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Região Metropolitana do Rio de Janeiro

Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), também conhecida como Grande Rio, foi instituída pela Lei Complementar nº20, de 1 de julho de 1974, que também determinou a fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, ocorrida em 15 de março do ano seguinte. Trata-se de um recorte político-espacial cujos limites legais se aproximam dos limites práticos da área pela qual a metrópole do Rio de Janeiro se expandiu ao longo do século XX, tendo como objetivo viabilizar a gestão dessa metrópole. A metrópole do Rio (IBGE) é composta pelos 23 municípios que são significativamente integrados entre si e são polarizados pelo núcleo metropolitano, no município do Rio de Janeiro. Os municípios da periferia metropolitana, localizados no entorno do município-núcleo, possuem uma relação de dependência socioeconômica mútua com a capital fluminense equivalente àquela que há entre os bairros do município do Rio de Janeiro e o centro da cidade, o que gerou, ao longo das décadas, alta integração populacional e espraiamento urbano em toda a área da aglomeração metropolitana. Os municípios que formam a metrópole carioca física e funcionalmente são o Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Paracambi, Seropédica, Itaguaí, Magé, Guapimirim, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu, Mangaratiba e Saquarema - este último município nunca fez parte legalmente da RMRJ.. A área da aglomeração metropolitana do Rio é abordada neste artigo, em grande parte das vezes, excetuando-se as suas porções correspondentes ao território de Mangaratiba e aos territórios de Rio Bonito e Cachoeiras de Macacu.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Metrópoles no Brasil

Atualmente, as metrópoles brasileiras são os 15 principais centros urbanos do País. Esses centros se distinguem dos demais por terem grande porte, extrema importância econômica e projeção nacional, além de manterem fortes relacionamentos entre si e, geralmente, possuírem extensas áreas de influência direta. As metrópoles se originam numa cidade central que se expande para as áreas periféricas, quase sempre avançando para municípios localizados no entorno do município-núcleo, resultando em grandes áreas conurbadas (ou em processo de conurbação) nos municípios pelos quais a cidade central se expandiu. Uma metrópole formada por vários municípios tem, como uma das suas principais características, o grande fluxo de movimentos pendulares diários entre esses municípios, em direção ao núcleo da metrópole e a outras centralidades distribuídas pela área metropolitana. A metrópole do Rio de Janeiro, a segunda mais populosa do Brasil, se formou por esse processo: Ao longo de décadas, a cidade do Rio de Janeiro - a cidade central - se expandiu, a partir do centro da capital, para as áreas ao seu redor, dentro e fora dos seus limites administrativos, abrangendo uma área que hoje engloba 23 municípios. Essa área, como resultado da expansão urbana, passou a ter um grande porte populacional, e, hoje, todos os municípios que integram essa aglomeração possuem características metropolitanas, como forte integração populacional entre si, e média ou alta densidade demográfica pela expansão urbana do núcleo em direção às periferias, formando, desse modo, a metrópole do Rio de Janeiro.

Identificação da área da metrópole do Rio de Janeiro

No estudo Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil, o IBGE identificou a área da metrópole do Rio de Janeiro (e de muitos outros centros urbanos do Brasil) com base na noção de integração entre os municípios que formam uma única aglomeração urbana - neste caso, a área que abrange o arranjo populacional (e concentração urbana) do Rio de Janeiro e os municípios periféricos consideravelmente integrados a esse arranjo -, identificando esses municípios por três critérios de integração: intensidade relativa de movimentos pendulares a trabalho ou estudo muito alta, mensurada por um índice de integração para cada município que deve ser igual ou superior a 0,17; intensidade absoluta de movimentos pendulares a trabalho ou estudo muito alta, mensurada por um número absoluto de pessoas que se deslocam entre dois municípios, que deve ser igual ou superior a 10.000; ou contiguidade de manchas urbanas, quando a distância entre as manchas urbanas principais de dois municípios é de até 3 km. Na etapa da verificação município a município, foram identificados os municípios que apresentam intensidades de deslocamentos pendulares para trabalho ou estudo muito altas (com índice de integração igual ou superior a 0,17 ou número absoluto de deslocamentos igual ou superior a 10.000 pessoas). Atendidos os critérios, os municípios foram agrupados no arranjo populacional do Rio de Janeiro - nesta etapa, entraram para o arranjo, além do município do Rio de Janeiro (núcleo do arranjo), os seguintes municípios: Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Seropédica, Itaguaí, Magé, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Após a etapa da comparação município a município, iniciou-se a etapa da comparação município a arranjo, na qual se entende que um município pode não ter um fluxo muito alto (índice de integração igual ou superior a 0,17 ou número absoluto de deslocamentos igual ou superior a 10.000 pessoas) a trabalho e estudo para apenas um município específico, mas pode apresentar esse fluxo para o conjunto de municípios agrupados no arranjo na etapa anterior. Assim, nesta etapa, os fluxos entre os municípios foram calculados novamente, porém aqueles municípios que já integravam o arranjo foram considerados uma única unidade - nesta etapa, entraram para o arranjo do Rio de Janeiro os municípios de Mangaratiba, Paracambi, Guapimirim, Maricá e Tanguá (pelo critério da contiguidade de manchas urbanas, os municípios de Mangaratiba, Maricá e Tanguá entraram para o arranjo na etapa anterior, da comparação município a município). A calibração foi a etapa na qual a identificação da composição do arranjo populacional já está praticamente concluída, o que condiciona a possível identificação de mais algum município que, por alguma razão especial, também faça parte do arranjo. Saquarema entrou para o arranjo nessa etapa, pois, apesar de apresentar um índice de integração e um número absoluto de pessoas que fazem deslocamentos pendulares para o arranjo populacional do Rio de Janeiro baixos (intensidade média-baixa), possui contiguidade de manchas urbanas tanto com o arranjo populacional do Rio de Janeiro como com o arranjo populacional de Araruama. Como apresenta maior intensidade absoluta de deslocamentos pendulares com o arranjo do Rio de Janeiro (3.300 pessoas) do que com o arranjo de Araruama (1.832 pessoas), o município de Saquarema foi concebido como integrante do arranjo do Rio de Janeiro. Concluídas as etapas anteriores, o arranjo do Rio de Janeiro foi complementado com a identificação dos municípios que possuem índices de integração com o arranjo um pouco mais baixos, porém ainda significativos. Esses municípios foram classificados em outras duas classes de intensidade relativa dos deslocamentos pendulares: média-alta (igual ou superior a 0,102 e inferior a 0,136) e alta (igual ou superior a 0,136 e inferior a 0,17). Nesta etapa, foram finalmente identificados como integrantes do Arranjo Populacional Expandido do Rio de Janeiro (ou seja, da metrópole do Rio) os municípios de Rio Bonito e Cachoeiras de Macacu, que possuem intensidades relativas de deslocamentos pendulares com o arranjo populacional do Rio de Janeiro, respectivamente, alta e média-alta, não formam arranjos populacionais com outros municípios de fora do arranjo do Rio de Janeiro, e não constituem concentrações urbanas próprias, distintas da concentração urbana do Rio de Janeiro. A área que abrange esses 23 municípios possui cerca de 7.700 km² e aproximadamente 12 milhões de habitantes.

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Limites práticos, legislações e dados

O recorte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que abrange 21 municípios, conforme a legislação de 2013, é o que mais se aproxima da área pela qual a metrópole do Rio se expandiu de fato (área que também inclui os municípios de Mangaratiba e Saquarema), e foi com esse recorte que a RMRJ foi mapeada e teve o seu primeiro Plano Metropolitano desde a sua instituição: o PEDUI-RMRJ. Entretanto, neste artigo, para fins descritivos, a Região Metropolitana é tratada, algumas vezes, com a área que engloba apenas os 19 municípios que compunham o seu recorte oficial que esteve em vigor até o ano de 2013 - Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói, Belford Roxo, São João de Meriti, Magé, Itaboraí, Mesquita, Nilópolis, Maricá, Queimados, Itaguaí, Japeri, Seropédica, Guapimirim, Paracambi e Tanguá, - uma vez que alguns dados referentes aos municípios de Rio Bonito e Cachoeiras de Macacu não constavam em vários levantamentos dos censos demográficos até o ano de 2010.

