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Máquina de escrever

A máquina de escrever, máquina datilográfica ou máquina de datilografia é um equipamento mecânico, eletromecânico ou eletrônico equipado com teclas que, quando acionadas, movimentam tipos, que imprimem letras, números e símbolos no papel, facilitando e dando maior agilidade ao processo de escrita.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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História

A Remington, que antes se dedicava apenas à produção de armas, foi a primeira empresa a investir na produção de uma máquina de escrever, em 1874, já com uma configuração bem próxima do modelo que se tornou popularmente conhecido em todo o mundo. A partir de 1880, as máquinas de escrever passaram a ser adotadas pelo mercado corporativo, em busca da legitimação dos documentos comerciais que eram produzidos em todas as transações. O aumento da demanda despertou o interesse das indústrias para o novo produto, primeiro nos EUA e, depois, na Europa, com a Alemanha sendo um dos principais polos, que em seguida se espalhou para os demais países industrializados. O mercado de trabalho também cresceu com a necessidade de contratação de datilógrafos, capazes de operar as novas máquinas com velocidade e precisão. Com isso, as mulheres passaram a ter espaço nos escritórios, redações e cartórios, assumindo funções nas áreas administrativas, o que consistiu em um dos primeiros movimentos para a conquista dos direitos femininos.

Primeiras invenções

Embora muitas máquinas de escrever modernas tenham designs semelhantes, sua invenção foi progressiva, desenvolvida por diversos inventores que trabalharam independentemente ou na concorrência ao longo de várias décadas. Como no caso do automóvel, do telefone e do telégrafo, várias pessoas contribuíram com percepções e invenções que acabaram resultando em instrumentos cada vez mais bem-sucedidos comercialmente. Historiadores estimam que foram criados 52 protótipos de máquina de escrever antes do surgimento de um modelo viável. Em 1575, o gravador italiano Francesco Rampazetto inventou a scrittura tattile, uma máquina para imprimir cartas em papéis. Em 1714, Henry Mill obteve uma patente na Grã-Bretanha para uma máquina que parece ter sido semelhante a uma máquina de escrever. A patente mostra que esta máquina foi realmente criada e que ela tinha como objetivo imprimir ou transcrever letras em um pedaço de papel sem precisar escrever à mão. Acreditava-se que ela poderia ser de grande utilidade em registros públicos e do gênero pela dificuldade de falsificação ou rasura.

Bola de Escrita Hansen

Rasmus Malling-Hansen desenvolveu sua máquina de escrever chamada Bola de Escrita Hansen durante as décadas de 1870 e 1880 e fez muitos aprimoramentos nela. Contudo, a bolo de escrever permaneceu a mesma. No primeiro modelo da máquina de 1870, o papel era preso a um cilindro dentro de uma caixa de madeira. Em 1874, o cilindro foi substituído por um mecanismo que movia-se sob a bola de escrita. Então, em 1875, o conhecido "modelo alto" foi patenteado, que foi a primeira das bolas de escrever que funcionou sem eletricidade. Malling-Hansen participou das exposições mundiais em Viena em 1873 e Paris em 1878 e recebeu o prêmio de primeiro lugar por sua invenção em ambas as exposições.

Modelo Sholes e Glidden

A primeira máquina de escrever com sucesso comercial foi patenteada em 1868 pelos americanos Christopher Latham Sholes, Frank Haven Hall, Carlos Glidden e Samuel W. Soule em Milwaukee, Wisconsin. Contudo, pouco tempo depois Sholes logo repudiou a máquina e se recusou a usá-la ou mesmo recomendá-la. O protótipo funcional foi feito pelo relojoeiro e maquinista Matthias Schwalbach. Hall, Glidden e Soule venderam suas ações na patente para a empresa Densmore and Sholes, que fez um acordo com a E. Remington and Sons, então famosa como fabricante de máquinas de costura, para comercializar a máquina como Sholes e Glidden Type-Writer. Essa foi a origem do termo máquina de escrever (typewriter).

Modelo com sistema index

Chegando ao mercado no início da década de 1880, a máquina de escrever com um sistema index usava um ponteiro ou caneta para escolher dentre as letras previamente disponíveis em uma espécie de index. A máquina de escrever que adotava um sistema index foi popular por um curto período em alguns nichos específicos de mercado. Embora fossem mais lentas do que as máquinas de teclado, eram mecanicamente mais simples e leves, portanto, eram comercializados como adequados para viajantes. Também eram vendidas a preços mais em conta do que as com teclado, o que as conferia vantagem para usuários que produziam pequenas quantidades de correspondência digitada. Contudo, essas vantagens logo deixaram de existir pois, por um lado, as novas máquinas de escrever com teclado tornaram-se mais leves e portáteis e, por outro lado, máquinas usadas recondicionadas entraram no mercado. A última máquina ocidental com um sistema índice comercializada amplamente foi a Mignon, produzida pela AEG. Considerada uma das melhores máquinas de escrever desse tipo, parte de sua popularidade vinha de seus índices e tipos intercambiáveis, permitindo o uso de diferentes fontes e conjuntos de caracteres, algo que muito poucas máquinas de teclado permitiam e apenas a um custo adicional considerável. Ela parou de ser produzida em 1934.

