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Piauí

Piauí é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Localiza-se no noroeste da Região Nordeste, englobando as sub-regiões do Meio-Norte e Sertão. Limita-se com cinco estados: Ceará e Pernambuco a leste, Bahia a sul e sudeste, Tocantins a sudoeste e Maranhão a oeste. Delimitado pelo Oceano Atlântico ao norte, o Piauí tem o menor litoral do Brasil, com 66 km. Sua área é de 251 577,738 km², sendo pouco maior que o Reino Unido, e tem uma população de 3 271 199 habitantes, segundo o censo de 2022.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Etimologia

Inicialmente, as terras do Piauí receberam a denominação de Piagüí, nome dado pelos seus indígenas. Mais tarde, chamaram-nas Piagoí. Somente depois é que ficaram conhecidas por Piauí. O topônimo "Piauí" vem da língua tupi, na qual significa "rio das piabas" (também chamadas de piava ou piau). Também existe a teoria que a palavra Piauí significa "terra dos piagas", ou seja, terra de pajés e povos indígenas.

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História

Pré-história e povos indígenas

Um importante sítio arqueológico brasileiro é a Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, na qual há diversas pinturas rupestres e foram encontrados, desde a década de 1970, diversos artefatos, como carvões e ferramentas de pedra, que podem ter sido produzidos por humanos, o que indica, segundo a arqueóloga Niède Guidon, que a presença humana na região remonta a, pelo menos, 50 mil anos, o que implicaria uma ocupação humana nas Américas muito anterior ao pensado. Entretanto, essa hipótese é bastante polêmica entre os cientistas, o que se deve a diversos fatores, como a grande antiguidade em comparação com outros sítios arqueológicos mais antigos no continente americano, a ausência de fósseis humanos que corroborem uma presença humana tão antiga e a teoria de que os carvões seriam de origem natural e as ferramentas, fabricadas por símios.

Período colonial

O território piauiense começou a ser desbravado provavelmente no início do século XVII, destacando-se, nessa época, a expedição de Martim Soares Moreno, que alcançou a foz do Rio Parnaíba, e a de jesuítas que, ao se dirigirem de Pernambuco ao Maranhão, passaram pelo Piauí. Na segunda metade do século XVII, a região do Piauí foi desbravado por bandeirantes paulistas, os quais caçavam indígenas para escravizar. Destaca-se o nome de Domingos Jorge Velho, que batizou o Rio Parnaíba em homenagem à sua vila natal, Parnaíba (atual Santana de Parnaíba). A colonização do Piauí, a qual ocorreu do interior para o litoral, começou na década de 1670, quando vaqueiros vindos da parte baiana do Vale do São Francisco penetraram em seu território pelo sudeste. Esses colonos receberam sesmarias e combateram grupos indígenas hostis. Ao longo dos rios piauienses, como o Gurgueia, Piauí, Parnaíba e Canindé, formaram-se fazendas de gado. O capitão português Domingos Afonso Mafrense, ou capitão Domingos Sertão, como era conhecido, foi um dos sesmeiros que ocuparam essas terras; possuía trinta fazendas de gado e foi o mais alto colonizador da região, doando suas fazendas, após sua morte, em 1711, aos padres jesuítas.

Período imperial

Em agosto de 1822, Portugal enviou para Oeiras, para evitar a independência do Brasil, João José da Cunha Fidié, nomeado governador de armas do Piauí. Com a independência, províncias do Norte e Nordeste, dentre elas o Piauí, continuaram sob domínio português, apesar de Parnaíba ter jurado lealdade a Dom Pedro I em 19 de outubro, seguida das vilas de Piracuruca e Campo Maior. Pouco mais de seis meses depois do Grito do Ipiranga, em 13 de março de 1823, ocorreu a Batalha do Jenipapo, em Campo Maior, onde piauienses, cearenses e maranhenses, grande parte deles com armas rústicas e sem nenhum treinamento militar, derrotaram as tropas portuguesas, sendo esse um momento marcante para a adesão do Piauí à independência do Brasil. A tropa de Fidié, capitão da tropa portuguesa, saiu enfraquecida e este acabou por ser derrotado e preso em Caxias, no Maranhão, alguns meses depois.