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História e composição político-administrativa da RMRJ

Quando foi instituída, em 1974, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro era composta por 14 municípios: Rio de Janeiro, Niterói, Duque de Caxias, Itaboraí, Itaguaí, Magé, Mangaratiba, Maricá, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Petrópolis (incluindo São José do Vale do Rio Preto, então distrito do município de Petrópolis), São Gonçalo e São João de Meriti. Durante a década de 1990, distritos de alguns desses municípios foram emancipados, e os novos municípios resultantes desses desmembramentos continuaram fazendo parte da RMRJ. São eles: Belford Roxo, Queimados (ambos emancipados de Nova Iguaçu em 1990), Guapimirim (emancipado de Magé em 1990), Japeri (emancipado de Nova Iguaçu em 1991), Seropédica (desmembrado de Itaguaí em 1995), Tanguá (emancipado de Itaboraí em 1995) e Mesquita (que se emancipou de Nova Iguaçu em 1999). Os limites da Região Metropolitana, que inicialmente abrangiam a capital, os 13 municípios da Baixada Fluminense e 5 dos 7 municípios do Leste Metropolitano, além de Petrópolis e Mangaratiba, também sofreram alterações a partir do início da década de 1990, com a exclusão dos municípios de Petrópolis - e São José do Vale do Rio Preto - (em setembro de 1990), Maricá (em outubro de 2001), Itaguaí e Mangaratiba (ambos em julho de 2002). Itaguaí e Maricá, contudo, foram reintegrados à Região Metropolitana, respectivamente, em outubro e dezembro de 2009. No entanto, nessa mesma época, manteve-se o entendimento de que o município de Mangaratiba não pertence à RMRJ, mas à Região da Costa Verde (Litoral Sul), e a cidade permaneceu oficialmente fora do Grande Rio - do ponto de vista geoeconômico, Mangaratiba já não fazia mais parte da Região Metropolitana desde 1996. Com Itaguaí e Maricá, a RMRJ passou a ser composta por 19 municípios.

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Outras composições oficiais da Região Metropolitana

Composição na divisão geoeconômica do Estado do RJ

Enquanto a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, na sua concepção político-administrativa (abordada acima), tem sofrido várias alterações em seus limites ao longo dos anos, na sua concepção geoeconômica, ela é muito mais estável, tendo se mantido com os mesmos limites desde 1996. Nessa concepção, a RM é, oficialmente, formada por 18 municípios localizados ao redor da capital fluminense: Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá (todos esses municípios integram a RMRJ - na divisão político-administrativa do estado - desde 1974; alguns como entes municipais, outros como distritos desses entes posteriormente emancipados). Embora o município do Rio de Janeiro faça parte da área metropolitana, já que é onde está o núcleo metropolitano, ele é tratado separadamente em questões concernentes à divisão geoeconômica do Estado do RJ.

Composição no Plano Diretor de Transporte Urbano

Além da comoposição da Região Metropolitana do Rio de Janeiro definida para fins político-administrativos no ano de 1974, formada atualmente por 22 municípios, e da sua composição de caráter geoeconômico, formada por 18 municípios, há ainda a composição da RMRJ feita para se especificar a área beneficiada pelo Bilhete Único RJ, estabelecida por lei em 2009 e que abrange 20 municípios: Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá. No Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que teve início em 2002, a RMRJ é concebida com essa composição, formada por 20 municípios - em 2002, todas as emancipações municipais da Região Metropolitana já haviam acontecido.

Composição na divisão do Estado do RJ em regiões de saúde

Na divisão do Estado do Rio de Janeiro em regiões de saúde, as porções oeste e leste da RM são separadas uma da outra e consideradas duas regiões distintas: a Região Metropolitana I e a Região Metropolitana II. A Região Metropolitana I é composta pelos municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Seropédica e Itaguaí, tendo o município do Rio de Janeiro como pólo regional. A Região Metropolitana II é composta pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim, tendo o município de Niterói como pólo regional.

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Regiões estatísticas

Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro

As mesorregiões são áreas geográficas individualizadas dentro de um estado brasileiro, cada uma agrupando municípios com características em comum. O IBGE identificou e delimitou essas áreas analisando os fenômenos sociais, as circunstâncias naturais e a rede de articulação espacial próprios de cada uma delas. Assim, a Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro, como espaço delimitado com base nas suas peculiaridades nesses três aspectos, possui sua própria identidade regional. Nenhuma das delimitações da Região Metropolitana do Rio de Janeiro já feitas, seja por leis estaduais ou federais, é tão abrangente quanto a Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro, que engloba 30 municípios numa área de mais de 10.000 km². Além disso, esse recorte metropolitano inclui, numa só região, 22 dos municípios pelos quais a metrópole carioca se expandiu de fato. Dos 30 municípios que compõem a Mesorregião Metropolitana do Rio de Janeiro, 8 ficam na Serra Fluminense, e 22 estão na área da aglomeração metropolitana funcionalmente integrada, localizada na região de planície entre a serra e a costa marítima.

