Pesquisa · Mapa mental

Revisão por pares

Nos meios acadêmicos, a revisão por pares ou revisão paritária, também conhecida como arbitragem, é um processo de avaliação utilizado na publicação de artigos e na seleção de projetos para concessão de recursos para pesquisas. Consiste em submeter o trabalho científico ao escrutínio de um ou mais especialistas que tenham um grande conhecimento na área que em questão, os "pares" ("iguais") do autor, que não têm envolvimento com a pesquisa avaliada e na maioria das vezes se mantêm anônimos. O objetivo da revisão é corrigir erros, apontar caminhos de melhoria, fortalecer o processo de construção de um conhecimento sólido e confiável e exercer um controle de qualidade sobre o material que é publicado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
01

História

Imagem: Prosa · BY · Openverse

As primeiras tentativas de legitimar a produção literária através da aprovação de outros especialistas parecem datar da Grécia Antiga. O processo de revisão por pares foi descrito pela primeira vez pelo médico sírio Ishaq bin Ali al-Rahwi, que viveu de 854 a 931 d.C., em seu livro Ética do Médico, no qual estabeleceu a regra de que os médicos tomassem notas sobre o estado de saúde de seus pacientes e os tratamentos aplicados. As notas depois seriam analisadas por um conselho composto por outros médicos para determinar se o médico havia cumprido os padrões exigidos. Se não houvesse, o médico poderia ser processado pelo paciente. Porém, levaria muito tempo para que este princípio se generalizasse. Depois da invenção da imprensa no século XV, a ampla circulação de documentos evidenciou a importância de se regular a qualidade do material escrito que se tornava público, quando a revisão por pares começou a ser mais aceita. Em 1620, Francis Bacon publicou seu Novum Organum, onde descreveu o primeiro método universal para produção e avaliação de novas descobertas científicas, uma contribuição fundamental para a articulação do método científico moderno.

02

O processo

O processo de revisão por pares começa quando um cientista conclui uma pesquisa e redige um artigo que descreve seus objetivos, sua justificativa, os métodos e técnicas usados na coleta de dados e na testagem das hipóteses, faz uma análise dos resultados obtidos nos testes e experimentos, discute como a pesquisa se posiciona em relação ao estado da arte e como pode contribuir para seu campo, e relata o que pôde concluir a partir dos resultados obtidos. O autor então submete este artigo, nesta etapa geralmente chamado de "manuscrito", a um periódico especializado, quando o editor ou editores fazem uma avaliação preliminar a fim de decidir se o trabalho se encaixa na linha editorial do periódico e se atende a requisitos básicos. Se o trabalho é aprovado, então é remetido para um ou mais revisores procederem a uma revisão formal. Os revisores ou pareceristas são membros reconhecidos e renomados da comunidade científica que possuem uma alta qualificação no campo em análise. Os revisores não podem ter nenhum envolvimento com a pesquisa que vão avaliar, um requisito necessário para que não haja conflito de interesses e sejam garantidas a independência e a imparcialidade. Sua função é julgar a consistência da base teórica e da metodologia empregada, a relevância e originalidade da pesquisa, a precisão e pertinência da discussão dos resultados e das conclusões, e seu potencial de contribuição para o avanço do campo. Se o artigo lhes parecer deficiente em algum aspecto, sugerem formas de aperfeiçoamento, e se encontram erros ou outros problemas, apontam ao autor o que deve ser corrigido, tanto em seu conteúdo técnico como em sua forma de apresentação, incluindo organização do texto e das ilustrações e o estilo de escrita.

03

Críticas e desafios

Como qualquer processo humano de avaliação, a revisão por pares não é perfeita e necessariamente está sujeita a falhas. São feitas críticas em geral a problemas de subjetividade, consistência, competência, conflitos de interesse e excessiva demora nas respostas. São frequentes as críticas de que as revisões não são suficientemente claras ou detalhadas. Também alega-se que a revisão sufoca a inovação na pesquisa e recompensa projetos mais familiares e seguros. Alguns estudos indicaram que mulheres e minorias sub-representadas têm maior probabilidade de receber pareceres desfavoráveis. O modelo simples-cego, quando a identidade do autor é pública, é criticado por abrir espaço para que eventuais preferências e preconceitos pessoais dos revisores prejudiquem autores e instituições menos prestigiados e menos conhecidos, ou de países em desenvolvimento. O modelo duplo-cego às vezes é criticado porque o anonimato duplo impede a troca de informações que podem ser importantes para contextualizar bem a pesquisa e detectar fraudes e plágio. Estatisticamente, a avaliação anônima produz mais respostas desnecessariamente duras ou desrespeitosas do que a avaliação aberta, mas é reconhecido que o anonimato é importante para a garantir a imparcialidade e independência da análise.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando