rojava localiza-se a oeste do rio Tigre ao longo da fronteira turca. Existem três cantões: Afrîn, Jazira, Kobanî e a Região de Shahba. O Cantão de Jazia faz fronteira com o Curdistão iraquiano ao sudeste. Outras fronteiras estão sob disputa na Guerra Civil Síria. Todos os cantões estão aproximadamente à latitude de 36º30'N, sendo os mesmos relativamente planos, exceto pelas Montanhas Curdas no Cantão de Afrîn. Em relação às províncias do estado sírio, Rojava é formada pela maior parte do território da província de Al-Hasakah, pelas partes setentrionais da província de Al-Raqqah e por partes setentrionais da província de Aleppo.
Os curdos são a mais numerosa minoria étnica da Síria, compondo 9% dos habitantes do país A maioria deles são muçulmanos sunitas; também há Yazidi na Síria. Um número muito pequeno deles são cristãos e Alauitas. Eles enfrentam discriminação e perseguição rotineira por parte do governo sírio. Muitos curdos buscam autonomia política para as áreas habitadas por eles na Síria, semelhante ao Curdistão iraquiano, ou a independência total.
Rojava engloba uma região conhecida como o Crescente Fértil, possuindo sítios arqueológicos que datam do Neolítico (como Tell Halaf). Na Antiguidade esse território fazia parte do reino Mitani, sendo seu centro o vale do rio Khabur, que atualmente corresponde ao Cantão de Jazira. Após, fez parte da Assíria por um longo período de tempo. Os últimos registros remanescentes do Império Assírio, compreendidos de 604 a.C. a 599 a.C., foram encontrados dentre e nos arredores da cidade assíria de Dūr-Katlimmu, no atual Cantão de Jazira. Posteriormente, a região foi governada pelos Aquêmidas, Helênicos, Arsácidas, Romanos, Partas, Sassânidas, Bizantinos e sucessivos califados árabes. Durante o Império Otomano (1516 – 1922), grandes grupos tribais falantes da língua curda instalaram-se e foram deportados a áreas do norte da Síria vindos da Ásia Menor. A demografia do norte da Síria sofreu uma enorme mudança no começo do século XX quando o Império Otomano promoveu uma limpeza étnica de suas populações Armênias e de cristãos Assírios, tendo algumas tribos curdas participado das atrocidades cometidas contra esses grupos. Muitos assírios fugiram para a Síria durante o genocídio e se estabeleceram principalmente na área de Jazira. A partir de 1926, a região viu uma enorme onda de imigrantes curdos decorrente do fracasso da Rebelião do Xeque Said contra as autoridades turcas. Enquanto muitos dos curdos habitam a Síria há séculos, ondas de curdos fugiram de suas casas na Turquia e instalaram-se na Síria, onde a eles foi garantido o acesso à nacionalidade pelo Mandato Francês da Síria. Nas décadas de 30 e 40 do século passado a região presenciou diversos movimentos por autonomia que falharam.
Domínio de Damasco
A região multiétnica de Rojava sob o domínio sírio sofreu com persistentes políticas do nacionalismo árabe e tentativas de arabização forçada, as quais foram mais brutalmente dirigidas contra a população da etnia curda. A região recebeu poucos investimentos ou desenvolvimento do governo central. Foram elaboradas leis que discriminavam o acesso dos curdos à posse de propriedades e muitos não possuíam cidadania. Propriedades eram constantemente confiscadas por agiotas governamentais. O ensino da língua curda foi proibido e não era permitido nas escolas, comprometendo a educação de estudantes curdos. Nos hospitais faltavam equipamentos para procedimentos avançados e consequentemente os pacientes tinham que ser transferidos para fora de Rojava. Numerosos nomes de locais, antes eram conhecidos em língua curda, foram arabizados nas décadas de 60 e 70. Em seu relatório para a 12ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas denominado Perseguição e Discriminação contra Cidadãos Curdos na Síria, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos sustentou que "Sucessivos governos sírios continuaram a adotar uma política de discriminação étnica e perseguição nacional contra os curdos, privando-os completamente de seus direitos nacionais, democráticos e humanos – uma parte integral da existência humana. O governo impôs programas de base étnica, regulações e medidas excludentes em vários aspectos da vida curda – políticos, econômicos, sociais e culturais".
