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Puma concolor

A onça-parda (português brasileiro) ou puma (português europeu), também conhecida como suçuarana, leão-baio, leão-da-montanha ou simplesmente como onça, é um mamífero carnívoro, da família dos felídeos (Felidae) e gênero Puma, nativo da América. Foi originalmente classificada no gênero Felis, mas estudos genéticos demonstram que a espécie evoluiu em uma linhagem próxima à chita e ao gato-mourisco. É o mamífero terrestre com a maior distribuição geográfica no ocidente, ocorrendo desde a Columbia Britânica, no Canadá, até o extremo sul do Chile, habitando desde florestas densas, até áreas desérticas, com clima tropical ou subártico, exceto a tundra. É capaz de sobreviver em áreas extremamente alteradas pelo homem, como pastagens e cultivos agrícolas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Nomes populares e etimologia

Com a sua vasta área de distribuição, a onça-parda tem vários nomes e referências na mitologia dos indígenas americanos e na cultura contemporânea. Suçuarana é um termo com origem no tupi syuasuarána, através da junção de susua ("veado") e rana ("semelhante"), numa referência à semelhança da cor de seu pelo com a do pelo dos veados. Onça-parda também é uma referência à cor da pelagem, se contrapondo à outra onça, a onça-pintada. Os nomes onça-parda e suçuarana são mais difundidos nos estados do sudeste, sul e centro-oeste do Brasil, mas, na região nordeste, tais nomes também são citados. Nessa última região, onça-bodeira ou mossoroca são os nomes mais frequentemente usados. No Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, pode ser chamada de leão-baio, outra referência à cor da pelagem. No Mato Grosso do Sul, também é conhecida por onça-vermelha. Jaguaruna é um termo oriundo da língua tupi, significando onça escura. Em Portugal, é mais conhecida como puma, termo oriundo do quíchua.

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Taxonomia e evolução

A onça-parda foi descrita por Lineu, em 1771, como Felis concolor. Foi reconhecido como pertencente ao táxon Puma por William Jardine em 1834, até então, um subgênero de Felis. Somente em 1973, Puma foi proposto como um gênero separado. Estudos moleculares corroboram a hipótese de que a onça-parda pertence tal classificação, demonstrando que ela evoluiu em uma linhagem diferente daquela do gênero Felis e isso é seguido pelas mais recentes classificações. Está classificada na subfamília dos felíneos (Felinae), apesar de possuir porte semelhante às espécies da subfamília dos panteríneos (Pantherinae). A onça-parda é uma das 12 espécies de felídeos do Novo Mundo, que evoluíram em quatro linhagens distintas: a linhagem do gênero Leopardus (restrita à América Central e do Sul), a do gênero Lynx (restrita à América do Norte), a do gênero Panthera (com apenas uma espécie atualmente, a onça-pintada) e a do gênero Puma (da qual fazem parte a onça-parda e o gato-mourisco). A chita ou guepardo (Acinonyx jubatus) é o felídeo mais próximo do gênero Puma e provavelmente divergiu entre 5 e 8 milhões de anos atrás e se dispersou para África e Ásia. Outros autores sugerem que o ancestral comum (que era semelhante à chita) entre essas espécies evoluiu no Velho Mundo, migrando para as Américas e evoluindo para a onça-parda. No registro fóssil, o gênero Miracinonyx, que viveu entre 600 mil e 3,2 milhões de anos atrás, é muito semelhante à chita e sugerido como um importante elo entre o gênero Acinonyx e o gênero Puma. A onça-parda divergiu do gato-mourisco ou jaguarundi (Puma yagouaroundi) entre 4 e 5 milhões de anos atrás. Barnett et al (2005) considera o extinto M. trumani como mais próximo da onça-parda e essas espécies divergiram cerca 3,2 milhões de anos atrás.

Variação geográfica e subespécies

Por conta de sua ampla distribuição geográfica, foram descritas muitas subespécies da onça-parda. Estudos de morfologia definiram cerca de 32 subespécies, mas estudos genéticos não corroboram essa ampla variação. Culver et al (2000), por meio de análise do DNA mitocondrial e de haplótipos de microssatélites, concluíram que geneticamente existem apenas seis subespécies. As 32 subespécies, distribuídas filogeograficamente, são: Wozencraft, na terceira edição do Mammal Species of the World, lista os táxons como proposto por Culver et al (2000), apesar de considerar P. c. capricornensis como sinônimo de P. c. anthonyi. Dado os estudos genéticos que definiram apenas 6 subespécies da onça-parda, a distribuição geográfica de cada uma delas é diferente das 32 subespécies previamente consideradas: P. c. cougar ocorre ao norte da Nicarágua; P. c. costaricensis ocorre entre a Nicarágua e o Panamá; P. c. cabrerae ocorre nos Pampas argentinos; P. c. capricornensis ocorre no Brasil, a leste dos rios Paraná e Paraguai; P. c. concolor ocorre na Amazônia e oeste dos rios Paraná e Paraguai; e P. c. puma ocorre na Patagônia e extremo sul da Argentina e Chile.

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Distribuição geográfica e habitat

A onça-parda possui a maior distribuição geográfica entre os mamíferos terrestres do Ocidente. Historicamente, a espécie era encontrada desde a Columbia Britânica até o extremo sul do Chile, ocorrendo por quase todo o continente ao longo dessa distribuição, com exceção do Caribe e de algumas regiões desérticas do Chile. Recentemente, foi confirmada sua presença no território do Yukon, no Canadá. Apesar da presença da espécie na região ter sido suspeita desde 1944, somente em 2000 um espécime foi avistado e capturado no sudoeste de Yukon, e não é sabido se trata de uma população com baixíssima densidade ou de indivíduos de passagem. A espécie foi extinta do leste dos Estados Unidos no fim dos anos de 1890, com exceção de uma pequena população isolada na Flórida, na região das Everglades Atualmente existem cerca de 20 mil a 40 mil onças pardas vivendo no oeste dos Estados Unidos. Não existem registros recentes da espécie na Nicarágua, El Salvador e Honduras, na América Central; e em várias regiões da Venezuela, Peru, Argentina e no Uruguai, na América do Sul. No Brasil, provavelmente está extinta da faixa litorânea que se estende desde o Maranhão até Sergipe, assim como em parte do leste da Bahia.

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Descrição

É um felídeo de grande porte, sendo o maior membro da subfamília dos felíneos (Felinae), medindo entre 86 e 168 centímetros de comprimento sem a cauda. Tem entre 65 e 75 centímetros na altura da cernelha. Os machos pesam entre 53 e 72 quilos e as fêmeas são menores, pesando entre 34 e 48 quilos. Já houve o registro de um macho excepcionalmente pesado, com 120 quilos. As populações que ocorrem nos extremos latitudinais tendem a ser maiores que aquelas que ocorrem nas regiões equatoriais: no Peru, foi registrada uma média de 28 a 30 quilos para machos, ao passo que indivíduos no Chile ou Canadá, pesam entre 65 e 85 quilos. Provavelmente, isso tem relação causal com o tamanho das presas ingeridas nessas diferentes latitudes e com a presença da onça-pintada (Panthera onca), de maior porte. Seu porte é semelhante ao do leopardo (Panthera pardus), sendo o segundo maior felídeo das Américas. A onça-parda tende a ter um porte esguio e as pernas traseiras são relativamente longas, sendo as mais longas em comparação aos outros felídeos. Provavelmente, tal conformação é uma adaptação a grandes saltos. A onça-parda é capaz de pular até 5,5 metros de altura. A cauda é longa, cilíndrica, com um formato de "J", tendo cerca de um terço do comprimento do corpo, medindo entre 60 e 97 centímetros de comprimento. Possuem garras retráteis, que não ficam totalmente embainhadas quando em repouso, o que é mais semelhante aos pequenos felinos do que aos grandes felinos da subfamília Pantherinae. A pegada é parecida com do cachorro-doméstico, mas geralmente não apresentam as marcas das garras. Além disso, possui um formato mais arredondado e presença de três "lobos" na região do calcanhar. As marcas dos dedos também são mais espaçadas, assimétricas e comparativamente menores com relação à almofada plantar quando comparadas com as pegadas de cães. A pegada da onça-parda também é semelhante a da onça-pintada (Panthera onca), mas as marcas dos dedos são mais finas e pontudas, e o comprimento é maior que a largura.

