Pesquisa · Mapa mental

Revolução Francesa

Revolução Francesa foi um período, entre 1789 e 1799, de intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos evaporaram-se sob um ataque sustentado de grupos políticos radicais, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité. As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento contrário que, até 1814, tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas importantes tornaram-se permanentes. O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os partidários e inimigos da revolução, que lutaram politicamente ao longo dos próximos dois séculos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
01

Causas

Os historiadores apontaram muitos eventos e fatores no Antigo Regime que levaram à Revolução. O aumento da desigualdade social e econômica, as novas ideias políticas emergentes do iluminismo, a má gestão econômica, os fatores ambientais que levaram ao fracasso agrícola, a dívida nacional incontrolável e a má gestão política por parte do rei Luís XVI foram citados como fatores que formaram as bases para a Revolução. Ao longo do século XVIII, emergiu o que o filósofo Jürgen Habermas chamou de "esfera pública" na França e em outros lugares da Europa. Habermas argumentou que o modelo cultural dominante na França do século XVII era uma cultura "representativa", baseada em uma necessidade unilateral de "representar" o poder com um lado ativo e o outro passivo. Um exemplo perfeito seria o Palácio de Versalhes, que deveria abalar os sentidos do visitante e convencer a grandeza do estado francês e Luís XIV. A partir do início do século XVIII, se viu a aparição da "esfera pública", que era "crítica" na medida em que ambos os lados estavam ativos. Exemplos da "esfera pública" incluíam jornais, lojas maçônicas, cafés e clubes de leitura onde as pessoas, pessoalmente ou virtualmente, através da palavra impressa, debatiam e discutiam questões. Na França, o surgimento da "esfera pública" fora do controle do Estado viu a mudança de Versalhes para Paris como a capital cultural da França. Da mesma forma, no século XVII, era o tribunal que decidia o que era culturalmente bom e o que não era; no século XVIII, a opinião do tribunal importava menos e eram os consumidores que se tornaram os árbitros do gosto cultural. Na década de 1750, durante a "Querelle des Bouffons" sobre a questão da qualidade da música italiana versus a francesa, os partidários de ambos os lados apelaram para o público francês "porque ele tem o direito de decidir se um trabalho será preservado para posteridade ou será usado por mercearias como papel de embrulho". Em 1782, Louis-Sébastien Mercier escreveu: "A palavra tribunal já não inspira repulsa entre nós como na época de Luís XIV. As opiniões reinantes já não são recebidas do tribunal, já não decide sobre reputações de qualquer tipo … os julgamentos da corte são contraordenados, diz-se abertamente que não entende nada, não tem ideias sobre o assunto e não pode ter nenhum". Inevitavelmente, a crença de que a opinião pública tinha o direito de decidir sobre questões culturais em vez de apelar ao tribunal fez com que o público também passasse a ter uma opinião sobre questões políticas.

02

Antigo Regime

Crise financeira

A causa mais forte de Revolução foi econômica, já que as causas sociais, como de costume, não conseguem ser ouvidas por si sós. Os historiadores sugerem o ano de 1789 como o início da Revolução Francesa. Mas esta, por uma das "ironias" da história, começou dois anos antes, com uma reação dos notáveis franceses — clérigos e nobres — contra o absolutismo, tendo sido inspirada em ideias iluministas, e se pretendia reformar e para isso buscava limitar seus privilégios. Luís XVI convocou a nobreza e o clero para contribuírem no pagamento de impostos, na altamente aristocrática Assembleia dos Notáveis (1787). No meio do caos econômico e do descontentamento geral, Luís XVI não conseguiu promover reformas tributárias, impedido pela nobreza e pelo clero, que não "queriam dar os anéis para salvar os dedos". Não percebendo que seus privilégios dependiam do Absolutismo, os notáveis pediram ajuda à burguesia para lutar contra o poder real — era a Revolta da Aristocracia ou dos Notáveis (1787–1789). Eles iniciaram a revolta ao exigir a convocação dos Estados Gerais para votar o projeto de reformas.