Região Geográfica Intermediária do Rio de Janeiro

A partir de 2017, o IBGE passou a adotar as regiões geográficas imediatas e as regiões geográficas intermediárias para fazer a divisão territorial do Brasil. As regiões geográficas imediatas são aquelas cujos moradores procuram centralidades próximas de casa para suprir suas necessidades imediatas, como emprego, saúde, educação, bens e serviços básicos. Já as regiões geográficas intermediárias são áreas maiores, formadas por duas ou mais regiões geográficas imediatas. Elas agrupam as regiões imediatas a partir de uma região que oferece serviços mais complexos, como serviços médicos especializados ou grandes universidades. Assim sendo, teoricamente, as regiões imediatas são aquelas do dia-a-dia das pessoas, dentro da qual elas se deslocam com frequência, pois normalmente encontram ali tudo o que atende às suas demandas do cotidiano; já as regiões intermediárias oferecem os serviços mais específicos, pelos quais as pessoas procuram de forma mais ocasional. A Região Geográfica Intermediária do Rio de Janeiro abrange 3 regiões imediatas - Rio de Janeiro, Rio Bonito e Angra dos Reis - e 26 municípios, dos quais apenas Paraty, Angra dos Reis e Silva Jardim estão fora da área da aglomeração metropolitana do Rio de Janeiro. Entre os municípios integrantes da Região Intermediária do Rio de Janeiro, estão os 23 municípios da metrópole. Na região intermediária, podem-se identificar, dentro do espaço da aglomeração metropolitana, os 20 municípios mais integrados entre si (todos os municípios da Região Imediata do Rio de Janeiro exceto Saquarema), e os 3 municípios exurbanos (Saquarema, na Região Imediata do Rio de Janeiro, e Rio Bonito e Cachoeiras de Macacu, na Região Imediata de Rio Bonito) que, apesar de também fazerem parte da aglomeração metropolitana por estarem fortemente vinculados a ela, apresentam níveis de integração com a metrópole um pouco mais baixos.

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Caracterização do processo de metropolização no Rio de Janeiro

A Lei Complementar que instituiu a RMRJ reconhece o espaço de caráter socioeconômico formado ao longo do processo de ocupação e metropolização desse território. Esse processo teve origem no início do século XX (quando o Rio de Janeiro já tinha o porte de um grande centro urbano), tendo se consolidado por volta de 1930. A partir da década de 1960, como resultado de um intenso processo de industrialização, o processo de metropolização se acelerou muito no Rio de Janeiro, tendo como efeitos, por exemplo, o grande aumento de riqueza econômica, da velocidade da expansão do tecido urbano, da integração do território do Grande Rio e da implementação de infraestrutura urbana na região - esse evento foi um marco na formação da aglomeração metropolitana do Rio de Janeiro. Na década de 1970, as obras da construção da Ponte Rio-Niterói foram concluídas e a Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi criada pela lei que também estabeleceu a fusão entre os antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Esses e outros acontecimentos contribuíram para que, já nas décadas de 1980 e 1990, o fenômeno metropolitano ocorresse em todo o atual território do Grande Rio, com a malha urbana do núcleo tendo alcançado os territórios dos 16 (atualmente, depois de várias emancipações, 23) municípios situados nessa área, e um grande fluxo de deslocamentos pendulares diários ocorrendo entre esses municípios, dando à metrópole carioca os limites que ela tem atualmente. Com essa área de abrangência consolidada, o tecido urbano do Rio de Janeiro continuou se expandindo por todo o território metropolitano durante as décadas seguintes.

