Mooca
Mooca é um tradicional distrito situado na Zona Leste do município brasileiro de São Paulo, administrado pela subprefeitura da Mooca. É um bairro historicamente caracterizado pela grande quantidade de descendentes de imigrantes italianos. Apesar disso, nos últimos anos, devido à grande especulação imobiliária e chegada de novos negócios, houve um consequente aumento no número de moradores, e o perfil destes têm se tornado cada vez mais heterogêneo e rejuvenescido.
A sua fundação aconteceu em 17 de agosto de 1556, 56 anos após o descobrimento oficial do Brasil pelos portugueses. Na época, as terras eram ocupadas por índios que se concentravam próximo ao Tameateí ou Tometeri, hoje o Rio Tamanduateí. O nome do bairro é de origem indígena. Uma versão aventada é a de que ele teria surgido no século XVI, quando os primeiros habitantes brancos começaram a construir suas casas na região, sob o olhar curioso dos índios, que teriam exclamado Moo-oca! Numa tradução livre, algo como "Eles estão fazendo casas!", de moo, fazer e oca, casa. Além dessa etimologia, no entanto, o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro acrescenta outra possibilidadeː a de que o nome do distrito tenha se originado do termo tupi antigo mũoka, que significa "casa de parente", através da junção dos termos mũ (parente) e oka (casa). Durante a Revolta Paulista de 1924 o bairro foi bombardeado por aviões do Governo Federal. O exército legalista ao governo de Artur Bernardes se utilizou do chamado "bombardeio terrificante", atingindo vários pontos da cidade, em especial bairros operários como Mooca, Ipiranga, Brás, Belenzinho e Centro, que foram seriamente afetados pelos bombardeios.
Formação e desenvolvimento
A Mooca se caracteriza por uma intensa ocupação de italianos, cujos descendentes não abandonaram o distrito. Outras imigrações importantes foram de lituanos e croatas. Um nome intimamente ligado ao distrito é o do italiano Rodolfo Crespi, dono da que chegou a ser a maior tecelagem de São Paulo, o Cotonifício Crespi, fundado em 1896. Sucessivas ampliações da fábrica foram acompanhadas por construção de moradias para seus funcionários. Assim como a família Crespi, boa parte dos operários era de origem italiana. Desde 2006, o complexo fabril do antigo cotonifício é ocupado pelo hipermercado Extra, que promoveu um projeto polêmico e agressivo de reabilitação e ampliação dos edifícios, alterando sua integridade arquitetônica e construtiva.
Ativismo político
O distrito foi um dos principais cenários da atividade política e revolucionária no Brasil, decorrente de sua natureza industrial. Seus habitantes, no início do século XX, eram trabalhadores imigrantes, oriundos de países com um emergente pensamento socialista. Na época, o ativismo comunista e anarquista era intenso. A confluência da avenida Paes de Barros, rua da Mooca, rua Taquari e rua do Oratório era conhecida como Praça Vermelha. Seus moradores também cruzaram o Rio Tamanduateí e puderam participar da "Queda da Bastilha" no distrito do Cambuci, ocorrida em 30 de outubro de 1930, com a finalidade de pôr fim ao tratamento desumano da delegacia da Rua Barão de Jaguara, local onde eram confinados sindicalistas e agitadores.
Problemática contemporânea
Atualmente, a região da Mooca enfrenta problemas relacionados à inadequação de parte de sua estrutura urbana aos novos usos e aos novos programas propostos para o distrito pelo município, assim como questões ligadas à gentrificação, ou seja, à substituição dos perfis populacionais presentes no distrito e à eventual expulsão das populações de mais baixa renda. O primeiro problema citado se refere à estrutura fabril dos tecidos urbanos presentes junto à orla ferroviária que atravessa o distrito do Brás (ao norte do distrito da Mooca) até as cidades do ABC Paulista. Esta estrutura se caracteriza por uma sucessão de quadras urbanas ocupadas por galpões industriais, muitos deles obsoletos, e cuja origem remonta ao início da industrialização de São Paulo, nas primeiras décadas do século XX. Algumas destas quadras foram adquiridas por incorporadores imobiliários e reunidas em grandes empreendimentos privados, levando à degradação do espaço público. O segundo problema se refere à eventual valorização dos imóveis da região e ao ataque do mercado imobiliário que acarreta na expulsão de famílias tradicionais do local, caracterizando gentrificação.
É servido pela Estação Bresser-Mooca da Linha 3–Vermelha do Metrô e pela Estação Juventus-Mooca da Linha 10–Turquesa do Trem Metropolitano.


