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Palazzo Vecchio

O Palazzo Vecchio é um palácio de Florença, localizado na Praça da Senhoria da capital toscana. Actualmente é a sede da prefeitura do município florentino e no seu interior acolhe um museu que expõe, entre outras, obras de Agnolo Bronzino, Michelangelo Buonarroti e Giorgio Vasari.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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História

No final do século XIII, as autoridades da cidade de Florença decidiram construir um palácio de modo a assegurar uma eficaz protecção aos magistrados naqueles tempos turbulentos e, ao mesmo tempo, celebrar a sua importância. O desenho do palácio é atribuído a Arnolfo di Cambio, arquitecto do Duomo e da Basílica da Santa Cruz, o qual começou a construí-lo em 1299. O edifício, chamado na época de Palazzo dei Priori (Palácio dos Priores), foi construído sobre as ruínas do Palazzo dei Fanti (Palácio dos Fanti) e do Palazzo dell'Esecutore di Giustizia (Palácio do Executor de Justiça), antes pertencente à família gibelina dos Uberti, caçada em 1266. Incorporou a antiga torre da família Vacca, utilizando-a como parte baixa da torre existente na fachada. Esta é a razão pela qual a torre rectangular (94 m.) não é o centro do edifício. Depois da morte de Arnolfo, em 1302, o palácio foi terminado por outros dois artistas, em 1314.

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O exterior

A fachada principal dá uma impressão de solidez, para o que contribui o acabamento externo, rusticado, em "pietraforte". É dividida em três andares principais com cornijas a marcar a separação entre cada um deles, as quais sublinham duas filas de janelas geminadas neogóticas em mármore, com arcos trilobados, acrescentados no século XVIII em substituição das originais. A parte antiga é coroada por um alpendre saliente sustentado por mísulas em arcos e marcado por uma merlatura do tipo guelfo (com o topo quadrado), enquanto a da torre é do tipo gibelina ("em cauda de andorinha"). Alguns destes arcos possuem buracos, os quais podiam ser utilizados para derramar óleo fervente ou pedras sobre os eventuais invasores.

Arengário e entrada

O estrado realçado frente ao palácio é o chamado arengário, uma zona que toma o nome da "balaustrada" que, em tempos, o cingia e que foi eliminada durante os restauros oitocentistas de Giuseppe Del Rosso. Deste lugar, os priores assistiam às cerimónias citadinas ocorridas na praça. No final do século XV foi decorado com esculturas que, se não foram substituídas por cópias ou ligeiramente deslocadas, ainda se podem admirar. As mais antigas são o Marzocco (1418-1420) e a Judite e Oloferne (1455-1460), ambas as obras criadas por Donatello, as quais foram substituídas por cópias devido à sua preciosidade (o Marzocco está conservado no Bargello, a Judite dentro do palácio). A segunda escultura, em bronze, é proveniente do Palazzo Medici Riccardi, onde ornamentava uma fonte do jardim, tendo sido deslocada para a Piazza della Signoria depois da chamada "segunda caçada dos Médici", simbolizando a derrota da tirania por parte do povo.

Os brasões sobre a fachada

Por baixo dos arcos do alpendre foi pintada, em 1353, uma série de brasões, os quais simbolizam alguns aspectos particulares da República Florentina e ainda hoje retratam, em certo sentido, a situação política do século XIV. A série de nove brasões repete-se duas vezes sobre a fachada e dois deles são, ainda, repetidos uma terceira vez do lado direito. O primeiro que se encontra a partir da esquerda é a cruz encarnada em campo branco, que representa a insígnia do povo florentino e assinala a "res publica" em florença. Seguidamente, encontra-se o lírio florentino encarnado em campo branco, actual símbolo citadino, adoptato pelos guelfos na época da caçada dos gibelinos, em 1266, anulando o brasão gibelino, pintado pouco antes, representado por um lírio branco (como se encontram numerosos nos campos de Florença) em campo encarnado.

A Torre de Arnolfo

A torre do Palazzo Vecchio foi construída cerca de 1310, quando o corpo do palácio estava quase terminado. Colocada sobre a fachada (inspirando-se provavelmente no castelo dos Condes Guidi em Poppi), apoia-se somente em parte na alvenaria de sustentação, apresentando o lado frontal construído completamente em falso, isto é, saliente em relação à estrutura de apoio, com uma solução arquitectónica ao mesmo tempo audaciosa e esteticamente agradável. Com uma altura de cerca de 94 metros, a torre ergue-se sobre uma casa-torre preexistente, a qual pertencia aos Foraboschi ou, segundo outras fontes, aos Della Vacca, pelo que não está centrada em relação à fachada, mas deslocada em direcção ao lado sul.

A porta da Alfândega

A porta do lado norte, vizinha da Via dei Gondi (Rua dos Gondi), carrega sobre o portal, além dos brasões esculpidos de Florença e do Povo, a representação de uma porta encrustada em mármores polícromos, o brasão da Alfândega. Daqui acedia-se, de facto, aos escritórios da Alfândega, a qual tinha os seus armazéns nos subterrâneos do palácio, e que ainda actualmente dá nome ao chamado Cortile della Dogana (Pátio da Alfândega).

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Os pátios

Primeiro pátio

O primeiro pátio, ao qual se acede pelo portão principal da Piazza della Signoria, foi projectado em 1453 por Michelozzo. Em 1565, por ocasião das bodas entre Francisco I de Médici, filho de Cosme I, e Joana de Áustria, irmã do imperador Maximiliano II, o pátio foi transformado e decorado em estilo maneirista, segundo projecto de Giorgio Vasari. Nas lunetas, em volta de todo o pátio, foram reproduzidas as insígnias da igreja e das congregações das arte e dos ofícios da cidade, enquanto nos enquadramentos inferiores estão pintadas, em honra da própria Joana de Áustria, as Vistas de cidades do império dos Habsburgo. A abóbada foi enriquecida com decorações em estilo grotesco.

Segundo pátio

O segundo pátio, também conhecido como Pátio da Alfândega (Cortile della Dogana), possui pilastras maciças construídas, em 1494, por Simone del Pollaiolo para sustentar o Salão dos Quinhentos (Salone dei Cinquecento) no segundo andar. Toma o nome dos escritórios da alfândega, os quais funcionaram ali até à época de Leopoldo II de Toscana (1844). A Alfândega florentina acolhia as mercadorias provenientes do exterior do Grão-ducado e retinha-as em depósito até que o destinatário as importasse ("sdoganasse") pagando a respectiva taxa. Depois da cheia do arno ocorrida no dia 3 de Novembro de 1844, as mercadorias ficaram gravemente alagadas, pelo que se deslocaram estes escritórios para o Casino Mediceo di San Marco, na Via Cavour, antes de ali serem instalados os gabinetes do Tribunal de Apelação.

Terceiro pátio

O terceiro pátio, chamado de Pátio Novo (Cortile nuovo), foi efectuado por Bartolomeo Ammanati e Bernardo Buontalenti como conclusão da ampliação em direcção à Via dei Gondi e à Via dei Leoni. Aqui encontram-se, sobretudo, gabinetes comunais e a escadaria do Sindaco e da Junta.

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O interior - Museu

Primeiro andar

O Salão dos Quinhentos (Salone dei Cinquecento) é um dos mais amplos salões da Itália. Esta imponente sala tem um comprimento de 54 metros e uma largura de 23. Foi construída em 1494 por Simone del Pollaiolo, chamado de il Cronaca, por encomenda de Savonarola que, substituindo os Médici na condução de Florença, a concebeu como sede do Conselho Maior (Consiglio Maggiore), precisamente com 500 membros. Foi, em seguida, alargada por Vasari, para que Cosme I pudesse reunir a Corte neste salão. Durante a transformação ocorrida entre 1555 e 1572, as famosas pinturas incompletas representando a Batalha de Anghiari, por Leonardo da Vinci, e a Batalha de Cascina, por Michelangelo, foram cobertas ou destruídas (ainda não é claro). Da Batalha de Anghiari existe uma célebre cópia de Rubens no Museu do Louvre, mas, de qualquer forma, restam ainda outras cópias das duas obras, além de esboços presentes na abóbada.

Segundo andar

Uma escadaria monumental, projectada por Vasari, conduz ao segundo andar. Este piso contém o Apartamento dos Elementos (Quartiere degli Elementi), uma zona privada de Cosme I dedicada aos elementos Ar, Água, Terra e Fogo, e o Apartamento de Leonor (Quartiere di Eleonora), em tempos habitado por Leonor de Toledo. Estes aposentos consistem em cinco salas e dois alpendres. Cosme I, que aqui tinha o seu apartamento privado, encomendou inicialmente a realização a Battista del Tasso mas, depois da morte deste último, as obras foram terminadas por Vasari e a sua oficina. Este foi o primeiro trabalho de Vasari para os Médici. Estas salas pertenceram a Cosme I.

Outros ambientes

Existe um alpendre que serve de coroação ao bloco central do palácio, imediatamente abaixo da torre. Em algumas das salas deste andar (um terço) encontra-se um dos mais prestigiados laboratórios de restauro, especializado em tapeçarias. O mezzanino entre o primeiro e o segundo andar foi criado por Michelozzo, no século XV, rebaixando o tecto de algumas salas do primeiro andar. Nestas salas habitou Maria Salviati, a mãe de Cosme I, e alguns jovens príncipes. Actualmente acolhe a Colecção Loeser (Collezione Loeser), doada a Florença pelo crítico de arte americano Charles Loeser.

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Fontes consultadas

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