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Ecologia e comportamento

Assim como a maior parte dos felídeos, a onça-parda é bem solitária, com o pico de sua atividade no crepúsculo ou à noite, descansando no resto do dia. Na Flórida, as onças são mais ativas entre 1 e 7 da manhã, e entre as 18h e 22h. Apesar disso, é possível encontrá-la caçando durante o dia, dependendo de qual é o comportamento de suas presas em determinada região. Muitas vezes, fêmeas com filhotes caçam durante o dia. Entretanto, em ambientes com alta densidade e atividades humanas, a onça-parda é praticamente noturna. Existem poucos estudos sobre as distâncias percorridas pela onça-parda em suas atividades diárias, mas os machos geralmente andam distâncias maiores que as fêmeas, principalmente se estas têm filhotes. No Novo México, dois machos percorreram distâncias entre 5,2 e 7,9 quilômetros em um dia, enquanto que as fêmeas percorreram distâncias entre 1 e 3,2 quilômetros. Já foi reportado o caso de um macho que percorreu até 32 quilômetros em uma única noite. Embora grande parte desse deslocamento seja feito no solo, a onça-parda é uma excelente escaladora e é capaz de nadar grandes distâncias.

Dieta e estratégias de caça

A onça-parda é um animal essencialmente carnívoro e ao longo de sua distribuição geográfica, é um importante predador de cervídeos: na América do Norte, se alimenta principalmente das espécies do gênero Odocoileus; e na América do Sul, das espécies do gênero Blastocerus, Hippocamelus e Mazama. Entretanto, a onça-parda é um predador oportunista pois muda sua dieta alimentar de acordo com a disponibilidade de presas no ambiente, podendo se alimentar até mesmo de répteis, aves, peixes e insetos. As presas abatidas pela onça-parda na América do Norte tendem a ser maiores que aquelas abatidas nas Américas Central e do Sul: no norte, a espécie se alimenta principalmente de cervídeos pesando entre 39 e 48 quilos, enquanto que mais ao sul, sua dieta compõe-se de indivíduos entre 1 e 15 quilos. A dieta na América do Norte também tende a ser menos diversificada predominando os cervídeos, enquanto que nas Américas Central e do Sul, ela é mais diversa e oportunista. Dado esse oportunismo, nas Américas Central e do Sul, a onça-parda pode atacar animais de grande porte como o guanaco (Lama guanicoe), a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), a ema (Rhea americana), cavalos e o gado bovino.

Território e comportamento social

Como a maior parte dos felídeos, a onça-parda é geralmente uma caçadora solitária. Fêmeas com filhotes dependentes é a unidade social mais estável na onça-parda, durando até o momento que os filhotes se tornam subadultos. Machos podem se associar com fêmeas que possui filhotes, mas eles não cooperam no cuidado com os filhotes. Por muito tempo, não foram observadas adultos se associando com outros do mesmo sexo e assumia-se que encontros sociais na onça-parda eram extremamente transitórios e casuais. Após estudos com armadilhas fotográficas e coleiras com GPS no Parque Nacional de Yellowstone e arredores, constatou-se que a vida social da onça-parda é complexa, com adultos podendo se tolerar e compartilhar alimentos, formando uma hierarquia, geralmente encabeçada por um macho e fêmeas adultas. A presença do macho parece ser preponderante para a estabilidade dessas unidades sociais que habitam um vasto território.