Assembleia dos Estados Gerais de 1789

A sociedade francesa da segunda metade do século XVIII possuía dois grupos muito privilegiados: o Clero ou Primeiro Estado, composto pelo Alto Clero, que representava 0,5% da população francesa, era identificado com a nobreza e negava reformas, e pelo Baixo Clero, identificado com o povo, e que as reclamava; a Nobreza, ou Segundo Estado, composta por uma camada palaciana ou cortesã, que sobrevivia à custa do Estado, por uma camada provincial, que se mantinha com as rendas dos feudos, e uma camada chamada Nobreza Togada, em que alguns juízes e altos funcionários burgueses adquiriram os seus títulos e cargos, transmissíveis aos herdeiros. Aproximava-se de 1,5% dos habitantes. Esses dois grupos (ou Estados) oprimiam e exploravam o Terceiro Estado, constituído por burgueses, camponeses sem terra e os "sans-culottes", uma camada heterogênea composta por artesãos, aprendizes e proletários, que tinham este nome graças às calças simples que usavam, diferentes dos tecidos caros utilizados pelos nobres. Os impostos e contribuições para o Estado, o clero e a nobreza incidiam sobre o Terceiro Estado, uma vez que os dois últimos não só tinham isenção tributária como ainda usufruíam do tesouro real por meio de pensões e cargos públicos.

Assembleia Nacional (1789)

A classe média foi a única que abriu as chamas da revolução. Eles estabeleceram a Assembleia Nacional e tentaram pressionar a aristocracia a espalhar seu dinheiro uniformemente entre as classes superior, média e baixa. Em 10 de junho de 1789, Emmanuel Joseph Sieyès disse que o Terceiro Estado, agora reunido como comunas, deveria verificar seus próprios poderes e convidar os outros dois estados a participar, mas não esperar por eles. Eles passaram a fazê-lo dois dias depois, completando o processo em 17 de junho. Então eles votaram uma medida muito mais radical, declarando-se a Assembleia Nacional, uma assembleia não dos Estados, mas "do povo". Eles convidaram as outras ordens para se juntarem a eles, mas deixaram claro que pretendiam conduzir os assuntos da nação com ou sem elas.

03

Monarquia Constitucional

Queda da Bastilha

Após a Assembleia Nacional, o rei demitiu o ministro Jacques Necker, conhecido por suas posições reformistas. Em razão disso, a população de Paris se mobilizou e tomou as ruas da cidade. Os ânimos mais exaltados conclamavam todos a tomar as armas. O rei decidiu reagir fechando a Assembleia, mas foi impedido por uma sublevação popular em Paris, reproduzida a seguir em outras cidades e no campo. O Conde de Artois (futuro Carlos X) e outros dirigentes reacionários, defrontados a tais ameaças, fugiram do país, transformando-se no grupo dos émigrés. A burguesia parisiense, temendo que a população da cidade aproveitasse a queda do antigo sistema de governo para recorrer à ação direta, apressou-se a estabelecer um governo provisório local, a Comuna. Este governo popular, em 13 de julho, organizou a Guarda Nacional, uma milícia burguesa para resistir tanto a um possível retorno do rei, quanto a uma eventual mais violenta da população civil, cujo comando coube ao deputado da Assembleia e herói da independência dos Estados Unidos, Marie Joseph Motier, o Marquês de La Fayette. A bandeira dos Bourbons foi substituída por uma de cores vermelha, azul e branca, que passou a ser a bandeira nacional. E, em toda a França, foram constituídas unidades da milícia e governos provisórios.

Assembleia Nacional Constituinte

O período da Assembleia Constituinte decorre de 9 de julho de 1789 a 30 de setembro de 1791. As primeiras ações dos revolucionários deram-se quando, em 17 de junho, a reunião do Terceiro Estado se proclamou "Assembleia Nacional" e, pouco depois, "Assembleia Nacional Constituinte". Em 12 de julho, começam os motins em Paris, culminando em 14 de julho com a tomada da prisão da Bastilha, símbolo do poder real e depósito de armas. Sob proposta de dois aristocratas, o visconde de Noailles e do duque de Aiguillon, a Assembleia suprime todos os privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais. Pouco depois, aprovava-se a solene "Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão", contudo a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, não foi aprovada pela mesma Assembleia e a idealizadora, Olympe de Gouges, foi executada.