Autonomia de fato
Nas primeiras fases da Guerra Civil Síria, forças do governo sírio retiraram-se de três enclaves curdos, deixando o controle nas mãos das milícias locais em 2012. Partidos políticos curdos que existiam clandestinamente, como o Partido da União Democrática (em língua curda: PYD) e o Conselho Nacional Curdo (em língua curda: ENKS), uniram-se para formar o Comitê Supremo Curdo (em língua curda: DBK) e estabeleceram as Unidades de Proteção Popular (em língua curda: YPG), milícia que defende as áreas habitadas por curdos no norte da Síria. Em julho de 2012 as YPG assumiram o controle das cidades de Kobanî, Amuda e Afrin, tendo o Comitê Supremo Curdo estabelecido um conselho de liderança associada para administrar as cidades. Logo após as cidades de Al-Malikiyah, Ras al-Ayn, al-Darbasiyah, e al-Muabbada também passaram ao controle das Unidades de Proteção Popular, assim como partes de al-Hasakah e Qamishli.
Abdullah Öcalan, um dos líderes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) preso em İmralı, na Turquia, é um ícone e uma figura popular em Rojava, tendo suas ideias moldado a sociedade e política da região. Na prisão, Öcalan correspondeu-se com Murray Bookchin, anarquista americano criador do conceito da Ecologia Social. O programa político do Municipalismo Libertário de Bookchin que visa a criação de uma confederação de assembleias locais de cidadãos influenciou radicalmente as visões e concepções de Öcalan para solucionar a complexa questão curda. Em março de 2005, Öcalan publicou sua "Declaração do Confederalismo Democrático no Curdistão", baseada nas ideias de Bookchin, conclamando os curdos a interromper ataques ao governo e priorizar a criação assembleias municipais, as quais ele chamou de "democracia sem o estado." Öcalan idealizou essas assembleias como formadoras de uma confederação pan-curda, unida por razões de autodefesa, compartilhando valores como ambientalismo, igualdade de gênero, e pluralismo étnico, cultural e religioso.
Governo comunitário
Eleições locais ocorreram em março de 2015. Entretanto, o sistema de governo comunitário de Rojava é focado na democracia direta. O sistema tem sido descrito como uma busca por um governo "ascendente, num modelo de gestão democrática baseada no sistema ateniense". Contrasta-se esse modelo que delega às comunidades locais responsabilidades de governo ao sistema de um governo central forte, preferido por muitos países. Naquele modelo, os estados tornam-se menos relevantes e o povo governa através de conselhos. Esse programa tinha o objetivo imediato de ser "muito abrangente" e uma gama de pessoas de diversos contextos se envolveram como os curdos, árabes, assírios, turcomenos sírios e iazidis (vindos de grupos religiosos islâmicos, cristãos e iazidistas). O programa político buscava "estabelecer uma variedade de grupos, comitês e comunas nas ruas, bairros, povoados, distritos e pequenas ou grandes cidades em toda parte". Esses grupos tinham o propósito de manter encontros "semanais para discutir os problemas que as pessoas possuem onde vivem". Os representantes de diferentes grupos comunitários encontram-se num grupo principal nos povoados ou cidades chamado "Casa do Povo". Um repórter do The New York Times relatou em setembro de 2015: .mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Governo dos Cantões
O artigo 8 da constituição de 2014 estipula que "todos os Cantões na Região Autônoma são fundados sobre o princípio do autogoverno local. Os Cantões podem livremente eleger seus representantes e corpos representativos e buscar seus direitos conquanto não contraponham-se aos artigos dessa Carta." Em janeiro de 2014 a assembleia legislativa do Cantão de Afrîn elegeu Hêvî Îbrahîm Mustefa como primeiro-ministro, que indicou Remzi Şêxmus e Ebdil Hemid Mistefa como seus vices e a assembleia legislativa do Cantão de Kobanî elegeu Enver Müslim como primeiro-ministro, indicando Bêrîvan Hesen e Xalid Birgil como vices. No Cantão de Jazira, a assembleia legislativa elegeu o curdo Akram Hesso como primeiro-ministro e o árabe Hussein Taza Al Azam e a assíria Elizabeth Gawrie como vice-primeiros ministros.