República

Em 1889, com a Proclamação da República, o Piauí se tornou um Estado da Federação e, dois anos depois, foi promulgada a sua primeira constituição. Em 1896, Raimundo Artur de Vasconcelos se tornou o primeiro governador eleito do estado. Politicamente, a República Velha no Piauí foi marcada por relativa tranquilidade política, interrompida algumas vezes – como na ameaça de golpe em 1916, quando o então governador Miguel de Paiva Rosa foi acusado de fraudar as eleições a favor do candidato da situação, e a tentativa de golpe contra o governador João Luís Ferreira em 1922 –, e pelas dificuldades econômicas das gestões estaduais. Do ponto de vista econômico, a República Velha nesse estado foi marcada pela decadência da pecuária e a sua substituição pelo extrativismo de produtos como a maniçoba, carnaúba, babaçu, sisal e ticum.

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Geografia

O relevo piauiense é modesto e de topografia regular, com cerca de 92% do território do estado se encontrando abaixo de 600 m de altitude e 53% abaixo de 300 m. É constituído das seguintes unidades morfológicas: baixada litorânea, planalto de chapadas e cuestas e planície do Parnaíba. A baixada litorânea, no norte, é composta de terrenos arenosos e baixos, com tabuleiros areníticos, estando nela o delta do Parnaíba, o único em mar aberto das Américas. O planalto de chapadas e cuestas equivale à parte oriental da bacia sedimentar do Meio Norte e à maioria do território piauiense. No centro do estado, as camadas geológicas possuem disposição horizontal e formam chapadas com altitudes variando entre 300 e 600 m, enquanto que, no leste, as camadas são inclinadas e formam as chamadas cuestas, com altitudes entre 500 e 700 m, formando a Serra da Ibiapaba, que é uma cuesta, em parte da divisa com o Ceará. A planície do Parnaíba, estreita e alongada, junta-se no norte com a baixada litorânea.

Disputa de limites territoriais

O litígio de limites entre Ceará e Piauí compreende um território de aproximadamente 3.000 km², localizado na Serra da Ibiapaba, nos limites entre os estados brasileiros do Ceará e do Piauí. As regiões reivindicadas passaram a ser popularmente conhecidas como Cerapió e Piocerá. O litígio tem origem no governo colonial de Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire, do Ceará, quando o engenheiro Silva Paulet apresentou um mapa da província que mostrava o limite oeste do litoral até a foz do rio Igaraçu. Dessa forma, a localidade de Amarração, atual cidade piauiense de Luís Correia, faria parte do território do Ceará. Durante o século XIX a localidade teve assistência da cidade cearense vizinha, Granja, até que em 1874 os parlamentares estaduais decidiram elevar a localidade à categoria de vila. Tal atitude chamou a atenção dos políticos do Piauí que reivindicaram o território. A solução para o impasse ocorreu com o Decreto Geral nº 3.012, de 22 de novembro de 1880, determinando que haveria uma troca, na qual o Piauí restabeleceria a totalidade de seu litoral e o Ceará incorporaria os municípios de Crateús e Independência.

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Demografia

Religião

A população do Piauí é predominantemente cristã. Segundo o censo de 2022, a composição religiosa da população piauiense de idade igual ou superior a 10 anos é a seguinte: 77,43% católicos, 15,56% protestantes, 4,3% sem religião, 0,43% umbandistas e candomblecistas, 0,37% espíritas, 1,83% outras religiões e 0,08% não sabe ou não declarou. Isso faz do estado a unidade federativa brasileira com maior proporção de católicos e a menor proporção de protestantes no país. Há uma grande diversidade de manifestações religiosas no Piauí, expressando a identidade multicultural do seu povo. Segundo levantamento realizado por aplicativo desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Teresina, existem mais de 800 terreiros de matriz afro-brasileira na capital. Tendo em vista que são 800 mil habitantes no município, existe praticamente um terreiro para cada mil habitantes. Além das religiões cristãs e monoteístas, no Piauí também se encontram seguidores de espiritualidades politeístas, como o Piaganismo, considerado a primeira religião neopagã brasileira.

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Política e governo

O estado do Piauí, assim como em uma república, é governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Estado do Piauí, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Piauí e outros tribunais e juízes. Além dos três poderes, o estado também permite a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos. A atual Constituição do Estado do Piauí foi promulgada em 1988, acrescida das alterações resultantes de posteriores Emendas Constitucionais. O poder executivo piauiense está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto pela população para mandatos de até quatro anos de duração, podendo ser reeleito para mais um mandato. O atual governador é Rafael Fonteles, do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele foi eleito em primeiro turno em 2022 vencendo o atual prefeito de Teresina, Silvio Mendes.

Símbolos

A bandeira do Piauí foi adotada oficialmente através da lei nº 1.050, promulgada em 24 de julho de 1922 e alterada posteriormente pela lei ordinária no 5.507, de 17 de novembro de 2005. Possui as mesmas cores da bandeira do Brasil, o amarelo representa a riqueza mineral e o verde a esperança. Inscrito dentro do retângulo azul, abaixo da estrela branca, está "13 DE MARÇO DE 1823", dia da Batalha do Jenipapo, que foi introduzida na alteração de 2005. O brasão do estado do Piauí foi adotado através da lei 1050, promulgada em 24 de julho de 1922.

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Subdivisões

O Piauí é dividido em seis regiões geográficas intermediárias e dezenove Regiões geográficas imediatas.

Regiões Geográficas Imediatas

O Governo Estadual do Piauí, para fins de planejamento e administração, dividiu a entidade em 12 Territórios de Desenvolvimento:

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Economia

A economia do estado é baseada no setor de serviços (comércio), na indústria (química, têxtil, de bebidas), na agricultura (soja, algodão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca) e na pecuária extensiva. Ainda merecem destaque a produção de mel, o caju e o setor terciário em Picos e produção de biodiesel através da mamona em Floriano. Sua pauta de exportação se baseou, em 2012, em soja (64,55%), ceras (20,82%), algodão cru (4,73%), mel (2,00%) e alcaloides vegetais (1,82%). A pecuária foi a primeira atividade econômica desenvolvida no estado, fazendo parte de sua tradição histórica. O folclore e os costumes regionais derivam em grande parte da atividade pastoril. Entre os rebanhos, destacam-se os caprinos, bovinos, suínos, ovinos e asininos. A caprinocultura, por sua capacidade de adaptação a condições climáticas inóspitas, tem sido incentivada pelo governo, proporcionando meio de vida a significantes parcelas da população carente, principalmente nas regiões de Campo Maior e Alto Piauí. No Sul do estado, algumas fazendas estão investindo bastante na qualidade genética do rebanho, dentre as quais estão o município de Corrente, no sul do estado, que possui fazendas com um rebanho de alta qualidade genética, e em São Raimundo Nonato, onde a família Paes Ribeiro tem a maior criação de gado. A agricultura no Piauí desenvolveu-se paralelamente à pecuária, como atividade quase que exclusivamente de subsistência. Posteriormente, adquiriu maior caráter comercial, embora de forma lenta e insuficiente para abastecer o crescente mercado interno do Estado. Em 2018, o estado era o 3º maior produtor de grãos do Nordeste.

Turismo

Teresina é a única capital estadual do Nordeste que não está localizada no litoral e é considerada um ponto de entrada para os que visitam várias atrações do estado. Dentre os atrativos da capital piauiense, estão a Ponte Estaiada, o encontro dos rios Poti e Parnaíba, o Parque Zoobotânico, o Museu do Piauí, os parques Potycabana e da Cidadania. Com 66 km, o litoral do Piauí é o menor dentre os estados litorâneos brasileiros e é marcado pelas dunas e lagoas. O Delta do Parnaíba, um dos maiores do mundo, é constituído de várias ilhas e é uma área de proteção ambiental com mangues, espelhos d’água e dunas. Parnaíba se destaca pelo seu centro histórico, Luís Correia por suas praias e Cajueiro da Praia, pela Praia de Barra Grande, uma das mais conhecidas do estado.

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Infraestrutura

Transportes

Teresina possui uma rede de metrô, inaugurada em 1989, sendo um dos principais meios de transporte na capital piauiense. Há planos de prolongá-lo até a cidade vizinha de Altos. A ferrovia São Luís-Teresina é responsável pela ligação entre o Piauí e o Porto do Itaqui, sendo utilizada principalmente para o transporte de combustíveis para a capital piauiense, além de movimentar cimento, contêiners e ferro-gusa. A Ferrovia Teresina-Fortaleza transporta gusa, produtos siderúrgicos, cimento, coque, farinha de trigo e minério entre essas cidades. O Aeroporto de Parnaíba – Prefeito Dr. João Silva Filho está localizado em Parnaíba, principal cidade do litoral piauiense, recebendo voos regionais, nacionais e até internacionais. Localizado na região da Rota das Emoções, é a principal porta de entrada para essa rota turística, que inclui destinos como Jericoacoara, Camocim e os Lençóis Maranhenses. A pista de pouso e decolagem, com 2,5 mil metros de comprimento, está preparada para receber voos internacionais, fretados ou regulares.

Energia

O Piauí tem uma matriz energética diversificada, composta pela Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, localizada no rio Parnaíba, o Parque Solar Nova Olinda, além da geração eólica em usinas como Delta 1 e 2, Padra do Sal, Araripe I, Araripe II, Araripe III e Chapada do Piauí. Em 2018, o estado foi o 3º maior produtor de energia eólica no Brasil, sendo essa a principal fonte energética do estado, com 1.443,10 MW de capacidade instalada.

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Cultura

Devido ao seu tamanho e diversidade de clima, vegetação e relevo, o Piauí é rico em manifestações culturais, com influências portuguesas, indígenas e africanas. As cidades do estado possuem festas dedicadas ao seu respectivo santo padroeiro. Dentre os folguedos, destacam-se o bumba-meu-boi, realizado em fins de julho, e as folias de Reis e do Divino Espírito Santo.

Culinária

A culinária piauiense utiliza em grande quantidade temperos, como o coentro, cebolinha verde, pimenta-de-cheiro e farinha de mandioca. Dentre os pratos típicos dessa cozinha, estão o maria-isabel (arroz misturado com carne seca de boi ou bode), baião de dois (arroz e feijão com carne seca), sarapatel (cozido de miúdos de bode ou porco) e pacoça (carne de sol com farinha de mandioca). Vários pratos típicos do estado levam galinha e galinha d’angola, como a galinhada e o creme de galinha. O caju também é um elemento importante da cozinha do Piauí, do qual são feitos doces e de cujo suco é feita a cajuína, bebida típica dessa unidade federativa brasileira.

Festa junina

A Festa Junina é um festival cultural inspirado nas tradições portuguesas, em que o dia de São João, em 24 de junho, é uma das festas mais antigas e populares do ano. As festividades iniciam-se tradicionalmente a partir do dia 12 de junho, na véspera do dia de Santo Antônio, e duram até o dia 29, que é o dia de São Pedro. Durante esses quinze dias, há fogueiras, fogos de artifício e danças folclóricas nas ruas.

Esportes

O Estádio Governador Alberto Tavares Silva, o Albertão, em Teresina, é o maior e o principal do estado, sendo um dos maiores do Brasil. Inaugurado em 1973 e com capacidade para 53 mil torcedores, possui uma grande importância para o futebol piauiense. No estado, nasceram Sarah Menezes, campeã olímpica no judô; Kawan Pereira, o primeiro brasileiro a chegar a uma final olímpica nos saltos ornamentais; e Cruz Nonata da Silva, medalhista nos Jogos Pan Americanos.

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Fontes consultadas

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