Radioamador em Portugal
Por radioamador entende-se o aficionado pelos estudos de transmissão e recepção de ondas eletromagnéticas, bem como a criação e aperfeiçoamento de novos modos e protocolos de comunicação de sinais, voz, dados ou imagem, em frequências compreendidas entre 30 kHz e 300 GHz. A actividade de um radioamador é interpretada por muitos cidadão comuns como um “hobbie” simples, uma forma vulgar de matar tempo ou até mesmo um desporto.
Há quem veja um radioamador como um ser estranho, um tipo que de alguma forma gosta de comunicar com pessoas que não conhece e de escutar conversas de outros radioamadores onde a sua presença é desconhecida. O radioamador também não colhe as melhores simpatias nos vizinhos que abominam as horríveis antenas nos telhados e ganham problemas nervosos com as interferências nas televisões. Pois é sempre na hora da novela ou no jogo do Benfica que a bendita televisão começa a fazer chuva! Infelizmente esta deve ser a opinião generalizada entre os cidadãos que de alguma forma já conheceram um radioamador ou até mesmo partilham vizinhança com algum. Hoje em dia, com o melhoramento dos equipamentos receptores de TV, que obedecem a normas de construção europeias, as interferências são mais raras. Também o melhoramento na distribuição do sinal de TV contribuiu significativamente para o fim das interferências e por estes aspectos a harmonia vai aparecendo entre vizinhos.
Dentro do espectro das ondas de rádio existem muitas bandas “frequências” estas começam nos 1,820 MHz (onda média) e vão até 300 GHz (micro-ondas), cujas frequências aos radioamadores atribuídas, seja como base primária (exclusivo ou prioritário aos radioamadores) seja como base secundária (compartilhadas e não prioritárias aos radioamadores) são determinas pela IARU e compreendem as seguintes bandas: As bandas mais usadas são as chamadas ondas curtas, que estão compreendidas nas frequências 3,500 MHz até 30 MHz, onde os Radioamadores fazem o chamado “CQ”, resultando muitas vezes contatos para o estrangeiro. Na verdade com umas antenas simples como arames e potências reduzidas um radioamador pode comunicar facilmente com outro em qualquer pais do mundo, dependendo das condições de propagação. As frequências acima dos 30 MHz são geralmente usadas para comunicações locais, tal como os 144 MHz e os 432 MHz.
As comunicações são geralmente em três modos distintos: em fonia, em código Morse ou dados. Fonia é em voz normal e esta pode ser modulada em Frequência (FM), em Amplitude (AM), em portadora suprimida (SSB) e o idioma geralmente usado nos contatos com povos não lusófonos é o inglês. O código Morse (CW), ainda muito usado pelos amadores, que, a despeito do avanço na qualidade técnica dos equipamentos é mantido como uma tradição a ser preservada. Dentre as características desse modo, mesmo em dias de propagação fraca é possível obter-se um bom comunicado, apesar da relação sinal/ruido baixa. Os modos digitais mais comuns são o RTTY, AmTOR, PSK31, Hellsreiber, Packet, SSTV, cada qual apresentando características específicas e codificadas em protocolo ASCII e AX.25. Tais aplicações permitem a transmissão de textos e imagens, bastante uteis na divulgação de boletins ou comunicados nos quais as condições para fonia sejam insatisfatórias.
Em Portugal existem 3 classes de Radioamadores 1, 2 e 3 estas distinguem-se pelo indicativo de chamada e o detentor de cada licença tem mais ou menos permissão de uso de frequências e potencia consoante a sua classe. Existe ainda 3 classes anteriores ao actual regulamento que são as classes A, B e C que continuarão a existir enquanto houver radioamadores nessas classes, nao sendo possível fazer exame para essas classes anteriores. Estas classes são atribuídas mediante um exame que é pedido pelo interessado à Anacom, autoridade nacional que tutela as comunicações. Os exames consistem em questões de electrónica, rádio-electricidade e legislação. A Lei portuguesa expressa a relação entre o Certificado de Amador Nacional (CAN) e o Certificado de Operador de Estação de Radioamador (COER), sendo a relação:
Desde os primórdios do advento do radioamadorismo, os equipamentos eram construídos pelos próprios radioamadores, utilizando materiais e técnicas disponíveis na época (válvulas, capacitores, resistores, bobinas de indução. Tal prática continuou com o advento do transístor e praticamente cessou com o advento dos circuitos integrados e placas SMD, que passaram a exigir equipamentos adicionais para montagem e calibração que fugiram do alcance do radioamador médio. Os rádios e equipamentos que os Radioamadores hoje usam são muito diversos: uns são muito sofisticados e podem custar até 10 mil € mas o preço de um rádio normal ronda os 1000€, no mercado de segunda mão andam em torno dos 300€ Claro que há ainda quem goste de construir o seu próprio equipamento e estas pessoas são muito apreciadas no panorama do radioamadorismo mundial. Em Portugal há muitos bons técnicos Radioamadores a trabalhar com rádios “caseiros” e que normalmente são muitos respeitados pela comunidade de radioamadores, pois é neles que reside o conhecimento.
Por força de regulamentação, os radioamadores devem manter o registro dos comunicados realizados e reza a tradição e etiqueta, que tais contatos sejam confirmados através da emissão e troca de cartões QSL, nos quais são registrados data, horário, frequência e nível de sinais recebidos. O radioamadorismo visa a partilha de conhecimentos técnicos e todos os países desenvolvidos podem relacionar o seu estado de democratização e nível tecnológico pela percentagem de radioamadores na sua população e seus conhecimentos. No tempo da União Soviética, eram muitas raras as estações escutadas daquelas partes e há países onde o radioamadorismo está proibido, tal como a Coreia do Norte e alguns estados Islâmicos. Países, por razões económicas, políticas ou escassa população, são muito pretendistas pelos praticantes de DX e concursos, em função da raridade com que tais estações são captadas em Portugal. São estes países raros que se tornam “figurinhas” para aqueles que coleccionam cartões. Muitos radioamadores têm como objectivo estabelecer contacto com todos os países do mundo, por isso a falta destes países leva-os a esperar décadas para verem o seu “log” completo.
Associações Nacionais reconhecidas e registadas pela ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações (registo de 2016):