Assembleia Federal
Em dezembro de 2015, durante um encontro de representantes do norte da Síria em Al-Malikiyah, os participantes decidiram estabelecer uma Assembleia Federal, a Assembleia Democrática Síria, para servir como representante política das Forças Democráticas Sírias (FDS). Os co-lideranças escolhidas para conduzir a Assembleia na sua fundação foram proeminentes ativistas pelos direitos humanos Haytham Manna e o membro do conselho executivo do TEV-DEM Îlham Ehmed.
Conselho Federal
Ao nível da federação de Rojava, os ministérios do Conselho Federal lidam com a economia, agricultura, recursos naturais e relações exteriores. Os ministros são indicados pelo TEV-DEM; eleições gerais foram programadas para ocorrer antes do fim de 2014, mas foram adiadas devido às batalhas. Dentre outras medidas acordadas há uma cota de 40% para participação feminina no governo, assim como outra cota para os jovens. Ligada à decisão de introduzir ações afirmativas para minorias étnicas, todas as organizações governamentais e escritórios são baseados num sistema co-presidencial.
Educação Escolar
Sob o regime do Partido Ba'ath, a educação escolar consistia apenas de escolas públicas de língua árabe suplementadas por escolas privadas confessionais assírias. A administração de Rojava em 2015 introduziu a educação primária em língua nativa, seja língua curda ou árabe e educação secundária obrigatoriamente bilíngue em língua curda e árabe em escolas públicas, sendo o inglês a terceira língua obrigatória. Há discordâncias e negociações em curso acerca do currículo educacional com o governo central sírio, que em geral continua pagando os professores nas escolas públicas. Para as escolas privadas assírias não houve mudanças além de um recém-redescoberto de pais árabes e curdos em enviar seus filhos para lá. Em agosto de 2016 o Centro Ourhi na cidade de Qamishli foi fundado pela comunidade assíria, para educar professores com o intuito de tornar o siríaco-aramaico uma língua adicional a ser ensinada nas escolas públicas no Cantão de Jazira que começou no ano acadêmico de 2016/17. Nesse ano acadêmico, declara o Comitê de Educação de Rojava, "três currículos acadêmicos substituíram o antigo para incluir educação em três línguas: curdo, árabe e assírio.
Educação Superior
Enquanto não havia instituições de educação terciária no território de Rojava ao início da Guerra Civil Síria um número crescente de tais instituições foram estabelecidas pelas administrações cantonais na região autônoma desde então.
Meios de comunicação
Tendo incorporado a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, assim como outras convenções dos direitos humanos internacionalmente reconhecidas, a Constituição de Rojava de 2014 assegura a liberdade de expressão e liberdade de imprensa. Como resultado, um cenário midiático diverso se desenvolveu em Rojava, produzindo conteúdos nas línguas do território como a língua curda, árabe, siríaco-aramaico e turco, frequentemente sendo utilizada mais de uma língua, assim como em inglês. Dentre os meios de comunicação mais proeminentes em Rojava estão as agências de notícias ANHA e ARA, redes de TV como a Rojava TV e Ronahî TV ou a revista bimensal Nudem. Diversos jornais locais foram criados. Dificuldades, porém, de ordem econômica pressionam as mídias, como o fechamento do site de notícias Welati em maio de 2016. O extremismo político incitado pelo contexto da Guerra Civil Síria pode colocar os meios de comunicação sob pressão, sendo um dos exemplos mais emblemáticos o incêndio criminoso provocado nas instalações da ARTA FM em Amuda por agressores não identificados.
Artes
O salto nas liberdades políticas e sociais com a criação de Rojava fomentou o germinar da expressão artística na região, em especial com o tema da revolução política e social assim também com respeito às tradições curdas.