Assembleia Legislativa

Em 1791, iniciou-se a fase denominada Monarquia Constitucional. Nas eleições de outubro de 1791, as cadeiras da Assembleia Legislativa foram ocupadas predominantemente por elementos da burguesia. A Assembleia Legislativa, que iniciou suas sessões em 1 de outubro, era formada por 750 membros, sem experiência política. Embora a burguesia tivesse de enfrentar, dentro da Assembleia, a oposição da aristocracia, cujos deputados ocupavam o lado direito de quem entrava no recinto de reuniões, e também dos democratas, que ocupavam o lado esquerdo, as maiores dificuldades estavam fora da Assembleia. À extrema-direita, o rei e a aristocracia se recusavam a aceitar qualquer compromisso.

Queda da Monarquia

Os emigrados buscavam apoio externo para restaurar o Estado absoluto. As vizinhas potências absolutistas apoiavam esses movimentos, pois temiam a irradiação das ideias revolucionárias francesas para seus países. Os emigrados e as monarquias absolutistas formaram uma aliança destinada a restaurar, na França, os poderes absolutos de Luís XVI. Alegando a necessidade de se restaurar a dignidade real da França, na Declaração de Pillnitz (1791) esses países ameaçaram a França de uma intervenção. Em 1792, a Assembleia Legislativa aprovou uma declaração de guerra contra a Áustria. É interessante salientar que a burguesia e a aristocracia queriam a guerra por motivos diferentes. Enquanto para a burguesia a guerra seria breve e vitoriosa, para o rei e a aristocracia seria a esperança de retorno ao velho regime. Palavras de Luís XVI: "Em lugar de uma guerra civil, esta será uma guerra política" e da rainha Maria Antonieta: "Os imbecis [referia-se à burguesia]! Não veem que nos servem". Portanto, o rei e a aristocracia não vacilaram em trair a França revolucionária. Diante da aproximação dos exércitos coligados estrangeiros, formaram-se por toda a França batalhões de voluntários. Luís XVI e Maria Antonieta foram presos, acusados de traição ao país por colaborarem com os invasores.

04

Primeira República

Convenção (1792–1795)

Após o término das deliberações da Assembleia Constituinte em 1791, a burguesia passou a uma posição conservadora, por entender que as principais mudanças já haviam sido implementadas na sociedade francesa. A situação do povo mais pobre, porém, pouco tinha mudado. Os camponeses continuavam sem terra e nas cidades a situação tornava-se cada vez mais desesperadora. Em agosto de 1792, uma intensa mobilização popular destronou o rei, e depois de elaborar a Carta Magna francesa, a Assembleia Nacional Constituinte dissolveu-se. A Assembleia Legislativa substituiu a Constituinte. Havia ameaça de intervenção externa, crise econômica e inflação. Em abril de 1792, há a declaração de guerra à Áustria e à Prússia; exércitos inimigos chegam a ameaçar a cidade de Paris; a ala radical proclama a "pátria em perigo" e distribui armas à população parisiense. A Comuna de Paris assume o poder e exige, da Assembleia, o afastamento do rei. Em 10 de agosto de 1792, parisienses atacam o palácio real, detêm o soberano e exigem que o Legislativo suspenda-o de suas funções. Esvaziada de seu poder, a Assembleia convoca a eleição de uma Convenção Nacional. A revolução entrou numa fase radical. As primeiras medidas tomadas pela Convenção foram a Proclamação da República e a promulgação de uma nova Constituição (21 de setembro de 1792). Eleita sem a divisão dos eleitores em passivos e ativos, a alta burguesia monarquista foi derrotada. A Convenção contava com o predomínio dos representantes da burguesia.

República Jacobina

Os jacobinos, com apoio dos sans-culottes e da Comuna de Paris (designação que foi dada ao novo governo local da cidade), assumiram o poder no momento crítico da Revolução. A Convenção reconheceu a existência do Ser Supremo e da imortalidade da alma. A virtude seria o elemento essencial da República. Em 21 de janeiro de 1793, Luís XVI foi executado na guilhotina na praça da Revolução. Vários países europeus, como a Áustria, Prússia, Holanda, Espanha e Inglaterra, indignados e temendo que o exemplo francês se refletisse em seus territórios, formaram a Primeira Coligação contra a França. Encabeçando a Coligação, a Inglaterra financiava os grandes exércitos continentais para conter a ascensão burguesa da França, seu potencial concorrente nos negócios europeus.

Reino do Terror

Quando, em julho, Marat foi assassinado pela jovem Charlotte Corday, os ânimos se exaltaram. Considerado excessivamente moderado, Danton foi substituído por Robespierre e expulso do partido. O Comitê de Salvação Pública, liderado por Robespierre, assumiu plenos poderes. Tinha início o Grande Terror, Terror Jacobino ou, simplesmente, Terror. Milhares de pessoas — a ex-rainha Maria Antonieta, o químico Antoine Lavoisier (considerado o criador da Química moderna), aristocratas, clérigos, girondinos, especuladores, inimigos reais ou presumidos da revolução — foram detidas, julgadas sumariamente e guilhotinadas. Os túmulos reais da realeza francesa e altos dignitários foram profanados. Os direitos individuais foram suspensos e, diariamente, realizavam-se, sob aplausos populares, execuções públicas e em massa. O líder jacobino Robespierre, sancionando as execuções sumárias, anunciara que a França não necessitava de juízes, mas de mais guilhotinas. De acordo com Robespierre, isso se deveria a uma necessidade (ou uma circunstância) que exigiria do governo revolucionário uma postura mais ativa e que fosse mais livre em seus movimentos, defendendo que "por que estamos acostumados a ver os delitos dos quais somos testemunhas julgados segunda as regras uniformes, somos naturalmente levados a crer que em nenhuma circunstância as nações podem, com equidade, fazer mal a um homem que violou seus direitos; e onde não vemos um jurado, um tribunal, um processo, não encontramos justiça" em seu discurso sobre o julgamento de Luís XVI. O resultado foi a condenação à morte de 35 mil a 40 mil pessoas. A revolta camponesa da Vendeia foi esmagada. O exército francês começou a ganhar terreno nos campos de batalha em 1794 e a coalizão antifrancesa foi derrotada.

Diretório (1795–1799)

O Diretório (1794–1799) foi uma fase conservadora, marcada pelo retorno da Alta Burguesia ao poder e pelo aumento do prestígio do Exército apoiado nas vitórias obtidas nas Campanhas externas. Uma nova constituição entregou o Poder Executivo ao Diretório, uma comissão constituída de cinco diretores eleitos por cinco anos. Esta carta previa o direito de voto masculino aos alfabetizados. O poder legislativo era exercido por duas câmaras, o Conselho dos Anciãos e o Conselho dos Quinhentos. Era a república dos proprietários, que enfrentavam uma grave crise financeira. Registra-se uma oposição interna ao governo devido à crise econômica e à anulação das conquistas sociais jacobinas. Tentativas de golpe à direita (monarquistas ou realistas) e à esquerda (jacobinos) ocorreram neste período. As ações contra o novo governo se sucediam. Em 1795, um golpe realista foi abortado em Paris. Aproveitando o descontentamento dos sans-culottes, os remanescentes jacobinos tentaram organizar em 1796 a chamada Conjuração ou Conspiração dos Iguais, liderada por François Noël Babeuf (mais conhecido como Graco Babeuf).

05

Impacto

O sociólogo do século XX Raymond Aron (1905–1983) escreve, em O ópio dos intelectuais, o seguinte, a propósito da revolução francesa, comparando-a com a evolução da Inglaterra: A passagem do Ancien Régime para a sociedade moderna é consumada na França com uma ruptura e uma brutalidade únicas. Do outro lado do Canal da Mancha, na Inglaterra, o regime constitucional foi instaurado progressivamente, as instituições representativas advêm do parlamento, cujas origens remontam aos costumes medievais. No século XVIII e XIX, a legitimidade democrática se substitui à legitimidade monárquica sem a eliminar totalmente, a igualdade dos cidadãos apagou pouco a pouco a distinção dos "Estados" (Nobreza, clero e povo). As ideias que a revolução francesa lança em tempestade através da Europa: soberania do povo, exercício da autoridade conforme a regras, assembleias eleitas e soberanas, supressão de diferenças de estatutos pessoais, foram realizadas em Inglaterra, por vezes mais cedo do que em França, sem que o povo, em sobressalto de Prometeu, sacudisse as suas correntes. A "democratização" foi ali (em Inglaterra) a obra de partidos rivais. (…) O Ancien Régime desmoronou-se (na França) a um só golpe, quase sem defesa. E a França precisou de um século para encontrar outro regime que fosse aceito pela grande maioria da nação.

