Ranking dos Políticos
O Ranking dos Políticos é uma think tank de viés liberal e conservador fundada em 2011 que avalia o desempenho de deputados federais e senadores em exercício no Congresso Nacional. A iniciativa classifica parlamentares a partir de critérios relacionados ao uso de recursos públicos, posicionamentos legislativos e histórico judicial, utilizando dados oficiais da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e de tribunais de justiça.
O Ranking dos Políticos foi fundado em 2011 pelos empresários Alexandre Ostrowiecki e Renato Feder, empresários do setor de tecnologia e então sócios da empresa Multilaser. De acordo com a plataforma internacional On Think Tanks, a organização foi formalmente estabelecida como uma iniciativa da sociedade civil voltada à avaliação do desempenho parlamentar, com base em dados públicos disponíveis nos portais oficiais do Congresso Nacional.
Expansão institucional
Ao longo dos anos, a organização ampliou suas atividades para além do ranking, passando a produzir análises legislativas, pesquisas de opinião com parlamentares e campanhas de mobilização cívica. Em 2016, o Ranking dos Políticos lançou o Prêmio Excelência Parlamentar, premiação anual destinada a reconhecer os parlamentares mais bem avaliados segundo sua metodologia. A cerimônia passou a ser realizada em Brasília, reunindo parlamentares, jornalistas e representantes da sociedade civil.
Segundo declarações públicas da própria instituição, o Ranking dos Políticos tem como objetivo incentivar a responsabilidade fiscal, a transparência no uso de recursos públicos e a eficiência da atividade legislativa. A entidade se apresenta como uma ferramenta de transparência para que cidadãos acompanhem a atuação de seus representantes eleitos. A iniciativa é descrita por veículos de imprensa como alinhada a pautas liberais na economia e voltada à defesa da responsabilidade fiscal, sendo apresentada por seus dirigentes como apartidária. Apesar disso, seus dirigentes são ligados a partidos políticos. Gustavo Franco, por exemplo, fez parte do Governo Fernando Henrique Cardoso e foi filiado ao PSDB e ao Novo. Outro dirigente,Flávio Rocha, foi candidato pelo PRB. Já Renato Feder, um dos fundadores da ONG, foi secretário de governo de Ratinho Júnior (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em gestões marcadas por denúncias de fraude, conflito de interesses e improbidade administrativa.
A metodologia do Ranking dos Políticos baseia-se em dados públicos oficiais, extraídos principalmente dos portais de dados abertos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, incluindo informações sobre votações, presença em sessões, gastos com verbas parlamentares e proposições legislativas. As avaliações consideram: O modelo de pontuação é acompanhado por um Conselho de Leis, composto por especialistas de diferentes áreas do conhecimento, responsáveis por definir a pontuação atribuída aos projetos de lei analisados. Entre os integrantes notórios do conselho estão o economista e ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, além de empresários e executivos. Em reportagem publicada pela Gazeta do Povo em novembro de 2017, replicando informações do então site do Ranking dos Políticos (politicos.org.br), foi detalhada a metodologia utilizada pela plataforma em suas avaliações:
Análise dos critérios
Uma análise dos critérios utilizados revela uma meritocracia "muito peculiar": Em 2018, um exemplo desse viés seria a posição 505 para a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), a qual não respondia a qualquer processo, enquanto o deputado José Medeiros (Podemos-MT), cassado por fraude em votação, ocupava a posição 80 e era considerado "o 3° melhor congressista do seu estado". Em março deste mesmo ano, o Ranking anunciou uma "nova funcionalidade" que após "uma série de perguntas sobre o posicionamento em temas relevantes, como por exemplo, as reformas trabalhista e da Previdência", possibilitaria ao eleitor escolher "os políticos mais aderentes aos posicionamentos destacados" por ele. A iniciativa foi relançada em setembro de 2026 pela Coalização pelo Voto Consciente, e terminou sendo desativada em 1º de outubro, após receber críticas de que, na verdade, estaria direcionando eleitores para candidatos à direita do espectro político.
O Prêmio Excelência Parlamentar é uma premiação anual realizada desde 2016, que reconhece os deputados federais e senadores com melhor desempenho no ranking segundo os critérios alinhados aos interesses do Mercado e aos grandes empresários. Ao contrário da propaganda que a think thank faz, a corrupção, mesmo com condenação, influencia pouco na posição do ranking. Na 10ª edição do evento, realizada em 2025, foram premiados 90 parlamentares, sendo 72 deputados federais e 18 senadores. A cerimônia ocorreu em Brasília e reuniu parlamentares, representantes da sociedade civil, jornalistas e especialistas em política. O prêmio tem sido amplamente divulgado pela imprensa.