Desenvolvimento
Em 2012 o PYD lançou o que era então originalmente chamado por Plano de Economia Social, posteriormente renomeado como Plano de Economia Popular (PEP). As políticas da PEP são baseadas primariamente sobre o trabalho de Abdullah Öcalan e buscam como objetivo final transpor o capitalismo, substituindo-o pelo Confederalismo Democrático. A propriedade privada e empreendedorismo são protegidos sobre o princípio da "posse pelo uso", embora devam estar de acordo à vontade democrática dos conselhos organizados localmente. O dr. Dara Kurdaxi, economista de Rojava, disse que "O método de Rojava não é tão contrário à propriedade privada, mas sim tem o objetivo de colocar a propriedade privada ao serviço de todos os povos que vivem em Rojava".
Recursos e relações exteriores
O governo está em busca de investimentos externos para construir uma usina e uma fábrica de fertilizantes. A produção de petróleo e comida excede a demanda, sendo exportados petróleo e bens agrícolas como ovinos, grãos e algodão. As importações incluem bens de consumo e peças automotivas. A travessia de fronteira com o Curdistão Iraquiano, fechada intermitentemente pelo Governo Regional do Curdistão, foi reaberta em 10 de junho de 2016. A Turquia não permite que negócios, pessoas ou bens atravessem sua fronteira, embora Rojava tenha o interesse da reabertura da fronteira. O comércio assim como o acesso à ajuda militar e humanitária é dificultada por Rojava estar sob um forte embargo mantido pela Turquia.
O sistema legal
As leis civis da Síria são válidas em Rojava, conquanto não entrem em conflito com a Constituição de Rojava. Um exemplo notável de reforma é a lei de status pessoal, a qual, na Síria, ainda se baseia na Charia e é aplicada por Cortes da Charia, tendo substituídas em Rojava pelos princípios estritamente seculares da igualdade absoluta das mulheres sob a lei. Casamentos forçados, assim como a poligamia, foram proibidos, além do casamento de pessoas menores de idade. Pela primeira vez na história síria a união civil está sendo permitida e promovida, inclusive de pessoas de contextos religiosos distintos, um passo significativo em direção a uma sociedade aberta e secular.
Policiamento e forças de segurança
A função de polícia nos cantões de Rojava é realizada pela divisão armada Asayish. A Asayish foi estabelecida em 25 de julho de 2013 com o objetivo de preencher o vácuo de segurança gerado pela saída das forças policiais do regime Ba'ath e com o início da revolução de Rojava. Sob a constituição de Rojava o policiamento é uma competência dos cantões. No todo as forças Asayish dos cantões são formadas por 26 escritórios oficiais que buscam prover segurança e soluções aos problemas sociais. As seis principais unidades da Asayish de Rojava são a Administração dos Pontos de Inspeção, o Comando das Forças Anti-terror (HAT), o Diretório de Inteligência, o Diretório de Crime Organizado, Diretório de Trânsito e Diretório do Tesouro. 218 centros Asayish foram estabelecidos e 385 pontos de inspeção com 10 membros das Asayish em cada ponto foram criados. 105 centros da Asayish protegem a população do Estado Islâmico do Iraque e do Levante nas linhas de frente através de Rojava. Cidades maiores possuem diretórios gerais que são responsáveis por todos os aspectos de segurança, incluindo o controle nas estradas. Cada cantão de Rojava possui um comando das HAT e cada centro Asayish se organiza autonomamente.
Milícias
A milícia defensiva de maior importância em Rojava são as Unidades de Proteção Popular (Yekîneyên Parastina Gel, YPG). As YPG foram fundadas pelo PYD depois dos confrontos em 2004 em Qamishli, mas não estavam ativas até o início da Guerra Civil Síria. Ela está sob o controle do Movimento por uma Sociedade Democrática (TEV-DEM). Outra milícia em estreita relação à Rojava é o Conselho Militar Siríaco (MFS), uma milícia assíria associada ao Partido da União Siríaca. As YPG, o MFS e todas as outras milícias em Rojava, como o Exército dos Revolucionários, com muitos grupos filiados, ou as Forças Al-Sanadid, estão inseridas nas Forças Democráticas Sírias (FDS). Isso também procede para os conselhos militares municipais que tem se estabelecido na Região de Shabha como o Conselho Militar de Mambije, o Conselho Militar de Al-Bab ou o Conselho Militar de Jarablus.
Questões de direitos humanos
No curso da Guerra Civil Síria acusações de supostos crimes de guerra foram também levantadas contra as milícias associadas a Rojava, em especial a membros das Unidades de Proteção Popular (YPG), inclusive em relatórios de 2014 e 2015 da Human Rights Watch e Anistia Internacional, sendo que ambas operam livremente em Rojava. As acusações tem sido compreensivamente debatidas e contestadas tanto pelas YPG quanto por outras organizações de direitos humanos. Os membros das YPG desde setembro de 2015 recebem treinamento de direitos humanos por parte da ONG Geneva Call e outras organizações internacionais. O governo civil de Rojava tem sido saudado pela imprensa internacional devido aos avanços nos direitos humanos, em especial no sistema legal concernente aos direitos das mulheres e aos direitos de minorias étnicas, com respeito à liberdade de expressão e de imprensa e por abrigar refugiados de outras regiões. A agenda política que busca "quebrar as regulações de honra baseadas em regras tribais e religiosas que aprisionam as mulheres" é controversa nos setores mais conservadores da sociedade. A conscrição obrigatória às Forças de Auto-Defesa (HXP) tem sido interpretada como uma violação de direitos humanos na perspectiva daqueles que consideram as instituições de Rojava como ilegítimas.
Historicamente, a demografia da região tem sido altamente diversificada. Uma grande mudança na era moderna aconteceu no princípio do século XX devido ao genocídio assírio e o genocídio armênio, quando muitos assírios e armênios fugiram para a Síria a partir da Turquia. Isso seguiu-se à fuga de muitos curdos para a Turquia após a Rebelião do Xeque Said. Outra grande mudança na modernidade foi a política do partido Ba'ath em assentar novas tribos árabes em Rojava. Recentemente, durante a Guerra Civil Síria, a população de Rojava mais que dobrou para aproximadamente 4,6 milhões. Dentre os recém-chegados estão sírios de todas as etnias que fugiram da violência que ocorre em outras regiões da Síria. Muitos cidadãos da etnia árabe vindos do Iraque também fugiram para Rojava.
Grupos Étnicos
Dois grupos étnicos tem uma presença significativa por toda Rojava Dois grupos étnicos tem uma presença significativa em certos cantões de Rojava: Há também outras minorias de menor quantidade de pessoas como Armênios (por toda Rojava) e Circassianos (em Mambije).
Línguas
Quatro línguas de três famílias linguísticas diferentes são faladas em Rojava: Para essas quatro línguas são usados três códigos linguísticos diferentes:
Religião
A maior parte da população curda e árabe em Rojava aderem ao islamismo sunita, enquanto a população assíria geralmente são cristãos ortodoxos síriacos, católicos caldeus ou católicos síriacos. Há também adeptos de outras crenças como o zoroastrismo e o iazidismo. Muitas pessoas em Rojava apoiam o secularismo e o laicismo. O partido dominante PYD e a administração política em Rojava são decididamente seculares e laicistas e, ao contrário da maior parte do Oriente Médio, a religião não é um indicador das identidades sociopolíticas.
Principais centros populacionais
Essa lista inclui todas as cidades e vilarejos controlados ou reivindicados por Rojava com mais de 10 000 habitantes. O quantitativo populacional está de acordo com o censo sírio de 2004. As cidades em negrito são as capitais de seus respectivos cantões.
Relações com o governo sírio
Por ora as relações de Rojava com o Estado sírio são determinados pelo contexto da Guerra Civil Síria. Até agora a constituição de Rojava e a constituição da Síria são legalmente incompatíveis com respeito à autoridade legislativa e executiva. A interação prática baseia-se no pragmatismo ad hoc. No âmbito militar combates entre as Unidades de Proteção Popular (YPG) e o exército sírio tem sido esporádicos, sendo que nos casos mais relevantes parte do território ainda sob o controle do governo sírio em Qamishli e al-Hasakah passaram ao controle das YPG. Em algumas campanhas militares, em particular ao norte da província de Alepo e em al-Hasakah, há uma cooperação tácita entre as YPG e das forças governamentais sírias contra forças islâmicas como o ISIS e outras.