Modelos elétricos

Algumas máquinas de escrever elétricas foram patenteadas no século XIX, mas a primeira máquina conhecida a ser produzida em série foi a Cahill de 1900. Uma máquina de escrever elétrica foi produzida pela Blickensderfer Manufacturing Company, de Stamford, Connecticut, em 1902. Como as máquinas de escrever manuais Blickensderfer, ela usava uma roda cilíndrica em vez de barras de tipo individuais. A máquina foi produzida em vários modelos, mas aparentemente não foi um sucesso comercial, por razões que não são claras. O próximo passo no desenvolvimento da máquina de escrever elétrica veio em 1910, quando Charles e Howard Krum registraram a patente do primeiro teletipo de escrita prático. A máquina dos Krums, chamada Morkrum Printing Telegraph, também usava uma roda em vez de barras de tipo individuais. Esta máquina foi usada para o primeiro sistema comercial de teletipo de escrita nas linhas da Postal Telegraph Company entre Boston e a cidade de Nova York em 1910.

Modelos eletrônicos

A última principal mudança na máquina de escrever foi tornar-se eletrônica. A maioria delas substituiu o typeball por uma impressora de impacto de tipo margarida de plástico ou de metal, um disco com as letras moldadas na borda externa das "pétalas". O conceito de impressora margarida surgiu pela primeira vez em impressoras desenvolvidas pela Diablo Systems na década de 1970. A primeira máquina de escrever eletrônica margarida comercializada no mundo é a Olivetti Tes 501, lançada em 1976. Em 1978, vieram a Olivetti ET101 (com display de funções) e a Olivetti TES 401 (com display de texto e disquete para armazenamento de memória). Isso permitiu à Olivetti manter o recorde mundial no design de máquinas de escrever eletrônicas, propondo modelos cada vez mais avançados e performáticos nos anos seguintes.

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Legado

Layouts de teclado

As máquinas de escrever Sholes & Glidden de 1874 estabeleceram o layout "QWERTY" para as teclas das letras. Durante o período em que Sholes e seus parceiros experimentavam esta novidade, sugiram outros arranjos de teclado, mas estes são pouco documentados. A máquina de escrever Blickensderfer com seu layout DHIATENSOR pode ter sido a primeira tentativa de otimizar o layout do teclado para obter vantagens de eficiência. O layout QWERTY não é o layout mais eficiente para o idioma inglês, pois requer que um digitador mova seus dedos entre as linhas para digitar as letras mais comuns. Embora o teclado QWERTY fosse o layout mais comumente usado em máquinas de escrever, no século XX buscou-se outros arranjos da tecla que fossem mais satisfatórios. Vários layouts radicalmente diferentes, como Dvorak, foram propostos para reduzir as ineficiências percebidas do QWERTY, mas nenhum deles substitui o QWERTY.

Convenções tipográficas

Uma série de convenções tipográficas originaram-se do uso generalizado da máquina de escrever e surgiram com base em suas características e limitações. Por exemplo, a máquina de escrever com teclado QWERTY não incluía teclas para o meias-risca e o travessão. Para superar essa limitação, os usuários normalmente digitavam o hífen mais de uma vez para aproximar esses símbolos. Essa convenção de máquina de escrever ainda é usada algumas vezes em computadores, embora os aplicativos modernos de processamento de texto possam inserir as meias-riscas e os travessões corretos para cada tipo de fonte. Outros exemplos de práticas de máquina de escrever que às vezes ainda são usadas em sistemas de editoração eletrônica incluem a inserção de um espaço duplo entre as frases, assim como o uso do apóstrofo da máquina de escrever (') e as aspas retas (") como marcas de citação e plica ou aspas. A prática de sublinhar o texto no lugar de inserir o itálico e o uso de todas as maiúsculas para dar ênfase também são exemplos de convenções tipográficas derivadas das limitações do teclado da máquina de escrever que permanecem.

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Impacto social

Quando a Remington começou a comercializar máquinas de escrever, a empresa presumiu que a máquina não seria usada para compor textos, mas para transcrever ditados, e que a pessoa que digitaria seria uma mulher. Nesse sentido, a máquina de escrever Sholes e Glidden de 1800 trazia uma ornamentação floral na caixa. Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, um número crescente de mulheres entraram no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, as mulheres muitas vezes começaram como trabalhadoras profissionais no emprego de datilógrafas. Nesse contexto, tornou-se um clichê da vida de escritório a representação de um homem de negócios lascivo que fazia investidas sexuais a uma datilógrafa, aparecendo em vaudevilles e filmes. Contudo, essa profissão foi considerada uma apropriada para a mulher que se apresenta como casta e de boa conduta. De acordo com o censo norte-americano de 1900, 94,9% dos estenógrafos e datilógrafos eram mulheres solteiras.

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Exame forense

Documentos datilografados podem ser examinados por peritos forenses. Essa análise é feita principalmente para determinar a marca e/ou modelo da máquina de escrever usada para produzir um documento, e se uma determinada máquina de escrever suspeita pode ou não ter sido usada para produzir um documento. A determinação de uma marca e/ou modelo de máquina de escrever é um problema de 'classificação' e vários sistemas foram desenvolvidos para esse fim. Estes incluem o Atlas Typewriter Haas (versão Pica e não Pica), o sistema TYPE desenvolvido por Philip Bouffard, o sistema de classificação Termatrex Typewriter da Real Polícia Montada do Canadá, o sistema de classificação de máquinas de escrever da Interpol, entre outros. A referência mais antiga na literatura à identificação de uma máquina de escrever a partir do documento escrito nela foi feita por Sir Arthur Conan Doyle, no conto de Sherlock Holmes Um caso de identidade, em 1891. Em obras de não-ficção, William E. Hagan foi o primeiro a descrever um exame forense de documentos para identificação de uma máquina de escrever em 1894. Outras discussões iniciais sobre o tópico foram fornecidas por AS Osborn em seu tratado de 1908, Typewriting as Evidence, e novamente em seu livro de 1929, Questioned Documents. Uma descrição moderna do procedimento do exame é apresentada na Norma ASTM E2494-08 (Guia padrão para exame de itens datilografados).

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Fontes consultadas

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