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Integração entre os municípios da área metropolitana no entorno do núcleo

Discrepâncias entre os atuais limites legais da RMRJ e os limites da área de abrangência do fenômeno metropolitano

A área integrada resultante do processo de metropolização abordado acima é polarizada pelo centro da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com critérios que abordam a aglomeração metropolitana com base nas suas relações históricas e atuais com o núcleo, dos 22 municípios que hoje pertencem oficialmente à RMRJ, apenas Itaguaí, Seropédica, Paracambi, Japeri, Queimados, Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, Belford Roxo, São João de Meriti, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Maricá, Rio Bonito e Cachoeiras de Macacu (além de Mangaratiba, na Costa Verde, e Saquarema, na Região dos Lagos, municípios da aglomeração metropolitana do Rio de Janeiro que não fazem parte da composição legal da RMRJ) possuem forte integração entre si. Com exceção da capital, onde está localizado o núcleo metropolitano, cada um desses municípios tem uma parcela considerável da sua população - inserida no mercado de trabalho - trabalhando em outros municípios dessa aglomeração metropolitana (o que não ocorre com Petrópolis, município com baixo nível de integração com os demais municípios da RMRJ). Petrópolis é um município bem menos integrado ao núcleo, que sequer passou pelo processo de metropolização mencionado acima. Especialmente pelo obstáculo natural que representa a Serra do Mar, a área urbana de Petrópolis não é um resultado da expansão da mancha urbana da metrópole por nenhum de seus eixos, o município apresenta baixa intensidade de deslocamentos pendulares diários em direção à aglomeração metropolitana do Rio, e não há linhas urbanas de ônibus ou de qualquer outro meio de transporte coletivo partindo de Petrópolis com destino à Zona Central do Rio de Janeiro. Por essa razão, o município de Petrópolis não é tido como parte da metrópole em abordagens técnicas, além de ainda ser classificado, em várias divisões oficiais, como pertencente à Região Serrana (uma das 8 regiões de governo do Estado do RJ, distinta da Região Metropolitana). A recente inclusão de Petrópolis na Região Metropolitana é meramente legal, e não corresponde, na prática, à área de expansão metropolitana. Petrópolis se junta a outros municípios da área perimetropolitana em condições semelhantes. A presença da Serra do Mar em quase todo o entorno do Grande Rio fez com que a expansão urbana da metrópole e o processo de metropolização como um todo ocorresse apenas na área de planície nos arredores da Baía de Guanabara, fenômeno que termina nos extremos dos municípios de Mangaratiba, Itaguaí, Paracambi, Japeri, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Cachoeiras de Macacu e Rio Bonito (Rio Bonito não é cercado pela Serra do Mar, mas o processo de metropolização não se expande para além desse município por outros motivos). Assim sendo, não são alcançados pelo processo de expansão da metrópole os municípios perimetropolitanos de Rio Claro, Piraí, Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin, Miguel Pereira, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo (municípios localizados na Serra do Mar), além de Angra dos Reis (média concentração urbana fisicamente apartada do tecido urbano do Grande Rio) e Silva Jardim (município rural fisicamente separado da malha urbana da metrópole).

Centralidades da metrópole - em diferentes níveis - fora do núcleo

Na periferia da Região do Grande Rio, localizada no entorno da porção da capital que inclui a Zona Central, a Zona Sul, a Grande Tijuca e as imediações de São Cristóvão, e corresponde ao núcleo metropolitano, há várias centralidades menores com diferentes níveis de atratividade de trabalhadores que moram nos municípios da área metropolitana. Essas centralidades podem ter alcance local, regional ou, no caso de Campo Grande e Barra da Tijuca, metropolitano. A lista a seguir enumera algumas dessas centralidades.

Pendularidade em números

De acordo com o estudo Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil, conduzido pelo IBGE, um arranjo populacional é uma área que abrange um conjunto de municípios limítrofes entre os quais há uma forte integração populacional, devido a um intenso fluxo diário de deslocamentos pendulares de pessoas a trabalho ou estudo entre esses municípios, ou à contiguidade das suas manchas urbanas. Esses arranjos não correspondem exclusivamente a regiões metropolitanas ou a grandes concentrações urbanas, mas a qualquer agrupamento de municípios que apresentem um alto nível de integração entre si. O Arranjo Populacional do Rio de Janeiro, especificamente, constitui uma grande concentração urbana segundo o estudo.

