Pesquisa · Mapa mental

Psiquiatria

A psiquiatria é a especialidade da medicina dedicada à prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação dos transtornos mentais e do comportamento, por meio de anamnese e exame do estado mental, com apoio, quando indicado, de testes e exames complementares. A classificação diagnóstica emprega sistemas como o DSM‑5‑TR e o CID-11, e o cuidado combina psicofarmacologia, psicoterapia e terapias somáticas, ofertadas em ambulatório, hospital-dia ou internação, conforme a gravidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Etimologia

O termo psiquiatria (alemão: Psychiatrie) foi cunhado em 1808 pelo médico alemão Johann Christian Reil, ao defender a constituição de uma disciplina médica autônoma dedicada às “doenças da mente”. Etimologicamente, deriva do grego antigo psychē (ψυχή, “alma”/“mente”) + iatreía (ἰατρεία, “tratamento”/“cura”), significando literalmente “tratamento médico da alma”. O médico que se especializa nessa área é o psiquiatra.

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Símbolo ☤

Na tradição lusófona, a iconografia médica — e, por extensão, a da psiquiatria — evita o caduceu de Hermes (Mercúrio) — um bastão alado entrelaçado por duas serpentes "☤", associado ao comércio e à diplomacia — e adota o Bastão de Asclépio (um bastão com uma única serpente), historicamente correto e também usado pela Organização Mundial da Saúde; a popularização do caduceu em contextos médicos deu-se sobretudo nos Estados Unidos por um equívoco institucional do início do século XX, notadamente no Exército, e não reflete o padrão seguido por conselhos e publicações médicas no Brasil, que reiteram a primazia do símbolo de Asclépio sobre o caduceu.

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História

A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma". É a especialidade médica dedicada ao estudo, diagnóstico, tratamento e prevenção dos transtornos mentais. Sua trajetória histórica reflete profundas mudanças nas concepções sobre a mente, a doença e o sofrimento humano, oscilando entre explicações mágicas, religiosas, filosóficas e científicas. O desenvolvimento da psiquiatria acompanha a evolução das sociedades, das instituições e das ciências médicas, sendo marcada por avanços, controvérsias e desafios éticos.

Origens históricas

Os registros mais antigos conhecidos sobre transtornos mentais provêm da Índia antiga e incluem o compêndio ayurvédico Charaka Samhita, parte da tradição Ayurveda que descreve categorias de “manasika roga” (transtornos mentais), relações com os doṣas e estratégias de cuidado que articulam corpo e mente; em paralelo, textos clássicos como os Vedas, as Upanixades e a Bhagavad Gita apresentam uma visão holística do sofrimento psíquico e mencionam práticas de autorregulação como mantra e meditação. Os primeiros hospitais dedicados ao tratamento de pessoas com doença mental teriam sido estabelecidos na Índia durante o século III a.C., no contexto de reformas associadas ao imperador Ashoka, indicando a existência precoce de provisão institucional para o cuidado em saúde mental.

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Escolas psiquiátricas

As “escolas” alemã, francesa e americana da Psiquiatria são categorias historiográficas que descrevem ênfases clínicas, institucionais e epistemológicas predominantes em determinados contextos nacionais ao longo dos séculos XIX e XX, com amplas zonas de sobreposição e intercâmbio; em linhas gerais, a tradição alemã consolidou uma Nosologia clínico-biológica e uma Psicopatologia descritivo‑fenomenológica (dos quadros, curso e desfecho), a francesa manteve forte marca alienística e semiológica associada a hospitais‑escola parisienses, e a americana evoluiu de uma orientação psicobiológica e depois psicanalítica para um paradigma operacional e de confiabilidade diagnóstica culminando no DSM; figuras matriciais e universidades ancoraram cada eixo: na “escola” alemã, Wilhelm Griesinger (“as doenças mentais são doenças do cérebro”), Emil Kraepelin (distinção entre demência precoce e psicose maníaco‑depressiva com foco em curso e evolução) e a tradição da fenomenologia psiquiátrica de Karl Jaspers e Kurt Schneider (sintomas de primeira ordem) associaram‑se a centros como Universidade de Heidelberg, Universidade Ludwig Maximilian de Munique e Charité em Berlim; na francesa, Philippe Pinel e Jean-Étienne Dominique Esquirol consolidaram o “tratamento moral” e a nosografia clínica nos hospitais Salpêtrière, Bicêtre e Sainte‑Anne, seguidos de Jean-Martin Charcot (ponte com a Neurologia e a Histeria), Pierre Janet (dissociação) e autores da teoria da degenerescência como Bénédict Morel, além de descrições como “Folie à deux” e “Bouffée délirante”; na americana, Adolf Meyer em Johns Hopkins estruturou a psicobiologia e o registro longitudinal, o pós‑guerra viu a hegemonia psicanalítica em escolas como Columbia University e o Menninger, e, a partir dos anos 1960–80, o grupo “neo‑kraepeliniano” de Washington University in St. Louis (Eli Robins e Samuel B. Guze) e a liderança de Robert Spitzer promoveram critérios operacionais e estudos de confiabilidade que moldaram o DSM-III, com paralelo fortalecimento da Psiquiatria biológica no sistema universitário (p. ex., Harvard/MGH) e no NIMH; diferenças de método emergem daí: alemães priorizaram curso e desfecho, neuropatologia (Nissl, Alois Alzheimer) e a descrição fenomenológica; franceses privilegiaram a semiologia clínico‑descritiva e a interface com a neurologia hospitalar (Charcot), além de terem protagonizado a virada psicofarmacológica com a Clorpromazina no Sainte‑Anne; americanos deslocaram o eixo para a padronização diagnóstica, a pesquisa clínica multicêntrica e políticas de desinstitucionalização e saúde mental comunitária, enquanto a cartografia universitária contemporânea ainda reflete esses legados (Heidelberg/Munique e Zurique na tradição germânica de nosologia e fenomenologia; Paris–Salpêtrière/Sainte‑Anne na semiologia psiquiátrica e psicofarmacologia inicial; Johns Hopkins e Washington University na virada operacional do pós‑guerra), sem prejuízo das hibridações globais e de influências cruzadas na Psicofarmacologia e na Neurociência; no Brasil, a historiografia aponta influxos franceses (século XIX) e germânicos (fim do XIX e primeira metade do XX) na formação paulista (p. ex., Hospital Psiquiátrico do Juqueri e, depois, cátedras universitárias), mas a atribuição de filiações específicas e estáveis a serviços contemporâneos exige fontes institucionais e acadêmicas primárias e secundárias para cada período, dada a natureza dinâmica dessas tradições e a circulação internacional de docentes e residentes.

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Figuras históricas emblemáticas

Philippe Pinel (1745–1826), médico francês, é amplamente reconhecido como o pai da psiquiatria moderna devido à sua abordagem inovadora e humanitária ao tratamento das doenças mentais. Antes de sua intervenção, pacientes psiquiátricos eram frequentemente tratados como prisioneiros em condições desumanas, confinados em correntes e submetidos a tratamentos cruéis baseados na ideia de que o sofrimento físico poderia aliviar os transtornos mentais.Pinel revolucionou essa prática ao introduzir o conceito de tratamento moral, que defendia o cuidado compassivo e respeitoso com os pacientes. Em 1793, enquanto diretor do Hôpital Bicêtre, em Paris, ele ordenou a retirada das correntes dos pacientes psiquiátricos, um ato histórico que simbolizou o início de uma nova era na psiquiatria. Pinel acreditava que os transtornos mentais tinham causas naturais, como desequilíbrios biológicos e psicológicos, e poderiam ser tratados com intervenções racionais e empáticas, em vez de punições ou explicações sobrenaturais.

António Egas Moniz e a lobotomia

Formado em Medicina pela Universidade de Coimbra, Egas Moniz (1874-1955) foi pioneiro de primeira grandeza na neurologia ao descrever, em 1927, a angiografia cerebral, técnica que permitiu visualizar malformações, aneurismas e tumores intracranianos por meio da opacificação do leito arterial — um marco decisivo no diagnóstico neurocirúrgico do século XX que perdura (com evolução tecnológica) como padrão em neurorradiologia contemporânea. Já em psiquiatria, Moniz propôs em 1935 a leucotomia pré-frontal (com Almeida Lima), baseada na hipótese — então influente — de que vias frontais hiperconectadas sustentariam quadros graves de psicose e agitação; a técnica consistia no seccionamento de fibras da substância branca frontal para “modular” circuitos patológicos. Em 1949, recebeu metade do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina “pela descoberta do valor terapêutico da leucotomia em certas psicoses”, enquanto a outra metade foi concedida a Walter Rudolf Hess (pelos estudos do diencéfalo), refletindo a legitimação internacional que a psicocirurgia gozou por breves décadas, antes de sua derrocada crítica.

Nise da Silveira: arte, afetividade e a crítica brasileira à psiquiatria coercitiva

No Brasil, a trajetória de Nise da Silveira (1905-1999), formada pela Faculdade de Medicina da Bahia e ativa no Centro Psiquiátrico Pedro II (Engenho de Dentro, Rio de Janeiro), tornou‑se referência pela recusa sistemática a práticas então hegemônicas — como eletroconvulsoterapia sem consentimento, comas insulínicos e lobotomia — e pela criação, em 1946, do Setor de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (STOR). Ali, estruturou ateliês de pintura, modelagem e outras oficinas expressivas, ancorando o cuidado em vínculos afetivos e no reconhecimento da pessoa para além do diagnóstico. Em 1952, fundou o Museu de Imagens do Inconsciente para preservação, pesquisa e circulação pública das obras produzidas pelos internos, articulando clínica, arte e ciência, e em 1956 inaugurou a “Casa das Palmeiras”, serviço diurno de reabilitação psicossocial, alternativo às internações prolongadas.

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Evolução do conceito de doença mental

Nas civilizações mesopotâmicas (c. 3500–539 a.C.), a afecção mental era compreendida em registro simultaneamente natural e sobrenatural. Os asû (médicos‑herbalistas) e os âšipu (exorcistas) atuavam de modo complementar, utilizando fármacos botânicos, fórmulas e rituais para aplacar deuses e “expulsar” entidades tidas como agentes de enfermidades; compêndios diagnósticos babilônicos associavam sinais, presságios e prognósticos, revelando um léxico clínico próprio ancorado em causalidade híbrida. A prática de trepanação craniana — documentada desde o Mesolítico e em diferentes regiões — foi interpretada por arqueólogos como tentativa (não exclusiva) de aliviar cefaleias, convulsões ou “espíritos maléficos”, denotando, ao menos em parte, um horizonte terapêutico para sintomas neuropsíquicos. No Egito faraônico, a medicina articulava cosmologia religiosa e empiria: papiros como o de Ebers descrevem condutas para “doenças do coração e da mente”, enquanto a mumificação favoreceu observações anatômicas; amuletos e exorcismos coabitavam com receitas farmacológicas e procedimentos práticos.

Século XX

A psicanálise, fundada por Sigmund Freud, deslocou o foco para conflitos inconscientes, mecanismos de defesa e a historicidade do sujeito, propondo uma etiologia multifatorial ancorada em experiências infantis e dinâmicas psíquicas. ;Psiquiatria biológica A partir da década de 1950, a descoberta de psicofármacos (clorpromazina, antidepressivos tricíclicos/IMAOs, lítio) transformou o tratamento, permitindo desospitalização progressiva; a terapia eletroconvulsiva (ECT), hoje praticada com anestesia e parâmetros seguros, manteve lugar em quadros graves (catatonia, depressão psicótica). Já a psicocirurgia (como lobotomia) foi abandonada por ineficácia e danos éticos e cognitivos substanciais. ; Sistemas classificatórios (DSM e CID) A virada operacional com critérios explícitos (RDC; DSM-III em 1980) e a harmonização com a CID-10 (1992) padronizaram diagnósticos e fortaleceram a confiabilidade interavaliadores; críticas recorrentes apontam riscos de medicalização excessiva e fragmentação do sofrimento psíquico e defendem abordagens dimensionais e contextuais. ; Antipsiquiatria e reforma Thomas Szasz, R. D. Laing e Michel Foucault criticaram fundamentos conceituais, práticas coercitivas e o papel institucional da psiquiatria; na Itália, Franco Basaglia inspirou a Lei 180/1978 (fechamento gradual de manicômios), e no Brasil a Lei nº 10.216, de 2001 consolidou a reforma psiquiátrica e a priorização do cuidado comunitário.

O modelo biopsicossocial e desenvolvimentos recentes

Em 1977, George L. Engel propôs o modelo biopsicossocial, integrando fatores biológicos, psicológicos e sociais na compreensão e no cuidado das doenças, como alternativa ao reducionismo biomédico e em diálogo com a Teoria Geral dos Sistemas. O modelo orienta a avaliação clínica de modo contextualizado, promovendo intervenções integradas e centradas na pessoa; críticas como as de Nassir Ghaemi alertam, porém, para o risco de ecletismo pouco rigoroso e para dificuldades práticas de implementação. Desdobramentos incluem propostas “biopsicossociais‑espirituais”, a medicina centrada na pessoa e frameworks de pesquisa dimensionais, como o Research Domain Criteria (RDoC) do NIMH, que organiza domínios funcionais (afetos, cognição, socialidade) em múltiplos níveis de análise (genes a comportamento), sem substituir a classificação clínica corrente, mas informando sua revisão e a busca de marcadores transdiagnósticos.

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Bases neurobiológicas modernas da Psiquiatria

A psiquiatria é o ramo da medicina dedicado especificamente à mente, com o objetivo de estudar, prevenir e tratar perturbações mentais em humanos. É frequentemente descrita como uma área de fronteira entre o mundo social (contextos, normas e relações) e a experiência subjetiva de quem sofre com uma perturbação mental. Os especialistas em psiquiatria diferenciam‑se de outros profissionais de saúde mental e de outros médicos por necessitarem de domínio tanto das ciências sociais quanto das ciências biológicas. A disciplina estuda o funcionamento de órgãos e sistemas corporais tal como se expressam na experiência subjetiva do paciente, articulada à sua fisiologia objetiva. Tradicionalmente, a clínica psiquiátrica abrange grandes grupos como perturbações mentais, deficiência intelectual de grau grave e perturbações da personalidade, embora a classificação e os limites entre categorias tenham evoluído com os sistemas diagnósticos modernos. Apesar de o foco geral da psiquiatria se manter (aliviar o sofrimento e restaurar o funcionamento), os processos diagnósticos e terapêuticos mudaram de forma notável, especialmente a partir do final do século XX, quando o campo se aproximou mais da biologia e se integrou de maneira menos isolada às demais áreas médicas.

Neurociências

A Psiquiatria contemporânea é fortemente influenciada pelos avanços da Neurociência, que permitiram a identificação de circuitos cerebrais, sistemas de neurotransmissores e biomarcadores neuroquímicos subjacentes aos transtornos mentais. O desenvolvimento de técnicas de Neuroimagem e a integração de conceitos como Neuroplasticidade, neuroinflamação e o eixo intestino-cérebro têm revolucionado a compreensão, o diagnóstico e o tratamento das doenças psiquiátricas.

Genética e epigenética

O campo da genética psiquiátrica tem raízes no século XIX, com Francis Galton propondo métodos para distinguir influências hereditárias e ambientais em traços comportamentais. Estudos sistemáticos de famílias, gêmeos e adoção, realizados nas décadas de 1920 e 1930, estabeleceram a base empírica para a hereditariedade de transtornos psiquiátricos. Destaca-se o trabalho de Irving Gottesman e James Shields, que, nos anos 1960 e 1970, demonstraram a herdabilidade da esquizofrenia e propuseram modelos poligênicos para o risco de transtornos mentais. Com o avanço das técnicas moleculares, os anos 1980 e 1990 foram marcados por estudos de ligação e de genes candidatos, que, apesar de pioneiros, apresentaram limitações de reprodutibilidade. A revolução ocorreu a partir de 2007, com os estudos de associação genômica ampla (GWAS), liderados pelo Psychiatric Genomics Consortium, que permitiram identificar centenas de variantes comuns associadas a transtornos como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão maior.

Integração biopsicossocial

O modelo biopsicossocial surge como resposta crítica às limitações do paradigma biomédico, que historicamente privilegiava explicações estritamente biológicas para os transtornos mentais. Engel propôs que a compreensão das doenças deveria considerar, de forma integrada, determinantes biológicos, psicológicos e sociais, especialmente em psiquiatria, onde fatores subjetivos e contextuais são centrais. Precursores como Adolf Meyer, com sua psicobiologia, já defendiam a análise do comportamento humano e dos transtornos mentais como resultado da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Roy Grinker, em 1952, utilizou o termo “biopsicossocial” para descrever uma abordagem integrativa dos transtornos mentais. A definição de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1946, como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social”, influenciou decisivamente o desenvolvimento do modelo biopsicossocial. O modelo foi incorporado progressivamente aos sistemas classificatórios internacionais, como o DSM e a CID, que passaram a reconhecer fatores psicossociais e culturais no diagnóstico e manejo dos transtornos mentais.

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Sistemas de classificação diagnóstica

Os sistemas de classificação diagnóstica em psiquiatria são instrumentos padronizados que visam aumentar a confiabilidade, a comparabilidade internacional e a utilidade clínica da identificação dos transtornos mentais, servindo também a propósitos epidemiológicos, administrativos e de pesquisa. As duas referências hegemônicas são o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da American Psychiatric Association, em sua revisão de texto de 2022 (DSM-5-TR), e a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, 11ª revisão (CID-11), que entrou em vigor globalmente em 2022, com proposta “digital-first” e arquitetura compatível com prontuários eletrônicos. Enquanto o DSM tem especial predominância nos Estados Unidos, a CID é adotada oficialmente pelos Estados‑Membros da OMS para estatísticas de mortalidade e morbidade, com capítulo específico para transtornos mentais, comportamentais e do neurodesenvolvimento; há, entretanto, esforços sistemáticos de harmonização entre ambos, buscando convergência terminológica e de critérios sem perder suas finalidades distintas (clínica/pesquisa no DSM; vigilância e interoperabilidade global na CID).

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Formação

História

A psiquiatria como especialidade médica começou a se consolidar no final do século XVIII, com os estudos do médico francês Philippe Pinel, que introduziu o conceito de "tratamento moral" e reformou o cuidado aos pacientes com transtornos mentais. No século XIX, surgiram os primeiros hospitais psiquiátricos especializados, como o Bethlem Royal Hospital em Londres e o Hospital Psiquiátrico de Charenton na França, que se tornaram centros de referência para o ensino e a prática psiquiátrica. Nos Estados Unidos, a psiquiatria começou a se estruturar como especialidade no final do século XIX, com a fundação da American Psychiatric Association (APA) em 1844. Na Europa, a Alemanha desempenhou um papel central no desenvolvimento da psiquiatria científica, com nomes como Emil Kraepelin, que introduziu a classificação sistemática dos transtornos mentais, e Sigmund Freud, que fundou a psicanálise.

Principais organismos reguladores

A residência médica em psiquiatria é a principal via de formação de especialistas em saúde mental em todo o mundo. Sua duração, estrutura e critérios de acreditação variam amplamente, refletindo tradições acadêmicas, necessidades de saúde pública e esforços recentes de harmonização internacional. Os principais organismos reguladores incluem: Historicamente, a duração da residência variou conforme recursos locais e tradições acadêmicas, mas há tendência de convergência para programas mais longos e abrangentes, especialmente em países de alta renda e na União Europeia.

Residências de 3 anos: menor grupo

O grupo de países com residência de 3 anos representa cerca de 31% do total mundial, predominando em nações de baixa e média renda. O Brasil é um dos principais expoentes desse modelo, com características institucionais singulares. Até o ano de 2005 a residência em psiquiatria era de somente de dois anos de duraçao, quando a mudança passasse para três anos por deliberação plenária da CNRM regulada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão do MEC — , conforme comunicações do Conselho Federal de Medicina; com implementação para os residentes aprovados no processo seletivo do fim de 2006 e início efetivo a partir de fevereiro de 2007. A duração de três anos encontra-se consolidada em documentos de acreditação da Associação Brasileira de Psiquiatria e em materiais informativos atuais sobre programas de residência no país, devendo as datas específicas ser referendadas pelo ato oficial (resolução/ata) da CNRM publicado no DOU.

Residências de 4 anos: grupo mais numeroso

A duração de 4 anos é a mais prevalente globalmente, representando cerca de 48% dos países. Este modelo é adotado em nações de diferentes continentes, com currículos progressivamente harmonizados. Outros países incluem África do Sul, Coreia do Sul, Egito, Filipinas, Irã, Israel, Nigéria, Paquistão, Tailândia, Turquia e Vietnã. Nota: Na União Europeia, o reconhecimento automático da especialidade exige pelo menos 4 anos de formação, conforme a Diretiva Europeia.

Residências de 5 anos: treinamento aprofundado e subespecialização

Programas de 5 anos são comuns em países com tradição de formação mais longa e ênfase em subespecialidades, pesquisa e psicoterapia formal. Outros países com programas de 5 anos incluem Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Grécia, Hungria, Itália, Lituânia, Noruega, Polônia, República Tcheca, Romênia e Suécia.

Residências de 6 anos: formação prolongada e maestria

A duração máxima, de 6 anos, é observada em poucos países, notadamente Finlândia, Irlanda, Reino Unido e Suíça. Nesses contextos, a formação inclui extensas rotações em subespecialidades, pesquisa e treinamento psicoterápico aprofundado.

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A prática da psiquiatria

"A psiquiatria, mais do que qualquer outro ramo da medicina, obriga os seus profissionais a confrontarem‑se com a natureza da evidência, a validade da introspeção, problemas de comunicação e outras questões filosóficas de longa data." (Guze, 1992, p. 4). Nos Estados Unidos, a interligação histórica e científica entre psiquiatria e neurologia faz com que a certificação básica e de subespecialidades de ambas seja concedida por um único conselho, o American Board of Psychiatry and Neurology (ABPN), membro do American Board of Medical Specialties. Diferentemente de outros médicos, os psiquiatras enfatizam o vínculo terapêutico e recebem formação, em maior ou menor grau, em psicoterapia e em técnicas de comunicação terapêutica. Diferem também dos psicólogos por serem médicos com formação pós‑graduada (residência) em psiquiatria, com duração de quatro a cinco anos em diversos países, recebendo treino clínico equivalente ao de outras especialidades médicas. Podem, portanto, conduzir aconselhamento clínico, prescrever medicamentos, solicitar exames laboratoriais, pedir neuroimagem e realizar exame físico.Uma fração crescente de profissionais recebe treino em psiquiatria intervencionista e está habilitada a realizar terapias somáticas avançadas, como terapia eletroconvulsiva (ECT), estimulação magnética transcraniana (TMS), estimulação do nervo vago e protocolos com cetamina para depressão resistente, de acordo com diretrizes clínicas e marcos regulatórios.

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Fontes consultadas

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