Manoel de Oliveira
Manoel Cândido Pinto de Oliveira GCSE • GCIH foi um cineasta português.
Infância
Manoel de Oliveira (pronúncia em português europeu mɐnuˈɛɫ doliˈvɐjɾɐ) nasceu numa grande casa com jardim na Rua 9 de Julho,[nota 1] freguesia de Cedofeita, no Porto, numa família burguesa do norte do país, com origens na pequena fidalguia rural. Filho de Francisco José de Oliveira (Mosteiro, Vieira do Minho, 29 de março de 1859 – ?), e de sua esposa, Cândida Ferreira Pinto (Santo Ildefonso, Porto, 13 de abril de 1875 – Porto, 2 de julho de 1947); os seus pais casaram-se na freguesia de Lordelo do Ouro, no Porto, a 2 de março de 1905. Tinha dois irmãos, que nasceram antes do casamento dos pais, e, portanto, considerados ilegítimos: Francisco José Pinto de Oliveira (Santo Ildefonso, Porto, 27 de maio de 1899 – Baltar, Paredes, 10 de maio de 1954) e Casimiro Pinto de Oliveira. Eram seus avós paternos Francisco José de Oliveira e Antónia Rosa Rebelo de Oliveira, que tiveram 14 filhos, maternos Claudino Ferreira Pinto e Margarida Rosa Soares de Oliveira Pinto.
Juventude
Depois de frequentar o Colégio Universal, no Porto, Manoel de Oliveira foi mandado para A Guarda, na Galiza, onde frequentou o colégio de jesuítas Nun'Álvares. Oliveira admitia ter sido sempre um mau estudante. Foi atleta do Sport Club do Porto, um clube de elite, e, ademais, campeão nacional de salto com vara; piloto de automóveis e um apaixonado pela vida boémia. Também aprendeu números de circo, com o irmão Casimiro, que exibia em festas de beneficência. No dizer de Jorge Leitão Ramos, crítico de cinema do Expresso, Oliveira terá sido, na sua juventude, «um menino rico do Porto, um "dandy" desocupado que se preocupava com as coisas do corpo e algumas do espírito».
Carreira cinematográfica
Ainda jovem Oliveira começa a interessar-se pelo cinema, o que o leva a inscrever-se na escola de actores do cineasta italiano Rino Lupo, quando este se radicou no Porto. Tinha então 20 anos. Em finais dos anos 1920 vê Berlim: sinfonia de uma cidade, documentário vanguardista de Walther Ruttmann, que o influencia profundamente. Tem então a ideia de rodar uma curta-metragem sobre a faina no Rio Douro, o seu primeiro filme. Douro, Faina Fluvial (1931), estreado em Lisboa, suscita a admiração da crítica estrangeira e o desagrado da nacional. Seria o primeiro documentário de muitos que abordariam, de um ponto de vista etnográfico, o tema da vida marítima da costa de Portugal, tal como Nazaré, Praia de Pescadores (1929) de Leitão de Barros (meio ficção meio documentário), Almadraba Atuneira (1961) de António Campos) ou Avieiros (1976) de Ricardo Costa.
Família
Manoel de Oliveira casou no Porto em 4 de dezembro de 1940 com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais (Porto, 1 de setembro de 1918 – Porto, 11 de setembro de 2019). Dessa relação nasceram quatro filhos: Manuel Casimiro Brandão Carvalhais de Oliveira (Porto, Santo Ildefonso, 21 de Novembro de 1941), José Manuel Brandão Carvalhais de Oliveira (Porto, Santo Ildefonso, 4 de Junho de 1944), Isabel Maria Brandão Carvalhais de Oliveira (Porto, Santo Ildefonso, 29 de Junho de 1947), Adelaide Maria Brandão Carvalhais de Oliveira (Porto, Santo Ildefonso, 10 de Outubro de 1948), que casou com Jorge Manuel de Sousa Trêpa (Santo Tirso, 19 de Março de 1943). Teve também vários netos e bisnetos. Um dos netos é o actor Ricardo Trêpa (filho de Adelaide).