Reprodução e ciclo de vida

A maior parte do que se sabe sobre o estro e ciclo reprodutivo da onça-parda provém de animais em cativeiro. A ovulação parece ocorrer durante 7 e 8 dias, mas pode variar entre 4 e 12 dias, em um ciclo que varia entre 12 e 16 dias em animais em cativeiro e entre 3 e 4 meses em liberdade. Caso os filhotes nasçam mortos ou sejam removidos, em poucas semanas a fêmea inicia um novo estro. A onça-parda possui um sistema de acasalamento promíscuo, visto que as fêmeas podem copular com vários machos, e vice-versa. O comportamento no acasalamento é semelhante ao dos outros felídeos, com as fêmeas apresentando, inicialmente, uma mistura de agressividade e proceptividade. A cópula dura menos de um minuto, como em outros grandes felinos: entretanto, ela é feita repetidas vezes em um curto período de tempo e a ovulação é induzida à medida que aumenta a frequência de cópulas. A fecundação, assim como outros felinos, ocorrem em taxas baixas, como foi observado no Novo México, das cerca de 147 cópulas observadas, apenas 33 resultaram em filhotes.

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Conservação

Visto sua ampla distribuição geográfica e adaptabilidade, sendo capaz de habitar áreas altamente perturbadas pelo homem, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais considera o estado de conservação da onça-parda como "pouco preocupante". Está listada no apêndice II da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção. As populações que ocorrem na América Central e leste da América do Norte são listadas no apêndice I. Existe uma tendência de queda nas populações desse felino, que está estimada entre 3 500 e cinco mil animais no Canadá, nos Estados Unidos a uma estimativa entre 20 000 a 40 000 pumas, os estados de Califórnia e Oregon são os únicos onde a caça desse animal é proibido por lei. De forma geral, é considerado que a densidade populacional de onças na América do Norte está entre 0,8 e 2,2 animais a cada 100 quilômetros quadrados. A espécie foi extinta em grande parte de sua ocorrência na América do Norte (que foi reduzida em mais de 50%), e no leste desse continente, ocorre apenas uma população relictual na Flórida.

A onça-parda na Flórida

A onça-parda foi severamente caçada e extinta na região leste dos Estados Unidos: atualmente, a única população estabelecida à leste do rio Mississippi se encontra na Flórida, que outrora foi classificada como P. c. coryi (conhecida em inglês como Florida panther).[nota 4] É um dos primeiros mamíferos a ser listado como ameaçado e foi objeto de extensos estudos ecológicos, genéticos e de conservação. É uma importante "espécie bandeira" na conservação dos ecossistemas pantanosos da Flórida, principalmente nas Everglades. É um bom exemplo de como a fragmentação do habitat e a caça pode reduzir um animal antes amplamente difundido em determinada região e de como uma população extremamente reduzida e isolada de um felino vivendo em uma área com alta influência humana é problemática e exige ações conservacionistas complexas. Também demonstra os problemas ecológicos decorrentes da depleção das presas desse felídeo e de como isso pode acarretar um aumento nos prejuízos para a criação de gado, visto que existe relação entre a diminuição dos cervídeos e aumento de ataques ao gado. Certamente, os estudos dessa subpopulação permitiram avanços no conhecimento a cerca da conservação de grandes felinos.

Recolonização do centro-leste dos Estados Unidos

Apesar de já extinta em grande parte do centro e leste dos Estados Unidos, a onça-parda está recolonizando algumas áreas, principalmente aquelas situadas no centro e sudeste do país, o que vem sido notado desde o início da década de 1990. Provavelmente, tais indivíduos são provenientes das regiões a oeste. Existem registros em regiões no extremo nordeste dos Estados Unidos, mas não se conhece certamente de onde tais animais provêm. Os avistamentos feitos em estados do meio da costa Atlântica, como na Pennsylvania, certamente eram identificações erradas de outros carnívoros. Muitos dos registros fotográficos são de animais que escaparam do cativeiro, porém, aqueles atropelados ou mortos por caçadores eram indivíduos selvagens.

