Papa Pio XII
Pio XII (em italiano: Pio XII; em latim: Pius XII), nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli; foi o Papa da Igreja Católica, Bispo de Roma e Soberano da Cidade do Vaticano de 2 de março de 1939 até a data de sua morte.
Em 2 de março de 1939, quando já se podia antever a nova conflagração mundial, no dia de seu 63.º aniversário, na terceira votação, Pacelli tornou-se o primeiro Secretário de Estado, desde o Papa Clemente IX em 1667, a ser eleito papa; escolheu o nome de Pio XII, na continuidade do pontificado precedente, Pacelli foi ainda o primeiro Camerlengo desde Leão XIII em 1878, o primeiro membro da Cúria desde o Papa Gregório XVI (1831), o primeiro romano desde o Papa Clemente X em 1670 a ser eleito papa e também o primeiro papa a assumir o pontificado, através do primeiro conclave depois da ratificação do Tratado de Latrão em 11 de fevereiro de 1929.
Início
Pacelli, primogênito de família da nobreza italiana, era neto de Marcantonio Pacelli, que foi subsecretário do Ministério das Finanças Papais e foi secretário do Interior sob o pontificado de Pio IX a partir de 1851 a 1870 e foi o fundador do jornal oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano, em 1861. Seu pai, Filippo Pacelli (1837-1916), é advogado da Rota Romana e depois advogado consistorial, mostra-se desfavorável à integração entre os Estados Papais e o Reino da Itália. Sua mãe, Virgínia Graziozi (1844-1920) vem de uma família distinguida pelos seus serviços prestados à Santa Sé. Finalmente, seu irmão, Francesco Pacelli, médico e advogado, doutor em direito canónico para a Santa Sé, será um dos negociadores dos acordos Latrão, em 1929.
Serviço na Cúria
Depois de dois anos como cura da Chiesa Nuova, onde fora sacristão, em 1901, ingressou na Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, responsável pelas relações internacionais do Vaticano, por recomendação do cardeal Vicenzo Vannutelli. Pacelli assistiu o conclave de 1903, quando vê um Imperador, Francisco José I da Áustria, opor pela última vez um "veto" (Jus exclusivæ) à eleição de um cardeal a papa, seria contra o Cardeal Rampolla. Em 1904, foi nomeado pelo Cardeal Pietro Gasparri secretário da Comissão para a codificação do direito canônico, tornou-se também camareiro de Sua Santidade, sinal de confiança do papa. Publicou um estudo sobre "A Personalidade e territorialidade das leis, especialmente no direito canónico", em seguida, publicou um "Livro Branco" sobre "A separação entre Igreja e Estado na França". Pacelli declina do convite para lecionar em inúmeras cadeiras de Direito Canônico, bem como no "Apollinaire" e na Universidade Católica de Washington. Aceita, no entanto, ensinar na Pontifícia Academia Eclesiástica, sementeira da Cúria Romana. Em 1905, foi promovido a "prelado doméstico" de Sua Santidade.
Núncio Apostólico
Foi nomeado Núncio Apostólico na Baviera pelo Papa Bento XV em 20 de abril de 1917, três dias depois é nomeado arcebispo in partibus de Sardes, a sua ordenação se dá na Capela Sistina, pessoalmente pelo próprio papa, no dia 13 de maio de 1917, data das aparições da Virgem de Fátima, em plena Primeira Guerra Mundial. Começa o trabalho no momento da recepção da nota de 1 de agosto de 1917, de Bento XV, trabalhará tendo a paz e o auxílio às vítimas do conflito como principal objetivo, mas só obtém resultados decepcionantes. Esforça-se por conhecer bem a Igreja Católica na Alemanha, visita as dioceses e frequenta os principais eventos católicos como o Katholikentag. Tomou ao seu serviço a alemã irmã Pasqualina, que se tornou a sua governanta até final de sua vida.
O Cardeal Secretário de Estado
Exerce a nunciatura na Alemanha até ser criado cardeal em 16 de dezembro de 1929 pelo Pio XI, com o título de Cardeal-presbítero de "São João e São Paulo". Em 8 de Fevereiro de 1930 é nomeado Secretário de Estado — por coincidência no mesmo dia que, em 1901, sem ter completado ainda vinte e cinco anos, atravessou pela primeira vez os umbrais da Secretaria de Estado — o cardeal Pacelli recebeu da Bulgária votos especiais, formulados por um idoso monge que invocava para ele a docilidade de David e a sabedoria de Salomão, quem escrevia ao futuro Papa Pio XII era aquele que lhe sucederia com o nome de João XXIII. Por nove anos foi fiel e principal colaborador de Pio XI, numa época marcada pelo totalitarismo: os fascistas, nazistas e os comunistas soviéticos foram condenados, respectivamente, nas encíclicas Non abbiamo bisogno, Mit Brennender Sorge (Com profunda preocupação) e Divini Redemptoris e pela encíclica Firmissimam constantiam criticou as sangrentas perseguições do laicismo maçônico contra os católicos do México.
As "folhas de audiência"
O Arquivo Secreto do Vaticano publicou em 2010 I "flogli di udienza" del cardinale Eugenio Pacelli segretario di Stato. Pacelli, durante o período que vai de 8 de fevereiro de 1930 a 10 de fevereiro de 1939 começou a tomar notas dos encontros com o Papa Pio XI, e depois também daqueles com os diplomatas e eclesiásticos, com uma frequência que se manteve quase cotidiana durante um decênio, até poucas horas antes da morte de Pio XI. Estas anotações foram conservadas pelo autor depois da eleição papal, contendo 2 627 folhas e documentam 1 956 audiências. São apontamentos destinados ao trabalho da Secretaria de Estado e da Cúria romana e eram até agora uma fonte desconhecida de interesse para a história contemporânea.
No Brasil
Nos dias 20 e 21 de outubro de 1934, o governo brasileiro recebeu a visita do Cardeal Eugenio Pacelli, que foi hospedado no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, na época capital da República, e visitou o monumento do Cristo Redentor. Para comemorar o evento foi determinada uma emissão de selos que foi confiada à Tipografia Alexandre Ribeiro & Cia, empresa local, que os imprimiu em curto espaço de tempo, para coincidir o seu lançamento com a chegada do cardeal ao país. Estes selos ficaram conhecidos na filatelia brasileira como os "selos Pacelli" e foram emitidos no valor de 300 Réis e 700 Réis.
Mit brennender Sorge
Entre 1933 e 1939, Pacelli emitiu 55 protestos de violações do Reichskonkordat. Mais notavelmente, no início de 1937, Pacelli pediu a vários cardeais alemães, incluindo o Cardeal Michael von Faulhaber que o auxiliassem na redação de um protesto contra as violações nazistas do Reichskonkordat, o que viria a se tornar em 1937 na encíclica de Pio XI conhecida como Mit brennender Sorge. A encíclica foi escrita em língua alemã e não em latim, língua dos documentos habituais e oficiais da Igreja Católica Romana. Secretamente distribuída por um exército de motociclistas foi lida em cada púlpito da Igreja Católica alemã no Domingo de Ramos de 1937, nele condenou o paganismo e a ideologia do Nazismo. Pio XI creditava a sua criação e redação a Pacelli. Foi a primeira denúncia oficial do nazismo feita por qualquer grande organização e resultou em perseguição da Igreja pelos nazistas enfurecidos que fecharam todas as gráficas que participaram da impressão do documento e "tomaram inúmeras medidas vingativas contra a Igreja, incluindo a realização de uma longa série de ensaios sobre a imoralidade do clero católico". Em 10 de junho de 1941, o papa comentou sobre os problemas do Reichskonkordat em uma carta ao bispo de Passau, na Baviera: "A história dos shows Reichskonkordat, que o outro lado não tinha os pré-requisitos mais básicos para aceitar as liberdades mínimas e direitos da Igreja, sem a qual a Igreja não pode simplesmente viver e operar, acordos formais, não obstante".
O esforço pela paz
Nomeou seu Secretário de Estado o cardeal Maglione, antigo núncio em Paris. Evitar a guerra a todo custo foi a sua primeira preocupação. Pode-se dizer que Pio XII foi um dos principais protagonistas daqueles dias tão carregados de tragédia, porque procurou, com todas as suas forças, evitar a guerra. Tendo adquirido uma grande experiência diplomática, tem ciência de que o espera um dos mais agitados períodos da história. Na sua primeira intervenção radiofônica com a mensagem Dum gravissimum, em 3 de março de 1939, manifesta preocupação pelo quanto se temia então: "Nestas ansiosas horas, enquanto muitas dificuldades parecem se opor à realização da verdadeira paz, que é a mais profunda aspiração de todos, levamos nossa súplica a Deus, uma oração especial por todos aqueles que têm a maior honra e o enorme peso de guiar o povo no caminho da prosperidade e do progresso civil."
Pós-guerra
Na sua radiomensagem Ecco alfine de 9 de maio de 1945 Pio XII reafirma o que tanto já vinha repetindo, que "só a paz e a segurança imposta sob justiça podem garantir ao povo um ordenamento público conforme as exigências fundamentais da consciência humana e cristã". Diante do crescimento do comunismo soviético denuncia a violência exercida contra os povos eslavos na alocução Nell’accogliere, de 5 de junho de 1945 e reage contra a perseguição religiosa é exercida nessas regiões. Na Mensagem Ecce ego declinabo de 24 de dezembro de 1954 denuncia os males da Guerra Fria e na mensagem natalícia de 1955 Col cuore aperto rejeita mais uma vez de modo expresso a doutrina do comunismo afirmando-a contrária à doutrina cristã e ao direito natural.
As eleições italianas de 1948
Em fins de 1947, a Assembleia Constituinte italiana havia concluído o texto de uma nova constituição que entraria em vigor em 1 de janeiro de 1948. Haviam sido convocadas eleições gerais para 18 de abril de 1948, comunistas e socialistas coligaram-se contra a Democracia Cristã liderada por Alcide De Gasperi. À vista do bloqueio de Berlim naquele ano, a guerra fria entre a Rússia e as democracias ocidentais e a perseguição religiosa por trás da "cortina de ferro" levaram Pio XII a declarar que "soara a hora capital da consciência cristã". Em suas palavras "toda a nação estava em plena transmutação dos tempos, que requeria por parte da Cabeça e dos membros da Cristandade, suma vigilância, incansável diligência e uma ação abnegada".
Beatificações e canonizações
No seu pontificado, o Papa Pio XII canonizou oito santos, incluindo o Papa Pio X, e beatificou cinco pessoas. No seguimento dos pedidos de Jesus feitos à Beata Alexandrina de Balazar e posteriormente endereçados para o Vaticano pelo seu diretor espiritual, o Padre Mariano Pinho, Pio XII efetuou a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria em 1942.
Pio XII faleceu em 1958, vítima de uma parada cardíaca, após alguns dias de uma deterioração súbita de sua saúde. Antes de ser exposto para a despedida dos fiéis no Vaticano, o corpo do católico foi velado por cardeais no Castel Gandolfo, a residência de verão do pontífice. Antes de sua morte, Pio XII foi convencido a passar por um método supostamente inovador para o embalsamento, denominada osmose aromática, visto que o Papa não queria ter seus órgãos removidos após a morte. O oftalmologista Riccardo Galeazzi-Lisi, chefe da equipe médica do Vaticano, disse ter replicado a técnica utilizada por figuras importantes, como o Rei Carlos Magno, de maneira eficiente. O método consistia de em permitir ao corpo do papa absorver resinas voláteis e certos óleos e outras substâncias com ação desoxidante. Nenhuma injeção foi aplicada, e um lençol de celofane foi colocado e deixado sobre o corpo por vinte horas. Riccardo dizia em entrevistas que o método seria tão bom que não havia necessidade de desnudar o corpo, apesar de suas vestes terem sido trocadas. A ideia de Galeazzi-Lisi contradizia as técnicas tradicionais de embalsamento, que consistem em remover o sangue, aplicar fluido a base de formol nas artérias e deixar o cadáver frio – diferente de adicionar mais líquidos e deixá-lo em ambiente abafado.
Em 1965 o Papa Paulo VI deu início à causa da sua beatificação anunciando o fato durante o Concílio Vaticano II. No dia 8 de maio de 2007, a Congregação para a Causa dos Santos, à unanimidade, reconheceu que Pio XII praticou as virtudes teologais e as virtudes humanas em grau de heroísmo, submetendo a Papa Bento XVI a decisão de declará-lo Venerável, último estágio que antecede à declaração de beato. A Congregação revisou três mil páginas de documentos e testemunhos sobre a vida de Pio XII. Porém, em dezembro de 2007, Bento XVI determinou o estudo mais aprofundado de alguns documentos para o que criou uma comissão dentro da sua Secretaria de Estado, o que implica num retardamento na tramitação do processo. Em 2008, Bento XVI, celebrando na Basílica de São Pedro os 50 anos da morte do servo de Deus Pio XII, exortou a rezar a fim de que continue felizmente a causa de beatificação. No dia 19 de dezembro de 2009 o Papa Bento XVI proclamou-o "Venerável", ao promulgar o decreto que reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus Pio XII, um importante passo dentro do processo de beatificação, que fica aguardando somente a existência de um milagre realizado pela intercessão do Papa Pacelli.
Segundo o Papa Bento XVI, depois das Sagradas Escrituras, o Papa Pio XII é o autor ou fonte autorizada mais citada nos documentos do Concílio Vaticano II (1962-1965). Bento XVI considera que não é possível entender o Concílio Vaticano II sem levar em conta o magistério de Pio XII. (…) A herança do magistério de Pio XII foi recolhida pelo Concílio Vaticano II e proposta às gerações cristãs posteriores. Nas intervenções orais e escritas se encontram mais de mil referências ao magistério de Pio XII e o seu nome aparece mencionado em mais de duzentas notas explicativas dos documentos do Concílio, estas notas com frequência constituem autênticas partes integrantes dos textos conciliares; não só oferecem justificativas de apoio para o que afirma o texto, mas também oferecem uma chave de interpretação, disse o Papa Bento XVI no discurso que dirigiu aos participantes do congresso sobre "A herança do magistério de Pio XII e o Concílio Vaticano II", promovido pelas universidades pontifícias Gregoriana e Lateranense, no 50.º aniversário da morte de Pio XII (2008).
Foi autor de 43 encíclicas e de muitos outros documentos, alocuções e mensagens papais. Entre as suas mais representativas mensagens estão:
Cinema
Sob a direção de Marcus Rosenmüller, foi produzido entre 2009 e 2010, o filme para TV Gottes mächtige Dienerin ("A poderosa servidora de Deus"), sobre a vida da irmã Pascalina, que esteve por 40 anos ao serviço, primeiro do núncio Pacelli e, depois da eleição deste como Papa, de Pio XII. Há também o filme "Pastor Angelicus", produzido pela TV italiana, em que o próprio Pio XII atua. O título deriva das profecias de São Malaquias. Em 2002, foi lançado o filme Amen., do cineasta Costa Gavras, que trata da suposta postura omissa de Pio XII e da Igreja Católica frente ao nazismo. Em 2015, foi lançado o filme Shades of Truth, da cineasta Liana Marabini, que defende o fato de Pio XII ser o "Papa dos Judeus" ao invés de o "Papa de Hitler".
Seu papel durante a Segunda Guerra Mundial, no entanto, para vários de seus críticos é controverso. Por outro lado, o seu silêncio durante os primeiros anos da guerra foi reconhecido por muitos historiadores como útil para salvar inumeráveis vidas humanas. Porém, apesar de ninguém considerar a Cúria Papal um exército, nem vê o Papa como um general a quem se recorre para complicadas operações de salvamento e resgate, mas sim acredita ser a Igreja Católica uma força ética e uma reserva moral do Ocidente, de quem espera-se que aja em favor das vítimas justo nesses momentos terríveis. Segundo a visão de seus críticos, ela teria se omitido. Tampouco se tem notícia de manifestações públicas ostensivas no mesmo sentido seja da Cruz Vermelha Internacional, seja de organizações judaicas americanas que não agiram diferentemente. O que é geralmente aceito é que seguiu uma política neutra à semelhança do que o Papa Bento XV havia feito na Primeira Guerra Mundial. O principal argumento tinha duas razões: a condenação pública de Adolf Hitler e do nazismo trariam pouco ou nenhum benefício ao desenrolar da guerra, já que seria certamente censurada na Alemanha e desconhecida para os católicos alemães (embora já houvesse na década anterior à guerra declarações de que catolicismo e nazismo eram incompatíveis); segundo, isso poderia desencadear uma forte perseguição religiosa aos católicos alemães, cortando as rotas de fuga usadas por opositores do nazismo, judeus e ciganos.
Ordenações episcopais
Foi o principal sagrante dos seguintes bispos:


