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Objeto voador não identificado

Objeto voador não identificado (OVNI), também chamado de UFO, e mais recentemente chamado de unidentified anomalous phenomenon (UAP), é um objeto ou luz vistos no céu que não consegue ser identificado pelos observadores com os meios de exame ao seu dispor.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Definição

O Relatório Condon, publicado em 1968 por um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado, sob direção científica do físico nuclear Dr. Edward Condon e financiado pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), definiu OVNI como sendo um "estímulo que provoca um relato, por um ou mais indivíduos, de algo visto no céu (ou um objeto considerado capaz de voar, mas pousado na terra) que o observador não consegue identificar como tendo uma origem natural vulgar, parecendo-lhe suficientemente enigmática a ponto de comprometê-lo a fazer um relatório à polícia, autoridades governamentais, imprensa, ou talvez a representantes de organizações privadas devotadas ao estudo de tais objetos". O falecido astrônomo e ufólogo estadunidense J. Allen Hynek, em seu livro The UFO Experience de 1972, dividiu seus pares em dois grupos. Um ridicularizava o assunto, se recusando a investigá-lo. O outro, se investigasse, o trataria como um fenômeno psicológico, mesmo que envolvesse mais de uma pessoa. Declarações foram contestadas por ele: de que nunca pessoas treinadas cientificamente relatavam OVNIs. Ele contestou. De que os relatos vinham de pessoas sem instrução, novamente contestou: não significava sem inteligência. Que vinham de pessoas com instabilidade mental. Hynek alegou que pesquisas com doentes mentais não comprovavam tal ligação. Em 1981, escreveu que três aspectos trouxeram grande descrédito ao tema: que os declarados OVNIs eram na maioria dos casos equívocos de eventos comuns; a crença do não estamos sós e grupos muito ativos de crentes em visitas celestiais, com fervor quase religioso. Para combater esses equívocos e a noção de que OVNI é sinônimo de visitantes espaciais, em 1972 ele o definiu como: "a percepção relatada de um objeto ou luz vistos no céu ou sobre a terra, cuja aparência, trajetória e comportamento dinâmico geral; e luminescente não sugerem uma explicação lógica e convencional, e que não só é incompreensível para os percipientes originais, mas permanece não identificada após um exame minucioso de todas as evidências disponíveis por pessoas tecnicamente capazes de, com bom senso, fazer uma identificação se ela for possível".

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Termos correlatos

UFO é a sigla, em inglês, para Unidentified Flying Objects (objetos voadores não identificados). Esse termo foi criado no âmbito do Projeto Livro Azul, pelo capitão da USAF, Edward J. Ruppelt. Em seu livro The Report on Unidentified Flying Objects de 1956, Ruppelt declara: "UFO é o termo oficial que eu criei para substituir as palavras discos voadores". No Oxford English Dictionary, é atribuída a primeira referência publicada do termo ao major da marinha Donald Keyhoe em 1953. UAP é a sigla, em inglês, para Unidentified Aerial Phenomena (fenômenos aéreos não identificados) utilizado no âmbito da National Aviation Reporting Center on Anomalous Phenomena (NARCAP), como alternativa ao termo UFO, porque usado muitas vezes como sinônimo de espaçonave extraterrestre. Sua definição pela NARCAP guarda semelhanças com a definição do Relatório Condon e de Hynek. O cientista chefe da NARCAP, Dr. Richard F. Haines, definiu em 1980 o UAP como o estímulo visual que provoca um relatório de observação de um objeto ou luz vista no céu, com aparência e, ou dinâmica de voo que não possuam a lógica de um objeto voador convencional e que permaneça não identificado após a análise de todas as evidências disponíveis por pessoas que são tecnicamente capazes de fazê-lo.

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História

Observações de objectos voadores invulgares têm sido relatadas ao longo da história. Alguns episódios bíblicos - como, por exemplo, as visões do profeta Ezequiel - são interpretados por alguns ufologistas, como episódios de encontros com OVNIs. Jacques Scornaux e Christiane Piens acham isso talvez um claro abuso de interpretação: não podemos ver extraterrestres a intervir em todo o lado. Os dois autores anotam que tais escritos estão pesadamente carregados de símbolos, e de qualquer modo, milénios depois, é demasiado tarde para saber o que realmente se passou. Em contrapartida, aceitam melhor a possível origem extraterrena dos vimanas, terríveis engenhos armados descritos em alguns textos sagrados da Índia. Qualquer que seja a sua verdadeira natureza, tais fenômenos ao longo da história têm sido considerados como acontecimentos sobrenaturais, demónios, anjos, ou outras figuras ou sinais religiosos. A historiadora de arte Daniela Giordano aponta para muitas pinturas e objetos medievais que mostram alguns objetos incomuns no ar; ela reconhece que muitas dessas imagens são difíceis de interpretar, mas comenta que alguns dos objetos são espantosamente semelhantes aos avistamentos de OVNIs de tempos mais recentes.

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Encontros imediatos - Classificação

Encontro imediato ou contato imediato é um evento em que uma ou mais pessoas percebe a presença de um OVNI e, ocasionalmente, seus hipotéticos ocupantes. Dois sistemas de classificações desses encontros são amplamente aceitos.

Sistema Hynek

J. Allen Hynek apresentou seu sistema de classificação em seu livro The UFO experience: A scientific enquiry, publicado em 1972. Na visão de Hynek, nos relatórios de UFOs observados a grandes distâncias, a percepção errada do objeto ou luz brilhante é uma hipótese com a qual se trabalha, mas nos encontros próximos ou imediatos, principalmente nos casos de mais de uma testemunha, se torna insustentável considerar a experiência apenas dentro dos limites de percepção equivocada, já que excedem em muito qualquer margem a ponto de termos que considerar que houve uma verdadeira experiência anômala. Em suas palavras: "Será que temos, então, um fenômeno no qual várias pessoas sofrem temporariamente de insanidade em um determinado momento, mas em nenhum outro momento antes ou depois? Se assim for, temos de lidar com uma nova dimensão do fenômeno OVNI".

Sistema Vallée

O ufólogo Jacques Vallée, que publicou um livro em parceria com Hynek, considerou em seu livro Confrontos (1990), que a classificação Hynek era insuficiente porque considerava que sempre haveria um grupo de pessoas capaz de chegar a um consenso sobre luzes estranhas. Também não incluía na classificação muitos fenômenos que ufologistas e pesquisadores consideravam relevantes, e que havia uma gama de fenômenos associados a OVNIs na literatura, como anomalias do tipo poltergeist, que precisavam ser considerados. Vallée é um dos principais teóricos da hipótese interdimensional para explicação do fenômeno. Para unificar seu sistema de classificação com o sistema Hynek, ele incluiu a dimensão psíquica e outros relatos anômalos, que acredita terem uma conexão com o fenômeno OVNI.

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Estudos de casos

Vários extensos estudos sobre relatos de OVNIs foram produzidos por órgãos oficiais de seus países. O primeiro foi o Projeto Sign, de 1947, seguido do Projecto Grudge em 1949, ambos da iniciativa da Força Aérea dos EUA. O Projecto Grudge concluiu que os relatos de OVNIs eram resultado de: a) interpretação errónea de vários objectos convencionais; b) uma forma ligeira de histeria em massa e "nervos de guerra"; c) indivíduos que fabricam tais relatos para perpetrar um embuste ou procurar publicidade; d) pessoas psicopatológicas. Em 1952, o Robertson Panel, foi um comité encomendado pela Agência Central de Inteligência (CIA) em resposta a muitos relatos de objectos voadores não identificados, especialmente na área de Washington. O relatório do Painel Robertson concluiu que a maioria dos relatórios sobre OVNIs poderia ser explicada como uma identificação errada de objectos aéreos mundanos, e a minoria restante poderia, com toda a probabilidade, ser explicada de forma semelhante com um estudo mais aprofundado, o que no entanto seria um "grande desperdício de esforço". O Painel Robertson concluiu que deveria ser levada a cabo uma campanha de relações públicas a fim de "desmascarar" os OVNIs, e reduzir o interesse público no assunto, e que os grupos civis de OVNIs deveriam ser monitorizados porque poderiam ter fins subversivos.

Relatório Condon

De acordo com a introdução ao Relatório Condon, os relatos de observações de OVNIs, embora por vezes de descrição elaborada, geralmente trazem poucas informações que auxiliem a descobrir a verdadeira natureza do objeto avistado. Quando informações específicas que descrevem um objeto não identificável são apresentadas, "a fiabilidade dessa informação também deve ser avaliada, sendo necessária alguma corroboração ou verificação independente". Durante as investigações das equipes de campo, numa grande variedade de situações não foi possível estabelecer identificações firmes e a falta de provas tornaram esses casos totalmente inconclusivos. O relatório coloca que esses casos inconclusivos podem não ter sido identificados como fenômenos comuns, por causa da falta de informação adequada. No entanto, alerta que alguns casos intrigantes envolveriam testemunhos de valor, que descreveriam experiências que só poderiam ser explicadas em termos da presença de veículos estranhos e as conclusões a respeito deles dependeriam inteiramente do crédito a que se daria ao testemunho pessoal. Quanto aos testemunhos registrados logo após o relato, esses poderiam ser considerados de maior confiabilidade do que os relatos coletados entre dois a 20 anos mais tarde, "tanto por causa de falhas de memória como por causa de uma tendência à cristalização da história após repetidos relatos".

Relatório Condign

Os resultados do Projeto Condign (1997-2000) foram compilados em um documento de mais de quatrocentas páginas intitulado Unidentified Aerial Phenomena in the UK Air Defence Region, que se baseou em cerca de dez mil relatórios recolhidos por pessoal da Equipe de Inteligência da Defesa (DIS) do Ministério da Defesa britânico. Mantido secreto durante vários anos, foi a domínio público em 15 de maio de 2006, após as diligências de David Clarke. O relatório não encontrou nenhuma evidência de atividade extraterrestre, e conclui que as evidências dão suporte à teoria de que todos estes eventos se devem a meteoros, e fenômenos físicos, elétricos e atmosféricos.

Grupo francês GEIPAN

Criado em 2005, o governamental GEIPAN (Groupe d'études et d'informations sur les phénomènes aérospatiaux non identifiés) é um serviço do Centre national d'études spatiales (CNES). Com sede em Toulouse, o GEIPAN é responsável pela recolha, síntese e arquivo de fenómenos aeroespaciais não identificados (UAPs, de acordo com a terminologia do CNES), e pela informação ao público sobre os mesmos.

Relatório do Pentágono em 2021

Um relatório de apenas nove páginas Avaliação Preliminar: Fenómenos Aéreos Não Identificados (UAP) - foi publicado pelo Gabinete do Director da Inteligência Nacional dos EUA e descreveu os encontros, de 2004 a 2021, que os militares norte-americanos tiveram com objectos estranhos nos céus. O documento usa o acrónimo UAP no lugar de UFO. Como era de esperar, não menciona extraterrestres, e alerta para a potencial ameaça à segurança nacional do fenómeno, que aliás foi o principal motivador da elaboração do relatório. Conclui que o que quer que seja que os militares norte-americanos estejam a encontrar parecem ser objectos reais - na maioria dos 144 incidentes que estão a ser relatados. Apenas um dos casos apresentados no relatório foi identificado como um balão.

Novos grupos de investigação nos EUA

A 23 de Novembro de 2021, o Pentágono anunciou a formação do Airborne Object Identification and Management Synchronization Group (AOIMSG), um novo grupo de inteligência para investigar objectos não identificados que possam comprometer o espaço aéreo dos Estados Unidos e tentar entender a sua origem. Em 20 de julho de 2022, o Departamento de Defesa anunciou que o AOIMSG seria sucedido pelo All-domain Anomaly Resolution Office (AARO). O Gabinete é responsável não só pelo rastreio de objetos não identificados no céu, mas também debaixo de água ou no espaço — ou potencialmente um objeto que seja capaz de se mover de um domínio para o outro. O novo gabinete foi estabelecido após mais de um ano de atenção a objetos voadores não identificados que pilotos militares observavam, mas às vezes relutavam em relatar com receio do estigma.

Aparição de objetos não identificados em 2023

Nos Estados Unidos, em 4 de Fevereiro de 2023, um objeto, com origem em Hainan (China) e identificado como um balão, foi abatido na costa dos estados estadunidenses da Carolina do Norte e da Carolina do Sul. Segundo o Pentágono o objeto, sem meios de propulsão próprios, estaria a ser seguido desde 28 de Janeiro, e era um balão de espionagem chinês. A China no entanto rebateu as acusações, dizendo que se tratava de um dirigível de pesquisa ou um balão meteorológico. Outro objeto, de forma octogonal, também foi abatido no Lago Huron, no estado estadunidense de Michigan, a 12 de Fevereiro. Na fronteira noroeste do Canadá, perto do estado estadunidense do Alasca, outros dois objetos foram abatidos pelas Forças Armadas canadenses e estadunidenses.

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Fraudes

No Brasil, o primeiro grande caso jornalístico envolvendo um OVNI nasceu sob o estigma da fraude, no ano de 1952. Um OVNI teria sido observado e fotografado no bairro da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro por um conhecido jornalista e outro também conhecido fotógrafo. Uma extensa matéria com as fotos foi publicada na extinta revista O Cruzeiro e causou grande repercussão nacional. A própria Aeronáutica Brasileira chegou a dar crédito a história, mas análises das fotografias demonstraram que era uma montagem. Em 1958, fotógrafo Almiro Baraúna teria tirado quatro fotografias de um OVNI sobrevoando a Ilha da trindade, a bordo do navio da marinha Almirante Saldanha. As fotografias foram publicadas pela revista O Cruzeiro, causando grande polêmica. Em 2010, ao programa Fantástico, da Rede Globo, a publicitária Emília Bittencourt, amiga de Baraúna, relatou que ouviu do próprio serem montagens. Em 2011, Marcelo Ribeiro, também fotógrafo e sobrinho de Almiro Baraúna, revelou que ouviu de seu tio como teria produzido as montagens em seu laboratório caseiro.

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Fotografias

Em 1997, o professor de física da Universidade Stanford, Peter Sturrock, organizou uma conferência com cientistas de diversas áreas para analisar o fenômeno OVNI, intitulada Physical Evidence Related to UFO Reports, também chamada de Painel Sturrock. O painel se expressou sobre a questão das evidências fotográficas, dizendo ser improvável se produzir provas fotográficas suficientes para convencer um cientista da realidade de um fenômeno estranho a menos que uma série de condições fossem atendidas (elencadas em um dos anexos do painel). Eles também expressaram a preocupação de que, com o avanço das técnicas digitais modernas, talvez nunca seja possível excluir possíveis fraudes sem que testemunhos independentes ou outro registro corroborativo do evento esteja disponível. O Relatório Condon (1968), vinte e nove anos antes do Painel Sturrock, quanto a evidências fotográficas, diz ter falhado em revelar provas conclusivas da existência de discos voadores, "nem estabelecido, é claro, que tais objectos não existam", mas que era significativo que alguns dos casos "clássicos" tivessem sido identificados ou mostrassem pouco valor probatório.

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Observações no Brasil

No Brasil, casos envolvendo OVNIs ou supostas aparições de seres extraterrestres também tornaram-se mais frequentes depois do Caso Roswell, nos Estados Unidos. Um dos casos mais famosos foi o da "Operação Prato", o nome dado a uma operação realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 1977 e 1978, através do Comando Aéreo Regional em Belém, para verificar a ocorrência de fenômenos desconhecidos que envolviam luzes que supostamente tinham um comportamento hostil e que eram relatadas pela população do município de Colares, no norte do estado do Pará. Em 13 de abril de 1978, o Ministro da Aeronáutica emitiu a nota ministerial C-002/Min/Adm[nota 1] com recomendações sobre o assunto OVNI. O ministro Joelmir Campos de Araripe Macedo fez uma digressão sobre o fenômeno OVNI pela Segunda Guerra Mundial e o interesse da Luftwaffe (força aérea alemã) nos relatórios sobre OVNIs dos seus pilotos e o tratamento recente da questão nos EUA, onde a USAF (força aérea americana) encerrou seus estudos, dizendo que não havia risco à segurança nacional. Recomenda a organização de um Registro de OVNI e de uma Comissão de Avaliação, composta por "elementos isentos de idéias ou opiniões preconcebidas". O ministro, no entanto, cometeu uma impropriedade ao citar uma organização alemã ligada a Luftwaffe chamada Sonder buro Nr.13 que cuidava de uma suposta Operação Uranus para estudo dos discos voadores. Tal organização foi citada na obra O Livro Negro dos Discos Voadores de 1970, por Henry Durrant, sendo reconhecida como uma fraude pelo próprio autor do livro. Em 28 de fevereiro de 1989 o ministro da Aeronáutica Octávio Júlio Moreira Lima emitiu o aviso ministerial S-001/Min, referenciando a nota ministerial de 1978, e transferindo toda a responsabilidade pelo assunto OVNI ao COMDABRA, bem como a transferência de toda a documentação acumulada. Recomendou isenção de idéias, opiniões pessoais e sigilo.[nota 2]

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Fontes consultadas

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