Natureza econômica da integração entre os municípios e da expansão urbana

A expansão urbana ocorrida ao longo do século XX pelos vetores de crescimento da área metropolitana a partir do centro da cidade do Rio de Janeiro teve um caráter econômico, pois se deveu, em grande parte, ao poder da metrópole do Rio de Janeiro de atrair trabalhadores, que passaram a morar em locais suficientemente próximos ao centro do Rio para que fossem possíveis os deslocamentos diários casa-trabalho, e à forte dependência econômica que a população de toda a região teve (e tem) do centro da capital e de outras centralidades desse aglomerado metropolitano. Desse modo, a mancha urbana existente hoje no Grande Rio constitui uma área urbana de natureza metropolitana, resultante do fluxo intenso de trabalhadores dentro da área metropolitana em direção aos pólos econômicos distribuídos pelos municípios que compõem essa região, dos quais o principal é o centro da cidade do Rio. Por ter se formado principalmente em função da concentração da oferta de trabalho no núcleo metropolitano, a mancha urbana da área metropolitana do Rio não se confunde com outros tipos de mancha urbana, como, por exemplo, aquela que se encontra na maior parte da Região dos Lagos, composta, majoritariamente, por residências de veraneio; embora aquela malha urbana seja muito extensa, não há um volume significativo de deslocamentos pendulares entre os municípios daquela região. Ou seja, a alta integração que há entre os municípios da área metropolitana, que se apresenta pelo fluxo de trabalhadores que fazem movimentos pendulares e por outras relações econômicas entre esses municípios, normalmente não é encontrada entre municípios localizados em regiões cujas manchas urbanas são formadas, principalmente, por moradias de veraneio, e não por residências de trabalhadores com dependência econômica de um núcleo.

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Eixos de expansão urbana da área metropolitana a partir do núcleo

Ainda no que diz respeito à expansão urbana, bem como às consequentes conurbações que ocorreram dentro da área que compreende os atuais 23 municípios da aglomeração metropolitana do Rio de Janeiro, 4 eixos principais de ocupação urbana do Grande Rio se destacaram nesse processo ao longo dos anos: o que parte do núcleo em direção a Campo Grande, Santa Cruz e Itaguaí, definido pela BR-101 Sul; o que parte do núcleo em direção a Nova Iguaçu, Japeri e Paracambi, definido pela BR-116; o que parte do núcleo em direção a Duque de Caxias, Magé e Guapimirim, definido pela BR-040; o que parte do núcleo em direção a Itaboraí, Tanguá e Rio Bonito, definido pela BR-101 Norte. Embora seja difícil descrever com precisão toda a malha urbana situada dentro dos limites da área metropolitana, dada a complexidade da sua estrutura, o que segue é uma descrição detalhada de cada um dos quatro eixos de expansão urbana dessa área, bem como da relação entre a difusão espacial do tecido urbano e esses eixos.

Eixo da BR-101 Sul (vetor Campo Grande - Santa Cruz - Itaguaí)

O primeiro é o eixo da Av. Brasil/Rodovia Rio-Santos (BR-101) e do ramal ferroviário de Santa Cruz, que começam, respectivamente, no Caju e na Central do Brasil. O eixo passa por Magalhães Bastos, Realengo, Padre Miguel, Bangu, Senador Camará, Santíssimo, Campo Grande, Inhoaíba, Paciência e Santa Cruz, e segue, passando pelo Distrito Industrial de Santa Cruz, Ibirapitanga, Califórnia, centro de Itaguaí, Engenho e Brisa Mar, até a região localizada às margens da Baía de Sepetiba, que inclui a Ilha da Madeira, Vila Geny, Coroa Grande, Itimirim (no oeste do município de Itaguaí) Itacuruçá, Muriqui, Praia Grande, Sahy, Ibicuí, centro de Mangaratiba, Praia do Saco e Fazenda Ingaíba (no município de Mangaratiba), de onde o vetor da BR-101 continua até alcançar Conceição de Jacareí, no extremo oeste de Mangaratiba.

