Ordem da Jarreteira
A Nobilíssima Ordem da Jarreteira, conhecida simplesmente como Ordem da Jarreteira, é uma ordem militar de cavalaria britânica, a mais antiga da Inglaterra e do sistema de honras britânico, fundada em 1348 criada por Eduardo III de Inglaterra, com a dedicação da imagem e das armas a São Jorge, patrono da Inglaterra, baseada nos nobres ideais da demanda ao santo Graal e da corte do rei Artur.
O rei Eduardo III fundou a Ordem da Jarreteira como "uma sociedade, uma companhia e uma escola de cavaleiros". O ano da fundação é usualmente presumido ser 1348, entretanto, o Complete Peerage, no "The Founders of the Order of the Garter", diz que os estatutos da ordem foram primeiro instituídos em 23 de abril de 1344, anunciando cada membro fundador como cavaleiro em 1344, incluindo Sir Sanchet d'Abrichcourt que morreu em 20 de outubro de 1345. Outras datas de 1344 a 1351 também foram propostas. As contas dos armários do rei mostram hábitos da Jarreteira pela primeira vez no outono de 1348; pelos seus estatutos originais, era necessário que cada membro já fosse um cavaleiro (o que hoje seria chamado de Cavaleiro Celibatário) e alguns dos membros iniciais eram apenas feito cavaleiros nesse mesmo ano. O conceito foi seguido durante o próximo século por outros monarcas europeus, de fundar suas próprias e prestigiadas ordens de cavalaria.
Torneios
Em 1344, um grande torneio foi disputado em Windsor, que superou em esplendor todos os outros realizados neste período pelos monarcas europeus. Proeminentes cavaleiros de toda a Europa foram convidados. Acredita-se que o rei foi surpreendido com a ideia para a fundação da ordem durante o torneio. O torneio e a fundação da ordem, pouco depois, são considerados o apogeu da "Era da Cavalaria", quando as maneiras da corte, heráldica e comportamento cavalheiresco, em geral, chegaram na sua maior perfeição.
Lista dos cavaleiros fundadores
Os 26 cavaleiros fundadores da Ordem da Jarreteira são os seguintes, listados na ordem de ascensão pelos números na Tenda da Jarreteira na Capela de São Jorge, sem contar o soberano, Eduardo III de Inglaterra:
Origens lendárias
A Ordem da Jarreteira, cuja tradução correta seria antes "Ordem da Liga" (em inglês Order of the Garter) em Portugal era primitivamente chamada "Ordem da Garrotea" que significava "Ordem do Laço". O equívoco, que fez distanciar do seu nome original que traduzia uma estreita liga/enlace entre homens, através de um sério acordo entre pariatos nobres e amigos, trocado por uma ordinária liga para segurar as meias, advém de uma fantasiosa história, que está associada à criação desta ordem, possivelmente com a pretensão de denegri-la e aos movimentos ou pessoas que a defendiam e aos seus ideais cavalheirescos. Essa lenda conta que Eduardo III estava dançando com a Condessa de Salisbury numa grande festa da corte, quando esta deixou cair a sua jarreteira. Ao apanhá-la do chão e amarrá-la de volta à sua perna, o rei reparou que os presentes os fitavam com sorrisos e murmúrios. Irado, exclamou: «Honni soit qui mal y pense» ("envergonhe-se quem nisto vê malícia"), frase que se tornou o lema da ordem; disse ele ainda que tornaria aquela pequena jarreteira azul tão gloriosa que todos a haveriam de desejar. Sendo esta história verdadeira ou não, a Ordem da Jarreteira foi, de fato, criada por Eduardo III, o seu símbolo é uma jarreteira azul escuro, de rebordo dourado, em que aparecem inscritas, em francês, as palavras ditas pelo rei. Mas a verdade é que o seu símbolo era um cinto e que, depois de o sabermos, ainda o vemos lá.
Logo após a fundação da ordem, as mulheres foram nomeadas "Ladies of the Garter", mas não foram feitas companheiras. Henrique VII interrompeu a prática em 1488, quando sua mãe, Margarida Beaufort, foi a última dama da Jarreteira antes da rainha Alexandra. Exceto para os soberanos do sexo feminino, a próxima dama da Jarreteira nomeada foi rainha Alexandra, por seu marido o rei Eduardo VII. Jorge V também fez a sua consorte, a rainha Maria, uma dama da Jarreteira e o rei Jorge VI posteriormente, fez o mesmo para sua esposa, a rainha Isabel. Ao longo do século XX, as mulheres continuaram a ser associadas com a ordem, mas com exceção de monarcas estrangeiros do sexo feminino, elas não foram feitas companheiras. Em 1987, entretanto, tornou-se possível instalar as "Damas Companheiras da Ordem da Jarreteira" sob um estatuto da rainha Isabel II.
Membros
O monarca reinante do Reino Unido é, enquanto soberano, sempre o grão-mestre da ordem. Isso e desde a sua fundação, até 1786, como se de uma Távola Redonda se tratasse, eram sempre uma liga de 25 cavaleiros apenas nos quais ele se incluía. Hoje, além do grão-mestre existem os cavaleiros reais (nos quais se inclui sempre o Príncipe de Gales, podendo o monarca ainda nomear vários membros da família real), os cavaleiros estrangeiros (vários monarcas reinantes de países estrangeiros nomeados pelo monarca britânico), tidos como cavaleiros extranumerários e os cavaleiros ou damas-companheiras (24 personalidades nomeadas pelo monarca britânico). Somente o monarca pode conceder a adesão. Ele ou ela é conhecida como “Soberano (ou Soberana) da Jarreteira”, e o príncipe de Gales é conhecido como um Cavaleiro companheiro da Jarreteira.
Cavaleiros e Damas Estrangeiros da Jarreteira
Com a instalação do imperador Alexandre I da Rússia, em 1813, como membro extranumerário, este foi estendido aos soberanos estrangeiros, que são conhecidos como "Cavaleiros e Damas Estrangeiros da Jarreteira". Cada uma dessas instalações inicialmente obrigava à promulgação de uma lei, no entanto, uma lei de 1954 autoriza a admissão regular dos cavaleiros ou damas estrangeiros sem outras leis específicas. Em ordens menores de cavalaria, os membros estrangeiros seriam considerados como tendo recebido título de cavaleiro honorário. Tradicionalmente, certos monarcas reinantes na Europa são admitidos na ordem. Eles são apontados como “estrangeiros”, apesar de que muitos seriam elegíveis para admissão como cavaleiros e damas reais, como descendentes de Jorge I. Constantino II da Grécia, nem no seu curto reinado, ou desde que ele foi deposto em 1973, conseguiu que ele e seu pai Paulo da Grécia fossem membros da ordem. Da mesma forma, Alberto II da Bélgica, apesar da subida ao trono em 1993, é o único monarca belga, até hoje que não tinha sido admitido na ordem. Por um tempo, tanto Juliana dos Países Baixos e sua sucessora Beatriz dos Países Baixos eram simultaneamente membros da ordem, como Damas Estrangeiras da Ordem da Jarreteira.
Situação de conflito
O soberano inglês pode "degradar" os membros que tenham cometido crimes graves, como traição, fugindo do campo de batalha ou que tenham pegado em armas contra o soberano. Durante a I Guerra Mundial, dois Cavaleiros Reais e seis Cavaleiros Estrangeiros, todos monarcas ou príncipes de nações inimigas, incluindo o imperador Guilherme II da Alemanha da Alemanha e imperador Francisco José I da Áustria, foram retirados do rol da ordem ou tiveram suas nomeações anuladas em 1915. O estandarte do imperador Hirohito do Japão foi retirado da Capela de São Jorge quando o Japão entrou na Segunda Guerra Mundial em 1941, mas o estandarte e a comenda do monarca japonês foram restaurados por Isabel II em 1971, momento em que ele fez uma visita de Estado ao Reino Unido. O imperador estava particularmente satisfeito com a restauração de seu status como um cavaleiro da Ordem da Jarreteira. O rei Vítor Emanuel III da Itália também foi degradado como Cavaleiro Estrangeiro, depois da Itália entrar na guerra contra o Reino Unido e seus aliados.
Oficiais
A ordem tem seis oficiais: o Prelado, o Chanceler, o Registrador, o Rei de Armas principal da Jarreteira, o Ostiário e o Secretário. Os ofícios de Prelado, Registrador e Ostiário foram criados no estabelecimento da ordem; os de rei de armas principal da Jarreteira e Chanceler, no século XV]; e o de Secretário, no século XX. O ofício de Prelado é exercido pelo Bispo de Winchester, tradicionalmente um dos mais antigos bispos da Igreja da Inglaterra. O ofício de Chanceler agora é exercido por um dos companheiros da ordem. Na maior parte de sua existência, o Bispo de Salisbury ocupou o cargo, embora leigos também o tenham exercido entre 1553 e 1671. Em 1837, após as alterações feitas para a jurisdição do Castelo de Windsor cair na Diocese de Oxford, a Chancelaria foi transferida para o Bispo de Oxford. Um século mais tarde, o Bispo de Salisbury desafiou esta transferência, alegando que a Chancelaria havia sido anexado ao seu mandato, independentemente da diocese em que a capela ficasse; e que, de qualquer forma, a Capela de São Jorge, como Royal Peculiar, não estava sob uma jurisdição diocesana. O ofício do chanceler foi retirado do Bispo de Oxford (o bispo de saída na época havia sido muito sincero na crise da abdicação de Eduardo VIII), e desde então tem sido realizado por um dos Cavaleiros Companheiros. Desde 1937, os seguintes membros tiveram o cargo de chanceler:
Cavaleiros Militares de Windsor
Na fundação da Ordem da Jarreteira, 26 "pobres cavaleiros" foram apontados e anexados à ordem e sua capela. Este número não foi sempre mantido, e no século XVII, havia apenas treze pessoas como cavaleiros. O rei Carlos II aumentou o número para dezoito depois de sua coroação em 1660. Depois da oposição dos cavaleiros em ser chamados de "pobres", o rei Guilherme IV redesignou-os no século XIX como os Cavaleiros Militares de Windsor. Os pobres cavaleiros eram veteranos militares empobrecidos, obrigados a orar diariamente para os cavaleiros companheiros. Em troca, eles recebiam um salário e alojamento no Castelo de Windsor. Os cavaleiros não são necessariamente pobres, mas ainda são pensionistas militares. Eles participam de procissões da ordem, acompanhando os seus membros, e nos serviços da capela. No entanto, eles não são considerados cavaleiros ou membros da ordem.
Membros
Para ocasiões cerimoniais da ordem, como o dia anual da Jarreteira, os membros usam elaboradas vestimentas e apetrechos (acessórios), que incluem: Em outras ocasiões, quando decorações são usadas, os membros usam insígnias simples: Com a morte de um membro, o emblema e a estrela são devolvidas pessoalmente ao soberano pelo parente do sexo masculino mais próximo do ex-membro e as outras insígnias para a Chancelaria Central das Ordens de Cavalaria.
Oficiais
Para ocasiões cerimoniais da ordem, os oficiais usam as seguintes roupas e acessórios: O Chanceler carrega uma bolsa, que é bordada com as armas reais empalada pela Cruz de São Jorge. A bolsa contém o selo da ordem. O Rei-de-armas principal da Jarreteira carrega sua batuta de ofício. O Ostiário leva seu artigo pessoal de ofício, o Bastão Negro.
Os membros tem posições assinaladas na ordem de precedência antes de todos os outros cavaleiros das outras ordem, com os baronetes acima. As esposas, filhos, filhas e noras de cavaleiros companheiros também tem atribuídos precedência. Parentes das damas companheiras não tem, contudo, atribuída qualquer posição especial. (Geralmente, os indivíduos podem derivar de precedência de seus pais ou maridos, mas não de suas mães ou esposas.) Ao chanceler é também atribuída prioridade, mas com exceção do período entre 1553 e 1671, quando o cargo foi ocupado por um leigo, que não era necessariamente um membro da Ordem, esta prioridade foi puramente teórica. Como um membro da Ordem, o Chanceler tem uma precedência maior do que ligado ao ofício, e quando o cargo foi preenchido por um bispo diocesano da Igreja da Inglaterra, o titular voltou a ter uma prioridade maior em virtude do cargo que qualquer que a chancelaria pudesse conceder
A Ordem da Jarreteira realiza seus serviços na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, mas eles se tornaram raros no século XVIII. Os serviços da Jarreteira foram descontinuados em 1805, mas foram revividas pelo rei Jorge VI em 1948 e tornaram-se um evento anual. A cada junho, na segunda-feira da semana do Royal Ascot, os membros da ordem, vestindo suas vestes cerimoniais e insígnias, encontram-se no na ala do Upper Ward (ala alta) do Castelo de Windsor. Eles fazem uma procissão a pé, liderados pelos Cavaleiros Militares de Windsor, através do castelo à Capela de São Jorge para o serviço. Se houver novos cavaleiros, eles são instalados nesta ocasião. Após o serviço, o retorno à Upper Ward é feito por carruagem.