Recolonização no sul e sudeste do Brasil

A onça-parda tem demonstrado resiliência notável ao recolonizar áreas fragmentadas do Sul e do Sudeste do Brasil. Após um período de extinção local em diversas regiões devido à perda de habitat, perseguição humana e colapso das cadeias tróficas, há registros crescentes de sua presença desde o final da década de 1980. Estudos apontam que a espécie sobrevive onde o habitat florestal foi parcialmente recuperado ou mantido em mosaicos com áreas agrícolas e reflorestadas. Notavalmente, isso demonstra a importância da conservação de pequenos fragmentos de vegetação nativa na manutenção das populações de onça-parda no Sul e Sudeste do Brasil, como evidenciado em estudos feitos no Centro-Oeste paulista. A onça-parda utiliza fragmentos florestais e áreas degradadas, como zonas agrícolas e várzeas, para manter suas populações, apresentando maior diversidade genética e população efetiva do que a onça-pintada (Panthera onca), espécie com habitat mais restrito e sensível a alterações antrópicas. Isso explica a persistência da ocorrência desse felino em áreas extremamente fragmentadas, com poucos remanescentes de vegetação nativa com mais de 50 hectares, caso das florestas do Alto Paraná.

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Aspectos culturais e relações com os humanos

Na mitologia

A elegância e força da onça-parda foi muito admirada pelas culturas ameríndias. A cidade Inca de Cuzco foi projetada na forma de uma onça-parda e o animal deu nome a várias regiões e povos incas. A cultura Moche a retratou em sua cerâmica. O deus do céu e do trovão dos incas, Viracocha, era associado a esse felino. Na América do Norte, descrições mitológicas da onça-parda aparecem em histórias em língua Winnebago ("Ho-Chunk" ou "Winnebago") no Wisconsin e Illinois e Cheyenne, entre outros. Para os Apaches e Walapai do Arizona, o lamento de uma onça-parda era um prenúncio da morte. Os Algonquins e Ojibwe acreditavam que a onça-parda vivia no submundo e era perversa, enquanto que era considerada uma animal sagrado entre os Cherokees.

Predação do gado doméstico

Desde o início da formação das fazendas na América, as onças são consideradas tão destrutivas à criação quanto os lobos. De acordo com estudos no Texas em 1990, 86 bezerros (0,0006% de um total de 13,4 milhões de bovinos no Texas), 253 bodes Mohair, 302 cabritos Mohair, 445 ovelhas (0,02% de um total de 2,0 milhões de ovinos no Texas) e 562 cordeiros (0,04% dos 1,2 milhões de cordeiros no Texas) foram mortos por onças naquele ano. Em Nevada, em 1992, foram confirmadas as mortes de 9 bezerros, 1 cavalo, 4 potros, 5 bodes, 318 ovelhas e 400 cordeiros por ataques de onças. Em ambos os casos, as ovelhas foram os animais mais visados pelo felino. Ataques excedentes resultaram em morte de 20 ovelhas em um caso. A mordida de uma onça-parda é aplicada no dorso do pescoço, cabeça ou garganta e ela deixa perfurações com suas garras nas laterais da presa, às vezes a estraçalhando. Coiotes também mordem a região da garganta mas não deixa marcas de garras e o rastro deixado pelo arrasto da presa tem formato de zig-zag, ao contrário da linha reta deixa pela onça-parda. O ataque do felino também é mais preciso, ao contrário da mutilação indiscriminada provocada por coiotes e cães ferais. O tamanho das perfurações também permite distinguir ataques de onça-parda de carnívoros menores.

Ataques a seres humanos

Devido ao crescimento populacional humano, a distribuição geográfica da onça-parda tem se sobreposto com áreas habitadas por humanos. De forma geral, ataques ao homem são raros, dado que suas estratégias de caça fazem parte de um repertório aprendido e muitas vezes seres humanos não são reconhecidos como presas. Ataques a pessoas, gado e animais de estimação ocorrem quando as onças estão habituadas aos humanos e em condições de extrema carência alimentar. Na América do Norte, ataques são mais comuns durante a primavera e verão, quando onças jovens deixam suas mães e passam a procurar novos territórios. Entre 1890 e 1990, na América do Norte foram reportados 53 ataques, resultando em 48 ataques não fatais e 20 mortes. Em 2004, os números subiram para 88 ataques e 20 mortes. Nesta região, a distribuição desses casos não é uniforme. O populoso estado da Califórnia tem 12 ataques confirmados desde 1986 (depois de 3 registrados entre 1890 e 1985), incluindo 3 mortes. O menos populoso Novo México reportou apenas um ataque em 2008, o primeiro desde 1974.

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Fontes consultadas

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