Além da avaliação parlamentar, a organização promove campanhas públicas sobre temas relacionados à reforma política e ao uso de recursos públicos.
Chega de Mais Impostos
Em abril de 2024, durante o Fórum da Liberdade de Porto Alegre, foi lançado o manifesto “Chega de Mais Impostos”, por meio de um abaixo-assinado. O documento menciona dados relativos à carga tributária brasileira e ao Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES).
Candidaturas independentes
Em novembro de 2024, o Ranking dos Políticos lançou a campanha “Exija o Direito às Candidaturas Independentes!”, defendendo a possibilidade de candidaturas avulsas no Brasil. Entre julho de 2025, a organização realizou pesquisa com 138 parlamentares sobre o tema, cujos resultados indicaram divisão de opiniões no Congresso Nacional. Os dados foram divulgados pela CNN Brasil.
Fim dos supersalários
Em setembro de 2025, a organização lançou o “Manifesto pelo Fim dos Supersalários”, campanha voltada à discussão sobre remunerações acima do teto constitucional no serviço público. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a iniciativa reuniu mais de 15 mil adesões em seu primeiro mês.
Ao longo de sua trajetória, o Ranking dos Políticos recebeu reconhecimentos de instituições públicas e privadas. Em 2022, Alexandre Ostrowiecki recebeu o Prêmio Libertas na 35º edição do Fórum da Liberdade, concedido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), em reconhecimento pelo seu papel no desenvolvimento do Ranking dos Políticos. No ano de 2023, Alexandre Ostrowiecki foi homenageado com o Prêmio Liberdade, concedido pelo Instituto de Formação de Líderes de São Paulo (IFL-SP). Ainda em 2023, a organização recebeu a Medalha de Mérito Legislativo, concedida pela Câmara dos Deputados. Em 2024, o Ranking dos Políticos foi agraciado com a Medalha da Inconfidência, honraria concedida pelo Governo do Estado de Minas Gerais, durante cerimônia realizada em Ouro Preto. Em 2025, a organização recebeu o Prêmio Marco Maciel, concedido pela Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG), e o 3º lugar na edição de 2024, na categoria “RIG na Sociedade Civil Organizada”.
Em maio de 2026, a plataforma lançou o livro "O Brasil Pode Dar Certo", com "propostas de reforma institucional para o país", reunindo ensaios de "25 autores entre economistas, juristas e especialistas em políticas públicas". Organizada por Luan Sperandio, "Analista político e Diretor de Operações" do Ranking dos Políticos, a obra teve apoio do conhecido think tank conservador Atlas Network. Em 8 de outubro de 2026, Sperandio publicou em sua conta no Twitter que estava "cada vez mais perto de chamar Flávio de 'presidente'".
Em 2018, a plataforma lançou um aplicativo para celulares Android, através do qual o eleitor teria "na palma da mão", "um mapa segmentado por estados com os respectivos representantes", o que lhe permitiria fazer "uma imagem do parlamentar para obter informações em poucos segundos". O diretor-executivo do Ranking, Renato Dias, declarou que o objetivo seria "fornecer subsídios aos cidadãos para eleger representantes honestos, com a ficha limpa e bom desempenho no Congresso". O link para o aplicativo não está mais disponível na Play Store.
O Ranking dos Políticos também é alvo de críticas relacionadas aos critérios utilizados para classificar votações e à seleção dos indicadores considerados relevantes ("presença nas sessões, privilégios, processos judiciais e outros"). Analistas apontam que a definição dos pesos atribuídos a determinadas pautas e o enquadramento de projetos legislativos envolvem elementos de subjetividade que favorecem em demasia uma agenda neoliberal, em detrimento de políticas públicas que efetivamente favoreçam a população brasileira como um todo. Efetivamente, em 2018, a organização informava que em relação a temas econômicos e jurídicos: Reportagens destacam que a organização declara adotar valores e princípios ligados a temas econômicos, como livre iniciativa, propriedade privada e economia de mercado. Segundo críticos, essa orientação colocaria em debate a caracterização do Ranking como ideologicamente neutro, algo que a própria entidade negava enfaticamente que fosse.