Eixo da BR-116 (vetor Nova Iguaçu - Japeri - Paracambi)

O segundo é o eixo da BR-116 (Rodovia Presidente Dutra) e do ramal ferroviário de Japeri/Paracambi. A partir de Deodoro, a ferrovia, depois de passar por Ricardo de Albuquerque e Anchieta, corta os municípios de Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, Queimados e Japeri, e, depois do desvio para Mário Belo e Engenheiro Gurgel, e da penúltima estação, em Lages, chega ao centro de Paracambi, com a área urbana continuando até o Jardim Nova Era. Ao passo que as regiões cortadas pelo trecho que vai dos bairros Tricampeão e N. S. da Conceição, em Queimados, até o Delamare, em Japeri, pelo trecho que vai da Granja Iguaçu e São Jorge até a Fazenda Americana, ainda no município de Japeri, e pelo trecho que começa no Beira-Rio e Lagoa do Sapo, em Japeri, e vai até o Mutirão e o Paraíso, em Paracambi, são regiões pouco habitadas, a região cortada pelo trecho entre Ricardo de Albuquerque e o centro de Nova Iguaçu, que abrange também Anchieta, Parque Anchieta, Mariópolis (no município do Rio de Janeiro), Olinda, Cabral, Bairro da Mina, o centro de Nilópolis, Tropical, Frigorífico, Santos Dumont (em Nilópolis), Edson Passos, Chatuba, Cosmorama, o centro de Mesquita, Vila Emil, Cruzeiro do Sul, Presidente Juscelino, Coréia (em Mesquita) e K11 (em Nova Iguaçu), tem uma densidade demográfica muito alta. Essa intensa mancha urbana ainda se estende, com a mesma densidade, para o leste, abrangendo os bairros Paiol de Pólvora (em Nilópolis), São Mateus, Engenheiro Belford, o centro de São João de Meriti, Venda Velha e Parque Araruama (em São João de Meriti), continuando, pelo Bar dos Cavaleiros, até o centro de Duque de Caxias (já na zona de influência do eixo da BR-040).

Eixo da BR-040 (vetor Duque de Caxias - Magé - Guapimirim)

O terceiro é o eixo da BR-040, que começa em Cordovil, e do ramal ferroviário de Saracuruna a partir de Parada de Lucas e Vigário Geral. Esse eixo atravessa o município de Duque de Caxias, passando pelo Centro, Jardim 25 de Agosto, Parque Duque, Gramacho, Sarapuí e Jardim Gramacho, e seguindo em direção às regiões norte (passando por Santa Cruz da Serra e chegando a Xerém) e nordeste (passando por Imbariê e chegando a Parada Angélica) do município. A região de altíssima densidade demográfica que começa nos bairros Corte 8 e Centenário, em Duque de Caxias, se estende pelo Jardim Sumaré, Jardim Íris, Jardim Botânico, Vilar dos Teles e Coelho da Rocha, em São João de Meriti, continua pelo centro de Belford Roxo e pelos bairros Santo Antônio da Prata e Areia Branca (ambos em Belford Roxo), e termina na Prata, em Nova Iguaçu, tem sua maior parte influenciada tanto pelo eixo da BR-040 como pelo da BR-116.

Eixo da BR-101 Norte (vetor Itaboraí - Tanguá - Rio Bonito)

Além das linhas e ramais ferroviários de Saracuruna, Belford Roxo, Japeri, Santa Cruz, Deodoro, Paracambi (partindo de Japeri), Vila Inhomirim (partindo de Saracuruna) e Guapimirim (também partindo de Saracuruna), o ramal de Visconde de Itaboraí, em que era operada a linha Niterói-Visconde de Itaboraí, cuja desativação é relativamente recente, também teve seu papel no crescimento urbano da área metropolitana, mais especificamente, na porção leste dessa área. Contudo, ao contrário do que aconteceu no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, onde rodovias e ferrovias foram quase igualmente importantes para o crescimento urbano, no Leste Metropolitano, a influência das rodovias sobre a expansão da malha urbana foi predominante.

Sub-vetores

Em 1984, foi feito, pela Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana (FUNDREM), um estudo de interpretação da mancha urbana da área metropolitana do Rio de Janeiro (mancha que já havia se expandido por um território dividido naquela época em 12 municípios (Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé, São João de Meriti, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Itaguaí, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá), antes das emancipações dos municípios de Seropédica, Belford Roxo, Queimados, Japeri, Mesquita, Guapimirim e Tanguá, que ocorreram ao longo da década de 1990), que identificou, além dos quatro vetores principais de crescimento urbano descritos acima (vetor Itaguaí, vetor Paracambi, vetor Duque de Caxias e vetor Itaboraí), os vetores Recreio e Maricá, os quais podem ser considerados sub-vetores dos eixos Itaguaí e Itaboraí, respectivamente. As manchas urbanas que seguem por esses dois vetores se estendem pelo litoral da capital, no sentido oeste, e pelo litoral do Leste Metropolitano, no sentido leste.

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Áreas urbanas dos municípios metropolitanos

A lista abaixo apresenta a área urbana de cada um dos municípios que estão situados dentro do território da Região Metropolitana do Rio de Janeiro - exceto Petrópolis -, segundo dados referentes a 2019. Nota: A maioria desses municípios tem densidade demográfica superior a 150 hab./km², sendo considerados urbanos conforme os critérios utilizados pela OCDE.

Situação na periferia distante

Diferentemente do que aconteceu nas áreas do centro da metrópole do Rio (núcleo metropolitano, formado basicamente pela Região Central do Rio, Zona Sul e Grande Tijuca) e da periferia consolidada (subúrbio do Rio, que abrange a maior parte da Zona Norte e Zona Oeste do Rio, as áreas mais centrais dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, além de São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita, Queimados, Japeri (Engenheiro Pedreira), Magé (Piabetá) e Itaguaí (Centro), bem como os municípios de Niterói - normalmente considerado um núcleo regional do Leste Metropolitano -, São Gonçalo, Maricá (Centro) e Itaboraí), onde houve um intenso processo de ocupação e metropolização que resultou no adensamento da mancha urbana do município do Rio de Janeiro e de grande parte da Baixada Fluminense e do Leste Metropolitano, nos municípios e distritos da periferia em expansão (exúrbio do Rio, formado por localidades como Mangaratiba (Conceição de Jacareí, Centro, Praia Grande, Muriqui e Itacuruçá), Itaguaí (Coroa Grande), Seropédica, Paracambi (Centro e Jardim Nova Era), Jaceruba, Tinguá, Xerém, Raiz da Serra, Andorinhas, Guapimirim (Centro, Vale das Pedrinhas e Caneca Fina), Cachoeiras de Macacu (Papucaia, Japuíba, Guapiaçu e Centro), Tanguá, Rio Bonito (Centro, Basílio e Boa Esperança), Maricá (Manoel Ribeiro e Ponta Negra) e Saquarema (Sampaio Corrêa, Jaconé, Centro, Bacaxá e Vilatur), que ainda estão dentro da área da aglomeração metropolitana do Rio, porém nos seus extremos), localizada nas partes da Baixada e do Leste Fluminense mais distantes do núcleo, o processo de metropolização ocorreu de forma mais branda. Como efeito disso, algumas características metropolitanas nessa área do Grande Rio se apresentam de forma um pouco mais tênue. Por exemplo, os eixos radiais de expansão urbana da metrópole que avançam pelos municípios e distritos dessa parte da periferia metropolitana, geralmente, não apresentam bifurcações por vetores transversais (como as que existem em municípios e distritos mais próximos ao núcleo da metrópole), a ligação das localidades da periferia em expansão ao núcleo metropolitano por linhas urbanas de transporte público é mais limitada do que a de locais da periferia consolidada e do entorno imediato do núcleo ao centro da capital, e a intensidade dos deslocamentos pendulares intrametropolitanos com origem na área exurbana é mais baixa que a desses fluxos populacionais com origem na área suburbana e nos arredores do centro do Rio. Apesar de o avanço da urbanização sobre os municípios e distritos da periferia em expansão ter-se acelerado muito nas últimas décadas, essa parte da metrópole ainda se apresenta como uma região da periferia distante, com uma densidade demográfica relativamente baixa e vastas áreas rurais. Contudo, embora os municípios e distritos do exúrbio do Rio de Janeiro apresentem menos características metropolitanas do que a maioria das localidades do subúrbio e do núcleo metropolitano no que diz respeito, por exemplo, ao fluxo pendular de pessoas entre os municípios da metrópole, à disponibilidade de linhas urbanas de transporte público coletivo com destino ao centro do Rio, e ao espraiamento do tecido urbano da metrópole em direção às periferias, os municípios e distritos dessa periferia distante são polarizados pela Região Central do Rio há décadas, estando inseridos na dinâmica da metrópole carioca e sendo, deste modo, integrantes da aglomeração metropolitana do Rio.

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