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Parque Nacional da Gorongosa

O Parque Nacional da Gorongosa MHM é uma área de conservação situada na zona limite sul do Grande Vale do Rift Africano, no coração da zona centro de Moçambique.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
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História

Reserva de Caça: 1920-1959

O acto oficial com vista a proteger a região de Gorongosa apareceu pela primeira vez em 1920, quando a Companhia de Moçambique ordenou que 1.000 quilómetros quadrados fossem conservados como uma reserva de caça para os administradores da companhia e seus visitantes. A Companhia controlava toda a região central de Moçambique entre 1891 e 1940, tendo sido esta área concedida pelo Governo de Portugal. Em 1935, o Sr. José Henriques Coimbra foi designado administrador e o Sr. José Ferreira tornou-se no primeiro guia turístico. Naquele mesmo ano, a Companhia de Moçambique alargou o espaço da Reserva para uma área de 3200 quilómetros quadrados para proteger o habitat de Inhalas e Rinocerontes pretos, ambos troféus de caça muito apreciados. Em 1940, a Reserva já se tornara bastante famosa, uma nova administração e um campo turístico foram construídos nas planícies perto do Rio Mussicadzi. Infelizmente este sítio teve que ser abandonado dois anos mais tarde, devido a grandes cheias na época das chuvas. Os leões tomaram conta das construções abandonadas e o lugar tornou-se num grande atractivo turístico por muitos anos, conhecido com o nome de Casa de Leões.

O Parque Nacional: 1960-1980

O novo Parque deu passos significativos de melhorias, com a construção de estradas e outras infra-estruturas. Entre os anos de 1963 e 1965, as instalações de Chitengo foram alargadas para acomodar pelo menos 100 turistas. Nos finais dos anos 60, Chitengo já tinha duas piscinas, um bar e um salão de festas, um restaurante com capacidade de servir entre 300-400 refeições por dia, uma estação de correios e uma estação de abastecimento de combustível, uma clínica para urgências, e uma loja para vender objectos artísticos locais. Igualmente nos finais dos anos 60, realizaram-se os primeiros estudos científicos básicos do Parque, conduzidos por Kenneth Tinley, um ecologista sul-africano. Na primeira investigação, trazida a antena, Tinley e sua equipe registaram cerca de 200 leões, 2200 elefantes, 14 000 búfalos, 5500 bois-cavalos, 3000 zebras, 3500 inhacosos, 2000 impalas, 3500 hipopótamos e manadas de centenas de elandes, pala-palas e gondongas.

A Guerra Civil: 1981-1994

Ameaçada pelo novo governo esquerdista do país vizinho, a África do Sul do Apartheid começou a financiar e armar uma tropa de rebeldes para desestabilizar Moçambique. Em Dezembro de 1981 os soldados da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) atacaram o acampamento de Chitengo e raptaram muitos dos seus trabalhadores, incluindo dois cientistas estrangeiros. A partir daquela data, a violência dentro e nos arredores do Parque aumentou. Em 1983, o Parque foi encerrado e abandonado. Durante nove anos, o Parque Nacional foi palco de frequentes batalhas entre as forças opostas. A violenta batalha terrestre, e os bombardeamentos aéreos destruíram todas as construções. Os grandes mamíferos do Parque sofreram terrível destruição. Os dois beligerantes dizimaram centenas de elefantes para retirar o marfim, que vendiam para obtenção de mais armas e outros equipamentos bélicos. Soldados famintos mataram muitos milhares de zebras, bois-cavalo, búfalos e outros animais ungulados. Os leões e outros grandes predadores foram mortos a tiro por desporto ou morreram de fome por causa do desaparecimento das suas presas.

A Recuperação: 1995-2003

Os primeiros esforços para reconstruir as infra-estruturas do Parque Nacional da Gorongosa e restaurar a fauna bravia começaram em 1994 quando o Banco Africano de Desenvolvimento (ADB) iniciou trabalhos num plano de reabilitação a longo termo. Nos anos seguintes, o Parque abriu portas para os turistas e a União Europeia, com a ajuda da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), lançou um programa de emergência para acabar com a caça furtiva e remover as minas. Cinquenta novos trabalhadores, muitos deles antigos combatentes, foram contratados. Baldeu Chande e Roberto Zolho, ambos trabalhadores do Parque antes da Guerra, regressaram para assumir a liderança, Chande como Director do Programa de Emergências e Zolho como coordenador da fauna e administrador.

A Restauração: 2004-Presente

Em 2004, o Governo de Moçambique, e a Carr Foundation acordaram um plano de trabalho conjunto para restaurar as infra-estruturas do Parque Nacional da Gorongosa, restaurar a população da fauna e da flora e incentivar o desenvolvimento da economia local, deste modo abrindo uma nova e importante página na história do Parque Nacional da Gorongosa. Um dos primeiros e mais significativos indicadores desta mudança apareceu em 2006 com a conclusão dos 6000 hectares (60 quilómetros quadrados) do santuário para fauna bravia e a introdução de búfalos e bois-cavalos no ecossistema. Dado o sucesso deste projecto inicial de três anos, o Governo de Moçambique e a Carr Foundation anunciaram em 2008 a assinatura de um acordo para restaurar e co-gerir o Parque nos próximos 20 anos.

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Ecologia

Geologia

O vale é igualmente impressionante, uma secção de 4.000 quilómetros quadrados do famoso sistema do Vale do Rift Oriental, uma das características geológicas mais conhecidas de África que se estende ao longo da África Oriental, desde a Etiópia até à região Central de Moçambique. Grandes deslocações de placas tectónicas iniciaram a sua formação cerca de 30 milhões de anos atrás. Outras deformações, saliências e reentrâncias da crusta terrestre, durante milhares de anos modelaram os planaltos por ambos lados e a serra a Oeste. O clima tropical de savana de Moçambique, com um ciclo anual de períodos húmidos e secos, constitui mais um outro factor para a equação complexa da biodiversidade: uma mudança constante de humidade nos solos que se vai alterando à medida que os solos se vão elevando em relação ao nível das águas do mar. A escassos 21 quilómetros da Serra, o vale, situado a 14 metros sobre o nível das águas do mar, recebe menos de metade da precipitação daquela.

Hidrologia

O Parque Nacional da Gorongosa protege um vasto ecossistema bem definido, modelado e alimentado pelos muitos rios que correm para o lago Urema. O rio Nhandunguè, por exemplo, atravessa o Planalto do Baruè no seu percurso normal para o vale. Os rios Nhanduè e Mucombezi entram no Parque vindos do Norte. A Serra da Gorongosa contribui com o rio Vunduzi. Muitos riachos e canais entram no Parque vindos do Planalto de Cheringoma. Todos aqueles rios formam a Bacia do Urema, com uma área aproximada de 7.850 quilómetros quadrados. O lago Urema situa-se a meio do vale, a cerca de três quartos do caminho para baixo a contar da fronteira norte do Parque. O Rio Muaredzi, que corre desde o planalto de Cheringoma, deposita sedimentos perto do escoadouro do lago, desacelerando a sua drenagem. Este “tampão” leva a que o lago Urema se expanda grandemente na estação das chuvas. A água que consiga passar este cone aluvial prossegue através do rio Urema, deságua no Pungué e por fim no Oceano Índico. Na estação das chuvas quando há inundações, a água invade o vale e as planícies, cobrindo cerca de 200 quilómetros quadrados de terra, em anos piores. Durante algumas estações secas, as águas do lago chegam a encolher para o tamanho de 10 quilómetros quadrados. A expansão e retracção constante das águas nestas terras baixas, por entre uma manta de retalhos de savana, floresta e bosques cerrados, cria um complexo mosaico de pequenos ecossistemas que contêm mais abundância e diversidade de vida selvagem do que qualquer outra zona do Parque.

Vegetação

Os cientistas identificaram três tipos principais de vegetação que sustentam a riqueza da fauna bravia do Ecossistema da Grande Gorongosa. Setenta e seis por cento é constituída por savanas--uma combinação de capim e arbustos que favorece a irrigação dos solos. Catorze por cento é de florestas—diferentes tipos de bosques e matas. O resto é capim sujeito a duras condições sazonais, que impedem o desenvolvimento de árvores. Todos os três tipos encontram-se ao longo de todo o sistema, com muitos subtipos e variedades. A Serra da Gorongosa tem florestas tropicais, capim de montanha, floresta de galeria ao longo dos rios, e matas e savanas em altitudes mais baixas. Os dois planaltos estão cobertos de um tipo de savana de copa fechada, comum na África Austral, de nome “miombo,” palavra de origem Swahili que designa a árvore predominante, da genus brachystegia. Cerca de 20 % do capim do vale está debaixo de água durante grande parte do ano.

A Serra da Gorongosa

Mais de 2000 pessoas vivem na Serra da Gorongosa. Os residentes praticam agricultura de subsistência e os produtos obtidos dessa prática têm uma significativa contribuição para as necessidades nutricionais da população residente, preenchendo os mercados do distrito com uma enorme variedade de produtos frescos para vender. Vivem na serra há várias gerações e a sua prática social e agrícola permite que a floresta tropical na serra tenha condições para suportar espécies raras e ameaçadas, incluindo algumas endémicas como a Oriolus chlorocephalus. O estado deste sistema ecológico, raro no que toca ao grau de preservação graças às práticas dos residentes, atrai a atenção de conservacionistas, ornitólogos, botânicos e entusiastas da vida selvagem a nível mundial. Pelo menos 500 famílias podem ser encontradas a viverem nas zonas férteis acima dos 700m, numa área caracterizada por vales adequados à agricultura de subsistência de pequena escala. Em julho de 2010 o Governo de Moçambique e o Projecto de Restauração da Gorongosa (chefiado pela Fundação Carr) anunciou que a Serra da Gorongosa seria anexada ao parque, ficando com um total de 4067km2.

Vida selvagem

A Gorongosa é habitada por uma impressionante diversidade de animais e plantas – alguns dos quais não se encontram em mais lado nenhum no mundo, como a nova espécie de musaranho descoberta em 2011, a Myosorex meesteri. A riqueza da biodiversidade cria um mundo complexo onde animais, plantas e pessoas interagem. Dos mais pequenos insectos ao mamíferos maiores, cada um desempenha um papel importante no ecossistema da Gorongosa. Apesar de muita da vasta população herbívora do parque ter sido dizimada durante os anos de guerra e de caça furtiva, quase todas as espécies naturalmente características da região, incluindo mais de 400 tipos de aves, acabaram por sobreviver. Com uma gestão efectiva e reintrodução de espécies-chave, as populações de vida selvagem voltarão a contar-se segundo valores naturais e ajudarão a restaurar o equilíbrio ecológico do parque.[carece de fontes?]

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Fontes consultadas

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