Rojava como assunto transnacional
As transformações sociopolíticas da "Revolução de Rojava" tem atraído uma considerável atenção dos meios de comunicação internacionais, tanto na mídia de maior alcance quanto na mídia progressista de esquerda . David Graeber, no jornal The Guardian, foi um dos primeiros a levantar essa questão num artigo de Outubro de 2014: A região autônoma de Rojava, como existe hoje, é um dos poucos pontos de luz, embora seja um ponto de luz extremamente brilhante, a emergir da tragédia da revolução síria. Tendo expulsado os agentes do regime de Assad em 2011, e apesar da hostilidade de todos os seus vizinhos, Rojava não apenas manteve sua independência mas também é um notável experimento democrático. Assembleias populares foram criadas como os órgãos deliberativos primordiais; conselhos selecionados com um cuidadoso equilíbrio étnico (em cada município, por exemplo, os três principais cargos devem incluir um curdo, um árabe e um assírio ou armênio cristão, e ao menos um desses três deve ser uma mulher); há conselhos de mulheres e de jovens; e, num notável "eco" das Mujeres Libres (Mulheres Livres) da Espanha, um exército feminista, a chamada milícia "YJA Star" (a "União das Mulheres Livres", o "star" aqui referindo-se à antiga deusa mesopotâmia Istar), que tem tomado frente de uma grande proporção das operações de combate contra as forças do Estado Islâmico.
A questão curda
O partido político de maior relevância em Rojava, o Partido de União Democrática (PYD) é uma organização integrante da União das Comunidades do Curdistão (KCK). Como as organizações integrantes da KCK nos países vizinhos com minorias curdas autóctones são clandestinas (Turquia, Irã) ou politicamente marginalizadas em comparação a outros partidos curdos (Iraque), a região autônoma de Rojava, administrada pelo PYD, adquiriu o status de modelo para a agenda política da KCK. Há muita simpatia por Rojava, em especial entre os curdos na Turquia. Durante o cerco a Kobanî, um grande número de curdos étnicos de cidadania turca atravessaram a fronteira e se voluntariaram para a defesa da cidade. Alguns desses ao retornar à Turquia pegaram em armas no conflito curdo-turco, onde novas técnicas adquiridas por eles durante os combates em Kobani trouxeram maior capacidade operacional nos confrontos urbanos na Turquia.
Relações internacionais
O papel mais notável de Rojava na arena internacional é a abrangente cooperação militar de suas milícias feitas sob a édige das Forças Democráticas Sírias (SDF) juntamente aos Estados Unidos e a coalizão internacional contrária ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Em uma declaração pública em março de 2016, um dia após a declaração da Federação do Norte da Síria – Rojava, o secretario de defesa dos EUA Ashton Carter elogiou as Unidades de Proteção Popular (YPG) de Rojava por terem "provado ser excelentes parceiros nossos em solo na luta contra o ISIS. Somos gratos por isso e pretendemos continuar a agir de tal modo, reconhecendo as complexidades de seu papel regional". Ao final de outubro de 2016 o tenente-coronel do exército dos EUA Stephen Townsend, comandante da coalizão internacional anti-ISIS, disse que as FDS liderariam o ataque planejado à cidade de Raqqa, baluarte e capital do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, e que os comandantes das FDS planejariam a operação aconselhados pelas forças estadunidenses e da coalizão. Entretanto, em 7 de Novembro de 2016, quando questionado sobre a federalização da Síria, Mark C. Toner, porta-voz substituto do Departamento de Estado dos EUA disse que "Nós não queremos ver nenhum tipo de federalismo ad hoc ou sistema federalista surgir. Não queremos ver zonas semi-autônomas. A realidade é que assim que territórios são libertados do Daesh você deve ter novamente algum tipo de governo a essas áreas, mas de nenhum modo estamos condenando ou – qualquer tipo, como disse, – de áreas semi-autônomas ad hoc ao norte da Síria".