Reino Unido

Entre os britânicos que acolheram (inicialmente) a Revolução Francesa como um acontecimento positivo conta-se Dugald Stewart. Stewart seguiu os acontecimentos em Paris nesse verão dramático de 1789. Ele acreditava nos princípios pelos quais a revolução se batia. Sentiu-se repelido quando leu os comentários de Edmund Burke no seu "Reflections on the Revolution in France". Burke previu acertadamente que a Revolução Francesa acabaria na perdição, terror, morte e ditadura. Um aluno de Stewart, James Mackintosh, escreveu em resposta uma apaixonada defesa da causa francesa. Nos anos seguintes, Stewart defendeu ainda a Revolução, apesar de o terror e o caos serem evidentes. Em novembro de 1791, Dugald Stewart escreve a um amigo: "As pequenas desordens que podem ocorrer num país onde as coisas em geral correm tão bem são de menor importância".

Guerras Revolucionárias e Napoleônicas

De 1793 a 1815, a França se dedicou quase que continuamente (com duas breves pausas) em guerras com a Grã-Bretanha e uma mudança de coalizão de outras grandes potências. Os muitos sucessos franceses levaram à disseminação dos ideais revolucionários franceses para países vizinhos e em grande parte da Europa. No entanto, a derrota final de Napoleão em 1814 (e 1815) trouxe uma reação que reverteu algumas, mas não todas, as conquistas revolucionárias na França e na Europa. Os Bourbons foram restaurados ao trono, com o irmão do rei Luís XVI executado se tornando o rei Luís XVIII. A política do período inevitavelmente levou a França a uma guerra com a Áustria e seus aliados. O rei, muitos feuillants e girondinos queriam fazer guerra. O rei (e muitos feuillants) esperava que a guerra aumentasse sua popularidade pessoal; ele também previu uma oportunidade de explorar qualquer derrota: qualquer resultado o tornaria mais forte. Os girondinos queriam exportar a revolução em toda a Europa e, por extensão, defender a revolução na França. As forças que se opuseram à guerra eram muito mais fracas. Barnave e seus apoiantes entre os feuillants temiam uma guerra que achavam que a França tinha poucas chances de vencer e que eles temiam que poderia levar a uma maior radicalização da revolução. No outro lado do espectro político, Robespierre opôs-se a uma guerra por dois motivos, temendo que fortalecesse a monarquia e as forças armadas às custas da revolução e que incorreria na ira das pessoas comuns na Áustria e em outros lugares. O imperador austríaco Leopoldo II, irmão de Maria Antonieta, desejava evitar a guerra, mas morreu em 1 de março de 1792. A França declarou a guerra de preferência à Áustria (20 de abril de 1792) e a Prússia juntou-se no lado austríaco algumas semanas depois. O exército prussiano invasor enfrentou pouca resistência até a Batalha de Valmy, em 20 de setembro de 1792, quando foi forçado a recuar.

06

Cultura política e politização da vida privada

Durante a Revolução Francesa, a separação entre vida pública e vida privada começou a diminuir. Aos poucos, as ideias revolucionárias passaram a influenciar as relações familiares, as amizades e os hábitos do cotidiano. Os cidadãos eram incentivados a demonstrar apoio aos princípios da Revolução, fazendo com que até a vida dentro de casa fosse marcada pela política e pelo patriotismo. Assim, atitudes simples do dia a dia podiam ser vistas como sinais de apoio ou oposição ao movimento revolucionário. A Revolução Francesa também mudou a forma como as pessoas se vestiam e se apresentavam. A aparência passou a ter um significado político, já que roupas, acessórios e penteados podiam demonstrar apoio ou rejeição à Revolução. Itens ligados à nobreza, como roupas luxuosas e adornos exagerados, passaram a ser rejeitados porque lembravam os privilégios do Antigo Regime. Em seu lugar, ganharam espaço roupas mais simples, associadas à ideia de igualdade entre os cidadãos. Essas mudanças faziam parte da tentativa de criar uma nova identidade social e política.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando