Maria de Médici
Maria de Médici foi a segunda esposa do rei Henrique IV e rainha consorte da França de 1600 até 1610, além de regente durante a menoridade de seu filho Luís XIII, entre 1610 e 1614, permanecendo no poder até 1617. Era filha de Francisco I de Médici, Grão-Duque da Toscana com sua primeira esposa, a arquiduquesa Joana da Áustria.
Era a sexta filha de Francisco I de Médici, Grão-duque da Toscana, e de Joana de Habsburgo, Grã-Duquesa da Toscana e Arquiduquesa de Áustria. Maria teve uma infância despreocupada até 1578, quando sua mãe morreu. Com a morte de sua esposa o Grão-Duque casou-se com sua amante, Bianca Cappello. A partir daí, Maria de Médici tornou-se triste e solitária, no Palácio Pitti. Tinha por companhia apenas seus irmãos, Leonor, Ana e Filipe. Entretanto, Filipe morreu em 1583 e Ana em 1584. Leonor abandonou a Toscana para tornar-se duquesa de Mântua, casando-se em 1584 com Vicente I Gonzaga, duque de Mântua. Sendo a única filha que restou do primeiro casamento do Grão-Duque, Maria sentia-se muito sozinha. Seu consolo foi a presença de seu primo Virgílio Orsini, e de sua amiga Leonora Galigai, que era sua irmã de leite. Em outubro de 1587, Maria ficou sob a tutela de seu tio, Fernando I, grão-duque da Toscana, sucessor de Francisco I que morreu em 19 de outubro de 1587. Fernando I desistiu de ser cardeal e casou-se com Cristina de Lorena, que teve uma relação conflituosa com Maria.
Seu tio, Fernando I, desejava fortalecer os laços entre a França e a Toscana, por isso começou-se a negociar o casamento de Maria de Médici com o Rei da França, Henrique IV, que acabara de anular seu primeiro casamento com a "Rainha Margot". Henrique IV de França precisava casar-se urgentemente, devido, principalmente, às preocupações financeiras e dinásticas do Reino. Os Médici, credores do Rei da França, prometeram um dote de 600 000 coroas, o que fez Maria de Médici ser apelidada de "Grande Banqueira". Em 25 de abril de 1600 o contrato de casamento foi assinado no Palácio Pitti. Aconteceu então uma troca de retratos, presentes e cartas de amor. Em 5 de outubro de 1600 foi celebrado o casamento por procuração, na Catedral de Santa Maria del Fiore. O Grão-Duque Fernando fez o papel do noivo na troca de alianças. Em 19 de outubro, junto com a Grã-Duquesa Cristina e com sua irmã Leonor de Médici, Duquesa de Mântua, Maria de Médici partiu de Livorno em direção a Marselha.
Rainha da França
Chegando em Paris, a rainha ficou chocada ao descobrir que seu marido tinha uma amante, Henriqueta de Entragues, Marquesa de Verneuil. Influenciada por Leonora Galigai, a rainha teve boas maneiras em relação à Marquesa de Verneuil. Isto fez Leonora cair nas graças do rei, e este deu-lhe o título de Dama de Honra da Rainha, e casou-a com Concino Concini, um aventureiro que veio da Itália e vivia na esteira de Maria de Médici. Em 27 de setembro de 1601 nasceu o primeiro filho do casal, o Delfim Luís, o que causou grande alegria ao Rei e a todo o reino, porque durante quarenta anos era aguardado o nascimento de um herdeiro ao trono. Maria de Médici continuou seu papel como esposa e deu outros cinco filhos a Henrique IV. Em 1605, quando a situação entre o Rei e sua amante estava desmoronando, Margarida de Valois, a primeira esposa de Henrique IV, regressou a Paris. Ela e Maria de Médici tornaram-se boas amigas e Margarida ajudou-a a restaurar a antiga etiqueta da corte, devolvendo ao Palácio do Louvre seu antigo esplendor. Margarida tinha um grande afeto materno pelo Delfim Luís, e ao morrer nomeou-o como seu herdeiro.
Duas horas depois do assassinato de Henrique IV em 14 de maio de 1610, o duque de Epernon foi ao Parlamento e conseguiu que Maria de Médici fosse declarada regente, pois Luís XIII tinha nove anos. A política de Henrique IV, que se tivesse vivido teria lutado cada vez mais por assegurar alianças com os Estados protestantes, foi substituída por uma política católica. Ela destituiu os conselheiros do rei, mas não conseguiu impor a obediência aos nobres. Para recuperar o poder da França não encontrou nenhuma solução melhor do que fazer a paz com a Espanha, e seu primeiro passo nessa direção foi começar a planejar um casamento entre seu filho e a primogênita de Felipe III de Espanha. A política da Rainha gerou muitos descontentamentos. Por um lado, os protestantes ficaram apreensivos com a aproximação de Maria com a Sua Majestade Católica, o Rei de Espanha, Felipe III; por outro lado, Maria de Medici tentou fortalecer o poder da monarquia com o apoio de pessoas como Concino Concini e sua esposa Leonora Galigai, que não eram bem vistos por alguns nobres franceses. Aproveitando o enfraquecimento causado pela regência, os nobres das grandes famílias, liderados pelo Príncipe de Condé, levantaram-se contra Maria de Médici a fim de obter alguma compensação financeira. Os Príncipes exigiam que Luís XIII não se casasse com Infanta Ana, primogênita de Felipe III de Espanha. Em 1614, a regente convoca os Estados Gerais, como uma concessão aos príncipes. Finalmente, desafiando as suscetibilidades de Condé e dos Protestantes, e para surpresa de todos, Luís XIII casou-se com Ana da Áustria em 28 de novembro de 1615. Para selar ainda mais a paz entre as duas coroas, Maria de Médici casa também sua filha Isabel com o Príncipe Felipe (futuro Felipe IV de Espanha).
No Castelo de Blois, Luís XIII atendeu a todas as exigências da Rainha-Mãe, exceto levar suas irmãs, Cristina e Henriqueta, para o Castelo. Maria restaurou o castelo e decorou os quartos com móveis e objetos preciosos que mandara trazer do Louvre, convidava cantores e músicos e organizava grandes festas e balés. Em junho, o Bispo de Luçon, antecipando-se a ordem do rei, deixou Blois e aposentou-se em sua diocese. Maria substituiu-o por Luigi Rucellai, um abade de Florença, ex-favorito de Concini. Mas faltava em Rucellai a capacidade de agir em segredo. Rucellai finalmente encontrou um aliado para a fuga de Maria de Médici, o velho Duque de Épernon. Durante 1618, Rucellai arranjou a fuga da rainha-mãe. Em 31 de janeiro de 1619 o Duque de Épernon foi para Loches, lugar marcado para seu encontro com a rainha mãe, que no início daquele ano tinha sido vítima de uma nova tirania: ela foi forçada a assinar, a mando de seu filho, um documento permitindo o casamento de filha Cristina com o príncipe Vitor Amadeu, filho do duque de Saboia.
Em 1625, o Palácio de Luxemburgo, nova residência de Maria de Médici, foi concluído, enriquecido por 24 telas da série l'Histoire de Marie de Médicis, telas feitas pelo pintor alemão Peter Paul Rubens, a pedido da Rainha Mãe. Em 26 de Maio de 1625, o palácio foi inaugurado com uma festa de casamento para a filha mais nova da rainha-mãe, Henriqueta Maria, que se tornou rainha da Inglaterra ao se casar com Carlos Stuart. A Rainha Maria acompanhou sua filha até Amiens, de onde não pôde mais seguir por motivos de saúde. Maria de Médici deu à filha algumas instruções sobre como uma rainha deveria se comportar. Durante a Conspiração de Chalais, Maria de Médici e Richelieu permaneceram fiéis ao rei, o que acentuou uma parceria entre a rainha-Mãe, o rei e o cardeal. Os três tinham reuniões secretas no Palácio de Luxemburgo, onde eram tomadas as decisões importantes. Durante alguns anos, Maria não percebeu o poder e a importância que seu protegido vinha adquirindo no reino. Maria de Médici sempre parabenizava o Cardeal pelo seu ótimo desempenho, mas logo surgiram algumas divergências de opiniões entre eles. Quando Richelieu persuadiu o rei a aliar-se ao Duque de Nevers e declarar guerra à Espanha e ao Ducado de Mântua e Monteferrato, Maria se opôs, alegando que a continuação do conflito iria esgotar a França. Durante a Guerra com a Espanha, Maria tentou persuadir o rei a obter a paz com os Habsburgo, mas Luís XIII rejeitava os conselhos de sua mãe em favor do cardeal. Finalmente, depois de várias batalhas, foi assinada a paz com dignidade para ambos os lados. Assim começou a batalha entre a Rainha-Mãe e o Cardeal de Richelieu. Durante a guerra no Ducado de Mântua e Monteferrato a Rainha-Mãe e a Rainha Ana pediram a Luís XIII que afastasse o cardeal, e o rei prometeu que iria fazê-lo assim que acabasse o conflito.
Na noite de 19 de julho de 1631, A Rainha-Mãe fugiu para Bruxelas, onde foi bem recebida e acolhida com amizade por Isabel de Habsburgo, que prometeu uma intervenção militar espanhola na França, a fim de ajudar o outro filho de Maria de Médici, Gastão de Orleães, que era pretendente ao trono francês. O Rei de Espanha, porém, recusou ajudá-la. Maria recebeu cartas de Florença, convidando-a a voltar para sua cidade natal, mas ela preferiu continuar em Bruxelas, enviando pela fronteira manifestos que ninguém na França lia. Maria de Médici foi privada de seu status de Rainha da França e, consequentemente, das suas pensões. Em 1631, ela foi considerada culpada de traição pelo Rei. Maria pediu ao seu filho, Gastão de Orleães, que combatesse o Cardeal incessantemente, e que se aliasse à Espanha. Entretanto seu filho mudou de aliança várias vezes e acabou por firmar a paz com o irmão Luís XIII, em 1634. Mesmo durante a guerra entre a França e a Espanha, Maria não conseguiu melhorias, e acabou perdendo o seu prestígio em Bruxelas, tornando-se uma pessoa incômoda.
Seu casamento com Henrique IV de França em 17 de dezembro de 1600 produziu seis filhos: